Luiz Antonio Peixoto de Andrade
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade morava no Rio de Janeiro desde que nascera. Raramente tinha viajado para outras cidades, mas conhecia bem a cidade em que morava. Sempre morara na Zona Sul, mas tinha uma boa ideia dos bairros da Zona Norte e Zona Oeste. Desceu do Uber na Voluntários da Pátria, quase chegando à praia de Botafogo. Gostava daquela área de prosperidade de Botafogo, com muitos restaurantes e bares abertos durante o dia e parte da noite. Subiu ao quinto andar de um prédio próximo ao cinema Estação NET Rio para dar um beijo em sua avó, e desceu de novo para ver o movimento na rua Nelson Mandela.
Uma mulher em particular lhe chamou atenção, de cabelos brancos curtos, e um corpo muito bem desenhado, numa saia branca com estampas. Era mais velha que ele, presumia, ca. de vinte anos. Andrade tinha um fraco por mulheres mais velhas. Mas de que adiantava tentar se aproximar se o resultado era raramente positivo? Chegava a admirar o amor platônico que sentia e que o satisfazia, em vez de lamentar a dificuldade de um amor não-platônico. Observou a mulher com calma enquanto bebia um refrigerante zero, era realmente linda para ele. Andrade usava óculos por ter miopia. Pensou que talvez ela aparecesse por ali mais vezes, quem sabe talvez se reconhecessem um ao outro algum dia. Não tinha ambição de um relacionamento, pois tinha uma noção muito clara das dificuldades impostas por um. Era melhor, para Andrade, continuar só, e fazer o melhor que podia escrevendo ao computador seus textos de contos de ficção.
Resolveu escrever um conto em que tudo desse certo. Ofereceu uma bebida à mulher, que estava com uma amiga, depois de trocar olhares com a primeira. Ela aceitou e a amiga logo se levantou para ir embora e os deixar a sós. Começaram uma conversa, ela se chamava Luiza Carvalho de Almeida, tinha sessenta anos, e trabalhava como secretária em uma repartição da Cedae. Andrade disse que ela era linda, e ela aceitou o elogio com gosto. Andrade estava tranquilo e a coisa fluia com naturalidade. Conversaram sobre livros e autores importantes para cada um, Andrade citou Artur Azevedo e Fiodor Dostoievski, Luiza Carvalho de Almeida citou Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles, e quando Andrade lhe perguntou sobre autores em domínio público, Luiza C. de Almeida citou Lima Barreto. Tinham interesse em comum por Lima Barreto, cuja obra Andrade tinha praticamente toda, tanto em formato digital como em papel imprimido, assim como tinha a obra de Artur Azevedo, disponível em www.dominiopublico.gov.br .
Andrade não via a hora de dar um beijo em Luiza de Almeida, e quando a hora de pagar a conta chegou, Luiza pagou o que tinha consumido antes, e convidou Andrade para ir a sua casa. Ela morava na Gávea, e ele também, então era muito conveniente para os dois. Andrade sempre morara na Gávea, Luiza Carvalho de Almeida se mudara de Laranjeiras para lá havia pouco tempo, daí não terem se visto antes por lá.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade acompanhou Luiza Carvalho de Almeida até o apartamento dela na rua Marquês de São Vicente, ela lhe ofereceu uma bebida, ele aceitou uma limonada. Eram umas nove horas da noite. Andrade estava fascinado por aquela mulher que parecia ler seus pensamentos e não discordar deles. Passou a noite no apartamento dela depois de avisar a seus pais que ia dormir fora. Passaram uma noite linda e ao acordar tomaram café da manhã juntos, era sábado então, tinham se encontrado numa sexta-feira. Andrade sentia que estava se apegando àquela mulher, e só torcia para que a história não degringolasse em lugar algum. De qualquer forma, já tinha uma boa história e boas lembranças com aquela mulher que até o dia anterior era uma desconhecida para ele. Luiza C. de Almeida era carioca também, como era Andrade, e ambos se identificavam com isso. Ela estava se apaixonando por Luiz Antonio P. de Andrade, e também com medo de que algo desse errado naquela história.
Resolveram ir ao cinema juntos no sábado, foram ao Shopping da Gávea assistir a uma comédia romântica. Luiz Andrade já se sentia em um relacionamento, e as coisas só pareciam melhorar com o tempo. Tinham o WhatsApp um do outro e se falavam com regularidade nas próximas semanas. Luiza de Almeida passou a ser admiradora de Luiz de Andrade como escritor, lendo os contos que Andrade escrevia como escritor amador. Luiza C. de Almeida também escrevia contos, e memórias.
Aquele relacionamento durou até o fim da vida de Luiza Carvalho de Almeida, que viu Andrade atingir reconhecimento como escritor a seu lado. Andrade também tinha outras mulheres, mas isso não incomodava Luiza de Almeida. Andrade teve filhos com sua esposa, mas continuou seu relacionamento com Luiza, e ambos sempre se ajudavam mutuamente no que podiam. Luiza adotou uma criança logo depois de conhecer Andrade, Mariana, e Luiz Andrade foi como um pai para ela. Sua história com Luiza foi um dos mais belos casos de amor de sua vida, quiçá o mais belo. Luiza chegou aos cem anos lúcida, e seu relacionamento com Andrade continuava firme. Andrade escreveu um conto que contava a história de seu relacionamento com Luiza de Almeida.
Luiza Carvalho de Almeida faleceu com cento e dez anos, lúcida, deixando significativa obra literária, e ainda em relacionamento com Luiz de Andrade, então com noventa anos. Mariana Carvalho de Almeida continuou seu relacionamento de paternidade com Luiz Antonio Peixoto de Andrade. Mariana de Almeida se tornou escritora também, como a mãe e a figura paterna, e Andrade escreveu um texto em colaboração com ela, entitulado Amor Duradouro.
Luiz Antonio Peixoto de Andrade viria a falecer com cento e oito anos, deixando um legado, seus textos de contos de ficção, de uma vida inteira, seus filhos, também escritores, e em seus textos autobiográficos jamais deixou de ressaltar a importância de Luiza Carvalho de Almeida em sua vida. Seu grande amor, em uma história em que praticamente tudo dera certo. Um conto de fadas moderno, quase inverossímil de tão perfeito que fora, aquele amor. Mariana Carvalho de Almeida levava adiante os nomes de sua mãe com muita competência, escrevendo textos de alta qualidade. Sua relação com Luiz de Andrade durou até o fim da vida dele.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
João Antônio Sousa de Andrade
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
João Antônio Sousa de Andrade tinha 38 anos, e se ocupava em ler e escrever digitando ao computador. Um dia teve a ideia de usar de vez em quando o programa de internete Google Maps para passear virtualmente na cidade em que morava, Rio de Janeiro. Andrade procurava correr o mínimo de risco possível em seu cotidiano. Usando o Google Maps, transitava virtualmente pela cidade nas vielas mais vazias das áreas mais distantes, e noutras ruas, onde notava vultos interessantes, e imaginava o que fariam aquelas pessoas, e a que propósito estariam andando quando tinham sido fotografadas pelo Google.
Uma vez, passeando virtualmente por perto de seu apartamento no bairro da Gávea, Andrade viu uma vizinha no Google Maps que reconheceu, mesmo com o rosto borrado pelo programa. Era Tatiana Freitas, esposa de seu conhecido de infância Marcelo Telles Ribeiro. Porém, o programa tinha a fotografado no instante mesmo em que saía do prédio de Andrade, em visita que, gostaria ele, continuasse em sigilo. Mas se tratava apenas de um indício circunstancial, pensava Andrade. Uma boa desculpa era o de que precisava. Mas tinha de combinar a mesma com Tatiana Freitas.
Dito e feito, na próxima vez em que encontrou Tatiana a sós na rua, comentou com ela da indiscrição do programa, e lhe recomendou que se Marcelo Telles Ribeiro suspeitasse de alguma coisa, ela deveria dizer que estava se informando sobre apartamentos disponíveis para aluguel com Andrade, o qual lhe pedira ajuda. Havia oportunamente um apartamento vago no prédio de Andrade, e Andrade poderia muito bem estar tomando como interesse seu próprio o aluguel do mesmo, fosse porque fosse.
Acontece que Marcelo Telles Ribeiro não usava o Google Maps, e a fotografia em questão jamais chegou a seu conhecimento. Tatiana Freitas continuou fazendo suas visitas indiscretas ao apartamento de Andrade, e tudo corria na maior tranquilidade. Já tinham uma desculpa boa para qualquer suspeita que houvesse de seu caso. A desculpa funcionaria mesmo com o apartamento referido já alugado, pois Marcelo Telles Ribeiro não iria tentar se certificar da alegação, pelo que Andrade deduzia.
Jamais Ribeiro ficou sabendo do caso de Andrade e Tatiana Freitas, e a desculpa combinada jamais teve de ser usada.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
João Antônio Sousa de Andrade tinha 38 anos, e se ocupava em ler e escrever digitando ao computador. Um dia teve a ideia de usar de vez em quando o programa de internete Google Maps para passear virtualmente na cidade em que morava, Rio de Janeiro. Andrade procurava correr o mínimo de risco possível em seu cotidiano. Usando o Google Maps, transitava virtualmente pela cidade nas vielas mais vazias das áreas mais distantes, e noutras ruas, onde notava vultos interessantes, e imaginava o que fariam aquelas pessoas, e a que propósito estariam andando quando tinham sido fotografadas pelo Google.
Uma vez, passeando virtualmente por perto de seu apartamento no bairro da Gávea, Andrade viu uma vizinha no Google Maps que reconheceu, mesmo com o rosto borrado pelo programa. Era Tatiana Freitas, esposa de seu conhecido de infância Marcelo Telles Ribeiro. Porém, o programa tinha a fotografado no instante mesmo em que saía do prédio de Andrade, em visita que, gostaria ele, continuasse em sigilo. Mas se tratava apenas de um indício circunstancial, pensava Andrade. Uma boa desculpa era o de que precisava. Mas tinha de combinar a mesma com Tatiana Freitas.
Dito e feito, na próxima vez em que encontrou Tatiana a sós na rua, comentou com ela da indiscrição do programa, e lhe recomendou que se Marcelo Telles Ribeiro suspeitasse de alguma coisa, ela deveria dizer que estava se informando sobre apartamentos disponíveis para aluguel com Andrade, o qual lhe pedira ajuda. Havia oportunamente um apartamento vago no prédio de Andrade, e Andrade poderia muito bem estar tomando como interesse seu próprio o aluguel do mesmo, fosse porque fosse.
Acontece que Marcelo Telles Ribeiro não usava o Google Maps, e a fotografia em questão jamais chegou a seu conhecimento. Tatiana Freitas continuou fazendo suas visitas indiscretas ao apartamento de Andrade, e tudo corria na maior tranquilidade. Já tinham uma desculpa boa para qualquer suspeita que houvesse de seu caso. A desculpa funcionaria mesmo com o apartamento referido já alugado, pois Marcelo Telles Ribeiro não iria tentar se certificar da alegação, pelo que Andrade deduzia.
Jamais Ribeiro ficou sabendo do caso de Andrade e Tatiana Freitas, e a desculpa combinada jamais teve de ser usada.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Ruebezahl
Lenda Primeira
De Johann Karl August Musaeus.
Traduções de língua alemã para língua inglesa.
De Iames Burns e W. Beckford.
https://books.google.com.br/books?id=UAoCAAAAQAAJ , https://books.google.com.br/books?id=yzZkAAAAcAAJ&pg=PA146&dq=legends+of+r%C3%BCbezahl+mus%C3%A4us&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiik-Kc_aDgAhXpLLkGHcQVDggQ6AEIKDAA#v=onepage&q=legends%20of%20r%C3%BCbezahl%20mus%C3%A4us&f=false .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
No alto Parnassus de Silésia lá mora, ao lado de Apollo e suas nove Musas, o longe-afamado Espírito da Montanha, comummente chamado Ruebezahl. O espírito, embora ele mantenha um entendimento perfeitamente bom com as deidades de canção, contribuiu mais, se um pode confessar a verdade sem dar ofensa, à celebridade das Montanhas dos Gigantes, do que o coro vociferoso todo de poetas Silesianos, com seus patrões divinos na barganha. Este governante poderoso dos gnomos não tem, contudo, nenhum território extensivo sobre a superfície da terra; seu domínio não é a não ser umas poucas milhas em circunferência, e fica dentro de uma cadeia única de morros: além disso ele divide este pequeno território com dois monarcas potentes, que nem mesmo reconhecem sua parceria em poder. Umas poucas braças, contudo, abaixo do solo vegetável, começa sua influência soberana indisputada, que não é passível de ser infringida por qualquer tratado de partição: ela se estende quatro mil milhas em profundidade, tão longe como o centro mesmo do globo.
Nosso potentado subterrâneo algumas vezes toma seu prazer em deslizando através dos estratos e rochas que formam suas províncias espaçosas; aqui ele pesquisa seus tesouros inexauríveis de riqueza mineral, invoca suas tropas de gnomos, e assinala a cada sua tarefa própria: alguns são ordernados de colocar guia, por diques e represas, nas torrentes furiosas de lava subterrânea, outros são empregados para apanhar correntes minerais, e impregnar a rocha estéril, até que ela seja convertida, pelas ricas represas metálicas, em metal precioso. O monarca do abismo algumas vezes, deitando de lado as rédeas de governo subterrâneo, ascende para recreação aos lampejos da lua, e mantém sua corte no cume das Montanhas dos Gigantes, onde ele brinca com as crianças de homens, tão insensivelmente como um garoto malvado, que se diverte com fazer cócegas em seu companheiro-de-brincadeira para dentro de convulsões.
Pois amigo Ruebezahl, você precisa entender, tem muito muito a disposição aleatória de nossas faculdades mentais humanas terrenas, a que os Franceses chamam ''Esprits fort'', e os Ingleses ''Dreadnought''. Ele é inteligente, excêntrico e inconstante, petulante e rude; orgulhoso e vão, e tão inconstante que ele irá ser hoje seu mais morno amigo, e não o reconhecer amanhã; os desgraçados têm algumas vezes o achado bondoso, generoso, e sensível; mas ele é em tal variância perpétua consigo mesmo, que, como um ovo posto em água fervente, ele prova-se duro e macio em um par de minutos: e você irá o reportar franco ou reservado, obstinado ou flexível, justo como o ''ignis-fatuus'' de sua fantasia se move rapidamente à primeira vista.
Em dias de outrora, antes ainda que os descendentes de Jafé tivessem pressionado tão longe em sentido norte como a limpar e plantar as regiões bordeando em seu domínio, Ruebezahl, como ele atravessava os urzais estéreis e morros enrugados, praticava suas travessuras sobre as bestas da floresta ou do campo: ele iria algumas vezes incitar ursos e búfalos até que eles lutassem uns contra os outros, e algumas vezes assustar manadas inteiras de cervos timoratos, de modo que em seu pavor eles tombavam de ponta-cabeça abaixo de rochedos íngremes e precipícios. Cansado finalmente de tal diversão, ele mergulhou nas regiões do mundo inferior, e permaneceu nas profundezas por vários séculos, até que ele sentiu um desejo de se expor novamente ao sol, e pesquisar os trabalhos de criação externa. Mas quão grande foi sua perplexidade, quando, desde sua estação no topo nevado das Montanhas dos Gigantes, ele viu uma mudança total no cenário circundante.
A escuridão de florestas impenetráveis tinha desaparecido; elas foram convertidas em terra arável, sobre as quais ondulavam safras profusas de grão dourado. Dentre pomares de árvores frutíferas, cheias de florescência, se levantavam os telhados de palha de povoações prósperas, e a fumaça ondulante ascendia pacificamente de muitas chaminés; aqui e ali sobre o declive de um morro ficava uma fortaleza solitária, como a defesa e proteção do lugar. No prado florido carneiros e bois pastavam, e no defunto verde eram ouvidos os sons melodiosos da flauta.
A novidade da cena, e a agradabilidade de sua primeira aparência, deleitaram o maravilhado príncipe do domínio tanto, que ele não teve nenhum desejo de interromper a ocupação ou existência desses plantadores intrusos auto-constituídos, que estavam assim trabalhando sem sua permissão; então ele lhes permitiu quietamente descansar em possessão de sua propriedade usurpada, como um dono de casa bondoso permite à andorinha social, ou mesmo ao pardal desagradável, descansar sob seu telhado. Veio mesmo para dentro de sua mente que ele iria fazer o conhecimento de homens -- essa raça estranha, essa mistura de animal e espírito; que ele iria se misturar em sua sociedade, e examinar sua natureza e maneiras. Para esse propósito ele assumiu a forma de um homem-de-campo corpulento, e se empregou como um trabalhador com um fazendeiro muitíssimo respeitado. O que quer que ele tomasse em mão prosperava, e Rips, o agricultor, era considerado o melhor trabalhador na povoação. Mas seu mestre era um glutão e um beberrão, que desperdiçava fora os salários de seu servente fiel, e lhe dava pouco agradecimento por sua dificuldade e trabalho; Rips portanto o deixou, e foi para seu vizinho, que lhe deu seu rebanho de ovelhas para tomar conta de. Ele as guardava diligentemente, as dirigia para lugares solitários e morros íngremes, onde a melhor grama crescia. O rebanho prosperou e aumentou maravilhosamente: nenhuma ovelha caiu sobre as pedras, e nenhuma foi rasgada em pedaços pelo lobo. Contudo, este mestre se revelou um avarento, que não recompensava seu servente bom como ele merecia; ele mesmo roubou o melhor carneiro do rebanho, e então manteve o valor dele dos salários do pastor. Sobre isso, Rips partiu do companheiro ganancioso, e entrou no serviço do juiz; se tornou o castigo do ladrão, e trabalhou muitíssimo zelosamente na causa de justiça. Mas o juiz era um homem mau; desviava o olha do que era justo; julgava de acordo com favor, e desprezava direito. Como Rips não iria ser o instrumento de injustiça, ele recusou seus serviços ao juiz, e, em consequência, foi jogado na prisão, fora da qual, contudo, no jeito usual de espíritos, ele facilmente fez seu escape pelo buraco de fechadura.
Era impossível que essa primeira tentativa no estudo de humanidade pudesse fazer uma impressão favorável sobre ele. Ele retornou de volta em desgosto para sua fortaleza rochosa, desde lá viu a planície sorridente que indústria humana tinha feito bela, e se admirou que mãe natureza pudesse emprestar suas dádivas a uma linhagem tão sem coração. Não obstante isso, ele novamente se aventurou em uma jornada para dentro da planície, para retomar o estudo de humanidade.
Sua próxima aventura foi uma de amor. Ele se tornou enamorado da formosa princesa Emma, a filha do Rei de Silésia, que ele uma vez acidentalmente encontrou enquanto ela passeava para cá e para lá, dentre as florestas e rios do domínio de seu pai, com suas donzelas atendentes. Ele em seguida determinou sobre uma abdução, e um dia, quando a formosa princesa tinha vagado mais adiante do que usual, e estava se reclinando só sob a sombra de uma árvore difusa, ele a carregou embora, e tinha chegado com ela em seu palácio subterrâneo longo tempo antes que suas atendentes tivessem descobrido sua perda. O caso causou grande consternação e dor ao pai dela e toda a sua corte, mas especialmente para o jovem príncipe Ratibor, o noivo da formosa Emma. Longas e ansiosas foram suas procuras pela perdida, mas em vão.
Enquanto isso o objeto da ansiedade deles não estava tão desconfortável como poderia ter sido suposto. Seus apartamentos no palácio do gnomo eram verdadeiramente magníficos, e continham tudo que ela poderia desejar, enquanto o gnomo ele mesmo, tendo tomado a forma de um homem jovem belo, se ajoelhava a seus pés, e lhe oferecia acima seus votos de devoção ardente.
Observando que seu ídolo amoroso languia por sociedade, o gnomo serviçal a presenteou com uma cesta de nabos crescidos e frescos, lhe dando ao mesmo tempo uma vara de prata, por meio de que ela metamorfoseava esses vegetais em cortesãos bem educados e bem vestidos. Encantada com seu séquito imponente, a Princesa Emma iria agora perambular através de toda curva e fenda de sua morada subterrânea, e, quando cansada de explorar seus corredores e câmaras numerosos, andar a passo por toda alameda e caminho sombrio do jardim espaçoso, por toda parte do qual reinava uma primavera perpétua.
Mas, ai de mim! mesmo em uma terra mágica iria parecer que nada é certo senão mudança. Superava a arte mesmo de um cortesão ocultar as devastações de uma decadência que planamente demais avançava com passos largos rápidos. A Princesa, em fato, viu seu séquito gracioso gradualmente afundar em uma companhia de mulheres velhas, feias, rabujentas murchas, com pés cambaleantes e braços trêmulos; e, em um acesso de indignação alta, ela os ordenou todos fora de sua presença, e correu para deitar suas dores diante de seu amante. O espírito complacente explicou a ela, que tão logo quanto o suco do nabo estivesse seco, o vegetal se tornava totalmente sem valor, e suas funções extintas.
A formosa Emma, vendo que ela era novamente para ser condenada a solidão, primeiro reclamou, e então chorou; e tão poderosas são as lágrimas de uma mulher amorosa, que, nem mesmo um gnomo poderia as suportar. Ele protestou que ele iria explorar toda polegada de seu domínio subterrâneo em busca de outro suprimento de nabos apropriados para o propósito dela; mas seus empenhos eram infrutíferos. Frutas deliciosas e flores fragrantes ele achava em abundância; mas embora ele tivesse de boa vontade ter trocado um bushel inteiro das maças de ouro das Hespérides por um único nabo, nenhum poderia ele conseguir. Ele então determinou de saquear seus domínios em cima; mas qual não foi desânimo, em emergindo desde baixo, em ver o cetro gelado de inverno extendido sobre a terra toda, e nem mesmo uma lâmina de capim penetrando através das profundas massas de neve!
Neste dilema, não havia nada restante para nosso amante desanimado senão assumir a aparência de um camponês, andar para dentro da povoação mais próxima, e comprar uma sacada de semente-de-nabo, que ele deitou aos pés de sua tirana bela. Provocada e desapontada, ela agora o carregava com reprovações, ridicularizava a ideia de ele possuir tanto poder de transmutação jactado, e o cortou até o coração por sarcasmos sobre sua inabilidade de realizar o que ele tinha empreendido; em resumo, ela levantou uma tal tempestade como qualquer um, salvo um amante, teria fugido de. Mas o gnomo manteve sua posição; e a amável Emma por fim consentiu em o acompanhar até o jardim, para o ver plantar a semente desde qual sua felicidade futura era para surgir. O gnomo se pôs instantaneamente a trabalhar, e em poucos momentos inumeráveis mirtos, jacintos e cravos desarraigados se espalhavam pelo solo. Tão ávida de fato estava Emma para secundar o trabalho de exterminação, que ela deitou sua dignidade de lado, e assistiu seu amante a rasgar acima canteiros inteiros de suas flores uma-vez-amadas, e a plantar os muito-valorizados substitutos em seu lugar. Observar o progresso do campo de nabos, era sua ocupação de manhã, ao meio-dia e a noite; e lá ao aurorescer ou pôr-do-sol seu amante nunca falhava em a encontrar. Ele se regozijou por isso, pois ela nunca escutava tão complacentemente ao seu caso[1] como quando assim engajada.
Gradualmente as jovens plantas aumentaram em tamanho e beleza, e gradualmente a frieza e reserva da princesa começaram a ceder, até que finalmente ela consentiu em ser dele--mas sobre uma condição. "Meu casamento," disse ela para seu amante embevecido, "não irá ser sem testemunhas; vá, então, e conte todo nabo no campo; eu irei animar todos eles; pois tome cuidado que você os conte corretamente, pois se você não notar somente um deles, minha promessa irá ser retirada." Tão encantado estava o gnomo, que ele não iria ter hesitado em contar as areias de um litoral. A contagem de um campo de nabos, portanto, parecia um assunto pequeno; e Emma tendo se retirado para dentro do palácio para não perturbar seus cálculos, ele imediatamente começou sua tarefa. Mas isso ele logo viu não era nenhuma tal matéria fácil. Hora após hora trabalhou nosso amante em sua tarefa; finalmente ela foi realizada, e ele correu para o palácio. Lá um silêncio morto reinava. "Eu irei a achar no jardim, coletando flores para a coroa de casamento," disse o gnomo; mas em vão fez ele os bosques ressoarem com o nome amado de Emma--eco sozinho lhe respondia, como se em escárnio. Uma suspeição súbita veio sobre ele; ele correu para cima, e em um outro instante ficava sobre a superfície da terra. Espírito infeliz, que cena de partir o coração ele agora via! Lá estava sua amada Emma, montada em um cavalo mais rápido que o vento, correndo para seu amante passado, Príncipe Ratibor, que rapidamente se aproximava dela. Ele agora compreendia a extensão inteira de seu infortúnio. A Emma enganosa tinha abstraído um dos nabos, o metamorfoseado em um corcel fogoso, e tinha proximamente atingido o limite de seu território, além do que ele não tinha nenhum poder. "Ah, traidora! Você não irá me escapar," exclamava o indignado gnomo, enquanto ele corria atrás da formosa fuginte. Furioso o gnomo deitou pegada de duas nuvens que estavam próximas a ele, as projetou com um estampido horrível uma contra a outra, e mandou atrás da fugitiva um jato de luz de relâmpago, que despedaçou em um milhar de pedaços uma árvore-carvalho ponderosa, que por eras tinha marcado o limite de seus domínios. O limite, contudo, a princesa tinha afortunadamente justamente passado, e além desse Ruebezahl era impotente.
O espírito abandonado rasgou o ar com seus gritos, e submergiu abaixo para seus domínios subterrâneos, lá para lamentar seu desaopntamento, e lamentar sua má sorte. Em sua fúria ele bateu seus pés com força, e em um momento o palácio mágico desapareceu, enquanto o gnomo se dirigia uma vez mais a sua residência solitária passada no centro da terra, com um coração ainda mais amargo contra os habitantes dessa terra superior.
O relatório da aventura estranha da princesa, e o dispositivo engenhoso por que ela efetuou seu escape, foi logo espalhado no exterior por toda parte no reino de seu pai, e em todo o campo circundante, e se tornou uma tradição, que descendeu de geração em geração, até que enfim as pessoas comuns estavam acostumadas a dar ao gnomo, por faltas de um melhor, o nome de Ruebezahl, ou o Contador de Nabos; assim perpetuando na maneira mais durável a memória do azarado infortúnio dele.
Notas de Tradução:
[1] suit, caso, galanteio, corte, etc.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Lenda Primeira
De Johann Karl August Musaeus.
Traduções de língua alemã para língua inglesa.
De Iames Burns e W. Beckford.
https://books.google.com.br/books?id=UAoCAAAAQAAJ , https://books.google.com.br/books?id=yzZkAAAAcAAJ&pg=PA146&dq=legends+of+r%C3%BCbezahl+mus%C3%A4us&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiik-Kc_aDgAhXpLLkGHcQVDggQ6AEIKDAA#v=onepage&q=legends%20of%20r%C3%BCbezahl%20mus%C3%A4us&f=false .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
No alto Parnassus de Silésia lá mora, ao lado de Apollo e suas nove Musas, o longe-afamado Espírito da Montanha, comummente chamado Ruebezahl. O espírito, embora ele mantenha um entendimento perfeitamente bom com as deidades de canção, contribuiu mais, se um pode confessar a verdade sem dar ofensa, à celebridade das Montanhas dos Gigantes, do que o coro vociferoso todo de poetas Silesianos, com seus patrões divinos na barganha. Este governante poderoso dos gnomos não tem, contudo, nenhum território extensivo sobre a superfície da terra; seu domínio não é a não ser umas poucas milhas em circunferência, e fica dentro de uma cadeia única de morros: além disso ele divide este pequeno território com dois monarcas potentes, que nem mesmo reconhecem sua parceria em poder. Umas poucas braças, contudo, abaixo do solo vegetável, começa sua influência soberana indisputada, que não é passível de ser infringida por qualquer tratado de partição: ela se estende quatro mil milhas em profundidade, tão longe como o centro mesmo do globo.
Nosso potentado subterrâneo algumas vezes toma seu prazer em deslizando através dos estratos e rochas que formam suas províncias espaçosas; aqui ele pesquisa seus tesouros inexauríveis de riqueza mineral, invoca suas tropas de gnomos, e assinala a cada sua tarefa própria: alguns são ordernados de colocar guia, por diques e represas, nas torrentes furiosas de lava subterrânea, outros são empregados para apanhar correntes minerais, e impregnar a rocha estéril, até que ela seja convertida, pelas ricas represas metálicas, em metal precioso. O monarca do abismo algumas vezes, deitando de lado as rédeas de governo subterrâneo, ascende para recreação aos lampejos da lua, e mantém sua corte no cume das Montanhas dos Gigantes, onde ele brinca com as crianças de homens, tão insensivelmente como um garoto malvado, que se diverte com fazer cócegas em seu companheiro-de-brincadeira para dentro de convulsões.
Pois amigo Ruebezahl, você precisa entender, tem muito muito a disposição aleatória de nossas faculdades mentais humanas terrenas, a que os Franceses chamam ''Esprits fort'', e os Ingleses ''Dreadnought''. Ele é inteligente, excêntrico e inconstante, petulante e rude; orgulhoso e vão, e tão inconstante que ele irá ser hoje seu mais morno amigo, e não o reconhecer amanhã; os desgraçados têm algumas vezes o achado bondoso, generoso, e sensível; mas ele é em tal variância perpétua consigo mesmo, que, como um ovo posto em água fervente, ele prova-se duro e macio em um par de minutos: e você irá o reportar franco ou reservado, obstinado ou flexível, justo como o ''ignis-fatuus'' de sua fantasia se move rapidamente à primeira vista.
Em dias de outrora, antes ainda que os descendentes de Jafé tivessem pressionado tão longe em sentido norte como a limpar e plantar as regiões bordeando em seu domínio, Ruebezahl, como ele atravessava os urzais estéreis e morros enrugados, praticava suas travessuras sobre as bestas da floresta ou do campo: ele iria algumas vezes incitar ursos e búfalos até que eles lutassem uns contra os outros, e algumas vezes assustar manadas inteiras de cervos timoratos, de modo que em seu pavor eles tombavam de ponta-cabeça abaixo de rochedos íngremes e precipícios. Cansado finalmente de tal diversão, ele mergulhou nas regiões do mundo inferior, e permaneceu nas profundezas por vários séculos, até que ele sentiu um desejo de se expor novamente ao sol, e pesquisar os trabalhos de criação externa. Mas quão grande foi sua perplexidade, quando, desde sua estação no topo nevado das Montanhas dos Gigantes, ele viu uma mudança total no cenário circundante.
A escuridão de florestas impenetráveis tinha desaparecido; elas foram convertidas em terra arável, sobre as quais ondulavam safras profusas de grão dourado. Dentre pomares de árvores frutíferas, cheias de florescência, se levantavam os telhados de palha de povoações prósperas, e a fumaça ondulante ascendia pacificamente de muitas chaminés; aqui e ali sobre o declive de um morro ficava uma fortaleza solitária, como a defesa e proteção do lugar. No prado florido carneiros e bois pastavam, e no defunto verde eram ouvidos os sons melodiosos da flauta.
A novidade da cena, e a agradabilidade de sua primeira aparência, deleitaram o maravilhado príncipe do domínio tanto, que ele não teve nenhum desejo de interromper a ocupação ou existência desses plantadores intrusos auto-constituídos, que estavam assim trabalhando sem sua permissão; então ele lhes permitiu quietamente descansar em possessão de sua propriedade usurpada, como um dono de casa bondoso permite à andorinha social, ou mesmo ao pardal desagradável, descansar sob seu telhado. Veio mesmo para dentro de sua mente que ele iria fazer o conhecimento de homens -- essa raça estranha, essa mistura de animal e espírito; que ele iria se misturar em sua sociedade, e examinar sua natureza e maneiras. Para esse propósito ele assumiu a forma de um homem-de-campo corpulento, e se empregou como um trabalhador com um fazendeiro muitíssimo respeitado. O que quer que ele tomasse em mão prosperava, e Rips, o agricultor, era considerado o melhor trabalhador na povoação. Mas seu mestre era um glutão e um beberrão, que desperdiçava fora os salários de seu servente fiel, e lhe dava pouco agradecimento por sua dificuldade e trabalho; Rips portanto o deixou, e foi para seu vizinho, que lhe deu seu rebanho de ovelhas para tomar conta de. Ele as guardava diligentemente, as dirigia para lugares solitários e morros íngremes, onde a melhor grama crescia. O rebanho prosperou e aumentou maravilhosamente: nenhuma ovelha caiu sobre as pedras, e nenhuma foi rasgada em pedaços pelo lobo. Contudo, este mestre se revelou um avarento, que não recompensava seu servente bom como ele merecia; ele mesmo roubou o melhor carneiro do rebanho, e então manteve o valor dele dos salários do pastor. Sobre isso, Rips partiu do companheiro ganancioso, e entrou no serviço do juiz; se tornou o castigo do ladrão, e trabalhou muitíssimo zelosamente na causa de justiça. Mas o juiz era um homem mau; desviava o olha do que era justo; julgava de acordo com favor, e desprezava direito. Como Rips não iria ser o instrumento de injustiça, ele recusou seus serviços ao juiz, e, em consequência, foi jogado na prisão, fora da qual, contudo, no jeito usual de espíritos, ele facilmente fez seu escape pelo buraco de fechadura.
Era impossível que essa primeira tentativa no estudo de humanidade pudesse fazer uma impressão favorável sobre ele. Ele retornou de volta em desgosto para sua fortaleza rochosa, desde lá viu a planície sorridente que indústria humana tinha feito bela, e se admirou que mãe natureza pudesse emprestar suas dádivas a uma linhagem tão sem coração. Não obstante isso, ele novamente se aventurou em uma jornada para dentro da planície, para retomar o estudo de humanidade.
Sua próxima aventura foi uma de amor. Ele se tornou enamorado da formosa princesa Emma, a filha do Rei de Silésia, que ele uma vez acidentalmente encontrou enquanto ela passeava para cá e para lá, dentre as florestas e rios do domínio de seu pai, com suas donzelas atendentes. Ele em seguida determinou sobre uma abdução, e um dia, quando a formosa princesa tinha vagado mais adiante do que usual, e estava se reclinando só sob a sombra de uma árvore difusa, ele a carregou embora, e tinha chegado com ela em seu palácio subterrâneo longo tempo antes que suas atendentes tivessem descobrido sua perda. O caso causou grande consternação e dor ao pai dela e toda a sua corte, mas especialmente para o jovem príncipe Ratibor, o noivo da formosa Emma. Longas e ansiosas foram suas procuras pela perdida, mas em vão.
Enquanto isso o objeto da ansiedade deles não estava tão desconfortável como poderia ter sido suposto. Seus apartamentos no palácio do gnomo eram verdadeiramente magníficos, e continham tudo que ela poderia desejar, enquanto o gnomo ele mesmo, tendo tomado a forma de um homem jovem belo, se ajoelhava a seus pés, e lhe oferecia acima seus votos de devoção ardente.
Observando que seu ídolo amoroso languia por sociedade, o gnomo serviçal a presenteou com uma cesta de nabos crescidos e frescos, lhe dando ao mesmo tempo uma vara de prata, por meio de que ela metamorfoseava esses vegetais em cortesãos bem educados e bem vestidos. Encantada com seu séquito imponente, a Princesa Emma iria agora perambular através de toda curva e fenda de sua morada subterrânea, e, quando cansada de explorar seus corredores e câmaras numerosos, andar a passo por toda alameda e caminho sombrio do jardim espaçoso, por toda parte do qual reinava uma primavera perpétua.
Mas, ai de mim! mesmo em uma terra mágica iria parecer que nada é certo senão mudança. Superava a arte mesmo de um cortesão ocultar as devastações de uma decadência que planamente demais avançava com passos largos rápidos. A Princesa, em fato, viu seu séquito gracioso gradualmente afundar em uma companhia de mulheres velhas, feias, rabujentas murchas, com pés cambaleantes e braços trêmulos; e, em um acesso de indignação alta, ela os ordenou todos fora de sua presença, e correu para deitar suas dores diante de seu amante. O espírito complacente explicou a ela, que tão logo quanto o suco do nabo estivesse seco, o vegetal se tornava totalmente sem valor, e suas funções extintas.
A formosa Emma, vendo que ela era novamente para ser condenada a solidão, primeiro reclamou, e então chorou; e tão poderosas são as lágrimas de uma mulher amorosa, que, nem mesmo um gnomo poderia as suportar. Ele protestou que ele iria explorar toda polegada de seu domínio subterrâneo em busca de outro suprimento de nabos apropriados para o propósito dela; mas seus empenhos eram infrutíferos. Frutas deliciosas e flores fragrantes ele achava em abundância; mas embora ele tivesse de boa vontade ter trocado um bushel inteiro das maças de ouro das Hespérides por um único nabo, nenhum poderia ele conseguir. Ele então determinou de saquear seus domínios em cima; mas qual não foi desânimo, em emergindo desde baixo, em ver o cetro gelado de inverno extendido sobre a terra toda, e nem mesmo uma lâmina de capim penetrando através das profundas massas de neve!
Neste dilema, não havia nada restante para nosso amante desanimado senão assumir a aparência de um camponês, andar para dentro da povoação mais próxima, e comprar uma sacada de semente-de-nabo, que ele deitou aos pés de sua tirana bela. Provocada e desapontada, ela agora o carregava com reprovações, ridicularizava a ideia de ele possuir tanto poder de transmutação jactado, e o cortou até o coração por sarcasmos sobre sua inabilidade de realizar o que ele tinha empreendido; em resumo, ela levantou uma tal tempestade como qualquer um, salvo um amante, teria fugido de. Mas o gnomo manteve sua posição; e a amável Emma por fim consentiu em o acompanhar até o jardim, para o ver plantar a semente desde qual sua felicidade futura era para surgir. O gnomo se pôs instantaneamente a trabalhar, e em poucos momentos inumeráveis mirtos, jacintos e cravos desarraigados se espalhavam pelo solo. Tão ávida de fato estava Emma para secundar o trabalho de exterminação, que ela deitou sua dignidade de lado, e assistiu seu amante a rasgar acima canteiros inteiros de suas flores uma-vez-amadas, e a plantar os muito-valorizados substitutos em seu lugar. Observar o progresso do campo de nabos, era sua ocupação de manhã, ao meio-dia e a noite; e lá ao aurorescer ou pôr-do-sol seu amante nunca falhava em a encontrar. Ele se regozijou por isso, pois ela nunca escutava tão complacentemente ao seu caso[1] como quando assim engajada.
Gradualmente as jovens plantas aumentaram em tamanho e beleza, e gradualmente a frieza e reserva da princesa começaram a ceder, até que finalmente ela consentiu em ser dele--mas sobre uma condição. "Meu casamento," disse ela para seu amante embevecido, "não irá ser sem testemunhas; vá, então, e conte todo nabo no campo; eu irei animar todos eles; pois tome cuidado que você os conte corretamente, pois se você não notar somente um deles, minha promessa irá ser retirada." Tão encantado estava o gnomo, que ele não iria ter hesitado em contar as areias de um litoral. A contagem de um campo de nabos, portanto, parecia um assunto pequeno; e Emma tendo se retirado para dentro do palácio para não perturbar seus cálculos, ele imediatamente começou sua tarefa. Mas isso ele logo viu não era nenhuma tal matéria fácil. Hora após hora trabalhou nosso amante em sua tarefa; finalmente ela foi realizada, e ele correu para o palácio. Lá um silêncio morto reinava. "Eu irei a achar no jardim, coletando flores para a coroa de casamento," disse o gnomo; mas em vão fez ele os bosques ressoarem com o nome amado de Emma--eco sozinho lhe respondia, como se em escárnio. Uma suspeição súbita veio sobre ele; ele correu para cima, e em um outro instante ficava sobre a superfície da terra. Espírito infeliz, que cena de partir o coração ele agora via! Lá estava sua amada Emma, montada em um cavalo mais rápido que o vento, correndo para seu amante passado, Príncipe Ratibor, que rapidamente se aproximava dela. Ele agora compreendia a extensão inteira de seu infortúnio. A Emma enganosa tinha abstraído um dos nabos, o metamorfoseado em um corcel fogoso, e tinha proximamente atingido o limite de seu território, além do que ele não tinha nenhum poder. "Ah, traidora! Você não irá me escapar," exclamava o indignado gnomo, enquanto ele corria atrás da formosa fuginte. Furioso o gnomo deitou pegada de duas nuvens que estavam próximas a ele, as projetou com um estampido horrível uma contra a outra, e mandou atrás da fugitiva um jato de luz de relâmpago, que despedaçou em um milhar de pedaços uma árvore-carvalho ponderosa, que por eras tinha marcado o limite de seus domínios. O limite, contudo, a princesa tinha afortunadamente justamente passado, e além desse Ruebezahl era impotente.
O espírito abandonado rasgou o ar com seus gritos, e submergiu abaixo para seus domínios subterrâneos, lá para lamentar seu desaopntamento, e lamentar sua má sorte. Em sua fúria ele bateu seus pés com força, e em um momento o palácio mágico desapareceu, enquanto o gnomo se dirigia uma vez mais a sua residência solitária passada no centro da terra, com um coração ainda mais amargo contra os habitantes dessa terra superior.
O relatório da aventura estranha da princesa, e o dispositivo engenhoso por que ela efetuou seu escape, foi logo espalhado no exterior por toda parte no reino de seu pai, e em todo o campo circundante, e se tornou uma tradição, que descendeu de geração em geração, até que enfim as pessoas comuns estavam acostumadas a dar ao gnomo, por faltas de um melhor, o nome de Ruebezahl, ou o Contador de Nabos; assim perpetuando na maneira mais durável a memória do azarado infortúnio dele.
Notas de Tradução:
[1] suit, caso, galanteio, corte, etc.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Escala Existencial
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Quando eu estava na escola, acho que quinta-série, houve uma redação, era talvez tema livre, e o que fiz entitulei "A Escala Existencial". Dissertei uma página sobre o como as formigas provavelmente não nos compreendiam, de forma que talvez nós também não compreendêssemos alguma forma de vida superior, que nem encarássemos como tal. A professora deu nota baixa. Não entendi, até hoje acho uma ótima ideia. Atribuo à amargura da professora.
Uma outra ideia que tenho há tempo é a seguinte, suponhamos que o poder computacional, como já foi colocado, atinja um ponto, como possivelmente irá atingir, onde possamos colocar uma entrada de dados suficientemente grande, as medidas das grandezas necessárias para com a função correta prever tudo. A grande questão a que cheguei é, quem está prevendo? Pois quem prevê, sempre pode tomar uma atitude para mudar o que está previsto, ao menos à primeira vista é a sensação que se tem. Ou será que atingiremos um ponto onde as próprias reações da pessoa que prevê também estarão previstas? Ela mesma tenta ser imprevisível mas vai percebendo que todas as suas tentativas já estão previstas? Seria paradoxal? Ao menos intrigante.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Quando eu estava na escola, acho que quinta-série, houve uma redação, era talvez tema livre, e o que fiz entitulei "A Escala Existencial". Dissertei uma página sobre o como as formigas provavelmente não nos compreendiam, de forma que talvez nós também não compreendêssemos alguma forma de vida superior, que nem encarássemos como tal. A professora deu nota baixa. Não entendi, até hoje acho uma ótima ideia. Atribuo à amargura da professora.
Uma outra ideia que tenho há tempo é a seguinte, suponhamos que o poder computacional, como já foi colocado, atinja um ponto, como possivelmente irá atingir, onde possamos colocar uma entrada de dados suficientemente grande, as medidas das grandezas necessárias para com a função correta prever tudo. A grande questão a que cheguei é, quem está prevendo? Pois quem prevê, sempre pode tomar uma atitude para mudar o que está previsto, ao menos à primeira vista é a sensação que se tem. Ou será que atingiremos um ponto onde as próprias reações da pessoa que prevê também estarão previstas? Ela mesma tenta ser imprevisível mas vai percebendo que todas as suas tentativas já estão previstas? Seria paradoxal? Ao menos intrigante.
O Nada
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Pois que o nada é um tema que vem acompanhando a humanidade desde sempre, muitos foram os que pensaram o tratar, poucos os que o fizeram. Uma tal empresa não pode ser tida por muito viável, ainda que um bom tratado sobre o nada fosse um não-tratado, essencialmente. Tenho para comigo mesmo algumas reservas quanto ao que ora tenciono, mas os leitores hão de ser compreensivos, e relevar quaisquer imprecisões que se possa observar nesta tentativa.
A negação, o não-ser, o nada, seria o vácuo, não seria, é um conceito, mas onde vive esse conceito, na mente humana, eis aí uma resposta. Sendo uma resposta, e não uma não resposta, não pode ser mais do que um instrumento de auxílio ao fim a que se mira neste contexto. Insistindo neste ponto postulemos uma página em branco; também não seria uma não resposta, e a verdadeira não resposta também não explicaria o que é o nada. Se trata da natureza da existência, da realidade, com a profunda ressalva de que sabemos que o nada não existe -- ou existirá? Está aí um dos cernes desta questão filosófica, se é que o nada possa ter um cerne.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2019.
Pois que o nada é um tema que vem acompanhando a humanidade desde sempre, muitos foram os que pensaram o tratar, poucos os que o fizeram. Uma tal empresa não pode ser tida por muito viável, ainda que um bom tratado sobre o nada fosse um não-tratado, essencialmente. Tenho para comigo mesmo algumas reservas quanto ao que ora tenciono, mas os leitores hão de ser compreensivos, e relevar quaisquer imprecisões que se possa observar nesta tentativa.
A negação, o não-ser, o nada, seria o vácuo, não seria, é um conceito, mas onde vive esse conceito, na mente humana, eis aí uma resposta. Sendo uma resposta, e não uma não resposta, não pode ser mais do que um instrumento de auxílio ao fim a que se mira neste contexto. Insistindo neste ponto postulemos uma página em branco; também não seria uma não resposta, e a verdadeira não resposta também não explicaria o que é o nada. Se trata da natureza da existência, da realidade, com a profunda ressalva de que sabemos que o nada não existe -- ou existirá? Está aí um dos cernes desta questão filosófica, se é que o nada possa ter um cerne.
Assinar:
Postagens (Atom)