Luiz Antonio Peixoto de Andrade
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade morava no Rio de Janeiro desde que nascera. Raramente tinha viajado para outras cidades, mas conhecia bem a cidade em que morava. Sempre morara na Zona Sul, mas tinha uma boa ideia dos bairros da Zona Norte e Zona Oeste. Desceu do Uber na Voluntários da Pátria, quase chegando à praia de Botafogo. Gostava daquela área de prosperidade de Botafogo, com muitos restaurantes e bares abertos durante o dia e parte da noite. Subiu ao quinto andar de um prédio próximo ao cinema Estação NET Rio para dar um beijo em sua avó, e desceu de novo para ver o movimento na rua Nelson Mandela.
Uma mulher em particular lhe chamou atenção, de cabelos brancos curtos, e um corpo muito bem desenhado, numa saia branca com estampas. Era mais velha que ele, presumia, ca. de vinte anos. Andrade tinha um fraco por mulheres mais velhas. Mas de que adiantava tentar se aproximar se o resultado era raramente positivo? Chegava a admirar o amor platônico que sentia e que o satisfazia, em vez de lamentar a dificuldade de um amor não-platônico. Observou a mulher com calma enquanto bebia um refrigerante zero, era realmente linda para ele. Andrade usava óculos por ter miopia. Pensou que talvez ela aparecesse por ali mais vezes, quem sabe talvez se reconhecessem um ao outro algum dia. Não tinha ambição de um relacionamento, pois tinha uma noção muito clara das dificuldades impostas por um. Era melhor, para Andrade, continuar só, e fazer o melhor que podia escrevendo ao computador seus textos de contos de ficção.
Resolveu escrever um conto em que tudo desse certo. Ofereceu uma bebida à mulher, que estava com uma amiga, depois de trocar olhares com a primeira. Ela aceitou e a amiga logo se levantou para ir embora e os deixar a sós. Começaram uma conversa, ela se chamava Luiza Carvalho de Almeida, tinha sessenta anos, e trabalhava como secretária em uma repartição da Cedae. Andrade disse que ela era linda, e ela aceitou o elogio com gosto. Andrade estava tranquilo e a coisa fluia com naturalidade. Conversaram sobre livros e autores importantes para cada um, Andrade citou Artur Azevedo e Fiodor Dostoievski, Luiza Carvalho de Almeida citou Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles, e quando Andrade lhe perguntou sobre autores em domínio público, Luiza C. de Almeida citou Lima Barreto. Tinham interesse em comum por Lima Barreto, cuja obra Andrade tinha praticamente toda, tanto em formato digital como em papel imprimido, assim como tinha a obra de Artur Azevedo, disponível em www.dominiopublico.gov.br .
Andrade não via a hora de dar um beijo em Luiza de Almeida, e quando a hora de pagar a conta chegou, Luiza pagou o que tinha consumido antes, e convidou Andrade para ir a sua casa. Ela morava na Gávea, e ele também, então era muito conveniente para os dois. Andrade sempre morara na Gávea, Luiza Carvalho de Almeida se mudara de Laranjeiras para lá havia pouco tempo, daí não terem se visto antes por lá.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade acompanhou Luiza Carvalho de Almeida até o apartamento dela na rua Marquês de São Vicente, ela lhe ofereceu uma bebida, ele aceitou uma limonada. Eram umas nove horas da noite. Andrade estava fascinado por aquela mulher que parecia ler seus pensamentos e não discordar deles. Passou a noite no apartamento dela depois de avisar a seus pais que ia dormir fora. Passaram uma noite linda e ao acordar tomaram café da manhã juntos, era sábado então, tinham se encontrado numa sexta-feira. Andrade sentia que estava se apegando àquela mulher, e só torcia para que a história não degringolasse em lugar algum. De qualquer forma, já tinha uma boa história e boas lembranças com aquela mulher que até o dia anterior era uma desconhecida para ele. Luiza C. de Almeida era carioca também, como era Andrade, e ambos se identificavam com isso. Ela estava se apaixonando por Luiz Antonio P. de Andrade, e também com medo de que algo desse errado naquela história.
Resolveram ir ao cinema juntos no sábado, foram ao Shopping da Gávea assistir a uma comédia romântica. Luiz Andrade já se sentia em um relacionamento, e as coisas só pareciam melhorar com o tempo. Tinham o WhatsApp um do outro e se falavam com regularidade nas próximas semanas. Luiza de Almeida passou a ser admiradora de Luiz de Andrade como escritor, lendo os contos que Andrade escrevia como escritor amador. Luiza C. de Almeida também escrevia contos, e memórias.
Aquele relacionamento durou até o fim da vida de Luiza Carvalho de Almeida, que viu Andrade atingir reconhecimento como escritor a seu lado. Andrade também tinha outras mulheres, mas isso não incomodava Luiza de Almeida. Andrade teve filhos com sua esposa, mas continuou seu relacionamento com Luiza, e ambos sempre se ajudavam mutuamente no que podiam. Luiza adotou uma criança logo depois de conhecer Andrade, Mariana, e Luiz Andrade foi como um pai para ela. Sua história com Luiza foi um dos mais belos casos de amor de sua vida, quiçá o mais belo. Luiza chegou aos cem anos lúcida, e seu relacionamento com Andrade continuava firme. Andrade escreveu um conto que contava a história de seu relacionamento com Luiza de Almeida.
Luiza Carvalho de Almeida faleceu com cento e dez anos, lúcida, deixando significativa obra literária, e ainda em relacionamento com Luiz de Andrade, então com noventa anos. Mariana Carvalho de Almeida continuou seu relacionamento de paternidade com Luiz Antonio Peixoto de Andrade. Mariana de Almeida se tornou escritora também, como a mãe e a figura paterna, e Andrade escreveu um texto em colaboração com ela, entitulado Amor Duradouro.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade viria a falecer com cento e oito anos, deixando um legado, seus textos de contos de ficção, de uma vida inteira, seus filhos, também escritores, e em seus textos autobiográficos jamais deixou de ressaltar a importância de Luiza Carvalho de Almeida em sua vida. Seu grande amor, em uma história em que praticamente tudo dera certo. Um conto de fadas moderno, quase inverossímil de tão perfeito que fora, aquele amor. Mariana Carvalho de Almeida levava adiante os nomes de sua mãe com muita competência, escrevendo textos de alta qualidade. Sua relação com Luiz de Andrade durou até o fim da vida dele.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
João Antônio Sousa de Andrade
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
João Antônio Sousa de Andrade tinha 38 anos, e se ocupava em ler e escrever digitando ao computador. Um dia teve a ideia de usar de vez em quando o programa de internete Google Maps para passear virtualmente na cidade em que morava, Rio de Janeiro. Andrade procurava correr o mínimo de risco possível em seu cotidiano. Usando o Google Maps, transitava virtualmente pela cidade nas vielas mais vazias das áreas mais distantes, e noutras ruas, onde notava vultos interessantes, e imaginava o que fariam aquelas pessoas, e a que propósito estariam andando quando tinham sido fotografadas pelo Google.
Uma vez, passeando virtualmente por perto de seu apartamento no bairro da Gávea, Andrade viu uma vizinha no Google Maps que reconheceu, mesmo com o rosto borrado pelo programa. Era Tatiana Freitas, esposa de seu conhecido de infância Marcelo Telles Ribeiro. Porém, o programa tinha a fotografado no instante mesmo em que saía do prédio de Andrade, em visita que, gostaria ele, continuasse em sigilo. Mas se tratava apenas de um indício circunstancial, pensava Andrade. Uma boa desculpa era o de que precisava. Mas tinha de combinar a mesma com Tatiana Freitas.
Dito e feito, na próxima vez em que encontrou Tatiana a sós na rua, comentou com ela da indiscrição do programa, e lhe recomendou que se Marcelo Telles Ribeiro suspeitasse de alguma coisa, ela deveria dizer que estava se informando sobre apartamentos disponíveis para aluguel com Andrade, o qual lhe pedira ajuda. Havia oportunamente um apartamento vago no prédio de Andrade, e Andrade poderia muito bem estar tomando como interesse seu próprio o aluguel do mesmo, fosse porque fosse.
Acontece que Marcelo Telles Ribeiro não usava o Google Maps, e a fotografia em questão jamais chegou a seu conhecimento. Tatiana Freitas continuou fazendo suas visitas indiscretas ao apartamento de Andrade, e tudo corria na maior tranquilidade. Já tinham uma desculpa boa para qualquer suspeita que houvesse de seu caso. A desculpa funcionaria mesmo com o apartamento referido já alugado, pois Marcelo Telles Ribeiro não iria tentar se certificar da alegação, pelo que Andrade deduzia.
Jamais Ribeiro ficou sabendo do caso de Andrade e Tatiana Freitas, e a desculpa combinada jamais teve de ser usada.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
João Antônio Sousa de Andrade tinha 38 anos, e se ocupava em ler e escrever digitando ao computador. Um dia teve a ideia de usar de vez em quando o programa de internete Google Maps para passear virtualmente na cidade em que morava, Rio de Janeiro. Andrade procurava correr o mínimo de risco possível em seu cotidiano. Usando o Google Maps, transitava virtualmente pela cidade nas vielas mais vazias das áreas mais distantes, e noutras ruas, onde notava vultos interessantes, e imaginava o que fariam aquelas pessoas, e a que propósito estariam andando quando tinham sido fotografadas pelo Google.
Uma vez, passeando virtualmente por perto de seu apartamento no bairro da Gávea, Andrade viu uma vizinha no Google Maps que reconheceu, mesmo com o rosto borrado pelo programa. Era Tatiana Freitas, esposa de seu conhecido de infância Marcelo Telles Ribeiro. Porém, o programa tinha a fotografado no instante mesmo em que saía do prédio de Andrade, em visita que, gostaria ele, continuasse em sigilo. Mas se tratava apenas de um indício circunstancial, pensava Andrade. Uma boa desculpa era o de que precisava. Mas tinha de combinar a mesma com Tatiana Freitas.
Dito e feito, na próxima vez em que encontrou Tatiana a sós na rua, comentou com ela da indiscrição do programa, e lhe recomendou que se Marcelo Telles Ribeiro suspeitasse de alguma coisa, ela deveria dizer que estava se informando sobre apartamentos disponíveis para aluguel com Andrade, o qual lhe pedira ajuda. Havia oportunamente um apartamento vago no prédio de Andrade, e Andrade poderia muito bem estar tomando como interesse seu próprio o aluguel do mesmo, fosse porque fosse.
Acontece que Marcelo Telles Ribeiro não usava o Google Maps, e a fotografia em questão jamais chegou a seu conhecimento. Tatiana Freitas continuou fazendo suas visitas indiscretas ao apartamento de Andrade, e tudo corria na maior tranquilidade. Já tinham uma desculpa boa para qualquer suspeita que houvesse de seu caso. A desculpa funcionaria mesmo com o apartamento referido já alugado, pois Marcelo Telles Ribeiro não iria tentar se certificar da alegação, pelo que Andrade deduzia.
Jamais Ribeiro ficou sabendo do caso de Andrade e Tatiana Freitas, e a desculpa combinada jamais teve de ser usada.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Ruebezahl
Lenda Primeira
De Johann Karl August Musaeus.
Traduções de língua alemã para língua inglesa.
De Iames Burns e W. Beckford.
https://books.google.com.br/books?id=UAoCAAAAQAAJ , https://books.google.com.br/books?id=yzZkAAAAcAAJ&pg=PA146&dq=legends+of+r%C3%BCbezahl+mus%C3%A4us&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiik-Kc_aDgAhXpLLkGHcQVDggQ6AEIKDAA#v=onepage&q=legends%20of%20r%C3%BCbezahl%20mus%C3%A4us&f=false .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
No alto Parnassus de Silésia lá mora, ao lado de Apollo e suas nove Musas, o longe-afamado Espírito da Montanha, comummente chamado Ruebezahl. O espírito, embora ele mantenha um entendimento perfeitamente bom com as deidades de canção, contribuiu mais, se um pode confessar a verdade sem dar ofensa, à celebridade das Montanhas dos Gigantes, do que o coro vociferoso todo de poetas Silesianos, com seus patrões divinos na barganha. Este governante poderoso dos gnomos não tem, contudo, nenhum território extensivo sobre a superfície da terra; seu domínio não é a não ser umas poucas milhas em circunferência, e fica dentro de uma cadeia única de morros: além disso ele divide este pequeno território com dois monarcas potentes, que nem mesmo reconhecem sua parceria em poder. Umas poucas braças, contudo, abaixo do solo vegetável, começa sua influência soberana indisputada, que não é passível de ser infringida por qualquer tratado de partição: ela se estende quatro mil milhas em profundidade, tão longe como o centro mesmo do globo.
Nosso potentado subterrâneo algumas vezes toma seu prazer em deslizando através dos estratos e rochas que formam suas províncias espaçosas; aqui ele pesquisa seus tesouros inexauríveis de riqueza mineral, invoca suas tropas de gnomos, e assinala a cada sua tarefa própria: alguns são ordernados de colocar guia, por diques e represas, nas torrentes furiosas de lava subterrânea, outros são empregados para apanhar correntes minerais, e impregnar a rocha estéril, até que ela seja convertida, pelas ricas represas metálicas, em metal precioso. O monarca do abismo algumas vezes, deitando de lado as rédeas de governo subterrâneo, ascende para recreação aos lampejos da lua, e mantém sua corte no cume das Montanhas dos Gigantes, onde ele brinca com as crianças de homens, tão insensivelmente como um garoto malvado, que se diverte com fazer cócegas em seu companheiro-de-brincadeira para dentro de convulsões.
Pois amigo Ruebezahl, você precisa entender, tem muito muito a disposição aleatória de nossas faculdades mentais humanas terrenas, a que os Franceses chamam ''Esprits fort'', e os Ingleses ''Dreadnought''. Ele é inteligente, excêntrico e inconstante, petulante e rude; orgulhoso e vão, e tão inconstante que ele irá ser hoje seu mais morno amigo, e não o reconhecer amanhã; os desgraçados têm algumas vezes o achado bondoso, generoso, e sensível; mas ele é em tal variância perpétua consigo mesmo, que, como um ovo posto em água fervente, ele prova-se duro e macio em um par de minutos: e você irá o reportar franco ou reservado, obstinado ou flexível, justo como o ''ignis-fatuus'' de sua fantasia se move rapidamente à primeira vista.
Em dias de outrora, antes ainda que os descendentes de Jafé tivessem pressionado tão longe em sentido norte como a limpar e plantar as regiões bordeando em seu domínio, Ruebezahl, como ele atravessava os urzais estéreis e morros enrugados, praticava suas travessuras sobre as bestas da floresta ou do campo: ele iria algumas vezes incitar ursos e búfalos até que eles lutassem uns contra os outros, e algumas vezes assustar manadas inteiras de cervos timoratos, de modo que em seu pavor eles tombavam de ponta-cabeça abaixo de rochedos íngremes e precipícios. Cansado finalmente de tal diversão, ele mergulhou nas regiões do mundo inferior, e permaneceu nas profundezas por vários séculos, até que ele sentiu um desejo de se expor novamente ao sol, e pesquisar os trabalhos de criação externa. Mas quão grande foi sua perplexidade, quando, desde sua estação no topo nevado das Montanhas dos Gigantes, ele viu uma mudança total no cenário circundante.
A escuridão de florestas impenetráveis tinha desaparecido; elas foram convertidas em terra arável, sobre as quais ondulavam safras profusas de grão dourado. Dentre pomares de árvores frutíferas, cheias de florescência, se levantavam os telhados de palha de povoações prósperas, e a fumaça ondulante ascendia pacificamente de muitas chaminés; aqui e ali sobre o declive de um morro ficava uma fortaleza solitária, como a defesa e proteção do lugar. No prado florido carneiros e bois pastavam, e no defunto verde eram ouvidos os sons melodiosos da flauta.
A novidade da cena, e a agradabilidade de sua primeira aparência, deleitaram o maravilhado príncipe do domínio tanto, que ele não teve nenhum desejo de interromper a ocupação ou existência desses plantadores intrusos auto-constituídos, que estavam assim trabalhando sem sua permissão; então ele lhes permitiu quietamente descansar em possessão de sua propriedade usurpada, como um dono de casa bondoso permite à andorinha social, ou mesmo ao pardal desagradável, descansar sob seu telhado. Veio mesmo para dentro de sua mente que ele iria fazer o conhecimento de homens -- essa raça estranha, essa mistura de animal e espírito; que ele iria se misturar em sua sociedade, e examinar sua natureza e maneiras. Para esse propósito ele assumiu a forma de um homem-de-campo corpulento, e se empregou como um trabalhador com um fazendeiro muitíssimo respeitado. O que quer que ele tomasse em mão prosperava, e Rips, o agricultor, era considerado o melhor trabalhador na povoação. Mas seu mestre era um glutão e um beberrão, que desperdiçava fora os salários de seu servente fiel, e lhe dava pouco agradecimento por sua dificuldade e trabalho; Rips portanto o deixou, e foi para seu vizinho, que lhe deu seu rebanho de ovelhas para tomar conta de. Ele as guardava diligentemente, as dirigia para lugares solitários e morros íngremes, onde a melhor grama crescia. O rebanho prosperou e aumentou maravilhosamente: nenhuma ovelha caiu sobre as pedras, e nenhuma foi rasgada em pedaços pelo lobo. Contudo, este mestre se revelou um avarento, que não recompensava seu servente bom como ele merecia; ele mesmo roubou o melhor carneiro do rebanho, e então manteve o valor dele dos salários do pastor. Sobre isso, Rips partiu do companheiro ganancioso, e entrou no serviço do juiz; se tornou o castigo do ladrão, e trabalhou muitíssimo zelosamente na causa de justiça. Mas o juiz era um homem mau; desviava o olha do que era justo; julgava de acordo com favor, e desprezava direito. Como Rips não iria ser o instrumento de injustiça, ele recusou seus serviços ao juiz, e, em consequência, foi jogado na prisão, fora da qual, contudo, no jeito usual de espíritos, ele facilmente fez seu escape pelo buraco de fechadura.
Era impossível que essa primeira tentativa no estudo de humanidade pudesse fazer uma impressão favorável sobre ele. Ele retornou de volta em desgosto para sua fortaleza rochosa, desde lá viu a planície sorridente que indústria humana tinha feito bela, e se admirou que mãe natureza pudesse emprestar suas dádivas a uma linhagem tão sem coração. Não obstante isso, ele novamente se aventurou em uma jornada para dentro da planície, para retomar o estudo de humanidade.
Sua próxima aventura foi uma de amor. Ele se tornou enamorado da formosa princesa Emma, a filha do Rei de Silésia, que ele uma vez acidentalmente encontrou enquanto ela passeava para cá e para lá, dentre as florestas e rios do domínio de seu pai, com suas donzelas atendentes. Ele em seguida determinou sobre uma abdução, e um dia, quando a formosa princesa tinha vagado mais adiante do que usual, e estava se reclinando só sob a sombra de uma árvore difusa, ele a carregou embora, e tinha chegado com ela em seu palácio subterrâneo longo tempo antes que suas atendentes tivessem descobrido sua perda. O caso causou grande consternação e dor ao pai dela e toda a sua corte, mas especialmente para o jovem príncipe Ratibor, o noivo da formosa Emma. Longas e ansiosas foram suas procuras pela perdida, mas em vão.
Enquanto isso o objeto da ansiedade deles não estava tão desconfortável como poderia ter sido suposto. Seus apartamentos no palácio do gnomo eram verdadeiramente magníficos, e continham tudo que ela poderia desejar, enquanto o gnomo ele mesmo, tendo tomado a forma de um homem jovem belo, se ajoelhava a seus pés, e lhe oferecia acima seus votos de devoção ardente.
Observando que seu ídolo amoroso languia por sociedade, o gnomo serviçal a presenteou com uma cesta de nabos crescidos e frescos, lhe dando ao mesmo tempo uma vara de prata, por meio de que ela metamorfoseava esses vegetais em cortesãos bem educados e bem vestidos. Encantada com seu séquito imponente, a Princesa Emma iria agora perambular através de toda curva e fenda de sua morada subterrânea, e, quando cansada de explorar seus corredores e câmaras numerosos, andar a passo por toda alameda e caminho sombrio do jardim espaçoso, por toda parte do qual reinava uma primavera perpétua.
Mas, ai de mim! mesmo em uma terra mágica iria parecer que nada é certo senão mudança. Superava a arte mesmo de um cortesão ocultar as devastações de uma decadência que planamente demais avançava com passos largos rápidos. A Princesa, em fato, viu seu séquito gracioso gradualmente afundar em uma companhia de mulheres velhas, feias, rabujentas murchas, com pés cambaleantes e braços trêmulos; e, em um acesso de indignação alta, ela os ordenou todos fora de sua presença, e correu para deitar suas dores diante de seu amante. O espírito complacente explicou a ela, que tão logo quanto o suco do nabo estivesse seco, o vegetal se tornava totalmente sem valor, e suas funções extintas.
A formosa Emma, vendo que ela era novamente para ser condenada a solidão, primeiro reclamou, e então chorou; e tão poderosas são as lágrimas de uma mulher amorosa, que, nem mesmo um gnomo poderia as suportar. Ele protestou que ele iria explorar toda polegada de seu domínio subterrâneo em busca de outro suprimento de nabos apropriados para o propósito dela; mas seus empenhos eram infrutíferos. Frutas deliciosas e flores fragrantes ele achava em abundância; mas embora ele tivesse de boa vontade ter trocado um bushel inteiro das maças de ouro das Hespérides por um único nabo, nenhum poderia ele conseguir. Ele então determinou de saquear seus domínios em cima; mas qual não foi desânimo, em emergindo desde baixo, em ver o cetro gelado de inverno extendido sobre a terra toda, e nem mesmo uma lâmina de capim penetrando através das profundas massas de neve!
Neste dilema, não havia nada restante para nosso amante desanimado senão assumir a aparência de um camponês, andar para dentro da povoação mais próxima, e comprar uma sacada de semente-de-nabo, que ele deitou aos pés de sua tirana bela. Provocada e desapontada, ela agora o carregava com reprovações, ridicularizava a ideia de ele possuir tanto poder de transmutação jactado, e o cortou até o coração por sarcasmos sobre sua inabilidade de realizar o que ele tinha empreendido; em resumo, ela levantou uma tal tempestade como qualquer um, salvo um amante, teria fugido de. Mas o gnomo manteve sua posição; e a amável Emma por fim consentiu em o acompanhar até o jardim, para o ver plantar a semente desde qual sua felicidade futura era para surgir. O gnomo se pôs instantaneamente a trabalhar, e em poucos momentos inumeráveis mirtos, jacintos e cravos desarraigados se espalhavam pelo solo. Tão ávida de fato estava Emma para secundar o trabalho de exterminação, que ela deitou sua dignidade de lado, e assistiu seu amante a rasgar acima canteiros inteiros de suas flores uma-vez-amadas, e a plantar os muito-valorizados substitutos em seu lugar. Observar o progresso do campo de nabos, era sua ocupação de manhã, ao meio-dia e a noite; e lá ao aurorescer ou pôr-do-sol seu amante nunca falhava em a encontrar. Ele se regozijou por isso, pois ela nunca escutava tão complacentemente ao seu caso[1] como quando assim engajada.
Gradualmente as jovens plantas aumentaram em tamanho e beleza, e gradualmente a frieza e reserva da princesa começaram a ceder, até que finalmente ela consentiu em ser dele--mas sobre uma condição. "Meu casamento," disse ela para seu amante embevecido, "não irá ser sem testemunhas; vá, então, e conte todo nabo no campo; eu irei animar todos eles; pois tome cuidado que você os conte corretamente, pois se você não notar somente um deles, minha promessa irá ser retirada." Tão encantado estava o gnomo, que ele não iria ter hesitado em contar as areias de um litoral. A contagem de um campo de nabos, portanto, parecia um assunto pequeno; e Emma tendo se retirado para dentro do palácio para não perturbar seus cálculos, ele imediatamente começou sua tarefa. Mas isso ele logo viu não era nenhuma tal matéria fácil. Hora após hora trabalhou nosso amante em sua tarefa; finalmente ela foi realizada, e ele correu para o palácio. Lá um silêncio morto reinava. "Eu irei a achar no jardim, coletando flores para a coroa de casamento," disse o gnomo; mas em vão fez ele os bosques ressoarem com o nome amado de Emma--eco sozinho lhe respondia, como se em escárnio. Uma suspeição súbita veio sobre ele; ele correu para cima, e em um outro instante ficava sobre a superfície da terra. Espírito infeliz, que cena de partir o coração ele agora via! Lá estava sua amada Emma, montada em um cavalo mais rápido que o vento, correndo para seu amante passado, Príncipe Ratibor, que rapidamente se aproximava dela. Ele agora compreendia a extensão inteira de seu infortúnio. A Emma enganosa tinha abstraído um dos nabos, o metamorfoseado em um corcel fogoso, e tinha proximamente atingido o limite de seu território, além do que ele não tinha nenhum poder. "Ah, traidora! Você não irá me escapar," exclamava o indignado gnomo, enquanto ele corria atrás da formosa fuginte. Furioso o gnomo deitou pegada de duas nuvens que estavam próximas a ele, as projetou com um estampido horrível uma contra a outra, e mandou atrás da fugitiva um jato de luz de relâmpago, que despedaçou em um milhar de pedaços uma árvore-carvalho ponderosa, que por eras tinha marcado o limite de seus domínios. O limite, contudo, a princesa tinha afortunadamente justamente passado, e além desse Ruebezahl era impotente.
O espírito abandonado rasgou o ar com seus gritos, e submergiu abaixo para seus domínios subterrâneos, lá para lamentar seu desaopntamento, e lamentar sua má sorte. Em sua fúria ele bateu seus pés com força, e em um momento o palácio mágico desapareceu, enquanto o gnomo se dirigia uma vez mais a sua residência solitária passada no centro da terra, com um coração ainda mais amargo contra os habitantes dessa terra superior.
O relatório da aventura estranha da princesa, e o dispositivo engenhoso por que ela efetuou seu escape, foi logo espalhado no exterior por toda parte no reino de seu pai, e em todo o campo circundante, e se tornou uma tradição, que descendeu de geração em geração, até que enfim as pessoas comuns estavam acostumadas a dar ao gnomo, por faltas de um melhor, o nome de Ruebezahl, ou o Contador de Nabos; assim perpetuando na maneira mais durável a memória do azarado infortúnio dele.
Notas de Tradução:
[1] suit, caso, galanteio, corte, etc.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Lenda Primeira
De Johann Karl August Musaeus.
Traduções de língua alemã para língua inglesa.
De Iames Burns e W. Beckford.
https://books.google.com.br/books?id=UAoCAAAAQAAJ , https://books.google.com.br/books?id=yzZkAAAAcAAJ&pg=PA146&dq=legends+of+r%C3%BCbezahl+mus%C3%A4us&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiik-Kc_aDgAhXpLLkGHcQVDggQ6AEIKDAA#v=onepage&q=legends%20of%20r%C3%BCbezahl%20mus%C3%A4us&f=false .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
No alto Parnassus de Silésia lá mora, ao lado de Apollo e suas nove Musas, o longe-afamado Espírito da Montanha, comummente chamado Ruebezahl. O espírito, embora ele mantenha um entendimento perfeitamente bom com as deidades de canção, contribuiu mais, se um pode confessar a verdade sem dar ofensa, à celebridade das Montanhas dos Gigantes, do que o coro vociferoso todo de poetas Silesianos, com seus patrões divinos na barganha. Este governante poderoso dos gnomos não tem, contudo, nenhum território extensivo sobre a superfície da terra; seu domínio não é a não ser umas poucas milhas em circunferência, e fica dentro de uma cadeia única de morros: além disso ele divide este pequeno território com dois monarcas potentes, que nem mesmo reconhecem sua parceria em poder. Umas poucas braças, contudo, abaixo do solo vegetável, começa sua influência soberana indisputada, que não é passível de ser infringida por qualquer tratado de partição: ela se estende quatro mil milhas em profundidade, tão longe como o centro mesmo do globo.
Nosso potentado subterrâneo algumas vezes toma seu prazer em deslizando através dos estratos e rochas que formam suas províncias espaçosas; aqui ele pesquisa seus tesouros inexauríveis de riqueza mineral, invoca suas tropas de gnomos, e assinala a cada sua tarefa própria: alguns são ordernados de colocar guia, por diques e represas, nas torrentes furiosas de lava subterrânea, outros são empregados para apanhar correntes minerais, e impregnar a rocha estéril, até que ela seja convertida, pelas ricas represas metálicas, em metal precioso. O monarca do abismo algumas vezes, deitando de lado as rédeas de governo subterrâneo, ascende para recreação aos lampejos da lua, e mantém sua corte no cume das Montanhas dos Gigantes, onde ele brinca com as crianças de homens, tão insensivelmente como um garoto malvado, que se diverte com fazer cócegas em seu companheiro-de-brincadeira para dentro de convulsões.
Pois amigo Ruebezahl, você precisa entender, tem muito muito a disposição aleatória de nossas faculdades mentais humanas terrenas, a que os Franceses chamam ''Esprits fort'', e os Ingleses ''Dreadnought''. Ele é inteligente, excêntrico e inconstante, petulante e rude; orgulhoso e vão, e tão inconstante que ele irá ser hoje seu mais morno amigo, e não o reconhecer amanhã; os desgraçados têm algumas vezes o achado bondoso, generoso, e sensível; mas ele é em tal variância perpétua consigo mesmo, que, como um ovo posto em água fervente, ele prova-se duro e macio em um par de minutos: e você irá o reportar franco ou reservado, obstinado ou flexível, justo como o ''ignis-fatuus'' de sua fantasia se move rapidamente à primeira vista.
Em dias de outrora, antes ainda que os descendentes de Jafé tivessem pressionado tão longe em sentido norte como a limpar e plantar as regiões bordeando em seu domínio, Ruebezahl, como ele atravessava os urzais estéreis e morros enrugados, praticava suas travessuras sobre as bestas da floresta ou do campo: ele iria algumas vezes incitar ursos e búfalos até que eles lutassem uns contra os outros, e algumas vezes assustar manadas inteiras de cervos timoratos, de modo que em seu pavor eles tombavam de ponta-cabeça abaixo de rochedos íngremes e precipícios. Cansado finalmente de tal diversão, ele mergulhou nas regiões do mundo inferior, e permaneceu nas profundezas por vários séculos, até que ele sentiu um desejo de se expor novamente ao sol, e pesquisar os trabalhos de criação externa. Mas quão grande foi sua perplexidade, quando, desde sua estação no topo nevado das Montanhas dos Gigantes, ele viu uma mudança total no cenário circundante.
A escuridão de florestas impenetráveis tinha desaparecido; elas foram convertidas em terra arável, sobre as quais ondulavam safras profusas de grão dourado. Dentre pomares de árvores frutíferas, cheias de florescência, se levantavam os telhados de palha de povoações prósperas, e a fumaça ondulante ascendia pacificamente de muitas chaminés; aqui e ali sobre o declive de um morro ficava uma fortaleza solitária, como a defesa e proteção do lugar. No prado florido carneiros e bois pastavam, e no defunto verde eram ouvidos os sons melodiosos da flauta.
A novidade da cena, e a agradabilidade de sua primeira aparência, deleitaram o maravilhado príncipe do domínio tanto, que ele não teve nenhum desejo de interromper a ocupação ou existência desses plantadores intrusos auto-constituídos, que estavam assim trabalhando sem sua permissão; então ele lhes permitiu quietamente descansar em possessão de sua propriedade usurpada, como um dono de casa bondoso permite à andorinha social, ou mesmo ao pardal desagradável, descansar sob seu telhado. Veio mesmo para dentro de sua mente que ele iria fazer o conhecimento de homens -- essa raça estranha, essa mistura de animal e espírito; que ele iria se misturar em sua sociedade, e examinar sua natureza e maneiras. Para esse propósito ele assumiu a forma de um homem-de-campo corpulento, e se empregou como um trabalhador com um fazendeiro muitíssimo respeitado. O que quer que ele tomasse em mão prosperava, e Rips, o agricultor, era considerado o melhor trabalhador na povoação. Mas seu mestre era um glutão e um beberrão, que desperdiçava fora os salários de seu servente fiel, e lhe dava pouco agradecimento por sua dificuldade e trabalho; Rips portanto o deixou, e foi para seu vizinho, que lhe deu seu rebanho de ovelhas para tomar conta de. Ele as guardava diligentemente, as dirigia para lugares solitários e morros íngremes, onde a melhor grama crescia. O rebanho prosperou e aumentou maravilhosamente: nenhuma ovelha caiu sobre as pedras, e nenhuma foi rasgada em pedaços pelo lobo. Contudo, este mestre se revelou um avarento, que não recompensava seu servente bom como ele merecia; ele mesmo roubou o melhor carneiro do rebanho, e então manteve o valor dele dos salários do pastor. Sobre isso, Rips partiu do companheiro ganancioso, e entrou no serviço do juiz; se tornou o castigo do ladrão, e trabalhou muitíssimo zelosamente na causa de justiça. Mas o juiz era um homem mau; desviava o olha do que era justo; julgava de acordo com favor, e desprezava direito. Como Rips não iria ser o instrumento de injustiça, ele recusou seus serviços ao juiz, e, em consequência, foi jogado na prisão, fora da qual, contudo, no jeito usual de espíritos, ele facilmente fez seu escape pelo buraco de fechadura.
Era impossível que essa primeira tentativa no estudo de humanidade pudesse fazer uma impressão favorável sobre ele. Ele retornou de volta em desgosto para sua fortaleza rochosa, desde lá viu a planície sorridente que indústria humana tinha feito bela, e se admirou que mãe natureza pudesse emprestar suas dádivas a uma linhagem tão sem coração. Não obstante isso, ele novamente se aventurou em uma jornada para dentro da planície, para retomar o estudo de humanidade.
Sua próxima aventura foi uma de amor. Ele se tornou enamorado da formosa princesa Emma, a filha do Rei de Silésia, que ele uma vez acidentalmente encontrou enquanto ela passeava para cá e para lá, dentre as florestas e rios do domínio de seu pai, com suas donzelas atendentes. Ele em seguida determinou sobre uma abdução, e um dia, quando a formosa princesa tinha vagado mais adiante do que usual, e estava se reclinando só sob a sombra de uma árvore difusa, ele a carregou embora, e tinha chegado com ela em seu palácio subterrâneo longo tempo antes que suas atendentes tivessem descobrido sua perda. O caso causou grande consternação e dor ao pai dela e toda a sua corte, mas especialmente para o jovem príncipe Ratibor, o noivo da formosa Emma. Longas e ansiosas foram suas procuras pela perdida, mas em vão.
Enquanto isso o objeto da ansiedade deles não estava tão desconfortável como poderia ter sido suposto. Seus apartamentos no palácio do gnomo eram verdadeiramente magníficos, e continham tudo que ela poderia desejar, enquanto o gnomo ele mesmo, tendo tomado a forma de um homem jovem belo, se ajoelhava a seus pés, e lhe oferecia acima seus votos de devoção ardente.
Observando que seu ídolo amoroso languia por sociedade, o gnomo serviçal a presenteou com uma cesta de nabos crescidos e frescos, lhe dando ao mesmo tempo uma vara de prata, por meio de que ela metamorfoseava esses vegetais em cortesãos bem educados e bem vestidos. Encantada com seu séquito imponente, a Princesa Emma iria agora perambular através de toda curva e fenda de sua morada subterrânea, e, quando cansada de explorar seus corredores e câmaras numerosos, andar a passo por toda alameda e caminho sombrio do jardim espaçoso, por toda parte do qual reinava uma primavera perpétua.
Mas, ai de mim! mesmo em uma terra mágica iria parecer que nada é certo senão mudança. Superava a arte mesmo de um cortesão ocultar as devastações de uma decadência que planamente demais avançava com passos largos rápidos. A Princesa, em fato, viu seu séquito gracioso gradualmente afundar em uma companhia de mulheres velhas, feias, rabujentas murchas, com pés cambaleantes e braços trêmulos; e, em um acesso de indignação alta, ela os ordenou todos fora de sua presença, e correu para deitar suas dores diante de seu amante. O espírito complacente explicou a ela, que tão logo quanto o suco do nabo estivesse seco, o vegetal se tornava totalmente sem valor, e suas funções extintas.
A formosa Emma, vendo que ela era novamente para ser condenada a solidão, primeiro reclamou, e então chorou; e tão poderosas são as lágrimas de uma mulher amorosa, que, nem mesmo um gnomo poderia as suportar. Ele protestou que ele iria explorar toda polegada de seu domínio subterrâneo em busca de outro suprimento de nabos apropriados para o propósito dela; mas seus empenhos eram infrutíferos. Frutas deliciosas e flores fragrantes ele achava em abundância; mas embora ele tivesse de boa vontade ter trocado um bushel inteiro das maças de ouro das Hespérides por um único nabo, nenhum poderia ele conseguir. Ele então determinou de saquear seus domínios em cima; mas qual não foi desânimo, em emergindo desde baixo, em ver o cetro gelado de inverno extendido sobre a terra toda, e nem mesmo uma lâmina de capim penetrando através das profundas massas de neve!
Neste dilema, não havia nada restante para nosso amante desanimado senão assumir a aparência de um camponês, andar para dentro da povoação mais próxima, e comprar uma sacada de semente-de-nabo, que ele deitou aos pés de sua tirana bela. Provocada e desapontada, ela agora o carregava com reprovações, ridicularizava a ideia de ele possuir tanto poder de transmutação jactado, e o cortou até o coração por sarcasmos sobre sua inabilidade de realizar o que ele tinha empreendido; em resumo, ela levantou uma tal tempestade como qualquer um, salvo um amante, teria fugido de. Mas o gnomo manteve sua posição; e a amável Emma por fim consentiu em o acompanhar até o jardim, para o ver plantar a semente desde qual sua felicidade futura era para surgir. O gnomo se pôs instantaneamente a trabalhar, e em poucos momentos inumeráveis mirtos, jacintos e cravos desarraigados se espalhavam pelo solo. Tão ávida de fato estava Emma para secundar o trabalho de exterminação, que ela deitou sua dignidade de lado, e assistiu seu amante a rasgar acima canteiros inteiros de suas flores uma-vez-amadas, e a plantar os muito-valorizados substitutos em seu lugar. Observar o progresso do campo de nabos, era sua ocupação de manhã, ao meio-dia e a noite; e lá ao aurorescer ou pôr-do-sol seu amante nunca falhava em a encontrar. Ele se regozijou por isso, pois ela nunca escutava tão complacentemente ao seu caso[1] como quando assim engajada.
Gradualmente as jovens plantas aumentaram em tamanho e beleza, e gradualmente a frieza e reserva da princesa começaram a ceder, até que finalmente ela consentiu em ser dele--mas sobre uma condição. "Meu casamento," disse ela para seu amante embevecido, "não irá ser sem testemunhas; vá, então, e conte todo nabo no campo; eu irei animar todos eles; pois tome cuidado que você os conte corretamente, pois se você não notar somente um deles, minha promessa irá ser retirada." Tão encantado estava o gnomo, que ele não iria ter hesitado em contar as areias de um litoral. A contagem de um campo de nabos, portanto, parecia um assunto pequeno; e Emma tendo se retirado para dentro do palácio para não perturbar seus cálculos, ele imediatamente começou sua tarefa. Mas isso ele logo viu não era nenhuma tal matéria fácil. Hora após hora trabalhou nosso amante em sua tarefa; finalmente ela foi realizada, e ele correu para o palácio. Lá um silêncio morto reinava. "Eu irei a achar no jardim, coletando flores para a coroa de casamento," disse o gnomo; mas em vão fez ele os bosques ressoarem com o nome amado de Emma--eco sozinho lhe respondia, como se em escárnio. Uma suspeição súbita veio sobre ele; ele correu para cima, e em um outro instante ficava sobre a superfície da terra. Espírito infeliz, que cena de partir o coração ele agora via! Lá estava sua amada Emma, montada em um cavalo mais rápido que o vento, correndo para seu amante passado, Príncipe Ratibor, que rapidamente se aproximava dela. Ele agora compreendia a extensão inteira de seu infortúnio. A Emma enganosa tinha abstraído um dos nabos, o metamorfoseado em um corcel fogoso, e tinha proximamente atingido o limite de seu território, além do que ele não tinha nenhum poder. "Ah, traidora! Você não irá me escapar," exclamava o indignado gnomo, enquanto ele corria atrás da formosa fuginte. Furioso o gnomo deitou pegada de duas nuvens que estavam próximas a ele, as projetou com um estampido horrível uma contra a outra, e mandou atrás da fugitiva um jato de luz de relâmpago, que despedaçou em um milhar de pedaços uma árvore-carvalho ponderosa, que por eras tinha marcado o limite de seus domínios. O limite, contudo, a princesa tinha afortunadamente justamente passado, e além desse Ruebezahl era impotente.
O espírito abandonado rasgou o ar com seus gritos, e submergiu abaixo para seus domínios subterrâneos, lá para lamentar seu desaopntamento, e lamentar sua má sorte. Em sua fúria ele bateu seus pés com força, e em um momento o palácio mágico desapareceu, enquanto o gnomo se dirigia uma vez mais a sua residência solitária passada no centro da terra, com um coração ainda mais amargo contra os habitantes dessa terra superior.
O relatório da aventura estranha da princesa, e o dispositivo engenhoso por que ela efetuou seu escape, foi logo espalhado no exterior por toda parte no reino de seu pai, e em todo o campo circundante, e se tornou uma tradição, que descendeu de geração em geração, até que enfim as pessoas comuns estavam acostumadas a dar ao gnomo, por faltas de um melhor, o nome de Ruebezahl, ou o Contador de Nabos; assim perpetuando na maneira mais durável a memória do azarado infortúnio dele.
Notas de Tradução:
[1] suit, caso, galanteio, corte, etc.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Escala Existencial
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Quando eu estava na escola, acho que quinta-série, houve uma redação, era talvez tema livre, e o que fiz entitulei "A Escala Existencial". Dissertei uma página sobre o como as formigas provavelmente não nos compreendiam, de forma que talvez nós também não compreendêssemos alguma forma de vida superior, que nem encarássemos como tal. A professora deu nota baixa. Não entendi, até hoje acho uma ótima ideia. Atribuo à amargura da professora.
Uma outra ideia que tenho há tempo é a seguinte, suponhamos que o poder computacional, como já foi colocado, atinja um ponto, como possivelmente irá atingir, onde possamos colocar uma entrada de dados suficientemente grande, as medidas das grandezas necessárias para com a função correta prever tudo. A grande questão a que cheguei é, quem está prevendo? Pois quem prevê, sempre pode tomar uma atitude para mudar o que está previsto, ao menos à primeira vista é a sensação que se tem. Ou será que atingiremos um ponto onde as próprias reações da pessoa que prevê também estarão previstas? Ela mesma tenta ser imprevisível mas vai percebendo que todas as suas tentativas já estão previstas? Seria paradoxal? Ao menos intrigante.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Quando eu estava na escola, acho que quinta-série, houve uma redação, era talvez tema livre, e o que fiz entitulei "A Escala Existencial". Dissertei uma página sobre o como as formigas provavelmente não nos compreendiam, de forma que talvez nós também não compreendêssemos alguma forma de vida superior, que nem encarássemos como tal. A professora deu nota baixa. Não entendi, até hoje acho uma ótima ideia. Atribuo à amargura da professora.
Uma outra ideia que tenho há tempo é a seguinte, suponhamos que o poder computacional, como já foi colocado, atinja um ponto, como possivelmente irá atingir, onde possamos colocar uma entrada de dados suficientemente grande, as medidas das grandezas necessárias para com a função correta prever tudo. A grande questão a que cheguei é, quem está prevendo? Pois quem prevê, sempre pode tomar uma atitude para mudar o que está previsto, ao menos à primeira vista é a sensação que se tem. Ou será que atingiremos um ponto onde as próprias reações da pessoa que prevê também estarão previstas? Ela mesma tenta ser imprevisível mas vai percebendo que todas as suas tentativas já estão previstas? Seria paradoxal? Ao menos intrigante.
O Nada
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Pois que o nada é um tema que vem acompanhando a humanidade desde sempre, muitos foram os que pensaram o tratar, poucos os que o fizeram. Uma tal empresa não pode ser tida por muito viável, ainda que um bom tratado sobre o nada fosse um não-tratado, essencialmente. Tenho para comigo mesmo algumas reservas quanto ao que ora tenciono, mas os leitores hão de ser compreensivos, e relevar quaisquer imprecisões que se possa observar nesta tentativa.
A negação, o não-ser, o nada, seria o vácuo, não seria, é um conceito, mas onde vive esse conceito, na mente humana, eis aí uma resposta. Sendo uma resposta, e não uma não resposta, não pode ser mais do que um instrumento de auxílio ao fim a que se mira neste contexto. Insistindo neste ponto postulemos uma página em branco; também não seria uma não resposta, e a verdadeira não resposta também não explicaria o que é o nada. Se trata da natureza da existência, da realidade, com a profunda ressalva de que sabemos que o nada não existe -- ou existirá? Está aí um dos cernes desta questão filosófica, se é que o nada possa ter um cerne.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Pois que o nada é um tema que vem acompanhando a humanidade desde sempre, muitos foram os que pensaram o tratar, poucos os que o fizeram. Uma tal empresa não pode ser tida por muito viável, ainda que um bom tratado sobre o nada fosse um não-tratado, essencialmente. Tenho para comigo mesmo algumas reservas quanto ao que ora tenciono, mas os leitores hão de ser compreensivos, e relevar quaisquer imprecisões que se possa observar nesta tentativa.
A negação, o não-ser, o nada, seria o vácuo, não seria, é um conceito, mas onde vive esse conceito, na mente humana, eis aí uma resposta. Sendo uma resposta, e não uma não resposta, não pode ser mais do que um instrumento de auxílio ao fim a que se mira neste contexto. Insistindo neste ponto postulemos uma página em branco; também não seria uma não resposta, e a verdadeira não resposta também não explicaria o que é o nada. Se trata da natureza da existência, da realidade, com a profunda ressalva de que sabemos que o nada não existe -- ou existirá? Está aí um dos cernes desta questão filosófica, se é que o nada possa ter um cerne.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
A Árvore-Freixo
De M. R. James.
De Collected Ghost Stories, https://gothictexts.wordpress.com/2014/10/09/collected-ghost-stories-of-m-r-james/ , https://hauntedpalaceblog.wordpress.com/the-ash-tree-by-m-r-james/ .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Qualquer um que tenha viajado por Inglaterra de Leste conhece as casas-de-campo menores com que ela é adornada -- os preferivelmente úmidos edifícios pequenos, usualmente no estilo Italiano, cercados com parques de uns oitenta a cem acres. Para mim elas têm sempre tido uma atração muito forte, com a estacada[1] cinza de carvalho partido, as árvores nobres, os lagos com seus juncais[2], e a linha de florestas distantes. Então, eu gosto do pórtico sustentado por colunas[3] -- talvez enfiado em uma casa Rainha Anne de tijolo-vermelho que tenha sido revestida[4] com estuque para a trazer em linha com o gosto 'Grego' do fim do século décimo-oitavo; o saguão dentro, indo acima para o telhado, o qual saguão deveria sempre ser provido com uma galeria e um órgão pequeno. Eu gosto da biblioteca, também, onde você pode encontrar qualquer coisa desde um Saltério[5] do século décimo-terceiro a um in-quarto de Shakespeare. Eu gosto das figuras, de curso; e talvez mais do que tudo eu gosto de fantasiar o que vida em uma tal casa era quando ela foi primeiramente construída, e nos tempos tranquilos[6] de prosperidade dos senhores-de-terra, e não o menos agora, quando, se dinheiro não é tão abundante, gosto é mais variado e vida inteiramente tão interessante. Eu desejo ter uma dessas casas, e dinheiro suficiente para a manter junta e entreter meus amigos nela modestamente.
Mas isso é uma digressão. Eu tenho que lhe contar de uma série curiosa de eventos que ocorreram em uma tal casa como eu tenho tentado descrever. Ela é Castringham Hall em Suffolk. Eu penso que uma porção[7] tem sido feito ao edifício desde o período de minha história, mas os feitios essenciais que eu rascunhei ainda estão lá -- pórtico Italiano, bloco quadrado de casa branca, mais velha na parte de dentro do que fora, parque com orla[8] de florestas, e lago. O feitio único que destacava a casa de uma vintena de outras é ido. Enquanto você olhava para ela desde o parque, você via na direita uma árvore-freixo grande velha crescendo dentro de meia-dúzia de jardas da parede, e quase ou inteiramente tocando o edifício com seus ramos. Eu suponho que ela tinha estado lá sempre desde que Castringham cessou de ser um lugar fortificado, e desde que o fosso foi enchido e a casa-de-residência Elizabetheana construída. De qualquer maneira, ela tinha proximamente atingido suas dimensões completas no ano 1690.
Naquele ano o distrito em que o Hall é situado foi a cena de um número de julgamentos-de-bruxa. Será longo tempo, eu penso, antes que nós cheguemos a uma estimativa justa da quantidade de razão sólida -- se havia alguma -- que ficava na raiz do medo universal de bruxas em velhos tempos. Se as pessoas acusadas dessa ofensa realmente imaginavam que elas estavam possuídas de poder inusual de algum tipo; ou se elas tinham a vontade ao menos, se não o poder, de fazer dano a seus vizinhos; ou se todas as confissões, das quais existem tantas, eram estorquidas pela crueldade dos encontradores-de-bruxas -- essas são questões que não estão, eu fantasio, ainda resolvidas. E a narrativa presente me dá pausa. Eu não posso totalmente a varrer embora como mera invenção. O leitor precisa julgar por si mesmo.
Castringham contribuiu uma vítima ao 'auto-da-fé'[9]. Sra. Mothersole era o nome dela, e ela diferia da maioria[10] de bruxas de vila apenas em ser preferivelmente em uma situação melhor e em uma posição mais influente. Esforços foram feitos para a salvar por vários fazendeiros corretos[11] da paróquia. Eles fizeram seu melhor para testemunhar ao caráter dela, e mostraram ansiedade considerável quanto ao veredito do júri.
Mas o que parece ter sido fatal à mulher foi a evidência do então proprietário de Castringham Hall -- Senhor[12] Mateus Fell[13]. Ele depôs de ter a assistido em três ocasiões diferentes desde a janela dele, no cheio da lua, colecionando vergônteas[14] 'da árvore-freixo próximo a minha casa'. Ela tinha trepado para os ramos, enroupada somente em suas roupas de baixo[15], e estava cortando fora ramos[16] pequenos com uma faca peculiarmente curvada, e enquanto ela o fazia ela parecia estar falando a ela mesma. Em cada ocasião Senhor Mateus tinha feito seu melhor para capturar a mulher, mas ela tinha sempre tomado alarme a algum barulho acidental que ele tinha feito, e tudo que ele podia ver quando ele chegava abaixo ao jardim era uma lebre correndo através do pátio na direção da vila.
Na noite terceira ele tinha estado às dores para seguir a sua melhor velocidade, e tinha ido diretamente para a casa de Sra. Mothersole; mas ele tinha tido que esperar um quarto de uma hora batendo na porta, e então ela tinha saido muito contrária[17], e aparentemente muito sonolenta, como se justamente fora de cama; e ele não tinha nenhuma explicação boa para oferecer de sua visita.
Principalmente sobre essa evidência, embora houvesse muito mais de um tipo menos notável[18] e inusual desde outros paroquianos, Sra. Mothersole foi considerada culpada e condenada a morrer. Ela foi enforcada uma semana após o julgamento, com cinco ou seis outras criaturas infelizes, em Bury St. Edmunds.
Senhor Mateus Fell, então Xerife-Representante[19], esteve presente na execução. Era uma manhã de Março úmida, chuvisquenta quando a carroça fez seu caminho pela colina de grama grosseira acima fora de Northgate, onde a fôrca ficava. As outras vítimas estavam apáticas ou desmanteladas com miséria; mas Sra. Mothersole era, como em vida tanto em morte, de um temperamento muito diferente. Sua 'Fúria venenosa', como um jornalista[20] do tempo o põe, 'trabalhou tanto sobre os Circunstantes[21] -- sim, mesmo sobre o Carrasco -- que era afirmado constantemente de todos que a viram que ela apresentava o Aspeto vivo de uma Demônia[22] louca. Ainda ela não ofereceu nenhuma Resistência aos Oficiais da Lei; somente ela olhou por sobre aqueles que deitavam Mãos sobre ela com um Aspeto tão medonho[23] e venenoso que -- como um deles me assegurou depois -- o mero Pensamento dele predou interiormente sobre a Mente dele por seis Meses depois'.
Contudo, tudo que ela é relatada de ter dito foram as palavras aparentemente sem-sentido: 'Existirão convidados no Hall'. Que ela repetiu mais de uma vez em um tom de meia-voz baixa[24].
Senhor Mateus Fell não ficou não-impressionado[25] pelo comportamento[26] da mulher. Ele teve alguma conversa sobre a matéria com o Vigário de sua paróquia, com quem ele viajou para casa depois que o negócio de julgamento tinha terminado. Sua evidência no julgamento não tinha sido dada muito voluntariamente; ele não estava especialmente infectado com a mania de encontrar-bruxas, mas ele declarou, então e posteriormente, que ele não poderia dar qualquer outra narrativa da matéria do que a que ele tinha dado, e que ele não poderia possivelmente ter estado enganado quanto a o que ele viu. A transação toda tinha sido repugnante para ele, pois ele era um homem que gostava de estar em termos agradáveis com aqueles à volta dele; mas ele via um dever a ser feito nesse negócio; e ele tinha o feito. Isso parece ter sido a essência[27] dos sentimentos dele, e o Vigário aplaudiu isso, como qualquer homem razoável precisa[28] ter feito.
Algumas poucas semanas depois, quando a lua de Maio estava no cheio, Vigário e Escudeiro se encontraram novamente no parque, e caminharam até o Hall juntamente. Dama Fell estava com sua mãe, que estava perigosamente doente, e Senhor Mateus estava só em casa; então o Vigário, Sr. Crome, foi facilmente persuadido a tomar um jantar tardio no Hall.
Senhor Mateus não era companhia muito boa essa noite. A conversa correu principalmente sobre matérias de família e paróquia, e, como sorte iria o ter, Senhor Mateus fez um memorando em escrita de certos desejos ou intenções dele referenciando suas propriedades, que depois se provaram excedidamente úteis.
Quando Sr. Crome pensou de partir para casa, cerca de nove e meia horas, Senhor Mateus e ele tomaram um turno preliminar no caminho coberto de cascalho na traseira da casa. O único incidente que pareceu a[29] Sr. Crome foi isto: eles estavam em vista da árvore-freixo que eu descrevi como crescendo próximamente às janelas do edifício, quando Senhor Mateus parou e disse:
'O que é aquilo que corre para cima e para baixo do tronco do freixo? Não é nunca um esquilo? Eles irão todos estar em seus ninhos por agora.'
O Vigário olhou e viu a criatura movente, mas ele não podia discernir nada de sua cor à luz da lua. O desenho[30] nítido, contudo, visto por um instante, foi imprimido em seu cérebro, e ele podia ter jurado, ele disse, embora isso soasse tolo, que, esquilo ou não, aquilo tinha mais do que quatro pernas.
Ainda, não muito era para ser feito da visão momentânea, e os dois homens se separaram[31]. Eles podem ter se encontrado desde então, mas isso não foi por uma vintena de anos.
O dia seguinte Senhor Mateus Fell não esteve na parte baixa às seis da manhã, como era seu costume, nem às sete, nem ainda às oito. Imediatamente em seguida a isto, os serventes foram e bateram em sua porta de câmara[32]. Eu não necessito prolongar a descrição de suas audições ansiosas e batidas renovadas nos paineis. A porta foi aberta enfim desde fora, e eles encontraram seu mestre morto e preto. Esse tanto você adivinhou[33]. Que houvesse quaisquer marcas de violência não no momento pareceu; mas a janela estava aberta.
Um dos homens foi buscar o pároco, e então por suas direções dirigiu em frente para dar notícia ao magistrado[34]. Sr. Crome ele-mesmo foi tão rápidamente como ele podia para o Hall, e foi mostrado[35] em o quarto onde o homem morto estava deitado. Ele tem deixado algumas notas entre seus papéis que mostram quão genuíno um respeito e tristeza era sentido por Senhor Mateus, e existe também essa passagem, que eu transcrevo pelo motivo[36] da luz que ela joga sobre o curso de eventos, e também sobre as crenças comuns do tempo:
'Não existia qualquer o mínimo Traço de uma Entrada ter sido forçada para a Câmara: mas o Caixilho de Janela de Batente estava aberto, como meu pobre Amigo iria sempre o ter nesta Estação. Ele tomou sua Bebida Noturna de Cerveja Ale fraca[37] em um vaso de prata de cerca de um quartilho de medida, e esta noite não tinha o bebido todo. Esta Bebida foi examinada pelo Médico de Bury[38], um Sr. Hodgkins, que não podia, contudo, como ele posteriormente declarou sobre seu Juramento, diante da procura do Magistrado[39], descobrir que qualquer matéria de um tipo venenoso estivesse presente nela. Pois, como era natural, no Inchamento e Pretidão grandes do Cadáver, existiu conversa feita entre os Vizinhos de Veneno. O corpo estava muito mesmo[40] Desordenado enquanto ele ficava[41] na cama, sendo torcido em uma maneira tão extrema[42] como dava Conjetura muito provável de que meu valoroso Amigo e Patrono tinha expirado em Dor e Agonia grandes. E o que é como de agora inexplicado[43], e para mim o Argumento de algum Desenho Horrendo e Artificioso nos Perpetradores desse Assassinato Bárbaro, era isso, que as Mulheres que foram encarregadas com o preparo do Cadáver e o lavar, sendo ambas Pessoas tristes e muito bem Respeitadas em sua Profissão Pesarosa[44], vieram a mim em Dor e Sofrimento grandes tanto de Mente e de Corpo, dizendo, o que era de fato confirmado sobre a Vista primeira, que elas tinham não mais cedo tocado o Peito do Cadáver com as Mãos nuas delas do que elas ficaram sensíveis de uma Dor Aguda e Padecimento[45] em suas Palmas mais de que ordinário violentos, as quais Palmas, com seus Antebraços inteiros, em nenhum tempo longo incharam tão imoderadamente, a Dor ainda continuando, que, como posteriormente provado, durante muitas semanas elas foram forçadas a por de lado o exercício de seu Chamado; e ainda nenhuma marca vista na Pele.
'Sobre ouvindo isto, eu mandei buscarem o Médico, que estava ainda na Casa, e nós fizemos uma Prova tão cuidadosa como nós éramos capazes pela Ajuda de uma Lente de Aumento de Cristal pequena da condição da Pele nessa Parte do Corpo: mas não pudemos detetar com o Instrumento que nós tínhamos qualquer Matéria de Importância além de um par de Punturas ou Picadas pequenas, que nós então concluímos que eram os Pontos[46] pelos que o Veneno podia ser introduzido, rememorando aquele Anel de 'Papa Borgia', com outros Espécimens conhecidos da Arte Horrenda dos Envenenadores Italianos da era última.
Tanto é para ser dito dos Sintomas vistos no Cadáver. Quanto ao que eu sou para adicionar, isso é meramente meu Experimento próprio, e para ser deixado a Posteridade para julgar se exista qualquer coisa de Valor nisso. Existia sobre a Mesa pelo Lado da Cama uma Bíblia do tamanho pequeno, em que meu Amigo -- pontual como em Matérias de menos Momento, também nessa uma mais pesada -- costumava[47] noturnamente, e sobre seu Primeiro Levantar[48], ler uma Porção colocada. E eu a tomando acima -- não sem uma Lágrima devidamente[49] paga a ele que do Estudo desse mais pobre Esboço era agora passado para a contemplação de seu grande Original -- veio para dentro de meus Pensamentos, como em momentos tais de Desesperança nós somos propensos[50] de apanhar em qualquer a menor Luz frouxa e trêmula[51] que faça promessa de Luz, fazer tentativa dessa Prática Supersticiosa velha e por muitos contada[52] de tirar as 'Sortes'; de que uma Instância Principal, no caso de sua Majestade Sagrada tardia o Mártir Abençoado Rei 'Charles' e meu Lorde 'Falkland', era então[53] muito falada de. Eu preciso necessariamente[54] admitir que por meu Julgamento não muita Assistência foi me fornecida: ainda, como a Causa e Origem desses Eventos Medonhos[55] pode doravante[56] ser procurada, eu coloco[57] os Resultados, no caso que possa ser visto[58] que eles apontavam o Quarto[59] verdadeiro da Maldade[60] para uma Inteligência mais rápida do que minha própria.
'Eu fiz, então, três tentativas, abrindo o Livro e colocando meu Dedo sobre certas Palavras; o que deu na primeira essas palavras, de Lucas xiii. 7, 'A corte abaixo'; na segunda, Isaías xiii. 20, 'Ela não deve nunca ser habitada'; e sobre o Experimento terceiro, Job xxxix. 30, 'Os jovens dela também sugam acima sangue.'
Isso é tudo que precisa ser citado dos papéis de Sr. Crome. Senhor Mateus Fell foi devidamente posto em caixão e deitado dentro da terra, e seu sermão de funeral, pregado por Sr. Crome no Domingo seguinte, tem sido imprimido sob o título de 'O Caminho Não-procurável; ou, O Perigo de Inglaterra e os Negócios Maliciosos de Anticristo', sendo a visão do Vigário, tão bem como aquela mais comummente mantida na vizinhança, que o Escudeiro foi a vítima de uma recrudescência do Plano Papal.
O filho dele, Senhor Mateus o segundo, sucedeu ao título e propriedade. E então termina o ato primeiro da tragédia de Castringham. É para ser mencionado, embora o fato não seja surpreendente, que o novo Baronete não ocupou o quarto em que seu pai tinha morrido. Nem, de fato, foi ele usado para dormir por qualquer um senão um visitante ocasional durante o todo da ocupação dele. Ele morreu em 1735, e eu não encontro que qualquer coisa particular tenha marcado seu reinado, salvo uma mortalidade curiosamente constante entre seu gado e criação em geral, que mostrava uma tendência a aumentar levemente à medida que tempo seguia.
Aqueles que são interessados nos detalhes irão encontrar uma narrativa estatística em uma carta para o 'Magazine de Gentil-homem'[61] de 1772, que extrai os fatos dos papéis próprios do Baronete. Ele pôs um fim a isso por fim por um expediente muito simples, aquele de encerrar[62] todas suas bestas em galpões[63] a noite, e não manter nenhum carneiro[64] em seu parque. Pois ele tinha notado que nada era jamais atacado que passava a noite dentro de edifício[65]. Depois disso o problema se confinou a pássaros silvestres[66], e bestas de caça. Mas como nós não temos nenhuma narrativa[67] boa dos sintomas, e como vigilância de noite-toda era inteiramente improdutiva de qualquer pista[68], eu não demoro[69] sobre o que os fazendeiros de Suffolk chamavam a 'doença de Castringham'.
O Senhor Mateus segundo morreu em 1735, como eu disse, e foi devidamente sucedido por seu filho, Senhor Ricardo[70]. Foi em seu tempo que o banco de igreja de família grande foi construído[71] no lado norte da igreja de paróquia. Tão grandes eram as ideias do Escudeiro que várias das sepulturas naquele lado profano[72] do edifício tiveram que ser perturbadas para satisfazer seus requerimentos. Entre elas estava aquela de Sra. Mothersole, a posição da qual era corretamente[73] conhecida, graças a uma nota sobre uma planta da igreja e pátio, ambas feitas por Sr. Crome.
Um certo montante de interesse foi excitado na vila quando foi conhecido que a famosa bruxa, que era ainda rememorada por alguns poucos, era para ser exumada. E o sentimento de surpresa, e de fato inquietação, era muito forte quando foi visto que, embora seu caixão estivesse positivamente[74] perfeito[75] e não-quebrado, não havia nenhum traço qualquer[76] dentro dele de corpo, ossos, ou pó. De fato, é um fenômeno curioso, pois ao tempo do enterro dela nenhumas tais coisas eram sonhadas como ladrões de cadáveres[77], e é difícil conceber qualquer motivo racional para roubar um corpo outro que não para os usos da sala-de-dissecação.
O incidente reviveu por um tempo todas as histórias de julgamentos-de-bruxa e dos feitos[78] das bruxas, dormentes por quarenta anos, e as ordens de Senhor Ricardo que o caixão devia ser queimado eram pensadas por muitos[79] de ser preferivelmente temerárias[80], embora elas tenham sido devidamente cumpridas.
Senhor Ricardo era um inovador pestilento, isso é certo. Antes de seu tempo o Hall tinha sido um bloco fino do tijolo vermelho mais maduro[81]; mas Senhor Ricardo tinha viajado em Itália e se tornado infectado com o gosto Italiano, e, tendo mais dinheiro do que seus predecessores, ele determinou deixar um palácio Italiano onde ele tinha encontrado uma casa Inglesa. Então estuque e pedra de cantaria[82] mascararam o tijolo; alguns mármores Romanos indiferentes foram plantados a redor[83] no saguão-de-entrada e jardins; uma reprodução do templo de Sibyl em Tivoli foi erigida na margem[84] oposta do lago; e Castringham tomou um aspecto inteiramente novo, e, eu preciso dizer, menos engajante. Mas ele era muito admirado, e servia como um modelo para muitos[85] da gentileza[86] de vizinhança em anos posteriores.
Uma manhã (ela foi em 1754) Senhor Ricardo acordou depois de uma noite de desconforto. Tinha estado ventoso, e sua chaminé tinha esfumaçado persistentemente, e ainda estava tão frio que ele precisava manter aceso um fogo. Também alguma coisa tinha matraqueado tanto pela janela que nenhum homem podia ter um momento de paz. Demais[87], existia o prospecto de vários convidados de posição chegando no curso do dia, que iriam esperar esporte de algum tipo, e as invasões do destempero (que continuava entre seus animais silvestres[88]) tinha sido ultimamente tão sério que ele estava temeroso pela reputação dele como um preservador-de-animais-silvestres. Mas o que realmente o tocava o mais proximamente era a outra matéria de sua noite sem-sono. Ele certamente não poderia dormir naquele quarto novamente.
Esse foi o tema[89] chefe de suas meditações ao café-da-manhã, e depois dele ele começou uma examinação sistemática dos quartos para ver qual iria servir[90] suas noções melhor. Foi longo tempo antes que ele encontrasse um. Este tinha uma janela com um aspecto para o leste e aquele com um nortenho; esta porta os serventes iriam estar sempre passando, e ele não gostava da armação de cama[91] naquele. Não, ele precisava ter um quarto com uma vista para fora para o oeste, de maneira que o sol não pudesse o acordar cedo, e o quarto precisava ser fora do caminho do negócio da casa. A governanta estava ao fim de seus recursos.
'Bem, Senhor Ricardo', ela disse, 'você sabe que não há senão o um quarto como isso na casa.'
'Qual pode esse ser?' disse Senhor Ricardo.
'E esse é o de Senhor Mateus -- a Câmara Oeste.'
'Bem, me ponha lá dentro, pois lá eu irei me deitar esta noite', disse o mestre dela. 'Qual o caminho? Aqui, para ser certo'[92]; e ele se foi apressadamente[93].
'Oh, Senhor Ricardo, mas ninguém tem dormido lá esses quarenta anos. O ar tem dificilmente sido mudado desde que Senhor Mateus morreu lá'.
Assim ela falou, e farfalhou[94] atrás dele.
'Venha, abra a porta, Sra. Chiddock. Eu irei ver a câmara, ao menos.'
Então[95] ela foi aberta, e, de fato, o cheiro era muito denso[96] e terroso[97]. Senhor Ricardo cruzou para a janela, e, impacientemente, como era seu hábito[98], jogou as folhas de janela para trás, e abriu violentamente a janela de batente[99]. Pois essa extremidade[100] da casa era uma que as alterações tinham escassamente[101] tocado, crescida como ela era[102] com a árvore-freixo grande, e sendo de outro modo[103] ocultada[104] de vista.
'O areje, Sra. Chiddock, todo hoje, e mova minha mobília-de-cama para dentro na tarde. Ponha o Bispo de Kilmore em meu quarto velho.'
'Por favor[105], Senhor Ricardo', disse uma voz nova, interrompendo[106] sobre esse falar, 'poderia eu ter o favor de um momento de entrevista?'
Senhor Ricardo se virou e viu um homem em preto na entrada[107], que se curvou[108].
'Eu preciso pedir sua indulgência por essa intrusão, Senhor Ricardo. Você irá, talvez, dificilmente rememorar de mim. Meu nome é Guilherme[109] Crome, e meu avô era Vigário em tempo de seu avô'.
'Bem, senhor', disse Senhor Ricardo, 'o nome de Crome é sempre um passaporte para Castringham. Eu sou satisfeito[110] de renovar uma amizade de duração[111] de duas gerações. Em que eu posso o servir? pois sua hora de chamada -- e, se eu não o interpreto mal[112], seu comportamento[113] -- mostra você de estar em alguma pressa[114].'
'Isso não é nada mais do que a verdade, senhor. Eu estou viajando[115] desde Norwich para Bury St. Edmunds com qual pressa eu posso fazer, e eu tenho visitado de passagem[116] em meu caminho para deixar com você alguns papéis que nós temos somente justamente encontrado[117] em olhando sobre o que meu avô deixou na morte dele. É pensado que você pode encontrar[118] algumas matérias de interesse de família neles.'
'Você é muitíssimo serviçal[119], Sr. Crome, e, se você irá ser tão bom como a me seguir para a sala[120], e beber um copo de vinho, nós iremos tomar uma primeira olhada nesses mesmos papéis juntamente. E você, Sra. Chiddock, como eu disse, veja sobre arejar[121] essa câmara... Sim, é aqui que meu avô morreu... Sim, a árvore, talvez, faça o lugar um pouco úmido[122]... Não; eu não desejo ouvir a nada mais. Não faça nenhumas dificuldades, eu rogo[123]. Você tem suas ordens -- vá. Irá você me seguir, senhor?'
Eles foram para a sala de estudos[124]. O pacote que jovem Sr. Crome tinha trazido -- ele era então justamente tornado um Companheiro[125] de Clare Hall em Cambridge, eu posso dizer, e subsequentemente publicou[126] uma edição respeitável de Polyaenus -- continha entre outras coisas as notas que o Vigário velho tinha feito sobre a ocasião da morte de Senhor Mateus Fell. E pela primeira vez Senhor Ricardo era confrontado com as 'Sortes Biblicae' enigmáticas que você tem ouvido. Elas o entretiveram[127] consideravelmente[128].
'Bem', ele disse, 'a Bíblia de meu avô deu um pedaço prudente de conselho -- 'A corte abaixo'. Se isso significa[129] a árvore-freixo, ele pode descansar assegurado que eu não devo o negligenciar. Um tal ninho de catarros e febres intermitentes[130] não foi nunca visto.'
A sala continha os livros de família, que, pendentes[131] a chegada de uma coleção que Senhor Ricardo tinha feito em Itália, e a construção de um quarto próprio para os receber, não eram muitos em número.
Senhor Ricardo olhou acima do papel para a estante de livros[132].
'Eu me pergunto', diz ele, 'se o velho profeta está lá ainda? Eu fantasio que eu o vejo'.
Cruzando o quarto, ele tirou uma Bíblia maltrapilha[133], que, certo o suficiente, carregava sobre a guarda[134] a inscrição: 'Para Mateus Fell, de sua Madrinha Amorosa, Anne Aldous, 2 de setembro de 1659'.
'Não iria ser nenhum plano ruim a testar novamente, Sr. Crome. Eu irei apostar[135] que nós obtenhamos um par de nomes nas Crónicas. H'm! O que temos nós aqui? "Tu deves me procurar na manhã, e eu não devo estar". Bem, bem! Seu avô iria ter feito um agouro[136] fino[137] disso, hem? Não mais profetas para mim! Eles estão todos em um conto[138]. E agora, Sr. Crome, eu sou infinitamente obrigado a você por seu pacote. Você irá, eu temo, ser impaciente para proceder[139]. Por favor[105] me permita -- outro copo'.
Então com ofertas de hospitalidade, que eram genuinamente intencionadas[140] (pois Senhor Ricardo pensava bem do endereçamento e maneira do homem jovem), eles se separaram.
Na tarde vieram os convidados -- o Bispo de Kilmore, Dama Maria Hervey, Senhor Guilherme Kentfield, etc.. Jantar às cinco, vinho, cartas, ceia[141], e dispersamento para cama.
Manhã seguinte Senhor Ricardo é não-inclinado a tomar sua espingarda[142] com o resto. Ele fala com o Bispo de Kilmore. Esse prelado, diferentemente de muitos[143] dos Bispos Irlandeses de seu dia, tinha visitado sua sé, e, de fato, residido lá, por algum tempo considerável. Esta manhã, como os dois estavam caminhando ao longo do terraço e conversando sobre as alterações e melhoramentos na casa, o Bispo disse, apontando para a janela do Quarto Oeste:
'Você não poderia nunca fazer um de minha congregação irlandesa[144] ocupar aquele quarto, Senhor Ricardo'.
'Por que é isso, meu lorde? Ele é, em fato, meu próprio'.
'Bem, nossa classe camponesa irlandesa[145] irá sempre o ter que isso traz o pior de sorte, dormir proximamente a uma árvore-freixo, e você tem um crescimento fino de freixo não duas jardas de sua janela de câmara. Talvez,' o Bispo continuou, com um sorriso, 'ela tenha lhe dado um toque de sua qualidade já, pois vocẽ não parece, se eu posso o dizer, tanto mais fresco por sua noite de descanso como seus amigos iriam gostar de o ver'.
'Isso, ou alguma coisa outra, é verdade, me custou meu sono desde doze até quatro, meu lorde. Mas a árvore é para vir abaixo amanhã, então eu não devo ouvir muito mais dela'.
'Eu aplaudo sua determinação. Pode dificilmente ser salubre[146] ter o ar que você respira filtrado[147], como se fosse, através de toda aquela folhagem'.
'O senhor[148] está certo[149] aí, eu penso. Mas eu não tinha minha janela aberta última noite. Foi preferivelmente o ruído que aconteceu[150] -- sem dúvida dos ramos varrendo[151] o vidro -- que me manteve de olhos-abertos'.
'Eu penso que isso pode dificilmente ser, Senhor Ricardo. Aqui -- você o vê desde este ponto. Nenhum desses ramos de árvore[152] mais próximos mesmo pode tocar sua janela de batente[99] a não ser que houvesse um vento forte[153], e não havia nada disso noite passada. Eles não alcançam as placas[154] por um pé'.
'Não, senhor, verdade. O que, então, será, eu me pergunto, que arranhou e farfalhou[155] tanto -- ah!, e cobriu a poeira em minha soleira de porta[156] com linhas e marcas?'
Finalmente eles concordaram que os ratos deviam ter vindo acima através da hera[157]. Essa foi idéia do Bispo, e Senhor Ricardo a aceitou avidamente[158].
Então o dia passou quietamente, e noite veio, e os participantes[159] se dispersaram para seus quartos, e desejaram a Senhor Ricardo uma noite melhor.
E agora nós estamos em seu quarto, com a luz apagada e o Escudeiro em cama. O quarto é sobre a cozinha, e a noite do lado de fora parada e quente[160], então a janela está aberta.
Há muito pouca luz sobre a armação de cama[161], mas há um movimento estranho lá; parece como se Senhor Ricardo estivesse movimentando sua cabeça rapidamente de um lado para outro[162] com somente o som mais leve[163] possível. E agora você iria achar, tão deceptiva é a meia-escuridão, que ele tinha cabeças várias, redondas e acastanhadas[164], que se movem para trás e para frente, mesmo tão baixo quanto seu peito. É uma ilusão terrível. Não é nada mais? Lá! alguma coisa cai da cama com um baque suave[165], como um gatinho[166], e está fora da janela em um momento[167]; outras -- quatro -- e depois disso há quietude novamente.
'Você deve me procurar na manhã, e eu não devo estar'.
Como com Senhor Mateus, também com Senhor Ricardo -- morto e preto em sua cama!
Um partido pálido e silencioso de convidados e serventes se reuniu sob a janela quando a notícia foi sabida. Envenenadores italianos, emissários Papistas, ar infectado -- todas estas e mais suposições foram aventuradas, e o Bispo de Kilmore olhou a árvore, na bifurcação de cujos ramos mais baixos um gato macho branco estava se agachando, olhando para baixo para a cavidade que anos tinham corroído no tronco. Ele estava observando alguma coisa dentro da árvore com interesse grande.
Subitamente ele se levantou e estendeu o pescoço sobre o buraco. Então um pedaço pequeno no canto sobre o qual ele ficava de pé cedeu, e ele foi escorregando para dentro. Todos olharam para cima ao barulho da queda.
É sabido pela maioria de nós que um gato pode chorar; mas poucos de nós ouviram, eu espero, um tal grito como veio fora do tronco da grande árvore-freixo. Dois ou três guinchos houve -- as testemunhas não têm certeza de quais -- e então um barulho leve e abafado de alguma comoção ou luta foi tudo que veio. Mas Dama Maria Hervey desmaiou imediatamente, e a empregada tampou suas orelhas e fugiu até que ela caiu no terraço.
O Bispo de Kilmore e Senhor Guilherme Kentfield ficaram. Contudo mesmo eles estavam amedrontados, embora fosse somente ao grito de um gato; e Senhor Guilherme engoliu uma ou duas vezes antes que ele pudesse dizer: 'Há algo mais do que nós sabemos dentro daquela árvore, meu lorde. Eu sou por uma busca instantânea.'
E isso foi concordado. Uma escada foi trazida, e um dos jardineiros subiu, e, olhando abaixo a cavidade, não pôde detetar nada senão umas poucas indicações fracas de alguma coisa se movendo. Eles pegaram uma lanterna, e a desceram por uma corda.
'Nós precisamos ir a fundo disso. Minha vida sobre isso, meu lorde, mas o segredo destas mortes terríveis está lá.'
Acima foi o jardineiro novamente com a lanterna, e a desceu pelo buraco cautelosamente. Eles viram a luz amarela sobre sua face à medida que ele se inclinava sobre, e viram sua face atingida com um terror e abominação incrédulos antes que ele gritasse fora em uma voz terrível e caísse para trás da escada -- onde, felizmente, ele foi pegado por dois dos homens -- deixando a lanterna cair dentro da árvore.
Ele estava em um desmaio morto, e foi algum tempo antes que qualquer palavra pudesse ser obtida dele.
Por ora eles tinham alguma coisa outra para olhar para. A lanterna deve ter quebrado no fundo, e a luz nela pegado em folhas secas e lixo que jazia lá pois em poucos minutos uma fumaça densa começou a vir acima, e então chama; e, para ser curto, a árvore estava em um fogo.
Os observadores fizeram um anel à distância de algumas jardas, e Senhor Guilherme e o Bispo enviaram homens para pegar que armas e ferramentas eles pudessem; pois, claramente, o que quer que pudesse estar usando a árvore como sua toca iria ser forçado para fora pelo fogo.
Assim aconteceu. Primeiro, na bifurcação, eles viram um corpo redondo coberto com fogo -- o tamanho de uma cabeça de homem -- aparecer muito subitamente, então parecer colapsar e cair para trás. Isto, cinco ou seis vezes; então uma bola semelhante saltou no ar e caiu na grama, onde depois de um momento ela jazeu parada. O Bispo foi tão perto quanto ele ousava a ela, e viu -- o que senão os restos de uma aranha enorme, venosa e queimada! E, enquanto o fogo queimava mais baixo descendo, mais corpos terríveis como esse começaram a escapar do tronco, e foi visto que essas eram cobertas com pêlos acinzentados.
Todo esse dia a árvore-freixo queimou, e até que ela caísse em pedaços os homens ficaram de pé perto dela, e de tempo em tempo matavam as brutas enquanto elas corriam para fora. Por fim houve um intervalo longo em que nenhuma apareceu, e eles cautelosamente se aproximaram e examinaram as raízes da árvore.
'Eles encontraram,' diz o Bispo de Kilmore, 'sob ela um lugar oco arredondado na terra, dentro de onde estavam dois ou três corpos dessas criaturas que tinham claramente sido sufocadas pela fumaça; e, o que é para mim mais curioso, ao lado dessa toca, contra a parede, estava se agachando a anatomia ou esqueleto de um ser humano, com a pele seca sobre os ossos, tendo alguns restos de cabelo preto, que foi pronunciada por aqueles que a examinaram de ser indubitavelmente o corpo de uma mulher, e claramente morta por um período de cinquenta anos.'
Notas de Tradução:
[1] paling, estacada, paliçada.
[2] reed-beds, canaviais, juncais.
[3] pillared, sustentado por pilares, sustentado por colunas.
[4] faced, revestida.
[5] Psalter, Saltério, ou Livro dos Salmos.
[6] piping, pacífico, tranquilo, etc.
[7] a good deal, uma porção, etc.
[8] fringe, franja, orla.
[9] 'auto-da-fé', em espanhol no original.
[10] the ordinary run, a maioria, etc.
[11] reputable, correto, de reputação, etc.
[12] Sir, Senhor, título Sir.
[13] Matthew Fell, Mateus Fell, etc.
[14] sprigs, vergônteas, renovos, ramas de árvore.
[15] shift, roupas de baixo, camisa de mulher, etc.
[16] twigs, ramos, vergônteas, etc.
[17] cross, contrária, mal-humorada, etc.
[18] striking, golpeante, notável, etc.
[19] deputy-sheriff, xerife-representante, etc.
[20] reporter, repórter, jornalista, etc.
[21] Bystanders, circunstantes, espectadores, etc.
[22] Divell, devil, demônio, demônia, etc.
[23] direfull, medonho, etc.
[24] undertone, meia-voz, voz baixa, etc.
[25] unimpressed, desimpressionado, não-impressionado, etc.
[26] bearing, comportamento, etc.
[27] gist, essência, substância, etc.
[28] must, precisa, ou precisaria.
[29] struck, pareceu, etc.
[30] outline, desenho, etc.
[31] parted, se separaram, etc.
[32] chamber, câmara, etc.
[33] guessed, adivinhou, conjeturou, etc.
[34] Coroner, magistrado, etc.
[35] shown in, introduzido, mostrado, etc.
[36] sake, motivo, etc.
[37] small Ale, Cerveja Ale fraca, etc.
[38] Bury, bairro, etc.
[39] the Coroner's quest, a procura do Magistrado, etc.
[40] very much, muito mesmo, muito, etc.
[41] laid, ficava, etc.
[42] extream, extrema, etc.
[43] unexplained, inexplicado, não-explicado, etc.
[44] Mournfull, Pesarosa, etc.
[45] Smart and Acheing, Dor Aguda e Padecimento, Dor Aguda e Contínua, etc.
[46] Spott, Marca, Ponto, etc.
[47] used to, costumava, etc.
[48] his First Rising.
[49] duly, devidamente, etc.
[50] prone, propensos, etc.
[51] at any the least Glimmer, em qualquer a menor Luz frouxa e trêmula, etc.
[52] accounted, contada, etc.
[53] now, agora, então, etc.
[54] needs, necessariamente, etc.
[55] Dreadfull, Medonho, etc.
[56] hereafter, doravante, etc.
[57] set down, colocar, etc.
[58] find, ver, etc.
[59] Quarter, Quarto, Ponto Cardeal, etc.
[60] Mischief, Mal, Maldade, etc.
[61] 'Gentleman's Magazine'.
[62] shutting up, fechar, encerrar, confinar, etc.
[63] sheds, galpões, etc.
[64] sheep, carneiro, ovelha, etc.
[65] indoors, dentro de edifício, etc.
[66] wild, selvagens, silvestres, etc.
[67] account, narrativa, etc.
[68] clue, dica, pista, etc.
[69] dwell on, me demoro, me estendo, demoro, etc.
[70] Richard, Ricardo, etc.
[71] built out, construído fora, construído, etc.
[72] unhallowed, profano, não-consagrado, etc.
[73] accurately, acuradamente, corretamente, etc.
[74] fairly, positivamente, etc.
[75] sound, são, perfeito, etc.
[76] whatever, qualquer, etc.
[77] resurrection-men, ladrões de cadáveres.
[78] exploits, feitos, etc.
[79] a good many, muitos, etc.
[80] foolhardy, temerárias, imprudentes, etc.
[81] mellow, maduro, etc.
[82] ashlar, silhar, pedra de cantaria, etc.
[83] planted about, plantados a redor, etc.
[84] bank, margem, etc.
[85] ver [79] a good many, muitos, etc.
[86] gentry, gentileza, etc.
[87] Further, Demais, etc.
[88] game, animais silvestres, caça, etc.
[89] subject, tema, etc.
[90] suit, servir, etc.
[91] bedstead, armação de cama, etc.
[92] sure, certo, etc.
[93] hurried off, se foi apressadamente, etc.
[94] rustled, farfalhou, sussurou, roçou, rugiu, etc.
[95] So, Então, etc.
[96] close, denso, fechado, etc.
[97] earthy, terroso, etc.
[98] wont, hábito, etc.
[99] casement, janela de batente, etc.
[100] end, extremidade, etc.
[101] barely, escassamente, etc.
[102] grown up as it was.
[103] otherwise, de outro modo, etc.
[104] concealed, ocultada, etc.
[105] Pray, por favor, etc.
[106] breaking in, interrompendo, etc.
[107] in the doorway, na entrada, etc.
[108] bowed, se curvou, etc.
[109] William, Guilherme, etc.
[110] glad, satisfeito, etc.
[111] standing, duração, posição, etc.
[112] mistake you, o interpreto mal, etc.
[113] bearing, comportamento, etc.
[114] haste, pressa, etc.
[115] riding, montando a cavalo, viajando, etc.
[116] called in, visitado de passagem, etc.
[117] come upon, encontrado, descoberto, etc.
[118] find, encontrar, etc.
[119] are mighty obliging, é muitíssimo serviçal, etc.
[120] parlour, sala, etc.
[121] be about airing, veja sobre arejar, etc.
[122] a little dampish, um pouco úmido, etc.
[123] beg, suplico, rogo, etc.
[124] study, sala de estudos, etc.
[125] Fellow, Companheiro, etc.
[126] brought out, trouxe fora, publicou, etc.
[127] amused, entretiveram, etc.
[128] a good deal, consideravelmente, muito, grande quantidade, etc.
[129] stands for, significa, quer dizer, etc.
[130] catarrhs and agues, catarros e febres intermitentes, etc.
[131] pending, pendentes, à espera de, etc.
[132] bookcase, estante de livros, armário de livros.
[133] dumpy, atarracada, maltrapilha, suja.
[134] on the flyleaf, sobre a guarda, etc.
[135] wager, apostar, etc.
[136] omen, agouro, etc.
[137] fine, fino, etc.
[138] They are all in a tale, eles estão todos em um conto, etc.
[139] get on, proceder, etc.
[140] meant, intencionadas, pretendidas, etc.
[141] supper, jantar, ceia, etc.
[142] gun, espingarda, etc.
[143] ver [79] a good many, muitos, etc.
[144] my Irish flock, minha congregação irlandesa, etc.
[145] our Irish peasantry, nossa classe camponesa irlandesa, etc.
[146] wholesome, salubre, etc.
[147] strained, esticado, filtrado, etc.
[148] Your lordship, o senhor, etc.
[149] right, certo, etc.
[150] went on, aconteceu, continuou, etc.
[151] sweeping, varrendo, etc.
[152] branches, ramos de árvore, etc.
[153] a gale, um vento forte, etc.
[154] the panes, as placas, as vidraças, etc.
[155] rustled, farfalhou, roçou, etc.
[156] sill, soleira de porta, viga que serve de fundamento para uma parede, etc.
[157] ivy, hera.
[158] jumped at it, a aceitou avidamente.
[159] the party, os participantes, etc.
[160] warm, quente, etc.
[161] ver [91] bedstead, armação de cama, etc.
[162] to and fro, de um lado para outro, etc.
[163] slightest, mais leve, etc.
[164] brownish, acastanhado, pardacento, etc.
[165] a soft plump, um baque suave, etc.
[166] kitten, gatinho.
[167] a flash, um instante, um momento, etc.
Cf. Collaborative International Dictionary of English v.0.48 [gcide].
Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. https://dicionario.priberam.org/ , norma brasileira.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. Novo Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
Cf. dict/GNU/Linux.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Luiz Peixoto
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Luiz Peixoto vinha sempre ao mesmo bar para comprar uma garrafa d'água. Entre seus investimentos havia a propriedade de quatro quintos de uma pequena empresa de mineração no interior do Mato Grosso do Sul. Sendo consultor financeiro, um dia no bar recebeu um telefonema de seu correspondente na MSP-Escavações. A empresa era mesmo pequena, mas haviam descoberto algo que fazia questão que Luiz Peixoto visse pessoalmente. Não queria dar mais informações pelo telefone, mas adiantou que garantia ser do interesse do patrão.
Morando no Rio de Janeiro, Peixoto não tinha vontade de ir visitar as instalações da sua empreitada escavadora, mas achou por bem fazer uma visita ao menos, já que não estivera lá em três anos de atividade. Em cinco dias, feitos os preparativos, embarcou em um avião para Campo Grande. Tomou o ônibus para o distrito onde se realizavam as escavações, e veio ter finalmente com João Marques, responsável pelas mesmas, em uma equipe permanente de dez pessoas. Feitos os cumprimentos de praxe, em breve foram ter em uma das fossas de mineração, onde Marques conduziu Peixoto a um canto coberto por uma lona.
-- Deparamos com isso há uma semana, e não sabemos muito bem o que seja, mas parece algo de que se possa tirar vantagem.
Os outros dois funcionários ajudaram a retirar a lona, e um artefato de ferro foi revelado. Havia epígrafes encrustadas em latim, língua que Peixoto conhecia. Tinha um formato cilíndrico, com dois metros de comprimento e quarenta centímetros de diâmetro, e a inscrição corria por toda a extensão do cilindro.
João Marques era homem instruído e tinha uma boa noção do que aquela descoberta representava. Luiz Peixoto refletiu e se deu conta de que a história do solo nacional era mais complexa do que o que se ensinava nas escolas brasileiras. Ponderou um pouco as consequências da questão. Tinha conhecimento de inúmeros indícios arqueológicos brasileiros, os quais todos tinham sido considerados fraudes pela teoria oficial desde séculos no Brasil. Não esperava da mídia brasileira um interesse genuíno em cobrir uma tal matéria. Procurar ajuda na academia abertamente também não lhe parecia idéia segura, pois não era homem de distribuir confiança nesse mundo. Decidiu por manter a questão discretamente, a princípio entre ele e o chefe-de-obras João Marques e a equipe da MSP-E.. Tentariam estudar o assunto e ver do que se tratava. Tencionou procurar algum especialista em que pudesse confiar e que pudesse fazer render algum dinheiro ou conhecimento geral para a humanidade. Temia que fosse acusado de fraude, como em outros casos do passado de que soubera.
O exterior do cilindro era de ferro maciço, o que já denotava uma grande importância dada a quantidade de metal, caso tivesse uma origem na civilização Romana da antiguidade.
Luiz Peixoto passou então a estudar todos os relatos conhecidos ou apócrifos a respeito de uma antiguidade desconhecida no Brasil. Travou maior conhecimento com a obra de Ludwig Schwennhagen, Antiga História do Brasil, e das putativas atividades de mineração do povo fenício em nosso solo. Em uma semana se decidiu por dar crédito a esses relatos, e vislumbrou de fato a possibilidade de que uma mina desconhecida do tempo fenício estivesse ainda disponível nas cercanias de seu terreno de mineração. Comunicou sua suspeita a João Marques, e combinaram escavar mais largamente todo o terreno para ver se encontravam mais artefatos. Em menos de um mês, mais cinco cilindros semelhantes foram encontrados, do que resolveram abrir um para prescrutar seu interior. O cilindro aberto por pressão revelou estar recheado de prata fundida. Chegaram à quase conclusão de que uma mina de prata se encontrava no subsolo daquela região, desconhecida do povo brasileiro. Tudo passou a ser documentado antes mesmo que a mídia fosse informada. Luiz Peixoto comandou o processo de catalogar os artefatos, os fotografar e redigiu relatórios precisos sobre as descobertas. Era uma descoberta de interesse arqueológico genuíno, e se decidiu por consciência científica, ainda que tendo em vista o valor financeiro presente dos artefatos. Publicou na interrede seus escritos, e em breve todo o mundo teve de admitir a veracidade daquela descoberta arqueológica.
Se seguiu a tomada das investigações pelo governo brasileiro, que compensou Peixoto financeiramente pela atividade mineradora e lhe permitiu seguir como proprietário do terreno às atividades de escavações arqueológicas.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Luiz Peixoto vinha sempre ao mesmo bar para comprar uma garrafa d'água. Entre seus investimentos havia a propriedade de quatro quintos de uma pequena empresa de mineração no interior do Mato Grosso do Sul. Sendo consultor financeiro, um dia no bar recebeu um telefonema de seu correspondente na MSP-Escavações. A empresa era mesmo pequena, mas haviam descoberto algo que fazia questão que Luiz Peixoto visse pessoalmente. Não queria dar mais informações pelo telefone, mas adiantou que garantia ser do interesse do patrão.
Morando no Rio de Janeiro, Peixoto não tinha vontade de ir visitar as instalações da sua empreitada escavadora, mas achou por bem fazer uma visita ao menos, já que não estivera lá em três anos de atividade. Em cinco dias, feitos os preparativos, embarcou em um avião para Campo Grande. Tomou o ônibus para o distrito onde se realizavam as escavações, e veio ter finalmente com João Marques, responsável pelas mesmas, em uma equipe permanente de dez pessoas. Feitos os cumprimentos de praxe, em breve foram ter em uma das fossas de mineração, onde Marques conduziu Peixoto a um canto coberto por uma lona.
-- Deparamos com isso há uma semana, e não sabemos muito bem o que seja, mas parece algo de que se possa tirar vantagem.
Os outros dois funcionários ajudaram a retirar a lona, e um artefato de ferro foi revelado. Havia epígrafes encrustadas em latim, língua que Peixoto conhecia. Tinha um formato cilíndrico, com dois metros de comprimento e quarenta centímetros de diâmetro, e a inscrição corria por toda a extensão do cilindro.
João Marques era homem instruído e tinha uma boa noção do que aquela descoberta representava. Luiz Peixoto refletiu e se deu conta de que a história do solo nacional era mais complexa do que o que se ensinava nas escolas brasileiras. Ponderou um pouco as consequências da questão. Tinha conhecimento de inúmeros indícios arqueológicos brasileiros, os quais todos tinham sido considerados fraudes pela teoria oficial desde séculos no Brasil. Não esperava da mídia brasileira um interesse genuíno em cobrir uma tal matéria. Procurar ajuda na academia abertamente também não lhe parecia idéia segura, pois não era homem de distribuir confiança nesse mundo. Decidiu por manter a questão discretamente, a princípio entre ele e o chefe-de-obras João Marques e a equipe da MSP-E.. Tentariam estudar o assunto e ver do que se tratava. Tencionou procurar algum especialista em que pudesse confiar e que pudesse fazer render algum dinheiro ou conhecimento geral para a humanidade. Temia que fosse acusado de fraude, como em outros casos do passado de que soubera.
O exterior do cilindro era de ferro maciço, o que já denotava uma grande importância dada a quantidade de metal, caso tivesse uma origem na civilização Romana da antiguidade.
Luiz Peixoto passou então a estudar todos os relatos conhecidos ou apócrifos a respeito de uma antiguidade desconhecida no Brasil. Travou maior conhecimento com a obra de Ludwig Schwennhagen, Antiga História do Brasil, e das putativas atividades de mineração do povo fenício em nosso solo. Em uma semana se decidiu por dar crédito a esses relatos, e vislumbrou de fato a possibilidade de que uma mina desconhecida do tempo fenício estivesse ainda disponível nas cercanias de seu terreno de mineração. Comunicou sua suspeita a João Marques, e combinaram escavar mais largamente todo o terreno para ver se encontravam mais artefatos. Em menos de um mês, mais cinco cilindros semelhantes foram encontrados, do que resolveram abrir um para prescrutar seu interior. O cilindro aberto por pressão revelou estar recheado de prata fundida. Chegaram à quase conclusão de que uma mina de prata se encontrava no subsolo daquela região, desconhecida do povo brasileiro. Tudo passou a ser documentado antes mesmo que a mídia fosse informada. Luiz Peixoto comandou o processo de catalogar os artefatos, os fotografar e redigiu relatórios precisos sobre as descobertas. Era uma descoberta de interesse arqueológico genuíno, e se decidiu por consciência científica, ainda que tendo em vista o valor financeiro presente dos artefatos. Publicou na interrede seus escritos, e em breve todo o mundo teve de admitir a veracidade daquela descoberta arqueológica.
Se seguiu a tomada das investigações pelo governo brasileiro, que compensou Peixoto financeiramente pela atividade mineradora e lhe permitiu seguir como proprietário do terreno às atividades de escavações arqueológicas.
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