domingo, 15 de janeiro de 2017


Um Inquirimento
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), Ecco Press ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Era meio-dia. Voldyrev, um gentil-homem campestre gordo, alto com cabelo cortado e olhos proeminentes, tirou seu sobretudo, secou sua testa com seu lenço de seda, e algo modestamente entrou no escritório de governo. Lá eles estavam escrevinhando continuamente...

"Onde posso eu fazer um inquirimento aqui?" ele disse, se endereçando a um porteiro que estava trazendo uma bandeja cheia de copos desde os recessos mais adiantados do escritório. "Eu tenho que fazer um inquirimento aqui e tirar uma cópia de uma resolução do Conselho."

"Por ali por favor! Para aquele sentado próximo à janela!" disse o porteiro, indicando com a bandeja a janela mais adiantada. Voldyrev tossiu e foi para a janela; lá, em uma mesa verde com pintas como tifo, estava sentado um homem jovem com seu cabelo levantado em quatro tufos em sua cabeça, com um nariz espinhento, longo, e um uniforme desbotado longo. Ele estava escrevendo, estendendo seu nariz longo dentro dos papéis. Uma mosca estava andando por perto de sua narina direita, e ele estava continuamente estirando para fora seu lábio inferior e soprando sob seu nariz, o que dava a sua face uma expressão extremamente preocupada.

"Posso eu fazer um inquirimento sobre meu caso aqui... de você? Meu nome é Voldyrev, e, aliás, eu tenho que tirar uma cópia da resolução do Conselho do segundo de Março."

O funcionário molhou sua caneta na tinta e olhou para ver se ele tinha colocado demais nela. Tendo se satisfeito de que a caneta não iria fazer um borrão, ele começou a escrevinhar continuamente. Seu lábio estava estirado para fora, mas não era mais necessário soprar: a mosca tinha se assentado em sua orelha.

"Posso eu fazer um inquirimento aqui?" Voldyrev repetia um minuto depois, "meu nome é Voldyrev, eu sou um proprietário de terras. . . ."

"Ivan Alexeitch!" o funcionário gritou no ar como se ele não tivesse observado Voldyrev, "irá você dizer ao mercador Yalikov quando ele chegar para assinar a cópia da queixa guardada com a polícia! Eu tenho dito a ele um milhar de vezes!"

"Eu vim em referência a meu processo com os herdeiros de Princesa Gugulin," murmurou Voldyrev. "O caso é bem conhecido. Eu seriamente lhe peço para me atender."

Ainda falhando em observar Voldyrev, o funcionário pegou a mosca em seu lábio, olhou para ela atenciosamente e a atirou fora. O gentil-homem campestre tossiu e assoou seu nariz ruidosamente em seu lenço de bolso enxadrezado. Mas isto foi inútil também. Ele ainda era não ouvido. O silêncio durou por dois minutos. Voldyrev tomou uma nota de rublo de seu bolso e a deitou sobre um livro aberto diante do funcionário. O funcionário franziu sua testa, puxou o livro para ele com um ar ansioso e o fechou.

"Um pequeno inquirimento. . . . Eu quero somente descobrir sobre que fundamentos os herdeiros de Princesa Gugulin. . . . Posso eu o incomodar?"

O funcionário, absorvido em seus próprios pensamentos, se levantou e, coçando seu cotovelo, foi a um armário para algo. Retornando um minuto depois para sua mesa ele se tornou absorvido no livro novamente: outra nota de rublo estava deitada sobre ele.

"Eu irei o incomodar por um minuto apenas. . . . Eu tenho apenas de fazer um inquirimento. . . ."

O funcionário não ouviu, ele tinha começado a copiar alguma coisa.

Voldyrev franziu as sobrancelhas e olhou desesperadamente à irmandade escrevinhadora toda.

"Eles escrevem!" ele pensou, suspirando. "Eles escrevem, o diabo os leve inteiramente!"

Ele caminhou embora desde a mesa e parou no meio da sala, suas mãos se pendurando desesperançosamente a seus lados. O porteiro, passando novamente com copos, provavelmente notou a expressão desamparada de sua face, pois ele foi para perto dele e lhe perguntou em uma voz baixa:

"Então? Você inquiriu?"
"Eu inquiri, mas ele não queria falar a mim."
"Você lhe dê três rublos," sussurrou o porteiro.
"Eu já lhe dei dois."
"Lhe dê mais um."

Voldyrev voltou para a mesa e deitou uma nota verde sobre o livro aberto.

O funcionário puxou o livro para si novamente e começou a virar as folhas, e subitamente, como se ao acaso, levantou seus olhos para Voldyrev. Seu nariz começou a brilhar, tornou-se vermelho, e se franziu em um sorriso largo.

"Ah . . . o que você quer?" ele perguntou.

"Eu quero fazer um inquirimento em referência a meu caso . . . Meu nome é Voldyrev."

"Com prazer! O caso Gugulin, não é? Muito bem. O que é então exatamente?"

Voldyrev explicou seu negócio.

O funcionário se tornou tão vívido como se ele fosse girado em volta por um furacão. Ele deu a informação necessária, arranjou para que uma cópia fosse feita, deu ao peticionário uma cadeira, e tudo em um instante. Ele mesmo falou sobre o clima e perguntou sobre a colheita. E quando Voldyrev foi embora ele o acompanhou escada abaixo, sorrindo afávelmente e respeitosamente, e parecendo como se ele estivesse pronto a qualquer minuto a cair sobre sua face diante do gentil-homem. Voldyrev por alguma razão se sentiu desconfortável, e em obediência a algum impulso interno ele tomou um rublo fora de seu bolso e o deu ao funcionário. E este se manteve se curvando e sorrindo, e tomou o rublo como um conjurador, de forma que ele pareceu reluzir através do ar.

"Bem, que pessoas!" pensava o gentil-homem campestre enquanto ele saia fora dentro da rua, e ele parou e secou sua testa com seu lenço.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

3 comentários:

  1. Eu trabalho fazendo traduções de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil, das traduções de língua russa para língua inglesa, de Constance Garnett, dos textos de Anton Chekhov, e penso que minhas traduções são perfeitamente próprias. Obrigado pelo retorno.

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  2. Eu trabalho fazendo traduções de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil, das traduções de língua russa para língua inglesa, de Constance Garnett, dos textos de Anton Chekhov, e penso que minhas traduções são perfeitamente próprias. Obrigado pelo retorno.

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