domingo, 29 de janeiro de 2017


Coisas Sós
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

1.

Era uma rotina mental. Ler, traduzir e escrever. Eu, acostumado a solidão, até ao ponto do que é seguro. Mas a segurança espiritual ou mental talvez esteja na constância do sábio de Sêneca ou em algo mais ou menos parecido.

Tinha alguma compreensão pelas séries modernas que tratavam da relação do homem com a tecnologia, embora não as assistisse. O mundo humano sempre mudara na mesma velocidade, eu pensava. Talvez tenhamos que nos adaptar, talvez não.

Uma questão que tinha era a dos inimigos. Lima Barreto tinha desgosto por Nietzsche e por Coelho Neto. Até que ponto o desgosto se assemelhava um pouco a um gosto? O desgosto de Lima Barreto por esses dois o fez os citar, lhes dar atenção, etc. O que Nietzsche disse da amizade em algum lugar, honrar no amigo o inimigo. Todo amigo é um inimigo em potencial, era uma frase minha, hoje estou a publicando. Questão de livre arbítrio. As duas oposições ao amor, de ódio e de indiferença, foram tratadas por Freud em Os Instintos e Suas Vicissitudes, se não me engano. Em Balzac, Ilusões Perdidas, algo como "esse senhor não tem ainda inimigos que o ataquem", se não me engano. Em uma Fábula Fantástica de Bierce, o juiz diz que um homem sem inimigos não tem amigos. Possível interpretar isto como querendo dizer que os amigos sejam inimigos? Ideias sombrias, as quais é melhor deixar de lado.

2.

João Sousa trabalhava com o que queria. Era tradutor de inglês para português do Brasil por caminho. Sua amiga Marisa estava sempre procurando motivos para o colocar para baixo, mas João temia que algumas amizades se mantém mesmo com atributos doentios.

Tinha sido um hábito antigo ir a casa de Marisa depois de uma noite na Lapa, na época da Lapa, pensava ele. Já hoje em dia João Sousa não costumava sair à noite. Olhou a quantidade de suco que havia em casa, era hora de comprar mais. Lembrou-se de se comunicar com Joana, era sempre bom dizer alô para essa outra amiga. O tempo ia passando e as amizades se mantendo com dificuldade. Melhor esperar alguma coisa em uma rede social por computador.

Tentou ler alguma coisa realmente interessante. Lima Barreto era sempre algo a considerar.

3.

João Sousa era uma pessoa tranquila, tinha noção boa de suas qualidades. Era uma pessoa que ocupava seu tempo com ler, e escrever. Em algumas perambulações suas conhecera de vista mulheres de seu bairro, que mais tarde viria a encontrar numa rede social de rede de computadores. Como abrir contato através de uma rede, era uma questão com a qual se ocupava. Mas sabia que não era necessário saber o nome de uma mulher para que ela fosse uma conhecida, ao menos em algum seu criterio.

4.

João Caminha tinha trinta e cinco anos e passara sua vida construindo sua reputação. Às vezes fraquejara e viera-lhe a falsa pergunta, "por que as pessoas eram ingratas"? A lei da realidade talvez fosse essa, que cada um pensa em si, estão todos sempre em conflito, os amigos em conflito silencioso, por questão da importância que se dá a seu trabalho.

Caminha se perguntava a respeito da filosofia. Cada filósofo parecia querer dar algo a sociedade, mas ao mesmo tempo era uma pessoa interessada em si mesma. A generosidade pode ser o melhor caminho do egoísmo comum a nós. Mesmo Nietzsche pensava assim, se bem me lembro.

Saiu uma vez e foi à padaria esperar uma pessoa. Com o tempo sair se tornou algo cada vez mais raro. Vivia em contato com o mundo através da interrede de telecomunicações. Ler e escrever era a sua rotina.

sábado, 28 de janeiro de 2017


As Tribos Índias de Guiana - Mitologia e Contos lendários, Trecho
De W. H. Brett.
De The Indian Tribes of Guiana - Mythology and Legendary Tales , p. 377, https://archive.org/details/indiantribesofgu00bret .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

(...)

Os Índios que têm estado muito em contato com civilização estão rapidamente esquecendo as tradições antigas de sua raça. Mas esses contos ainda florescem no interior distante, e a região de pântano melancólica se estendendo para o Orinoco. Nas vilas dessas selvas distantes, como ainda não visitadas por homem civilizado, essas lendas, preservadas através de muitas gerações, são ainda repetidas pelos anciãos, se reclinando em suas redes sobre as fogueiras de noite, para suas crianças ;---que, não tendo nenhum outro conhecimento, implicitamente acreditam nelas e cuidadosamente as preservam e as transmitem.

De um assim instruído em infância pelos antigos de sua tribo, eu obtive a lenda seguinte. Ela irá, eu penso, dar uma ideia toleravelmente correta dessas "histórias de pessoas velhas", como a raça que surge algo desdenhosamente as chama. Ela é uma fábula em que, como naquelas de Esopo, animais figuram grandemente ; e algumas partes são muito absurdas, como era de ser esperado nos contos fantasiosos com que aquelas crianças de crescimento maior divertem suas horas de lazer. O Acawoio que a repetiu, enquanto se esforçando para manter um aspecto muito grave, como era adequado para a natureza geral do tema, evidentemente gostou de algumas partes do recital.

"No começo deste mundo os pássaros e bestas foram criados por Makonaima,---o grande espírito a quem nenhum homem há visto. Eles, àquele tempo, estavam todos dotados com a dádiva da fala. Sigu, o filho de Makonaima, foi colocado para governar sobre eles. Todos viviam em harmonia juntos e se submetiam a seu domínio gentil. Eles eram enviados diariamente para se alimentarem nas florestas a redor, e em sua volta cada um trazia uma porção da melhor comida que pudesse encontrar como um ato de homenagem respeitosa a seu protetor e senhor.

"As produções selvagens da floresta eram então a única comida de homem e besta. Cultivação era desconhecida. Mas Makonaima, para surpreender suas criaturas com sua generosidade, estava fazendo surgir da terra uma árvore enorme e maravilhosa. Cada ramo dessa  árvore grande produzia um tipo diferente de fruta: enquanto de e em volta de seu tronco cresciam bananas, bananas-da-terra, e cassava[1]; com milho, e trigo[2] de todos tipos. Inhames e outros comestíveis também cresciam de e encadeados em volta das raízes desta árvore famosa, que (embora homens brancos não a conheçam) é o estoque original desde onde surgiram 'todas' as plantas agora cultivadas entre as nações da terra.

"O acouri[3], trotando inquisitivamente ao redor com suas pernas esguias, ágeis, e olhos pretos-brilhantes, primeiro descobriu esta árvore grande. Diariamente ele vinha para o local, e egoistamente comia sua fartadela, sem fazê-lo conhecido para o benefício público. Sua condição excelente, contudo, e alguns restos de fruta deliciosa aderindo a seus lábios, causaram a verdade de ser suspeitada apesar de suas negações.

"Sigu de acordo comissionou o pica-pau para o manter em vista. O pica-pau, um pássaro bem-intencionado e honesto, o fez perseverantemente, porém falhou em o detectar. Por ter uma grande afeição por formigas-de-madeiras e outros insetos, ele não pôde resistir a tentação de examinar todo ramo seco no caminho. O cauteloso acouri, ouvindo um tap-tap contínuo sobre sua cabeça onde quer que ele fosse, não iria visitar a árvore aquele dia.

"O rato foi então enviado adiante, que se provou um detetive excelente. Ele trouxe para casa espécimens da fruta melhor, condenou o acouri, na presença de Sigu e a comunidade toda, de egoismo e falsidade, e os conduziu para aquele chão-de-alimentação escolhido.

"Todos ficaram satisfeitos, e desejosos de desfrute contínuo até que o todo devesse ser consumido. Mas Sigu, dotado com razão, e consciente de gerações futuras, determinou cortar abaixo a árvore, e reabastecer a terra toda ao redor por plantando toda muda de planta e semente que ela fornecesse. Na última tarefa ele empregou todas as bestas e pássaros por algum tempo, isso sendo para o bem público.---Essa foi a primeira tentativa sobre terra de cultivação.

"Todos assistiram voluntariamente exceto Iwarrika" (o macaco), "que sendo muito preguiçoso e cheio de maldade, evitou sua porção do labor, e por seus truques frustrava os esforços dos outros. Como ele não iria fazer nenhum bem, Sigu, para o manter de fazer mal, por fim o enviou para uma ribeira para pegar água, lhe dando somente uma 'quake'[4], ou cesta de trabalho ornamental com claros ou aberturas no material[5], para a trazer dentro.

"O tôco da árvore maravilhosa foi visto de ser ôco, e a cavidade enchida com água, contendo a prole de toda variedade de peixe de água-doce. (Até àquele período peixes tinham somente existido no grande mar de sal.) Sigu determinou estocar com eles todas as ribeiras e lagos sobre terra, em tão justa uma maneira que toda variedade de peixe escolhido devesse ser vista em cada um." Mas esta intenção,--tão equitativa e benevolente para gerações futuras,--foi inesperadamente frustrada. "A água na cavidade, sendo conectada com uma fonte ou reservatório subterrânea, começou a transbordar. Para parar seu aumento, ele apressadamente construiu uma cesta hermeticamente tecida[6] do tipo chamado 'wallamba' (ou warrampa), com a qual ele cobriu o tôco, e isto, por certo poder mágico, restringiu a fonte inchante dentro.

"Iwarrika, o macaco maligno, cansado de sua tarefa sem lucro, retornou secretamente. Vendo a wallamba invertida, ele imaginou que ela cobrisse a fruta mais selecionada, especialmente reservada para o refrescamento de seu mestre quando o labor de plantar devesse ter terminado. Para natureza-de-macaco a tentação assim oferecida foi irresistível. Ali estavam as mais finas guloseimas, e ninguém perto! Uma tal chance poderia nunca acontecer novamente. Então ele apressadamente forçou acima a cobertura mágica, e o outro instante estava arfando e lutando em terror abjeto e espanto, sendo subvertido[7] e quase afogado por uma torrente poderosa que rompeu adiante, e desde uma abertura rapidamente aumentante sobre-espalhou-se ao redor da terra.(1)

"Coligindo seu pequeno rebanho junto para os salvar das águas que subiam, Sigu os levou para o ponto mais alto de terra, em que cresciam algumas palmeiras cocorite enormes. Selecionando a mais alta destas, ele fez os pássaros e animais trepadores ascenderem. Os animais que não podiam trepar, e que não eram anfíbios, ele colocou em uma caverna com uma entrada muito estreita. Esta ele fechou cuidadosamente, e selou com cera, depois de dar aos internos[8] um chifre longo com que furar a cera, e conferir se as águas estavam acima de seu nível ou não." O que eles fizeram para AR não nos é informado.

"Sigu, tendo assim feito seu melhor para a segurança de todos, escalou a cocorite; sendo levado pela água que subia aos ramos mais altos. Uma noite terrível, ou preferivelmente período de escuridão e tempestade igual em duração a muitos dias e noites, então decorreu, durante a qual todos sofreram intensamente de frio e fome.

"Arowta" (1) (o macaco vermelho grande, erradamente chamado o babuíno, um animal não de grande beleza, mas, como parece, de natureza sensível) "agudamente sentiu esse estado doloroso de coisas, e estando finalmente quase sobrepujado por seus sentimentos, deu expansão a sua própria miséria, e aumentou aquela de todos em volta, por gritando na maneira mais horrível. Seus gritos horríveis,--saindo desde sua garganta distendida, e aumentando com seu terror--se tornaram ensurdecedores, quando finalmente ele achou seus pés e rabo, e o ramo a que eles apertadamente se seguravam, imersos nas águas inchantes.

"O bom Sigu, ansioso pela segurança de todos, pacientemente suportou isto e todo outro desconforto, e de tempo em tempo deixava cair as sementes da cocorite dentro da água, que ele poderia julgar pelo som de sua elevação. Finalmente os períodos que transcorriam antes que o splash fosse ouvido se tornaram mais longos e mais longos. Então finalmente foi ouvido o som surdo das sementes golpeando a terra macia, e ao mesmo tempo os pássaros, cada um com sua própria nota peculiar, começaram alegremente a saudar a aproximação do dia."

1 A crença dos nativos de Hayti, que as águas do dilúvio universal romperam adiante de uma cucurbitácea[9] grande, em que um cacique tinha colocado os ossos de seu filho único (depois de o matar por traição), e que foi acidentamente atirada abaixo por alguns intrometidos que desejavam espiar[10] dentro dela, era ainda mais absurda do que o acima. Na água inchante e peixes achados dentro da cucurbitácea pelo cacique previamente ao acidente, e seu cuidado depois dessa descoberta para a manter fechada, há uma grande semelhança a esta lenda Acawoio, embora todas as outras circunstâncias são largamente diferentes. (Ver Columbus de Irving, livro vi. cap. x,)

1 Chamado pelos Caribs Arawáta.--As palavras Araguáto e Alouáte, por que alguns escritores designam o 'Mycetes' ou macaco gritador[11], são derivadas da acima.

As aventuras que se seguiram--como o waracabba, ou pássaro-trompetista faminto, desobedecendo Sigu, se aventurou na terra na luz indistinta para procurar comida; e teve suas pernas, até então de tamanho respeitável, imediatamente cobertas e devoradas por legiões de formigas famintas saindo de seus ninhos, de forma que pouco além dos esguios ossos parecidos com gravetos permaneceu ;--como Sigu resgatou seu trompetista desafortunado, e com infinito problema acendeu uma faísca de fogo, que, enquanto ele procurava por combustível, o marudi (ou ave-de-arbusto[12]) devorou em engano por um inseto vermelho brilhante;--como o jacaré, que tinha justamente vindo em terra firme para prestar seus respeitos, sendo acusado, por causa de sua feiúra e mau caráter geral, de ter maliciosamente a engolido, teve sua língua puxada para fora pelas raízes que, por olhando abaixo de sua garganta, a verdade pudesse ser averiguada em uma maneira muito satisfatória (ao menos para os outros) ;-- como o marudi foi então demonstrado de ser o culpado real pela faísca brilhante que ficou presa em sua garganta, causando o barbilhão vermelho brilhante ou aumento da pele exterior;--essas e as várias faltas ou infortúnios dos outros pássaros e animais não precisam mais ser relatadas além.

É suficiente dizer, deva qualquer um ser cético, que os Índios podem apontar para seus efeitos, que são manifestos e visíveis para todos no dia presente. Pois "os marudis todos carregam em suas gargantas a marca vermelha da pressa azarada de seu ancestral ;--os waracabbas perpetuam, em suas esguias desculpas para pernas, os efeitos do infortúnio que aconteceu ao primeiro trompetista ;--e todos os jacarés" (assim os Índios dizem) "são, até este dia, destituídos de línguas."

De maneira semelhante, os esforços estrênuos do "babuíno" para expressar suas tristezas durante a enchente nós devemos supor de ter ocasionado esse inchaço da garganta (ou expansão óssea parecida com tambor da laringe) que é vista em seus descendentes, e lhes permite, em notas rugidoras dignas de seu progenitor, expressar seus sentimentos, quando quer que eles estejam excitados, ou, perto da manhã, sintam fome e frio.

O macaco, cujas propensões disonestas causaram a enchente, permaneceu não-curado de sua inatividade, amor por maldade, e furtar, e transmitiu essas qualidades não diminuídas para suas crianças. Ele parece, contudo, ter adquirido um horror profundo de um mergulho, que eles também totalmente partilham, e irão manifestar a qualquer um o administrando a eles.

"O plano de cultivo de Sigu prosperou, já que as plantas todas cresceram depois que as águas tinham baixado ; mas os peixes de água-doce, tendo sido dispersados e deixados a si mesmos, acharam seu caminho para as ribeiras tão irregularmente, que muitos rios são até hoje destituídos dos tipos mais selecionados."

Desta maneira os Acawoios e outros Índios fantasiosamente, e com algum humor, se empenham em dar a razão de o que quer que lhes pareça notável em natureza, e enxertam essas fantasias em tradições do Dilúvio, e o que carrega alguma semelhança àquela da "era dourada".

Para essa lenda existe uma segunda parte repetida por alguns, em que a mãe de Sigu aparece, e dois irmãos malvados que o odeiam e o perseguem, que ele suporta com paciência invencível. Eles o espancam até a morte, o queimam até cinzas, e o enterram vivo; mas com todos os seus esforços malvados não podem dar um fim dele, já que ele revive continuamente. Depois de suportar toda maneira de ferimentos, ele finalmente ascende para uma montanha alta e precipitosa, subindo mais alto e mais alto até que ele se perde de vista. Essas adições ao conto original podem ter surgido desde alguns relatos imperfeitos, ouvidos pelos ancestrais de Europeus, dos sofrimentos de santos, ou dAquele que é mais alto do que todos santos. Como os antigos Gregos atribuiam a seu semi-deus Hercules, e os heróis de sua própria mitologia, os feitos maravilhosos que eles ouviam dos heróis de outras terras, assim na história de Sigu, o personagem heróico dos Acawoios, o que quer que grandemente golpeasse sua fantasia deles iria naturalmente ser incorporado, em alguma forma alterada, depois que sua fonte verdadeira tivesse sido esquecida.--Eu posso adicionar que foi uma surpresa agradável para mim achar, na mitologia de tão selvagem uma raça, um herói tão geralmente paciente e benevolente como ele é representado.

Para permitir ao leitor julgar justamente dos contos legendários dessa tribo importante, eu tenho dado o acima quase em totalidade, não obstante a puerilidade de algumas porções.

(...)

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

Notas de Tradução:

[1] cassava, mandioca.
[2] corn, trigo na Inglaterra.
[3] acouri, accouri, agouti, cutia.
[4] 'quake'.
[5] open-work basket.
[6] closely-woven.
[7] being overturned.
[8] inmates.
[9] 'gourd'.
[10] peep.
[11] howling monkey.
[12] bush-fowl.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017


Uma Casa de Campo
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), Ecco Press ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.


Duas pessoas jovens que tinham não há muito estado casadas estavam andando para cima e para baixo da plataforma de uma pequena estação de campo. O braço dele estava em volta da cintura dela, a cabeça dela estava quase no ombro dele, e ambos estavam felizes.

A lua despontava desde as nuvenzinhas vagueantes e franzia as sobrancelhas, como parecia, invejando a felicidade deles e lamentando a virgindade completamente supérflua e tediosa dela. O ar parado estava pesado com a fragrância de lilás e cereja selvagem. Em algum lugar na distância além da linha um codornizão estava chamando.

"Quão belo é, Sasha, quão belo!" murmurou a jovem esposa. "Tudo parece como um sonho. Veja, quão doce e convidativo aquele pequeno bosque parece! Quão bonitos esses postes de telégrafo silenciosos, sólidos são! Eles adicionam uma nota especial à paisagem, sugerindo humanidade, civilização na distância.... Você não acha que é amável quando o vento traz o som apressado de um trem?"

"Sim. . . . Mas que mãos pequenas quentes você tem... Isso é porque você está excitada, Varya.... O que você tem para nosso jantar esta noite?"

"Galinha e salada.... É uma galinha justamente grande o suficiente para dois.... Então há o salmão e sardinhas que foram enviados da cidade."

A lua como se ela tivesse tomado uma pitada de rapé escondeu sua face atrás de uma nuvem. Felicidade humana a lembrava de sua própria solidão, de seu sofá solitário além das colinas e vales.

"O trem está vindo!" disse Varya, "quão alegre!"

Três olhos de fogo podiam ser vistos na distância. O mestre de estação saiu na plataforma. Luzes de sinalização reluziam aqui e ali sobre a linha.

"Vamos ver o trem chegar e ir para casa," disse Sasha, bocejando. "Que horas esplêndidas nós estamos tendo juntos, Varya, é tão esplêndido, que um pode dificilmente acreditar que é verdade!"

O monstro escuro se arrastava sem ruído ao longo da plataforma e veio a uma parada. Eles pegaram vislumbres de caras sonolentas, de chapéus e ombros às janelas obscuramente iluminadas.

"Olhem! Olhem!" eles ouviram de um dos vagões. "Varya e Sasha vieram para nos encontrarem! Ali estão eles!... Varya!...Varya....Olhem!"

Duas garotas pequenas pularam fora do trem e se penduraram no pescoço de Varya. Elas foram seguidas por uma dama de meia idade, corpulenta, e um gentil-homem magricelo, alto com fios de barba grisalhos; atrás deles vinham dois garotos de escola, carregados com malas, e depois dos garotos de escola, a governanta, depois da governanta a avó.

"Aqui estamos nós, aqui estamos nós, querido garoto!" começou o gentil-homem de barba, apertando a mão de Sasha. "Cansado de esperar por nós, eu espero! Você tem estado atacando seu velho tio com vigor por não vir aqui todo esse tempo, eu me arrisco a dizer! Kolya, Kostya, Nina, Fifa ... crianças! Beijem seu primo Sasha! Nós estamos todos aqui, a tropa toda de nós, apenas por três ou quatro dias.... Eu espero que nós não vamos ser demais para você? Você não deve nos deixar o aborrecer!"

À vista do tio deles e de sua família, o jovem casal foram atacados de horror. Enquanto seu tio falava e os beijava, Sasha teve uma visão de seu pequeno chalé: ele e Varya abandonando seus três quartos pequenos, todos os travesseiros e roupa de cama para seus hóspedes; o salmão, as sardinhas, a galinha todos devorados em um único instante; os primos arrancando as flores em seu pequeno jardim, derramando a tinta, enchiam o chalé com barulho e confusão; a tia dele falando continuamente sobre as doenças dela e o papai dela ter sido Barão von Fintich ....

E Sasha olhou quase com ódio para sua jovem esposa, e sussurrou:

"É você que eles vieram para ver!... Danem-se eles!"

"Não, é você," respondeu Varya, pálida com raiva. "Eles são suas relações! eles não são minhas!"

E virando para seus visitantes, ela disse com um sorriso de boas-vindas: "Bem-vindos à casa de campo!"

A lua saiu novamente. Ela parecia sorrir, como se ela estivesse grata de que não tinha parentes. Sasha, virando sua cabeça fora para esconder sua face desesperante raivosa, lutou para dar uma nota de boas-vindas cordiais a sua voz enquanto ele dizia:

"É alegre de vocês! Bem-vindos à casa de campo!"


Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

domingo, 15 de janeiro de 2017


Um Inquirimento
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), Ecco Press ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Era meio-dia. Voldyrev, um gentil-homem campestre gordo, alto com cabelo cortado e olhos proeminentes, tirou seu sobretudo, secou sua testa com seu lenço de seda, e algo modestamente entrou no escritório de governo. Lá eles estavam escrevinhando continuamente...

"Onde posso eu fazer um inquirimento aqui?" ele disse, se endereçando a um porteiro que estava trazendo uma bandeja cheia de copos desde os recessos mais adiantados do escritório. "Eu tenho que fazer um inquirimento aqui e tirar uma cópia de uma resolução do Conselho."

"Por ali por favor! Para aquele sentado próximo à janela!" disse o porteiro, indicando com a bandeja a janela mais adiantada. Voldyrev tossiu e foi para a janela; lá, em uma mesa verde com pintas como tifo, estava sentado um homem jovem com seu cabelo levantado em quatro tufos em sua cabeça, com um nariz espinhento, longo, e um uniforme desbotado longo. Ele estava escrevendo, estendendo seu nariz longo dentro dos papéis. Uma mosca estava andando por perto de sua narina direita, e ele estava continuamente estirando para fora seu lábio inferior e soprando sob seu nariz, o que dava a sua face uma expressão extremamente preocupada.

"Posso eu fazer um inquirimento sobre meu caso aqui... de você? Meu nome é Voldyrev, e, aliás, eu tenho que tirar uma cópia da resolução do Conselho do segundo de Março."

O funcionário molhou sua caneta na tinta e olhou para ver se ele tinha colocado demais nela. Tendo se satisfeito de que a caneta não iria fazer um borrão, ele começou a escrevinhar continuamente. Seu lábio estava estirado para fora, mas não era mais necessário soprar: a mosca tinha se assentado em sua orelha.

"Posso eu fazer um inquirimento aqui?" Voldyrev repetia um minuto depois, "meu nome é Voldyrev, eu sou um proprietário de terras. . . ."

"Ivan Alexeitch!" o funcionário gritou no ar como se ele não tivesse observado Voldyrev, "irá você dizer ao mercador Yalikov quando ele chegar para assinar a cópia da queixa guardada com a polícia! Eu tenho dito a ele um milhar de vezes!"

"Eu vim em referência a meu processo com os herdeiros de Princesa Gugulin," murmurou Voldyrev. "O caso é bem conhecido. Eu seriamente lhe peço para me atender."

Ainda falhando em observar Voldyrev, o funcionário pegou a mosca em seu lábio, olhou para ela atenciosamente e a atirou fora. O gentil-homem campestre tossiu e assoou seu nariz ruidosamente em seu lenço de bolso enxadrezado. Mas isto foi inútil também. Ele ainda era não ouvido. O silêncio durou por dois minutos. Voldyrev tomou uma nota de rublo de seu bolso e a deitou sobre um livro aberto diante do funcionário. O funcionário franziu sua testa, puxou o livro para ele com um ar ansioso e o fechou.

"Um pequeno inquirimento. . . . Eu quero somente descobrir sobre que fundamentos os herdeiros de Princesa Gugulin. . . . Posso eu o incomodar?"

O funcionário, absorvido em seus próprios pensamentos, se levantou e, coçando seu cotovelo, foi a um armário para algo. Retornando um minuto depois para sua mesa ele se tornou absorvido no livro novamente: outra nota de rublo estava deitada sobre ele.

"Eu irei o incomodar por um minuto apenas. . . . Eu tenho apenas de fazer um inquirimento. . . ."

O funcionário não ouviu, ele tinha começado a copiar alguma coisa.

Voldyrev franziu as sobrancelhas e olhou desesperadamente à irmandade escrevinhadora toda.

"Eles escrevem!" ele pensou, suspirando. "Eles escrevem, o diabo os leve inteiramente!"

Ele caminhou embora desde a mesa e parou no meio da sala, suas mãos se pendurando desesperançosamente a seus lados. O porteiro, passando novamente com copos, provavelmente notou a expressão desamparada de sua face, pois ele foi para perto dele e lhe perguntou em uma voz baixa:

"Então? Você inquiriu?"
"Eu inquiri, mas ele não queria falar a mim."
"Você lhe dê três rublos," sussurrou o porteiro.
"Eu já lhe dei dois."
"Lhe dê mais um."

Voldyrev voltou para a mesa e deitou uma nota verde sobre o livro aberto.

O funcionário puxou o livro para si novamente e começou a virar as folhas, e subitamente, como se ao acaso, levantou seus olhos para Voldyrev. Seu nariz começou a brilhar, tornou-se vermelho, e se franziu em um sorriso largo.

"Ah . . . o que você quer?" ele perguntou.

"Eu quero fazer um inquirimento em referência a meu caso . . . Meu nome é Voldyrev."

"Com prazer! O caso Gugulin, não é? Muito bem. O que é então exatamente?"

Voldyrev explicou seu negócio.

O funcionário se tornou tão vívido como se ele fosse girado em volta por um furacão. Ele deu a informação necessária, arranjou para que uma cópia fosse feita, deu ao peticionário uma cadeira, e tudo em um instante. Ele mesmo falou sobre o clima e perguntou sobre a colheita. E quando Voldyrev foi embora ele o acompanhou escada abaixo, sorrindo afávelmente e respeitosamente, e parecendo como se ele estivesse pronto a qualquer minuto a cair sobre sua face diante do gentil-homem. Voldyrev por alguma razão se sentiu desconfortável, e em obediência a algum impulso interno ele tomou um rublo fora de seu bolso e o deu ao funcionário. E este se manteve se curvando e sorrindo, e tomou o rublo como um conjurador, de forma que ele pareceu reluzir através do ar.

"Bem, que pessoas!" pensava o gentil-homem campestre enquanto ele saia fora dentro da rua, e ele parou e secou sua testa com seu lenço.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017


Um Oficial e um Rufião
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions, ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Um Chefe de Polícia que tinha visto um Oficial espancando um Rufião estava muito indignado, e disse que ele não deveria o fazer mais sob pena de demissão.

"Não seja tão duro comigo," disse o Oficial, sorrindo; "Eu estava o espancando com um cacete estofado."

"De toda forma," persistiu o Chefe de Polícia, "foi uma liberdade que precisa ter sido muito desagradável, embora ela possa não ter machucado. Por favor não a repita."

"Mas," disse o Oficial, ainda sorrindo, "ele era um Rufião estofado."

Em tentando expressar sua gratificação, o Chefe de Polícia estirou sua mão direita com tal violência que sua pele se rompeu no suvaco e uma torrente de serragem se derramou da ferida. Ele era um Chefe de Polícia estofado.

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.


Dois Reis
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions, ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

O Rei de Madagao, estando engajado em uma disputa com o Rei de Bornegascar, escreveu-lhe como segue:

"Antes de proceder adiante nessa matéria eu demando o chamamento de volta de seu Ministro de minha capital."

Grandemente enfurecido por essa demanda impossível, o Rei de Bornegascar replicou:

"Eu não vou chamar de volta meu Ministro. Além disso, se você não retrair imediatamente sua demanda eu vou retirá-lo!"

Essa ameaça tanto aterrorizou o Rei de Madagao que na pressa de cumprir ele caiu sobre seus próprios pés, quebrando o Terceiro Mandamento.

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017


O Juiz e o Queixoso
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Um Homem de Experiência em Negócio estava esperando o julgamento da Corte em uma ação por danos que ele tinha trazido contra uma companhia de estrada-de-ferro. A porta abriu e o Juiz da Corte entrou.

"Bem," disse ele, "Eu vou decidir seu caso hoje. Se eu devesse decidir em seu favor, eu gostaria de saber como você iria expressar sua satisfação?"

"Senhor," disse o Homem de Experiência em Negócio, "eu deveria arriscar sua raiva por oferecendo a você uma metade da soma concedida."

"Disse eu que eu estava indo decidir esse caso?" disse o Juiz, abruptamente, como se acordando de um sonho. "Caro eu, quão ausente-de-mente eu estou. Eu quero dizer que eu já o decidi, e julgamento foi introduzido para o montante total para que você processou."

"Disse eu que eu iria dar a você uma metade?" disse o Homem de Experiência em Negócio, friamente. "Caro eu, quão perto eu cheguei de ser um canalha. Eu quero dizer, que eu sou grandemente obrigado a você."

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.


O Lobo e o Cordeiro
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Um Cordeiro, perseguido por um Lobo, fugiu para dentro do templo.

"O clérigo irá apanhar você e o sacrificar," disse o Lobo, "se você permanecer aí."

"É justamente tão bem ser sacrificado pelo clérigo como ser comido por você," disse o Cordeiro.

"Meu amigo," disse o Lobo, "me dói ver você considerando tão grande uma questão desde um ponto de vista puramente egoísta. Não é justamente tão bem para mim."

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.


O Homem e o Cachorro
De Ambrose Bierce.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

A um homem que tinha sido mordido por um Cachorro foi dito que a ferida iria se curar se ele embebesse um pedaço de pão no sangue e o desse para o Cachorro. Ele o fez.

"Não," disse o Cachorro; "se eu fosse aceitar isso, poderia ser pensado que em mordendo você eu fosse acionado por motivos impróprios."

"E por que motivos você foi acionado?" perguntou o Homem.

"Eu desejava," replicou o Cachorro, "meramente harmonizar a mim mesmo com o Esquema Divino de Coisas. Eu sou uma criança de Natureza."

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.


O Homem Sem Inimigos
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Uma Pessoa Inofensiva andando em um lugar público foi assaltada por um Estranho com um Cacete, e severamente espancada.

Quando o Estranho com um Cacete foi trazido a tribunal, o queixoso disse ao Juiz:

"Eu não sei por que eu fui assaltado; eu não tenho um inimigo no mundo."

"Isso," disse o réu, "é por que eu o golpeei".

"Deixem o prisioneiro ser absolvido," disse o Juiz; "um homem que não tem inimigos não tem amigos. As cortes não são para tais."

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017


A Sombra do Líder
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Um Líder Político estava andando fora um dia ensolarado, quando ele observou sua Sombra o deixando e andando rapidamente embora.

"Volte aqui, sua salafrária," ele gritou.

"Se eu tivesse sido uma salafrária," respondeu a Sombra, aumentando sua velocidade, "eu não deveria ter deixado você."

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. https://priberam.pt/dlpo/Default.aspx , norma brasileira.


O Rato Sagaz
De Ambrose Bierce.
De Fantastic Fables, Dover Thrift Editions, ou http://www.gutenberg.org/ebooks/374 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Um rato que estava prestes a emergir de seu buraco pegou um vislumbre de um Gato esperando por ele, e descendendo para a colônia ao fundo do buraco convidou um Amigo para se unir a ele em uma visita a um granel de milho vizinho. "Eu iria ter ido sozinho," ele disse, "mas não poderia me negar o prazer de tal companhia distinta."

"Muito bem," disse o Amigo, "Eu irei ir com você. Vá na frente."

"Frente?" exclamou o outro. "O quê! Eu preceder tão grande e ilustre um rato como você? Não, de fato--depois de você, senhor, depois de você."

Satisfeito com essa grande demonstração de deferência, o Amigo foi em frente, e, deixando o buraco primeiro, foi pego pelo Gato, que imediatamente trotou embora com ele. O outro então saiu não-molestado.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira da língua portuguesa.
Cf. dict, GNU/Linux.
Cf. https://priberam.pt/dlpo/Default.aspx , norma brasileira.