segunda-feira, 28 de agosto de 2017


Mari D'Elle
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Era uma noite livre. Natalya Andreyevna Bronin (seu nome de casada era Nikitin), a cantora de ópera, está jazendo em seu quarto, seu ser todo estando abandonado a repouso. Ela jaz, deliciosamente sonolenta, pensando de sua filha pequena que vive em algum lugar longe distante com sua avó ou tia... A criança é mais preciosa para ela do que o público, buquês, notícias nos jornais, adoradores... e ela iria ser satisfeita de pensar sobre ela até manhã. Ela está feliz, em paz, e tudo que ela deseja é não ser impedida de jazer não incomodada, modorrando e sonhando de sua garota pequena.

Subitamente a cantora se sobressalta, e abre seus olhos bem abertos: há um toque de campainha abrupto áspero na entrada. Antes de dez segundos terem passado o sino tine uma segunda vez e uma terceira vez. A porta é aberta ruidosamente e alguém anda para dentro da entrada batendo seus pés como um cavalo, resfolegando e soprando com o frio.

"Amaldiçoado seja isso tudo, nenhum lugar para pendurar o sobretudo de um!" a cantora ouve uma voz baixa rouca. "Cantora celebrada, olhe para isso! Faz cinco mil por ano, e não pode obter um porta-chapéus decente!"

"Meu marido!" pensa a cantora, franzindo as sobrancelhas. "E eu creio que ele trouxe um de seus amigos para ficar a noite também... Odioso!"

Nenhuma paz mais. Quando o som alto de alguém assoando seu nariz e colocando fora suas galochas morre embora, a cantora ouve passos cautelosos em seu quarto... É o marido dela, 'mari d'elle', Denis Petrovitch Nikitin. Ele traz um sopro de ar frio e um cheiro de conhaque. Por um longo intervalo ele anda pelo quarto, respirando pesadamente, e, tropeçando contra as cadeiras no escuro, parece estar procurando por alguma coisa...

"O que você quer?" sua esposa geme, quando ela está cansada do espalhafato dele. "Você me acordou."

"Eu estou procurando pelos fósforos, meu amor. Você... você não está dormindo então? Eu lhe trouxe uma mensagem... Saudações daquele... qual-o-nome-dele?... companheiro ruivo que está sempre lhe enviando buquês... Zagvozdkin... Eu acabei de ter estado para o ver."

"Para que você foi a ele?"

"Oh, nada particular... Nós sentamos e conversamos e tivemos uma bebida. Diga o que você quiser, Nathalie, eu não gosto daquele indivíduo-Eu desgosto dele terrivelmente! Ele é um cabeça-dura raro. Ele é um homem rico, um capitalista; ele tem seiscentos mil, e você não iria nunca o supor. Dinheiro não é de nenhum uso mais para ele do que um rabanete para um cachorro. Ele não o gasta ele mesmo nem o dá para outros. Dinheiro deveria circular, mas ele mantém segurança firme dele, tem medo de se separar dele... Qual o bem de capital jazendo inativo? Capital jazendo inativo não é nada melhor do que grama."

'Mari d'elle' procura no escuro seu caminho para a beira da cama e, soprando, se senta aos pés de sua esposa.

"Capital jazendo inativo é pernicioso," ele continua. "Por que negócios foram costa abaixo em Rússia? Porque há tanto capital jazendo inativo entre nós; eles têm medo de o investir. É muito diferente em Inglaterra.... Não há nenhumas tais pessoas esquisitas como Zagvozdkin em Inglaterra, minha garota... Lá toda moeda de um quarto de pêni está em circulação... Sim... Eles não o mantêem trancado em baús lá...."

"Bem, isso está bem. Eu estou sonolenta."

"Diretamente... O que era que eu estava falando sobre? Sim... Nesses tempos duros suspensão é boa demais para Zagvozdkin... Ele é um tolo e um salafrário... Nada melhor do que um tolo. Se eu pedisse a ele por um empréstimo sem segurança-por que, uma criança poderia ver que ele não corre nenhum risco qualquer. Ele não entende, o asno! Por dez mil ele iria ter obtido uma centena. Em um ano ele iria ter outra centena de milhares. Eu pedi, eu conversei... mas ele não queria me dar, o cabeça-dura."

"Eu espero que você não tenha pedido a ele por um empréstimo em meu nome."

"H'm.... Uma pergunta esquisita..." 'Mari d'elle' é ofendido. "De qualquer jeito ele iria antes me dar dez mil do que você. Você é uma mulher, e eu sou um homem de qualquer jeito, uma pessoa de tipo de negócios. E que esquema eu proponho a ele! Não uma bolha, não alguma quimera, mas uma coisa inteira, substancial! Se um pudesse dar um golpe em um homem que fosse entender, um poderia obter vinte mil pela ideia sozinha! Mesmo você iria entender se eu fosse para lhe contar sobre ela. Apenas você... não tagarele sobre ela... nem uma palavra... mas eu fantasio que eu falei para você sobre ela já. Falei eu a você sobre peles de linguiça?"

"M'm... eventualmente."

"Eu creio que eu falei.... Você vê o ponto disso? Agora as lojas de provisões e os fazedores de linguiça obtêm suas peles de linguiça localmente, e pagam um preço alto por elas. Bem, mas se um fosse para trazer peles de linguiça do Cáucaso onde elas não valem nada, e onde elas são jogadas fora, então... onde você supõe que os fazedores de linguiça iriam comprar suas peles, aqui nos abatedouros ou de mim? De mim, de curso! Por que, eu irei as vender dez vezes tão baratas! Agora nos deixe olhar para isso desse jeito: todo ano em Petersburgo e Moscou e em outros centros essas mesmas peles iriam ser compradas à soma de... à soma de quinhentos mil, nos deixe supor. Isso é o mínimo. Bem, e se..."

"Você pode me contar amanhã... mais tarde...."

"Sim, isso é verdade. Você está sonolenta, 'pardon', eu vou apenas... diga o que você quiser, mas com capital você pode fazer bons negócios em todo lugar, onde quer que você vá.... Com capital mesmo fora de pontas de cigarro um pode fazer um milhão... Tome seu negócio teatral agora. Por que, por exemplo, veio Lentovsky a pesar? É muito simples. Ele não foi o caminho certo para trabalhar desde o primeiro mesmo. Ele não tinha nenhum capital e ele foi apressadamente aos cachorros.... Ele deveria primeiro ter assegurado seu capital, e então ter ido lentamente e cautelosamente... Hoje em dia, um pode facilmente fazer dinheiro por um teatro, quer ele seja um privado ou um do povo... se um produz as peças certas, cobra um preço baixo por admissão, e dá um golpe na fantasia pública, um pode pôr uma centena de milhares no bolso de um no primeiro ano... Você não entende, mas eu estou falando sentido... Você vê você gosta de acumular capital; você não é nada melhor do que aquele tolo Zagvozdkin, você o amontoa acima e não sabe para quê... Você não irá ouvir, você não quer... Se você fosse para o colocar em circulação, você não iria ter que estar indo com pressa por todo o lugar... Você vê para um teatro privado, cinco mil iria ser suficiente para um começo... Não como Lentovsky, de curso, mas em uma escala modesta... de um jeito pequeno. Eu obtive um gerente já, eu olhei um edifício apropriado... É somente o dinheiro que eu não tenho... Se apenas você entendesse coisas você teria se separado de seus Cinco por cento... suas ações de Preferências...."

"Não, 'merci'.... Você me espoliou o suficiente já... Me deixe sozinha, eu fui punida já..."

"Se você vai argumentar como uma mulher, então de curso..." suspira Nikitin, se levantando. "De curso..."

"Me deixe sozinha... Venha, vá embora e não me mantenha acordada... Eu estou farta de ouvir seu contrassenso."

"H'm... Para ser certo... de curso! Espoliou... pilhou... O que nós damos nós lembramos de, mas nós não lembramos do que nós tomamos."

"Eu nunca tomei qualquer coisa de você."

"É verdade? Mas quando nós não éramos uma cantora celebrada, às custas de quem vivíamos nós então? E quem, me permita perguntar, lhe levantou para fora de miséria e assegurou sua felicidade? Você não se lembra disso?"

"Venha, vá para cama. Vá em frente e durma isso fora."

"Intenciona você dizer que você pensa que eu estou bêbado?... se eu estou tão baixo aos olhos de uma tal grande dama... Eu posso ir completamente."

"O faça. Uma coisa boa também."

"Eu irei, também. Eu me humilhei o suficiente. E eu irei ir."

"Oh, meu Deus! Oh, vá, então! Eu irei ser contentíssima!"

"Muito bem, nós iremos ver."

Nikitin murmura alguma coisa para si mesmo, e, tropeçando sobre as cadeiras, vai fora do quarto. Então sons a alcançam desde a entrada de sussurro, galochas se arrastando e uma porta sendo fechada. 'Mari d'elle' tomou ofensa com seriedade e saiu.

"Graças a Deus, ele se foi!" pensa a cantora; "Agora eu posso dormir."

E enquanto ela adormece ela pensa de seu 'mari d'elle', que tipo de homem ele é, e como essa aflição veio sobre ela. A um tempo ele costumava viver em Tchernigov, e tinha uma situação lá como um guarda-livros. Como um indivíduo obscuro ordinário e não o 'mari d'elle', ele tinha sido inteiramente suportável; ele costumava ir para seu trabalho e tomar seu salário, e todas suas extravagâncias e projetos não iam nada mais adiante do que uma guitarra nova, calças compridas elegantes, e uma piteira de âmbar. Desde que ele tinha se tornado "o marido de uma celebridade" ele estava completamente transformado. A cantora lembrava que quando primeiramente ela lhe contou que ela estava indo para o palco ele tinha feito um espalhafato, se indignado, reclamado para os pais dela, a virado para fora da casa. Ela tinha sido obrigada a ir para o palco sem a permissão dele. Depois, quando ele ficou sabendo dos jornais e de várias pessoas que ela estava ganhando grandes somas, ele tinha 'a perdoado', abandonado guardar-livros, e se tornado encostado dela. A cantora era superada com perplexidade quando ela olhava para seu encostado: quando e onde tinha ele conseguido pegar gostos novos, polimento, e ares e graças? Onde tinha ele aprendido o gosto de ostras e de borgonhas diferentes? Quem tinha lhe ensinado a se vestir e fazer seu cabelo na moda e a chamar de 'Nathalie' em vez de Natasha?

"É estranho," pensa a cantora. "Em velhos dias ele costumava obter seu salário e o guardar, mas agora uma centena de rublos por dia não é suficiente para ele. Em velhos dias ele tinha medo de falar diante de garotos de escola por medo de dizer alguma coisa tola, e agora ele é sobre-familiarizado mesmo com príncipes... criatura pequena contemptível, desprezível!"

Mas então a cantora se sobressalta novamente; novamente há o clangor do sino na entrada. A doméstica, renhindo e raivosamente baqueando com seus chinelos, vai para abrir a porta. Novamente alguém entra e bate os pés como um cavalo.

"Ele voltou!" pensa a cantora. "Quando irei eu ser deixada em paz? É revoltante!" Ela é superada por fúria.

"Espere um pouco... Eu irei lhe ensinar a levantar essas farsas! Você irá ir embora. Eu irei fazer você ir embora!"

A cantora salta acima e corre de pés descalços para dentro da sala de estar pequena onde seu 'mari' usualmente dorme. Ela vem no momento quando ele está tirando a roupa, e cuidadosamente dobrando suas roupas sobre uma cadeira.

"Você foi embora!" ela diz, olhando para ele com olhos brilhantes cheios de ódio. "Para que você voltou?"

Nikitin permanece silencioso, e meramente fareja.

"Você foi embora! Cordialmente se retire esse minuto mesmo! Este minuto mesmo! Você está ouvindo?"

'Mari d'elle' tosse e, sem olhar para sua esposa, tira seu suspensório.

"Se você não for embora, sua criatura insolente, eu irei ir," a cantora continua, batendo seu pé descalço, e olhando para ele com olhos flamejantes. "Eu irei ir! Você está ouvindo, insolente... patife sem valor, lacaio, fora você vai!"

"Você poderia ter algum pudor diante de estranhos," murmura o marido dela...

A cantora olha em volta e somente então vê uma face não familiar que parece como uma de um ator.... A face, vendo os ombros não cobertos e pés descalços da cantora, mostra sinais de embaraçamento, e parece pronto para afundar através do chão.

"Me deixe apresentar..." murmura Nikitin, "Bezbozhnikov, um gerente provinciano."

A cantora profere um guincho, e corre fora para dentro de seu quarto.

"Aí, você vê..." diz 'mari d'elle', enquanto ele se estira no sofá, "era tudo mel agora mesmo... meu amor, meu querido, meu bem-amado, beijos e abraços... mas tão cedo como dinheiro é tocado sobre, então... Como você vê... dinheiro é a coisa grande... Boa noite!"

Um minuto depois há um ronco.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

terça-feira, 4 de julho de 2017


Em uma Casa de Campo de Veraneio
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

"Eu amo você. Você é minha vida, minha felicidade - tudo para mim! Perdoe a confissão, mas eu não tenho a força para sofrer e ser silenciosa. Eu não peço por amor em retorno, mas por simpatia. Esteja na velha latada a oito horas esta noite .... Assinar meu nome é desnecessário eu penso, mas não fique desconfortável a meu ser anônima. Eu sou jovem, bonita ... o que mais você quer?"

Quando Pavel Ivanitch Vyhodtsev, um homem casado prático que estava passando suas férias em uma casa de campo de veraneio, leu esta carta, ele encolheu os ombros e coçou sua testa em perplexidade.

"Que diabrura é esta?" ele pensava. "Eu sou um homem casado, e me enviar uma tal carta tola ... estranha! Quem a escreveu?"

Pavel Ivanitch virou a carta de novo e de novo diante de seus olhos, a leu novamente, e cuspiu com desgosto.

"'Eu amo você'" ... ele disse ironicamente. "Um bonito garoto ela escolheu! Então eu sou para correr fora para encontrar você na latada!... Eu superei todos tais romances e 'fleurs d'amour' anos atrás, minha garota.... Hm! Ela deve ser alguma criatura imoral, descuidada.... Bem, essas mulheres são um conjunto! Que ventoinha - Deus nos perdoe - ela deve ser para escrever uma carta como essa para um estranho, e um homem casado, também! É desmoralização real!"

No curso de seus oito anos de vida marital Pavel Ivanitch tinha completamente superado toda sensação sentimental, e ele não tinha recebido nenhumas cartas de damas exceto cartas de congratulação, e assim, embora ele tentasse se sair bem com desdém, a carta citada acima grandemente o intrigou e agitou.

Uma hora depois de a receber, ele estava deitado em seu sofá, pensando:

"De curso eu não sou um garoto tolo, e eu não vou correr fora para esse rendezvous idiótico; mas ainda assim iria ser interessante saber quem a escreveu! Hm.... É certamente a escrita de uma mulher.... A carta está escrita com sentimento genuíno, e então ela pode dificilmente ser uma piada.... Mais provavelmente é alguma garota neurótica, ou talvez uma viúva ... viúvas são frívolas e excêntricas como uma regra. Hm.... Quem poderia ser?"

O que o fazia mais difícil decidir a questão era que Pavel Ivanitch não tinha uma conhecida feminina dentre os visitantes de veraneio, exceto sua esposa.

"É estranho..." ele meditava. "'Eu amo você!'... Quando ela conseguiu ficar apaixonada? Mulher surpreendente! Se apaixonar assim, a propósito de nada, sem fazer qualquer conhecimento e descobrir que tipo de homem eu sou....Ela deve ser extremamente jovem e romântica se ela é capaz de se apaixonar depois de dois ou três olhares para mim....Mas...quem é ela?"

Pavel Ivanitch subitamente rememorou que quando ele tinha estado andando entre as casas de campo de veraneio o dia anterior, e o dia antes desse, ele tinha várias vezes sido encontrado por uma dama jovem bela com um chapéu azul claro e um nariz arrebitado. A encantadora bela tinha se mantido olhando para ele, e quando ele se sentou em um assento ela tinha sentado ao lado dele....

"Pode ser ela?" Vyhodtsev se admirava. "Não pode ser! Poderia uma criatura efêmera delicada como essa se apaixonar por uma enguia velha gasta como eu? Não, é impossível!"

No jantar Pavel Ivanitch olhava inexpressivamente para sua esposa enquanto ele meditava:

"Ela escreve que ela é jovem e bonita.... Então ela não é velha....Hm....Para falar a verdade, honestamente eu não sou tão velho e plano que ninguém pudesse se apaixonar por mim. Minha esposa me ama! Além disso, amor é cego, nós todos sabemos...."

"Sobre o que você está pensando?" sua mulher lhe perguntou.

"Oh ... minha cabeça dói um pouco..." Pavel Ivanitch disse, inteiramente falsamente.

Ele se decidiu que era estúpido dar atenção a uma tal coisa absurda como uma carta-de-amor, e riu dela e de sua autora, mas - ai de mim! - poderoso é o inimigo de humanidade! Depois do jantar, Pavel Ivanitch jazia deitado em sua cama, e em vez de ir dormir, refletia:

"Mas lá, eu suponho que ela está esperando que eu vá! Que tola!
Eu posso justamente imaginar em que inquietação nervosa ela irá estar e como sua 'tournure' irá tremer quando ela não me encontrar na latada! Eu não irei, contudo.... A incomodar!"

Mas, eu repito, poderoso é o inimigo de humanidade.

"Embora eu pudesse, talvez, somente por curiosidade..." ele estava meditando, meia hora depois. "Eu poderia ir e olhar desde uma distância que tipo de criatura ela é.... Iria ser interessante dar um olhar nela! Iria ser divertido, e isso é tudo! Depois de tudo, por que não deveria eu ter um pouco de diversão já que uma tal chance apareceu?"

Pavel Ivanitch se levantou de sua cama e começou a se vestir. "Para que você está se levantando tão habilmente?" sua esposa perguntou, notando que ele estava colocando uma camisa limpa e uma gravata de bom gosto.

"Oh, nada.... Eu preciso dar uma caminhada.... Minha cabeça dói.... Hm."

Pavel Ivanitch se vestiu em seu melhor, e esperando até oito horas, foi fora da casa. Quando as figuras de visitantes de verão alegremente vestidos de ambos sexos começaram a passar diante de seus olhos contra o fundo verde luminoso, seu coração palpitou.

"Qual delas é? ... " ele se perguntava, avançando irresolutamente. "Venha, do que eu estou com medo? Por que, eu não estou indo para o rendezvous! Que ... tolo! Ir adiante corajosamente! E o que se eu for para dentro da latada? Bem, bem ... não há nenhuma razão por que eu devesse."

O coração de Pavel Ivanitch batia ainda mais violentamente.... Involuntariamente, com nenhum desejo de o fazer, ele subitamente imaginou para si mesmo a meia-escuridão da latada.... Uma garota bela graciosa com um chapéu azul pequeno e um nariz arrebitado surgiu diante de sua imaginação. Ele a via, embaraçada pelo amor dela e tremendo toda, timidamente se aproximando dele, respirando excitadamente, e ... subitamente o apertando nos braços dela.

"Se eu não fosse casado iria ser tudo certo ..." ele meditava, dirigindo ideias pecaminosas fora de sua cabeça. "Embora ... por uma vez em minha vida, não iria fazer nenhum mal ter a experiência, ou então um irá morrer sem saber o que.... E minha esposa, o que irá isso importar a ela? Graças a Deus, por oito anos eu não tenho nunca me movido um passo para longe dela.... Oito anos de dever irreprochável! Bastante dela.... É positivamente vexatório.... Eu estou pronto para ir para a ofender!"

Tremendo todo e segurando sua respiração, Pavel Ivanitch foi acima para a latada, envolvida com hera e videira selvagem, e espreitou para dentro dela.... Um cheiro de umidade e míldio o atingiu....

"Eu creio que não há ninguém ... " ele pensava, indo para dentro da latada, e de uma vez viu uma silhueta humana no canto.

A silhueta era aquela de um homem.... Olhando mais aproximadamente, Pavel Ivanitch reconheceu o irmão de sua esposa, Mitya, um estudante, que estava ficando com eles na casa de campo.

"Oh, é você ..." ele resmungou com descontentamento, enquanto ele tirava seu chapéu e se sentava.

"Sim, sou eu" ... respondeu Mitya.

Dois minutos passaram em silêncio.

"Me desculpe, Pavel Ivanitch," começou Mitya: "mas poderia eu lhe pedir para me deixar só?? ... Eu estou pensando sobre a dissertação para meu diploma e ... e a presença de qualquer um impede meu pensar."

"Você faria melhor em ir a algum lugar em uma avenida escura..." Pavel Ivanitch observou suavemente. "É mais fácil pensar no ar aberto, e, além disso, ...er ... Eu deveria gostar de ter um pouco de sono aqui neste assento.... Não está tão quente aqui...."

"Você quer dormir, mas é uma questão de minha dissertação ..." Mitya rosnou. "A dissertação é mais importante."

Novamente houve um silêncio. Pavel Ivanitch, que tinha dado a rédea a sua imaginação e estava continuamente ouvindo passos, subitamente saltou acima e disse em uma voz lamentosa:

"Venha, eu lhe peço, Mitya! Você é mais jovem e deveria me considerar.... Eu estou indisposto e ... Eu preciso de sono ... Vá embora!"

"Isso é egoísmo.... Por que deve você estar aqui e eu não? Eu não irei ir como uma matéria de princípio."

"Venha, eu lhe peço! Suponha que eu seja um egoísta, um déspota e um tolo ... mas eu lhe peço para ir! Por uma vez em minha vida eu lhe peço um favor! Mostre alguma consideração!"

Mitya agitou sua cabeça.

"Que besta!..." pensava Pavel Ivanitch. - "Isso não pode ser um rendezvous com ele aqui! É impossível com ele aqui!"

"Eu digo, Mitya," ele disse, "Eu lhe peço pela última vez.... Mostre que você é um homem cultivado, humano, e sensível!"

"Eu não sei por que você continua assim!" ... dizia Mitya, encolhendo seus ombros. "Eu disse que eu não irei ir, e eu não irei. Eu vou ficar aqui como uma matéria de princípio...."

Nesse momento uma face de mulher com um nariz arrebitado espreitou para dentro da latada....

Vendo Mitya e Pavel Ivanitch, ela franziu as sobrancelhas e desapareceu.

"Ela é ida!" pensava Pavel Ivanitch, olhando raivosamente para Mitya. "Ela viu esse salafrário e fugiu! Está tudo estragado!"

Depois de esperar um pouco mais, ele se levantou, colocou seu chapéu e disse:

"Você é uma besta, um bruto baixo e um salafrário! Sim! Uma besta! É baixo ... e tolo! Tudo está acabado entre nós!"

"Deleitado em o ouvir!" murmurou Mitya, também se levantando e colocando seu chapéu. "Me deixe lhe dizer que por estando aqui justamente agora você me jogou um tal truque sujo que eu nunca irei o perdoar enquanto eu viver."

Pavel Ivanitch foi fora da latada, e fora de si com fúria, andou a passos largos rapidamente para sua casa de campo. Mesmo a vista da mesa posta para jantar não o confortou.

"Uma vez em um tempo de vida uma tal chance apareceu," ele pensava em agitação; "e então ela foi impedida! Agora ela está ofendida ... esmagada!"

No jantar Pavel Ivanitch e Mitya mantinham seus olhos em seus pratos e mantinham um silêncio mal-humorado.... Eles estavam odiando um ao outro desde o fundo de seus corações.

"Do que você está rindo?" perguntou Pavel Ivanitch, se lançando sobre sua mulher. "São apenas bobos tolos que riem por nada!"

Sua esposa olhava a face raivosa de seu marido, e saiu em uma gargalhada estrepitosa.

"O que era aquela carta que você recebeu esta manhã?"

"Eu? ... Eu não recebi uma...." Pavel Ivanitch foi superado com confusão. "Você está inventando ... imaginação."

"Oh, venha, nos conte! Confesse, você recebeu! Por que, fui eu que lhe enviei aquela carta! Com o brilho de minha honra, eu o fiz! Ha ha!"

Pavel Ivanitch se tornou carmesim e se curvou sobre seu prato. "Piadas tolas," ele resmungou.

"Mas o que poderia eu fazer? Me diga isso.... Nós tinhamos que limpar esfregando os quartos esta noite, e agora poderiamos nós tirar você de casa? Não havia nenhum outro jeito de tirar você para fora.... Mas não fique com raiva, estúpido.... Eu não queria que você ficasse triste na latada, então eu enviei a mesma carta para Mitya também! Mitya, esteve você na latada?"

Mitya sorriu largamente e saiu fora olhando fixamente com ódio para seu rival.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

quinta-feira, 22 de junho de 2017


A Morte de Um Escrevente de Governo
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov, Vol. XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Uma noite fina, um escrevente de governo não menos fino chamado Ivan Dmitritch Tchervyakov estava sentado na segunda fila da primeira seção, olhando fixamente através de um binóculo de ópera às 'Cloches de Corneville'. Ele olhava fixamente e se sentia na culminância de felicidade. Mas subitamente.... Em histórias um tão frequentemente se encontra com esse "Mas subitamente." Os autores estão certos: vida é tão cheia de surpresas! Mas subitamente sua face se franziu acima, seus olhos desapareceram, sua respiração foi presa . . . ele tirou o binóculo de seus olhos, se curvou e ... "Aptchee!!!" ele espirrou como você percebe. Não é repreensível para qualquer um espirrar em qualquer lugar. Camponeses espirram e também o fazem superintendentes de polícia, e algumas vezes mesmo conselheiros privados. Todos homens espirram. Tchervyakov não estava nem um mínimo confuso, ele limpou sua face com seu lenço, e como um homem polido, olhou em volta para ver se ele tinha incomodado qualquer um por seu espirrar. Mas então ele foi superado com confusão. Ele viu que um gentil-homem velho sentado em frente dele na primeira fila da primeira seção estava limpando cuidadosamente sua cabeça careca e seu pescoço com sua luva e murmurando alguma coisa para si mesmo. No gentil-homem velho, Tchervyakov reconheceu Brizzhalov, um general civil servindo no Departamento de Transporte.

"Eu respinguei nele," pensou Tchervyakov, "ele não é o chefe de meu departamento, mas ainda assim é desagradável. Eu preciso me desculpar."

Tchervyakov deu uma tossida, curvou sua pessoa toda à frente, e sussurrou na orelha do general.

"Perdão, sua Excelência, eu respinguei você ... acidentalmente...."

"Deixe para lá, deixe para lá."

"Pelo amor de Deus me desculpe, eu ... Eu não intencionei."

"Oh, por favor, se sente! Me deixe escutar!"

Tchervyakov estava embaraçado, ele sorriu estupidamente e caiu a olhar fixamente para o palco. Ele olhava fixamente para ele mas não estava mais sentindo felicidade. Ele começou a ser importunado por inquietude. No intervalo, ele foi até Brizzhalov, andou ao lado dele, e superando sua timidez, murmurou:

"Eu respinguei você, sua Excelência, me desculpe... você vê... eu não o fiz para...."

"Oh, isso é suficiente...eu tinha o esquecido, e você continua sobre isso!" disse o general, movendo seu lábio inferior impacientemente.

"Ele esqueceu, mas há uma luz perversa em seu olho," pensava Tchervyakov, olhando suspeitosamente para o general "E ele não quer conversar. Eu deveria explicar a ele ... que eu realmente não intencionei ... que é a lei de natureza ou então ele irá pensar que eu intencionei cuspir nele. Ele não o pensa agora, mas ele irá o pensar depois!"

Em chegando em casa, Tchervyakov contou a sua esposa da brecha de boas maneiras dele. O assustou que sua esposa tomava frívola demais uma vista do incidente; ela estava um pouco amedrontada, mas quando ela ficou sabendo que Brizzhalov estava em um departamento diferente, ela ficou tranquilizada.

"Ainda assim, você faria melhor em ir e se desculpar," ela disse, "ou ele irá pensar que você não sabe como se comportar em público."

"É justamente isso! Eu me desculpei, mas ele o tomou de alguma forma estranhamente ... ele não disse uma palavra de senso. Não havia tempo para falar propriamente."

No dia seguinte Tchervyakov colocou um uniforme novo, teve seu cabelo cortado e foi à casa de Brizzhalov para explicar; indo para dentro da sala de recepção do general ele viu lá um número de peticionários, e dentre eles o general ele-mesmo, que estava começando a os entrevistar. Depois de questionar diversos peticionários o general levantou seus olhos e olhou para Tchervyakov.

"Ontem no 'Arcadia', se você rememora, sua Excelência," o último começou, "Eu espirrei e ... acidentalmente respinguei ... Exc...."

"Que contrassenso.... é além de qualquer coisa! O que eu posso fazer por você," disse o general se endereçando ao próximo peticionário.

"Ele não quer falar," pensou Tchervyakov, se tornando pálido; "isso significa que ele está com raiva.... Não, não pode ser deixado assim.... Eu irei explicar para ele."

Quando o general tinha terminado sua conversa com o último dos peticionários e estava virando para seus apartamentos interiores, Tchervyakov deu um passo para ele e murmurou:

"Sua Excelência! Se eu me aventuro a incomodar sua Excelência, é simplesmente de um sentimento eu posso dizer de arrependimento!... Não foi intencional se você irá com graça acreditar em mim."

O general fez uma face lacrimosa, e agitou sua mão.

"Por que, você está simplesmente fazendo graça de mim, senhor," ele disse enquanto ele fechava a porta atrás dele.

"Onde está o fazer graça nisso?" pensava Tchervyakov, "não há nada do tipo! Ele é um general, mas ele não pode entender. Se isso é como é eu não vou me desculpar a esse 'fanfaron' mais! O diabo o leve. Eu irei escrever uma carta para ele, mas eu não irei ir. Por Jove, eu não irei."

Assim pensava Tchervyakov enquanto ele andava para casa; ele não escreveu uma carta para o general, ele ponderou e ponderou e não podia fazer essa carta. Ele tinha que ir no dia seguinte para explicar em pessoa.

"Eu me aventurei a incomodar sua Excelência ontem," ele murmurou, quando o general levantou olhos inquiridores sobre ele, "não para fazer graça como você ficou satisfeito em dizer. Eu estava me desculpando por ter respingado você em espirrar.... E eu não sonhei de fazer graça de você. Devesse eu ousar fazer graça de você, se nós devessemos tomar a fazer graça, então não haveria nenhum respeito por pessoas, haveria...."

"Vá embora!" gritou o general, se tornando subitamente púrpura, e se tremendo todo.

"O que?" perguntou Tchervyakov, em um sussurro se tornando estarrecido com horror.

"Vá embora!" repetiu o general, batendo o pé.

Alguma coisa pareceu ceder no estômago de Tchervyakov. Não vendo nada e não ouvindo nada ele balançou para a porta, foi para fora para dentro da rua, e foi cambaleando ao longo.... Alcançando casa mecanicamente, sem tirar seu uniforme, ele deitou abaixo no sofá e morreu.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

sábado, 17 de junho de 2017


Um Homem Peculiar
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De The Schoolmaster and Other Stories (Tales of Chekhov), ou https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/schoolmaster/chapter17.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Entre doze e uma a noite um gentil-homem alto, usando uma cartola e um sobretudo com um capuz, para diante da porta de Marya Petrovna Koshkin, uma parteira e uma criada velha. Nem face nem mão podem ser distinguidas na escuridão de outono, mas na maneira mesma de seu tossir e o tocar do sino uma certa solidez, positividade, e mesmo ser impressivo podem ser discernidos. Depois do terceiro ringue a porta se abre e Marya Petrovna ela mesma aparece. Ela tem o sobretudo de um homem lançado sobre sua combinação branca. A lâmpada pequena com a sombra verde que ela segura em sua mão joga uma luz esverdeada sobre sua face pintalgada, sonolenta, seu pescoço alto e magro e o cabelo avermelhado, liso que erra desde sob o chapéu dela.

"Posso eu ver a parteira?" pergunta o gentil-homem.

"Eu sou a parteira. O que você quer?"

O gentil-homem anda para dentro da entrada e Marya Petrovna vê de frente para ela um homem bem-feito, alto, não mais jovem, mas com uma face severa, vistosa e pelos de bigode e barba cerrados.

"Eu sou um assessor colegiado, meu nome é Kiryakov," ele diz. "Eu vim a buscar para minha esposa. Apenas por favor se apresse."

"Muito bem ..." a parteira assente. "Eu irei me vestir imediatamente, e eu preciso o incomodar para que me espere na sala de estar."

Kiryakov tira seu sobretudo e vai para dentro da sala de estar. A luz esverdeada da lâmpada jaz escassamente sobre a mobília barata em capas brancas remendadas, sobre as flores deploráveis e os pilares em que hera está colocada.... Há um cheiro de gerânio e carbólico. O relógio pequeno na parede tica timidamente, como se embaraçado à presença de um homem estranho.

"Eu estou pronta," diz Marya Petrovna, vindo para dentro da sala cinco minutos depois, vestida, lavada, e pronta para ação. "Vamos."

"Sim, você precisa se apressar," diz Kiryakov. "E, a propósito, não é fora de lugar inquirir - o que você cobra por seus serviços?"

"Eu realmente não sei..." diz Marya Petrovna com um sorriso embaraçado. "Tanto quanto você quiser dar."

"Não, eu não gosto disso," diz Kiryakov, olhando friamente e constantemente para a parteira. "Um arranjamento previamente é melhor. Eu não quero tomar vantagem de você e você não quer tomar vantagem de mim. Para evitar desentendimentos é mais sensível para nós fazer um arranjamento previamente."

"Eu realmente não sei - não há preço fixo."

"Eu trabalho eu-mesmo e estou acostumado a respeitar o trabalho de outros. Eu não gosto de injustiça. Será igualmente desagradável para mim se eu lhe pagar pouco demais, ou se você demandar de mim muito demais, e então eu insisto em que você nomeie sua cobrança."

"Bem, há tais cobranças diferentes."

"H'm. Em vista de sua hesitação, que eu falho em entender, eu sou constrangido a fixar a soma eu-mesmo. Eu posso lhe dar dois rublos."

"Bom gracioso! ... Sobre minha palavra! ..." diz Marya Petrovna, se tornando carmesim e passando para trás. "Eu estou realmente envergonhada. Ao invés de tomar dois rublos eu irei ir por nada....Cinco rublos, se você gostar."

"Dois rublos, nem um copeque a mais. Eu não quero tomar vantagem de você, mas eu não intenciono ser cobrado a mais."

"Como lhe aprouver, mas eu não estou indo por dois rublos...."

"Mas por lei você não tem o direito de recusar."

"Muito bem, eu irei ir por nada."

"Eu não irei a ter por nada. Todo trabalho deveria receber remuneração. Eu trabalho eu-mesmo e eu entendo que ...."

"Eu não irei ir por dois rublos," Marya Petrovna responde brandamente. "Eu irei ir por nada se você gostar."

"Nesse caso eu me arrependo de que eu lhe incomodei por nada.... Eu tenho a honra de lhe desejar adeus."

"Bem, você é um homem!" diz Marya Petrovna, o vendo dentro da entrada. "Eu irei ir por três rublos se isso for o satisfazer."

Kiryakov franze as sobrancelhas e pondera por dois minutos inteiros, olhando com concentração sobre o chão, então ele diz resolutamente, "Não," e vai para fora para dentro da rua. A parteira desconcertada e surpresa tranca a porta depois dele e vai para trás para dentro de seu quarto.

"Ele é vistoso, respeitável, mas quão estranho, Deus abençoe o homem!..." ela pensa enquanto ela vai para cama.

Mas em menos de meia hora ela ouve outro ringue; ela levanta e vê o mesmo Kiryakov novamente.

"Extraordinário o jeito de que coisas são mal administradas. Nem o químico, nem a polícia, nem os porteiros-de-casa podem me dar o endereço de uma parteira, e então eu estou sob a necessidade de assentir a seus termos. Eu irei lhe dar três rublos, mas... Eu a aviso previamente que quando eu contrato serventes ou recebo qualquer tipo de serviços, eu faço um arranjamento previamente para que quando eu pagar não possa haver conversa de extras, gorjetas, ou qualquer coisa do tipo. Todo mundo deveria receber o que lhe é devido."

Marya Petrovna não tem ouvido Kiryakov por muito tempo, mas já ela sente que ela é entediada e repelida por ele, que o falar medido, regular dele jaz como um peso sobre a alma dela. Ela se veste e vai para fora para dentro da rua com ele. O ar está quieto mas frio, e o céu está tão nublado que a luz das lâmpadas de rua é dificilmente visível. A neve molhada faz ruído sob os pés deles. A parteira olha atentamente mas não vê uma carruagem.

"Eu suponho que não é longe?" ela pergunta.

"Não, não longe," Kiryakov responde severamente.

Eles andam abaixo de uma esquina, uma segunda, uma terceira.... Kiryakov anda com passos largos ao longo, e mesmo em seu passo sua respeitabilidade e positividade é aparente.

"Que clima horrível!" a parteira observa a ele.

Mas ele preserva um silêncio digno, e é perceptível que ele tenta pisar nas pedras planas para evitar estragar suas galochas. Finalmente depois de uma caminhada longa a parteira passa para dentro da entrada; da qual ela pode ver uma sala de estar decentemente mobiliada grande. Não há uma alma nos cômodos, mesmo no quarto onde a mulher está jazendo em trabalho de parto....As mulheres velhas e parentes que concorrem em multidão a todo confinamento não estão para ser vistos. A cozinheira passa com pressa para lá e para cá, com uma face vaga e amedrontada. Há um som de gemidos altos.

Três horas passam. Marya Petrovna fica sentada ao lado da cama da mãe e sussurra para ela. As duas mulheres já têm tido tempo de fazer amizade, elas vieram a conhecer uma a outra, elas mexericam, elas suspiram juntas....

"Você não deve falar," diz a parteira ansiosamente, e ao mesmo tempo ela despeja perguntas sobre ela.

Então a porta se abre e Kiryakov ele-mesmo vem quietamente e estolidamente para dentro do quarto. Ele senta na cadeira e afaga seus pelos de bigode e barba. Silêncio reina. Marya Petrovna olha timidamente a sua face de madeira, desapaixonada, vistosa e espera por ele para começar a conversar, mas ele permanece absolutamente silencioso e absorvido em pensamento. Depois de esperar em vão, a parteira se decide a começar ela-mesma, e profere uma frase comummente usada em confinamentos.

"Bem agora, graças a Deus, há um ser humano mais no mundo!"

"Sim, isso é agradável," disse Kiryakov, preservando a expressão de madeira de sua face, "embora de fato, pelo outro lado, para ter mais crianças você precisa ter mais dinheiro. O bebê não nasce alimentado e vestido."

Uma expressão culpada vem dentro da face da mãe, como se ela tivesse trazido uma criatura para dentro do mundo sem permissão ou através de capricho inativo. Kiryakov se levanta com um suspiro e anda com dignidade sólida para fora do quarto.

"Que homem, Deus o abençoe!" diz a parteira para a mãe. "Ele é tão severo e não sorri."

A mãe lhe diz que 'ele' é sempre desse jeito...Ele é honesto, justo, prudente, sensivelmente econômico, mas tudo isso a um tal grau excepcional que simples mortais se sentem sufocados por isso. Seus parentes se apartaram dele, os serventes não irão ficar mais do que um mês; eles não têm amigos; a esposa e os filhos dele estão sempre em ganchos[1] de terror sobre todo passo que eles tomam. Ele não grita com eles nem bate neles, as virtudes dele são bem mais numerosas do que seus defeitos, mas quando ele vai fora da casa eles todos se sentem melhor, e mais à vontade. Por que é assim a mulher ela-mesma não pode dizer.

"As bacias precisam ser propriamente lavadas e guardadas no armário do armazém," diz Kiryakov, vindo para dentro do quarto. "Essas garrafas precisam ser guardadas também: elas podem vir a ser úteis."

O que ele diz é muito simples e ordinário, mas a parteira por alguma razão se sente confundida. Ela começa a ter medo do homem e treme toda vez que ela ouve seus passos. Na manhã enquanto ela está se preparando para partir ela vê o filho pequeno de Kiryakov, um garoto de escola de cabelo aparado, pálido, na sala de jantar bebendo seu chá.... Kiryakov está ficando de pé oposto a ele, dizendo em sua voz regular, plana:

"Você sabe como comer, você precisa saber como trabalhar também. Você acabou de engolir um bocado mas não refletiu provavelmente que esse bocado custa dinheiro e dinheiro é obtido por trabalho. Você precisa comer e refletir...."

A parteira olha para a face inerte do garoto, e parece a ela como se o ar mesmo está pesado, que um pouco mais e as paredes mesmas irão cair, incapazes de suportar a presença esmagadora do homem peculiar. Ao lado dela mesma com terror, e por agora sentindo um ódio violento pelo homem, Marya Petrovna junta acima seus pacotes e apressadamente parte.

A meio caminho para casa ela se lembra que ela esqueceu de pedir por seus três rublos, mas depois de parar e pensar por um minuto, com um agito de sua mão, ela continua.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. dict, GNU/Linux.

Notas de Tradução:

[1] tenterhooks, ganchos, etc.

quarta-feira, 14 de junho de 2017


Um Erro Grave
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Ilya Sergeitch Peplov e sua esposa Kleopatra Petrovna estavam ficando de pé à porta, escutando de maneira gananciosa. No outro lado na sala de estar pequena uma cena de amor estava aparentemente tomando lugar entre duas pessoas: a filha deles Natashenka e um professor da escola de distrito, chamado Shchupkin.

"Ele está se animando!" sussurrou Peplov, tremendo com impaciência e esfregando suas mãos. "Agora, Kleopatra, pense; tão cedo como eles começarem a falar de seus sentimentos, tome abaixo o ícone[1] da parede e nós iremos ir para dentro e os abençoar...Nós iremos o pegar...Uma benção com um ícone é sagrada e vinculante...Ele não poderia sair fora disso, se ele o trouxesse para dentro de corte."

Do outro lado da porta essa era a conversa:

"Não continue desse jeito!" disse Shchupkin, riscando um palito de fósforo contra suas calças compridas enxadrezadas. "Eu nunca escrevi para você quaisquer cartas!"

"Eu gosto disso! Como se eu não conhecesse sua escrita!" deu risadinhas a garota com um guincho afetado, continuamente espreitando a si mesma no espelho. "Eu a reconheci imediatamente! E que homem estranho você é! Você é um mestre de escrita, e você escreve como uma aranha! Como você pode ensinar escrita se você escreve tão mal você mesmo?"

"H'm!...Isso não quer dizer nada. A coisa grande em lições de escrita não é a mão que um escreve, mas manter os garotos em ordem. Você golpeia um na cabeça com uma régua, faz outro se ajoelhar abaixo.... Além disso, não há nada em caligrafia! Nekrassov era um autor, mas a caligrafia dele é uma desgraça, há um espécime dela nos trabalhos coligidos dele."

"Você não é Nekrassov . . . ." (Um suspiro). "Eu deveria amar casar com um autor. Ele iria sempre estar escrevendo poemas para mim."

"Eu posso lhe escrever um poema, também, se você gostar."

"Sobre o que você pode escrever?"

"Amor - paixão - seus olhos. Você irá ficar maluca quando você o ler. Ele iria extrair uma lágrima de uma pedra! E se eu lhe escrever um poema real, irá você me deixar beijar sua mão?"

"Isso não é nada demais! Você pode a beijar agora se você gostar."

Shchupkin pulou acima, e fazendo olhos tímidos, se curvou sobre a mão pequena gorda que cheirava a sabão de ovo.

"Tome abaixo o ícone," Peplov sussurrou em uma perturbação, pálido com excitação, e abotoando seu sobretudo enquanto ele cutucava sua esposa com seu cotovelo. "Venha junto, agora!"

E sem um atraso de um segundo Peplov lançou aberta a porta.

"Crianças," ele murmurou, levantando acima seus braços e piscando em pranto, "o Senhor os abençoe, minhas crianças. Possam vocês viver - ser frutíferos - e se multiplicar."

"E - e eu os abençoo, também," a mamãe pôs para fora, chorando com felicidade. "Possam vocês ser felizes, meus queridos! Oh, você está levando de mim meu único tesouro!" ela disse a Shchupkin. "Ame minha garota, seja bom para ela...."

A boca de Shchupkin caiu aberta com perplexidade e alarme. O ataque dos pais era tão confiante e inesperado que ele não poderia proferir uma única palavra.

"Eu estou dentro para isso! Eu estou juntado!" ele pensava, se tornando sem energia com horror. "Está tudo acabado com você agora, meu garoto! Não há escapatória!"

E ele curvou sua cabeça submissamente, como se para dizer, "Me leve, eu estou vencido."

"Ben-bençãos sobre você," o papai continuou, e ele, também, derramou lágrimas. "Natashenka, minha filha, fique ao lado dele. Kleopatra, me dê o ícone."

Mas nesse ponto o pai subitamente deixou de chorar, e sua face era contorcida com raiva.

"Sua tola!" ele disse raivosamente para sua esposa. "Você é uma idiota! É esse o ícone?"

"Ach, santos vivos!"

O que tinha acontecido? O mestre de escrita se levantou e viu que ele estava salvo; em sua confusão a mamãe tinha pegado da parede o retrato de Lazhetchnikov, o autor, em engano pelo ícone. Velho Peplov e sua esposa estavam desconcertados no meio da sala, segurando o retrato no alto, não sabendo o que fazer ou o que dizer. O mestre de escrita tomou vantagem da confusão geral e saiu de modo despercebido.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

Notas de Tradução:

[1] ikon, ícone, imagem sacra.

sábado, 8 de abril de 2017


Uma Natureza Enigmática
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/horse-stealers/chapter19.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

No assento de veludo vermelho de uma carruagem de estrada de ferro de primeira classe uma dama bonita senta meio reclinando. Um leque fofo caro treme em seus dedos justamente fechados, um pince-nez se mantém caindo fora de seu nariz pequeno bonito, o broche ofega e cai sobre seu peito, como um barco no oceano. Ela está grandemente agitada.

No assento oposto senta o Secretário Provincial de Comissões Especiais, um autor jovem ficando famoso, que de tempo a tempo publica histórias longas de vida alta, ou "Novelli" como ele as chama, no jornal principal da província. Ele está olhando fixamente para a face dela, olhando fixamente atentamente, com os olhos de um conhecedor[1]. Ele está observando, estudando, pegando toda sombra dessa natureza enigmática, excepcional. Ele a entende, ele a sonda. Sua alma, sua psicologia toda jaz aberta diante dele.

"Oh, eu entendo, eu entendo você até suas profundezas mais internas!" diz o Secretário de Comissões Especiais, beijando a mão dela perto do bracelete. "Sua alma responsiva, sensitiva está procurando escapar do labirinto de ---- Sim, a luta é terrível, titânica. Mas não perca ânimo, você irá ser triunfante! Sim!"

"Escreva sobre mim, Voldemar!" diz a dama bonita, com um sorriso triste. "Minha vida tem sido tão cheia, tão variada, tão enxadrezada. Acima de tudo, eu sou infeliz. Eu sou uma alma sofredora em alguma página de Dostoievski. Revele minha alma para o mundo, Voldemar. Revele essa alma infeliz. Você é um psicologista. Nós não temos estado no trem uma hora juntos, e você já tem sondado meu coração."

"Me diga! Eu lhe peço, me diga!"

"Ouça. Meu pai era um pobre escrevente no Serviço. Ele tinha um coração bom e não era sem inteligência; mas o espírito do tempo -- do seu meio -- 'vous comprenez?' -- Eu não culpo meu pobre pai. Ele bebia, jogava, aceitava subornos. Minha mãe -- mas por que dizer mais? Pobreza, a luta por pão diário, a consciência de insignificância -- ah, não me force a a recordar! Eu tinha de fazer meu caminho próprio. Você conhece a educação monstruosa em um internato, leitura de romances tola, os erros de juventude inicial, a primeira agitação tímida de amor. Era terrível! A vacilação! E as agonias de perder fé em vida, em um si mesmo! Ah, você é um autor. Você nos conhece, mulheres. Você irá entender. Infelizmente eu tenho uma natureza intensa. Eu procurava por felicidade -- e que felicidade! Eu desejava fazer minha alma livre. Sim. Nisso eu via minha felicidade!"

"Criatura extraordinária!" murmurou o autor, beijando a mão dela perto do bracelete. "Não é você que eu estou beijando, mas o sofrimento de humanidade. Você se lembra de Raskolnikov e o beijo dele?"

"Oh, Voldemar, eu desejava glória, renome, sucesso como toda -- por que afetar modéstia -- toda natureza acima do comum. Eu desejava vivamente alguma coisa extraordinária, acima do lote comum de mulher! E então -- e então -- cruzou meu caminho -- um general velho -- muito rico. Me entenda, Voldemar! Foi auto-sacrifício, renúncia! Você precisa ver isso! Eu não podia fazer nenhuma outra coisa. Eu restaurei as fortunas de família, era capaz de viajar, de fazer o bem. Contudo como eu sofria, quão revoltantes, quão repugnantes para mim eram seus abraços -- embora eu irei ser justa a ele -- ele tinha lutado nobremente em seu tempo. Houve momentos -- momentos terríveis -- mas eu era mantida acima pelo pensamento de que de dia para dia o velho homem poderia morrer, que então eu iria começar a viver como eu gostava, a me dar a mim mesma para o homem que eu adoro -- ser feliz. Existe um tal homem, Voldemar, de fato existe!"

A dama bonita agita seu leque mais violentamente. Sua face toma uma expressão lacrimosa. Ela continua:

"Mas finalmente o velho homem morreu. Ele me deixou alguma coisa. Eu estava livre como um pássaro do ar. Agora é o momento para eu ser feliz, não é, Voldemar? Felicidade vem batendo de leve em minha janela, eu tinha somente de a deixar entrar-mas -- Voldemar, ouça, eu lhe imploro! Agora é o tempo para eu me dar para o homem que eu amo, para me tornar a parceira da vida dele, para ajudar, para sustentar os ideais dele, para ser feliz -- para encontrar descanso -- mas -- quão ignóbil, repulsiva, e insensível toda nossa vida é! Quão ruim tudo é, Voldemar. Eu sou desditosa, desditosa, desditosa! Novamente há um obstáculo em meu caminho! Novamente eu sinto que minha felicidade está longe, longe distante! Ah, que angústia! -- se apenas você soubesse que angústia!"

"Mas o que -- o que fica em seu caminho? Eu lhe imploro que me diga! O que é?"

"Outro general velho, muito rico ----"

O leque quebrado oculta a face pequena bonita. O autor sustenta em seu punho sua testa pesada de pensamento e pondera com o ar de um mestre em psicologia. O motor está assobiando e sibilando enquanto as cortinas de janela se ruborizam vermelhas com o brilho do sol poente.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

Notas de Tradução:

[1] connoisseur, conhecedor, em francês no original.

terça-feira, 4 de abril de 2017


Idade Velha
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/horse-stealers/chapter7.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Uzelkov, um arquiteto com o posto de conselheiro civil, chegou em sua cidade natal, à qual ele tinha sido convidado para restaurar a igreja no cemitério. Ele tinha nascido na cidade, tinha ido à escola, tinha crescido e casado nela. Mas quando ele saiu do trem ele dificilmente a reconheceu. Tudo estava mudado....Dezoito anos antes quando ele tinha se mudado para Petersburgo os garotos de rua costumavam pegar marmotas, por exemplo, no ponto onde agora a estação ficava; agora quando um dirigia para dentro da rua chefe, um hotel de quatro andares ficava de pé encarando um; em velhos dias havia uma cerca cinza feia justamente ali; mas nada -- nem cercas nem casas -- tinha mudado tanto quanto as pessoas. De seus inquirimentos do garçom de hotel Uzelkov aprendeu que mais de metade das pessoas de que ele se lembrava estavam mortas, reduzidas a pobreza, esquecidas.

"E você se lembra de Uzelkov?" ele perguntou ao garçom velho sobre ele mesmo. "Uzelkov o arquiteto que se divorciou de sua esposa? Ele costumava ter uma casa em Rua Svirebeyevsky...você deve lembrar."

"Eu não me lembro, senhor."

"Como é que você não se lembra? O caso fez uma grande quantidade de barulho, mesmo os cocheiros todos sabiam sobre ele. Pense, agora! Shapkin o advogado gerenciou meu divórcio para mim, o cafajeste... o trapaceiro notório, o companheiro que obteve um espancamento no clube...."

"Ivan Nikolaitch?"

"Sim, sim.... Bem, está ele vivo? Está ele morto?"

"Vivo, senhor, graças a Deus. Ele é um notário agora e tem um escritório. Ele é muito bem de vida. Ele tem duas casas em Rua Kirpitchny. . . . Sua filha se casou no outro dia."

Uzelkov andou para cima e para baixo do quarto, pensou um pouco, e em seu tédio decidiu ir e ver Shapkin em seu escritório. Quando ele andou fora do hotel e passeou lentamente para Rua Kirpitchny era meio-dia. Ele encontrou Shapkin em seu escritório e apenas o reconheceu. Do uma vez bem-feito, hábil advogado com uma face insolente, móvel e sempre bêbada Shapkin tinha mudado em um homem velho decrépito, de cabeça cinza, modesto.

"Você não me reconhece, você me esqueceu," começou Uzelkov. "Eu sou seu velho cliente, Uzelkov."

"Uzelkov, que Uzelkov? Ah!" Shapkin se lembrou, reconheceu, e foi golpeado todo de uma pilha. Se seguiram uma fartura de exclamações, questões, recordações.

"Isso é uma surpresa! Isso é inesperado!" tagarelou Shapkin. "O que posso eu lhe oferecer? Você gostaria de champagne? Talvez você gostaria de ostras? Meu caro companheiro, eu tive tanto de você em meu tempo que eu não posso lhe oferecer qualquer coisa igual à ocasião...."

"Por favor não se incomode ..." disse Uzelkov. "Eu não tenho tempo nenhum de sobra. Eu preciso ir imediatamente para o cemitério e examinar a igreja; eu tenho empreendido a restauração dela."

"Isso é capital! Nós iremos ter um lanche e uma bebida e dirigir juntos. Eu tenho cavalos capitais. Eu irei o levar lá e o introduzir ao administrador de igreja; eu irei o arranjar tudo.... Mas por que é, meu anjo, você parece estar com medo de mim e me manter à distância de um braço? Se sente um pouco mais perto! Não há motivo para você ter medo de mim hoje em dia. He-he!...Em um tempo, é verdade, eu era uma lâmina esperta, um cão de um companheiro...ninguém ousava se aproximar de mim; mas agora eu sou mais quieto do que água e mais humilde do que o capim. Eu envelheci, eu sou um homem de família, eu tenho filhos. É tempo que eu fosse morto."

Os amigos almoçaram, tiveram uma bebida, e com um par de cavalos dirigiram fora da cidade para o cemitério.

"Sim, aqueles eram os tempos!" Shapkin rememorou enquanto ele sentava no trenó. "Quando você se lembra deles você simplesmente não pode acreditar neles. Você se lembra como você divorciou de sua esposa? É quase vinte anos atrás, e eu ouso dizer que você esqueceu tudo isso; mas eu lembro disso como se eu tivesse divorciado você ontem. Bom Senhor, que grande quantidade de preocupação eu tive sobre isso! Eu era um companheiro perspicaz, traiçoeiro e esperto, um caráter desesperado....Algumas vezes eu estava queimando para tentar resolver algum negócio melindroso, especialmente se a taxa fosse uma boa uma, como, por exemplo, em seu caso. O que você me pagou então? Cinco ou seis mil! Isso foi válido de tomar problema para, não foi? Você foi fora para Petersburgo e deixou a coisa toda em minhas mãos para fazer o melhor que eu podia, e, embora Sofya Mihailovna, sua esposa, vinha somente de uma família mercadora, ela era orgulhosa e dignificada. A subornar para tomar a culpa sobre ela mesma foi difícil, terrivelmente difícil! Eu iria ir para negociar com ela, e tão cedo quanto ela me via ela chamava para a sua criada: 'Masha, não lhe disse eu para não admitir esse salafrário?' Bem, eu tentei uma coisa e uma outra.... eu lhe escrevi cartas e maquinei para a encontrar acidentalmente -- isso não foi de uso nenhum! Eu tive de agir através de uma terceira pessoa. Eu tive uma grande quantidade de problema com ela por um longo tempo, e ela só cedeu quando você concordou em lhe dar dez mil. . . . Ela não podia resistir a dez mil, ela não podia aguentar....Ela gritou, ela cuspiu em minha face, mas ela consentiu, ela tomou a culpa sobre ela mesma!"

"Eu achava que tinha sido quinze mil que ela tivera de mim, não dez," disse Uzelkov.

"Sim, sim. . . quinze -- eu cometi um erro," disse Shapkin em confusão. "Está tudo acabado e feito com, contudo, não é de uso o esconder. Eu dei a ela dez e os outros cinco eu peguei para mim. Eu enganei vocês dois.... Está tudo acabado e feito com, não é de uso ter vergonha. E de fato, julgue por você mesmo, Boris Petrovitch, não era você a pessoa mesma para eu tirar dinheiro fora de? . . . Você era um homem rico e tinha tudo que você queria....Seu casamento era uma extravagância inativa, e assim também foi seu divórcio. Você estava fazendo uma grande quantidade de dinheiro.... Eu lembro que você fez um lucro de vinte mil sobre um contrato. A quem deveria eu ter tosado senão você? E eu preciso confessar que eu invejava você. Se você pegava qualquer coisa eles tiravam seus chapéus para você, enquanto eles iriam me espancar por um rublo e me dar um tapa na face no clube....Mas aí está, por que o relembrar? É tempo de o esquecer."

"Me diga, por favor, como Sofya Mihailovna progrediu depois?"

"Com os dez mil dela? Muito mal. Deus sabe o que foi -- ela perdeu sua cabeça, talvez, ou talvez seu orgulho e sua consciência a atormentaram em ter vendido sua honra, ou talvez ela amava você; mas, sabe você, ela deu para beber.... Tão cedo como ela obtinha seu dinheiro ela estava fora dirigindo por aí com oficiais. Foi embriaguez, dissipação, debocheira....Quando ela ia para um restaurante com oficiais ela não se contentava com vinho do porto ou qualquer coisa leve, ela precisava ter conhaque forte, coisa fogosa para a estupefazer."

"Sim, ela era excêntrica.... Eu tive uma grande quantidade para tolerar dela...algumas vezes ela iria tomar ofensa em alguma coisa e começar a ser histérica. ...E o que aconteceu depois?"

"Uma semana passou e depois uma outra....Eu estava sentado em casa, escrevendo alguma coisa. Toda de uma vez a porta abriu e ela andou para dentro...bêbada. 'Tome de volta seu dinheiro amaldiçoado,' ela disse, e atirou um rolo de notas em minha face.... Então ela não podia o manter. Eu peguei as notas e as contei. Estavam faltando quinhentos para os dez mil, então ela só tinha conseguido ir através de quinhentos."

"Onde você pôs o dinheiro?"

"É tudo história antiga...não há razão para o ocultar agora.... Em meu bolso, de curso. Por que você olha para mim assim? Espere um pouco pelo que irá vir mais tarde.... É um romance regular, um estudo patológico. Um par de meses depois eu estava indo para casa uma noite em uma condição bêbada torpe....Eu acendi uma vela, e olhe e contemple! Sofya Mihailovna estava sentada em meu sofá, e ela estava bêbada, também, e em um estado frenético -- tão selvagem como se ela tivesse corrido fora de Bedlam. 'Me dê de volta meu dinheiro,' ela dizia, 'Eu mudei de ideia; se eu preciso ir a ruína eu não irei o fazer por metades, eu irei ter minha folgança! Seja rápido, seu salafrário, me dê meu dinheiro!' Uma cena ignominiosa!"

"E você... o deu para ela?"

"Eu lhe dei, eu me lembro, dez rublos."

"Oh! Como pôde você?" gritou Uzelkov, franzindo as sobrancelhas. "Se você não podia ou não iria ter o dado a ela, você podia ter escrevido para mim.... E eu não sabia! Eu não sabia!"

"Meu caro companheiro, que uso iria ter sido para mim escrever, considerando que ela escreveu para você ela mesma quando ela estava jazendo no hospital depois?"

"Sim, mas eu estava tão tomado acima então com meu segundo casamento. Eu estava em tal um turbilhão que eu não tinha nenhuns pensamentos de sobra para cartas....Mas você era um forasteiro, você não tinha nenhuma antipatia por Sofya . . . por que você não lhe deu uma mão de ajuda?..."

"Você não pode julgar pelos padrões de hoje, Boris Petrovitch; isso é como nós olhamos para a coisa agora, mas ao tempo nós pensávamos muito diferentemente....Agora talvez eu iria lhe dar um milhar de rublos, mas então mesmo essa nota de dez-rublos eu não dei a ela por nada. Foi um mau negócio!... Nós precisamos o esquecer. ...Mas aqui estamos nós...."

O trenó parou aos portões do cemitério. Uzelkov e Shapkin saíram do trenó, foram para dentro no portão, e andaram acima uma avenida larga, longa. As cerejeiras e acácias desfolhadas, as cruzes e pedras tumulares cinzas, estavam prateados com geada, todo grão pequeno de neve refletia o dia ensolarado, brilhante. Havia o cheiro que sempre há em cemitérios, o cheiro de incenso e terra cavada recentemente....

"Nosso cemitério é um bonito," disse Uzelkov, "um jardim e tanto!"

"Sim, mas é uma pena que ladrões roubem as pedras tumulares.... E para lá, além daquele monumento de ferro na direita, Sofya Mihailovna está enterrada. Você gostaria de ver?"

Os amigos viraram para a direita e andaram através da neve profunda para o monumento de ferro.

"Aqui está," disse Shapkin, apontando para uma placa pequena de mármore branco. "Um tenente pôs a pedra sobre o túmulo dela."

Uzelkov lentamente tirou seu chapéu e expôs sua cabeça calva ao sol. Shapkin, olhando para ele, tirou seu chapéu também, e outro pedaço calvo cintilou na luz solar. Havia a quietude da tumba toda em volta como se o ar, também, estivesse morto. Os amigos olhavam para o túmulo, ponderavam, e não diziam nada.

"Ela dorme em paz," disse Shapkin, quebrando o silêncio. "Não é nada para ela agora que ela tomou a culpa sobre ela mesma e bebeu conhaque. Você precisa confessar, Boris Petrovitch ...."

"Confessar o que?" Uzelkov perguntou tristemente.

"Por que....por mais odioso que fosse o passado, era melhor do que isto."

E Shapkin apontou para sua cabeça cinza.

"Eu costumava não pensar da hora de morte.... Eu fantasiava que eu podia ter dado pontos a morte e ter ganhado o jogo se nós tivéssemos tido um encontro; mas agora. ...Mas qual é o uso de falar!"

Uzelkov estava superado com melancolia. Ele subitamente teve um desejo apaixonado de chorar, como uma vez ele tinha desejado por amor, e ele sentia que aquelas lágrimas iriam ter gosto doce e refrescante. Uma umidade veio para dentro de seus olhos e houve um inchaço em sua garganta, mas...Shapkin estava ficando de pé ao lado dele e Uzelkov era envergonhado de mostrar fraqueza diante de uma testemunha. Ele se virou para trás abruptamente e foi para dentro da igreja.

Apenas duas horas mais tarde, depois de falar com o administrador de igreja e examinar a igreja, ele pegou um momento quando Shapkin estava em conversa com o clérigo e se apressou embora para chorar.... Ele andou clandestinamente acima para o túmulo secretamente, furtivamente, olhando em volta dele todo minuto. A placa branca pequena olhou para ele pensativamente, pesarosamente, e inocentemente como se uma menina pequena jazesse sob ela em vez de uma esposa divorciada, dissoluta.

"Chorar, chorar!" pensava Uzelkov.

Mas o momento para lágrimas tinha sido perdido; embora o homem velho piscasse seus olhos, embora ele trabalhasse acima seus sentimentos, as lágrimas não fluíam nem o inchaço vinha em sua garganta. Depois de ficar de pé por dez minutos, com um gesto de desespero, Uzelkov foi para procurar por Shapkin.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

quinta-feira, 30 de março de 2017


Um Estudante Clássico
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/cooks-wedding/chapter8.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.


Antes de partir para seu exame em Grego, Vanya beijou todas as imagens santas. Seu estômago ele sentia como se ele estivesse de cabeça para baixo; havia um calafrio em seu coração, enquanto o coração ele mesmo pulsava e ficava parado com terror diante do desconhecido. O que ele obteria aquele dia? Um três ou um dois? Seis vezes ele foi a sua mãe para sua benção, e, enquanto ele saia, pediu a sua tia para rezar por ele. No caminho para a escola ele deu a um mendigo dois copeques, na esperança de que aqueles dois copeques iriam compensar por sua ignorância, e que, agrade a Deus, ele não iria obter os numerais com aqueles horríveis quarentas e oitentas.

Ele voltou da escola de 2.o grau tarde, entre quatro e cinco. Ele entrou, e sem ruído deitou em sua cama. Sua face fina estava pálida. Havia aneis escuros ao redor de seus olhos vermelhos.

"Bem, como você se saiu? Como você foi marcado?" Perguntou sua mãe, indo para o lado de sua cama.

Vanya piscou, torceu sua boca, e irrompeu em lágrimas. Sua mãe se tornou pálida, deixou sua boca cair aberta, e segurou suas próprias mãos. Os culotes que ela estava emendando caíram fora de suas mãos.

"Por que você está chorando? Você falhou, então?" ela perguntou.

"Eu estou reprovado.... Eu obtive um dois."

"Eu sabia que seria assim! Eu tinha um pressentimento disso," disse sua mãe. "Deus piedoso! Como é que você não passou? Qual a razão para isso? Em que matéria você falhou?"

"Em Grego.... Mãe, eu... Eles me perguntaram o futuro de phero, e eu... em vez de dizer oisomai disse opsomai. Então... então não há um acento, se a última sílaba é longa, e eu... eu fiquei perturbado.... eu esqueci que o alpha era longo nisso.... eu fui e pus dentro o acento. então Artaxerxov me disse para dar a lista das partículas enclíticas... eu o fiz, e eu acidentalmente misturei dentro um pronome... e cometi um erro... e então ele me deu um dois... eu sou uma pessoa miserável.... eu estava trabalhando a noite toda.... eu tenho estado levantando às quatro horas toda esta semana...."

"Não, não é você mas eu que sou miserável, seu garoto desventurado! Sou eu que sou miserável! Você me gastou até um papel de linha[1], seu Herodes, seu tormento, seu perdição de minha vida! Eu pago por você, seu lixo bom-para-nada; eu dobrei minhas costas labutando para você, eu estou preocupada até a morte, e, eu posso dizer, eu sou infeliz, e o que você se importa? Como você trabalha?"

"Eu ... eu trabalho. A noite toda....você o viu você mesma."

"Eu rezei a Deus para me levar, mas Ele não vai me levar, uma mulher pecadora. ... Seu tormento! Outras pessoas têm filhos como todo mundo mais, e eu tenho um somente e nenhum senso, nenhum conforto saindo dele. Bater em você? Eu iria bater em você, mas onde sou eu para encontrar a força? Mãe de Deus, onde sou eu para encontrar a força?"

A mamãe escondeu sua face nas pregas de sua blusa e quebrou em soluços. Vanya se torceu com angústia e pressionou sua testa contra a parede. A tia entrou.

"Então é assim que é. . . . Justamente o que eu esperava," ela disse, de uma vez adivinhando o que estava errado, se tornando pálida e apertando suas mãos. "Eu tenho estado deprimida a manhã toda....Há problema vindo, eu pensei ...e aqui está ele vindo...."

"O vilão, o tormento!"

"Por que você está o xingando?" gritou a tia, nervosamente puxando seu lenço cor-de-café fora de sua cabeça e se virando sobre a mãe. "Não é culpa dele! É culpa sua! Você é para ser culpada! Por que você o enviou para aquela escola secundária? Você é uma dama fina! Você quer ser uma dama? A-a-ah! Eu ouso dizer, como se você vai virar gente de boa família[2]! Mas se você tivesse o enviado, como eu lhe disse, para negócios... para um escritório, como meu Kuzya... aqui está Kuzya ganhando quinhentos por ano... Quinhentos rublos é válido de ter, não é? E você está se gastando fora, e gastando o garoto fora com este estudar, a praga o leve! Ele é magro, ele tosse... justamente olhe para ele! Ele tem treze anos, e ele não parece ter mais do que dez."

"Não, Nastenka, não, minha querida! Eu não o bati o suficiente, o tormento! Ele deveria ter sido espancado, isso é o que é! Ugh... Jesuíta, Maomé, tormento!" ela agitou seu punho para seu filho. "Você quer uma fustigação, mas eu não tenho a força. Eles me disseram anos atrás quando ele era pequeno, "Açoite-o, açoite-o!" Eu não prestei atenção neles, mulher pecadora como eu sou. E agora eu estou sofrendo por isso. Você espere um pouco! Eu irei o esfolar! Espere um pouco...."

A mamãe agitou seu punho molhado, e foi chorando para dentro do quarto de seu locatário. O locatário, Yevtihy Kuzmitch Kuporossov, estava sentado em sua mesa, lendo "Dançar Auto-didático." Yevtihy Kuzmitch era um homem de inteligência e educação. Ele falava através de seu nariz, lavado com um sabonete o cheiro do qual fazia todo mundo na casa espirrar, comia carne em dias de jejum, e estava procurando[3] por uma noiva de educação refinada, e então era considerado o mais inteligente dos locatários. Ele cantava tenor.

"Meu bom amigo," começou a mamãe, se dissolvendo em lágrimas. "Se você iria ter a generosidade -- espanque meu garoto para mim.... Me faça o favor! Ele falhou em seu exame, o incômodo de um garoto! Você iria acreditar nisso, ele falhou! Eu não posso o punir, através da fraqueza de minha saúde-doentia.... O espanque para mim, se você iria ser tão serviçal[4] e atencioso[5], Yevtihy Kuzmitch! Tenha consideração por uma mulher doente!"

Kuporossov franziu as sobrancelhas e ofegou um suspiro profundo através de seu nariz. Ele pensou um pouco, tamborilou sobre a mesa com seus dedos, e suspirando uma vez mais, foi para Vanya.

"Você está sendo ensinado, para dizer assim," ele começou, "sendo educado, estão lhe dando uma chance, sua pessoa jovem revoltante! Por que você o fez?"

Ele falou por um tempo longo, fez um discurso regular. Ele aludiu a ciência, a luz, e a escuridão.

"Sim, pessoa jovem."

Quando ele tinha terminado seu discurso, ele tirou seu cinto e tomou Vanya pela mão.

"É o único jeito de lidar com você," ele disse. Vanya se ajoelhou submissamente e enfiou sua cabeça entre os joelhos do locatário. Suas orelhas rosas proeminentes se moviam acima e abaixo contra as calças de sarja[6] novas do locatário, com listras marrons nas costuras externas.

Vanya não proferiu um único som. No conselho de família na noite, foi decidido o enviar para negócios.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. dict, GNU/Linux.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .

Notas de Tradução:

[1] threadpaper, papel de linha, etc.
[2] gentry, pequena nobreza, gente de boa família, etc.
[3] on the look-out, na vigia, procurando por, etc.
[4] obliging, amável, serviçal, prestativo, etc.
[5] considerate, atencioso, considerativo, etc.
[6] serge, sarja: tecido durável.

quarta-feira, 22 de março de 2017


Pessoas Excelentes
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/duel/chapter2.html#chapter2 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Uma vez vivia em Moscou um homem chamado Vladimir Semyonitch Liadovsky. Ele tomou sua graduação na universidade na faculdade de direito e tinha um posto na junta de gerenciamento de alguma estrada de ferro; mas se você tivesse lhe perguntado o que era seu trabalho, ele iria olhar candidamente e abertamente para você com seus grandes olhos brilhantes através de seu pincenez dourado, e iria responder em um barítono ceceoso, veludoso, suave:

"Meu trabalho é literatura."

Depois de completar seu curso na universidade, Vladimir Semyonitch tinha tido um parágrafo de criticismo teatral aceito por um jornal. Deste parágrafo ele passou adiante para revisão, e um ano depois ele tinha avançado para escrever um artigo semanal sobre matérias literárias para o mesmo jornal. Mas não se depreende destes fatos que ele era um amador, que seu trabalho literário era de um caráter ocasional, efêmero. Quando quer que eu via sua figura elegante disponível, sua testa alta e longa cabeleira comprida, quando eu ouvia os seus discursos, sempre me parecia que seu escrever, inteiramenteà parte do que e como ele escrevia, era alguma coisa organicamente parte dele, como a batida de seu coração, e que seu programa literário todo precisa ter sido uma parte integral de seu cérebro enquanto ele era um bebê no útero de sua mãe. Mesmo em seu andar, seus gestos, sua maneira de sacudir fora a cinza de seu cigarro, eu podia ler esse programa todo de A a Z, com sua bazófia, tédio e sentimentos honoráveis. Ele era um homem literário completamente quando com uma face inspirada ele deitava uma coroa de funeral sobre o caixão de alguma celebridade, ou com uma face solene e grave colecionava assinaturas para algum endereçamento; sua paixão por fazer o conhecimento de homens literários distinguidos, sua faculdade para achar talento mesmo onde ele estava ausente, seu entusiasmo perpétuo, seu pulso que ia a cento e vinte por minuto, sua ignorância de vida, a agitação genuinamente feminina com que ele se atirava em concertos e noites literárias pelo benefício de estudantes destituídos, o jeito em que ele gravitava para os jovens -- tudo isso teria criado para ele a reputação de um escritor mesmo se ele não tivesse escrito seus artigos.

Ele era um desses escritores para quem frases como, "Nós somos apenas poucos," ou "O que seria a vida sem disputa? Avante!" eram preeminentemente convenientes, embora ele nunca contendesse com qualquer um e nunca fosse avante. Nem soava enjoativo quando ele se dava a discursar de ideais. Todo aniversário da universidade, no Dia de Santa Tatiana, ele ficava bêbado, cantava 'Gaudeamus' fora do tom, e sua face perspirante e radiante parecia dizer: "Vejam, eu estou bêbado; eu estou o mantendo acima!" Mas mesmo isso lhe ficava adequado.

Vladimir Semyonitch tinha fé genuína em sua vocação literária e seu programa todo. Ele não tinha dúvidas, e era evidentemente muito bem satisfeito consigo mesmo. Apenas uma coisa o afligia -- o jornal para que ele trabalhava tinha uma circulação limitada e não era muito influente. Mas Vladimir Semyonitch acreditava que mais cedo ou mais tarde ele iria ser bem sucedido em chegar a uma revista sólida onde ele iria ter escopo e poderia se exibir -- e que pouca aflição ele sentisse nessa conta era pálida ao lado do brilho de suas esperanças.

Visitando esse homem encantador, eu fiz o conhecimento de sua irmã, Vera Semyonovna, uma doutora mulher. A primeira vista, o que me impressionou sobre essa mulher foi sua aparência de exaustão e extrema má-saúde. Ela era jovem, com uma boa figura e feições preferivelmente grandes, regulares, mas em comparação com seu irmão falante, elegante e ágil ela parecia angular, indiferente, desalinhada e taciturna[1]. Havia alguma coisa forçada[2] em seus movimentos, sorrisos, e palavras; ela não era gostada[3], e era pensada orgulhosa e não muito inteligente.

Na realidade, eu imagino, ela estava descansando.

"Meu caro amigo," o irmão dela iria frequentemente dizer a mim, suspirando e lançando para trás seu cabelo em seu jeito literário pitoresco, "um não deve nunca julgar por aparências! Olhe para este livro: ele foi há longo tempo lido. Ele está torto, esfarrapado, e fica na poeira não cuidado; mas o abra, e ele irá fazer você chorar e se tornar pálido. Minha irmã é como esse livro. Levante a capa e espreite dentro da alma dela, e você irá ser atacado de horror. Vera passou em alguns três meses através de experiências que iriam ter sido amplas por um período de vida inteiro!"

Vladimir Semyonitch olhou em volta dele, me tomou pela manga, e começou a sussurrar:

"Você sabe, depois de tomar sua graduação ela se casou, por amor, com um arquiteto. É uma tragédia completa! Eles tinham apenas sido casados um mês quando -- whew -- o marido dela morreu de tifo. Mas isso não foi tudo. Ela pegou tifo dele, e quando, em sua recuperação, ela soube que seu Ivan estava morto, ela tomou uma boa dose de morphia. Se não tivesse sido por medidas vigorosas tomadas pelos amigos dela, minha Vera iria estar por agora em Paraíso. Me diga, não é uma tragédia? E não é minha irmã como uma ingénue, que tem jogado já todos os cinco atos da vida dela? A audiência pode ficar pela farsa, mas a ingénue precisa ir para casa para descansar."

Depois de três meses de miséria Vera Samyonovna tinha vindo para viver com seu irmão. Ela não estava em condições para a prática de medicina, que a exaustava e não a satisfazia; ela não dava a um a impressão de saber seu tema, e eu nunca uma vez ouvi ela dizer qualquer coisa referindo a seus estudos médicos.

Ela desistiu de medicina, e, silenciosa e desocupada, como se ela fosse uma prisioneira, gastou o restante de sua juventude em apatia sem cor, com cabeça curvada e mãos penduradas. A única coisa a que ela não era completamente indiferente, e que trazia algum brilho para o crepúsculo de sua vida, era a presença de seu irmão, a quem ela amava. Ela o amava ele-mesmo e seu programa, ela era cheia de reverência pelos artigos dele; e quando ela era perguntada o que o irmão dela estava fazendo, ela iria responder em uma voz branda como se com medo de o acordar ou distrair: "Ele está escrevendo...." Usualmente quando ele estava em seu trabalho ela costumava sentar ao lado dele, seus olhos fixos em sua mão escrevente. Ela costumava em tais momentos parecer como um animal doente se aquecendo no sol....

Uma noite de inverno Vladmir Semyonitch estava sentando em sua mesa escrevendo um artigo crítico para seu jornal: Vera Semyonovna estava sentando ao lado dele, olhando fixamente como de costume para sua mão escrevente. O crítico escrevia rapidamente, sem apagamentos ou correções. A caneta escrevinhava e guinchava. Na mesa perto da mão escrevente estava deitado aberto um volume recentemente cortado de uma grossa revista, contendo uma história de vida camponesa, assinada com duas iniciais. Vladimir Semyonitch estava entusiástico; ele pensava que o autor era admirável em seu tratar do tema, sugeria Turgenev em suas descrições de natureza, era verdadeiro, e tinha um conhecimento excelente da vida dos camponeses. O crítico ele mesmo não sabia nada de vida camponesa exceto de livros e ouvir dizer, mas seus sentimentos e suas convicções internas o forçavam a acreditar na história. Ele predizia um futuro brilhante para o autor, o assegurava que ele deveria esperar a conclusão da história com grande impaciência, e assim por diante.

"História fina!" ele dizia, se arremesando a si mesmo para trás em sua cadeira e fechando seus olhos com prazer. "O tom é extremamente bom."

Vera Samyonovna olhava para ele, bocejou alto, e subitamente perguntou uma pergunta inesperada. Na noite ela tinha um hábito de bocejar nervosamente e perguntar perguntas abruptas, curtas, nem sempre relevantes.

"Volodya," ela perguntou, "qual é o significado de não-resistência a mal?"

"Não-resistência a mal!" repetiu seu irmão, abrindo seus olhos.

"Sim. O que você compreende por isso?"

"Você vê, minha querida, imagine que ladrões ou bandidos a ataquem, e você, em vez de..."

"Não, me dê uma definição lógica.

"Uma definição lógica? Um! Bem." Vladimir Semyonitch ponderou. "Não-resistência a mal significa uma atitude de não-interferência com respeito a tudo que na esfera de mortalidade é chamado mal."

Dizendo isto, Vladimir Semyonitch se dobrou sobre a mesa e tomou acima um romance. Esse romance, escrito por uma mulher, lidava com a dor da posição irregular de uma dama de sociedade que estava vivendo sob o mesmo teto com seu amante e sua criança ilegítima. Vladimir Semyonitch estava satisfeito com a tendência excelente da história, o enredo[4] e a apresentação dela. Fazendo um breve sumário do romance, ele selecionou as melhores passagens e adicionou a elas em sua conta: "Quão verdadeiro a realidade, quão vivo, quão pitoresco! O autor não é meramente um artista; ele é também um psicólogo sutil que pode ver dentro dos corações de seus personagens. Tome, por exemplo, essa descrição vívida das emoções da heroína em encontrando seu marido," e assim por diante.

"Volodya," Vera Semyonovna interrompeu suas efusões críticas, "eu tenho sido assombrada por uma ideia estranha desde ontem. Eu me mantenho imaginando onde nós deveríamos todos estar se vida humana fosse ordenada na base de não resistência a mal?"

"Em toda probabilidade, em lugar nenhum. Não resistência a mal iria dar a rédea toda à vontade criminal, e, para não dizer nada de civilização, isso iria deixar não uma pedra ficando sobre outra em qualquer lugar sobre terra."

"O que iria ficar de resto?"

"Bashi-Bazouke e bordéis. Em meu próximo artigo eu irei falar sobre isso talvez. Obrigado por me lembrar."

E uma semana depois meu amigo mantinha sua promessa. Isso foi justamente no período -- nos anos oitenta -- quando pessoas estavam começando a falar e escrever de não-resistência, do direito de julgar, de punir, de fazer guerra; quando algumas pessoas em nosso conjunto estavam começando a ir sem serventes, a se retirar para dentro do campo, a trabalhar na terra, e a renunciar comida animal e amor carnal.

Depois de ler o artigo de seu irmão, Vera Semyonovna ponderou e dificilmente perceptivelmente deu de ombros.

"Muito bonito!" ela disse. "Mas ainda há muito que eu não entendo. Por exemplo, na história de Leskov 'Pertencente à Catedral' há um jardineiro esquisito que semeia para o benefício de todos -- para clientes, para mendigos, e qualquer um que se importe de roubar. Se comportou ele sensivelmente?"

Do tom e expressão de sua irmão Vladimir Semyonitch viu que ela não gostara de seu artigo, e, quase pela primeira vez na vida dele, sua vaidade como autor susteve um choque. Com uma sombra de irritação ele respondeu:

"Roubo é imoral. Semear para ladrões é reconhecer o direito de ladrões a existência. O que iria você pensar se eu fosse para estabelecer um jornal e, o dividindo em seções, prover para chantagem tão bem como para ideias liberais? Seguindo o exemplo desse jardineiro, eu deveria, logicamente, prover uma seção para chantagistas, os patifes intelectuais? Sim."

Vera Semyonovna não fez nenhuma resposta. Ela se levantou da mesa, se moveu languidamente para o sofa e se deitou.

"Eu não sei, eu não sei nada sobre isso," ela disse contemplativamente. "Você está certo provavelmente, mas parece para mim, eu sinto de alguma maneira, que há alguma coisa falsa em nossa resistência a mal, como se houvesse alguma coisa oculta ou não-dita. Deus sabe, talvez nossos métodos de resistir a mal pertençam à categoria de preconceitos que se tornaram tão profundamente arraigados em nós, que nós somos incapazes de nos separar deles, e portanto não podemos formar um julgamento correto deles."

"Como você quer dizer?"

"Eu não sei como explicar para você. Talvez homem esteja enganado em pensar que ele é obrigado a resistir a mal e tem um direito a o fazer, justamente como ele está enganado em pensar, por exemplo, que o coração parece como um ás de copas. É muito possível que em resistindo a mal nós não devessemos usar força, mas usar o que é o oposto mesmo de força -- se você, por exemplo, não quer esse quadro roubado de você, você deveria o dar preferivelmente que o trancar...."

"Isso é esperto, muito esperto! Se eu quiser casar com uma mulher vulgar, rica, ela devia me impedir de uma tal ação miserável por se apressando a me fazer uma oferta ela mesma!"

O irmão e irmã falaram até meia-noite sem se entenderem um ao outro. Se qualquer forasteiro tivesse os escutado ele iria dificilmente ter sido capaz de perceber para onde cada um deles estava se direcionando.

Eles usualmente passavam a noite em casa. Não havia nenhumas casas de amigos a que eles pudessem ir, e eles não sentiam necessidade nenhuma para amigos; eles apenas iam ao teatro quando havia uma nova peça -- tal era o costume em círculos literários --eles não iam a concertos, pois eles não se importavam com música.

"Você pode pensar o que você quiser," Vera Semyonovna começou de novo o dia seguinte, "mas para mim a questão está a uma grande extensão resolvida. Eu estou firmemente convencida de que eu não tenho nenhuns fundamentos para resistir a mal dirigido contra mim pessoalmente. Se eles querem me matar, os deixe. Meu me defender não irá tornar o assassino melhor. Tudo que eu tenho agora para decidir é a segunda metade da questão: como eu deveria me comportar com mal dirigido contra meus vizinhos?"

"Vera, cuide para que você não se torne rábida!" disse Vladimir Semyonitch, rindo. "Eu vejo que não-resistência está se tornando sua idée fixe!"

Ele queria desligar essas conversações tediosas com uma graça, mas de alguma forma foi além de uma graça; seu sorriso foi artificial e azedo. Sua irmã deixou de sentar ao lado de sua mesa e fitar reverentemente a sua mão escrevente, e ele sentia toda noite que atrás dele no sofá jazia uma pessoa que não concordava com ele. E suas costas se tornaram duras e dormentes, e havia um frio na alma dele. A vaidade de um autor é vingativa, implacável, incapaz de perdão, e a irmã dele foi a primeira e única pessoa que tinha deitado despida e perturbada essa sensação inquieta, que é como uma grande caixa de louça de barro, fácil de desempacotar mas impossível de empacotar novamente como ela era antes.

Semanas e meses se passaram, e a irmã dele se apegava a as ideias dela, e não sentava perto da mesa. Uma noite de primavera Vladimir Semyonitch estava sentado em sua mesa escrevendo um artigo. Ele estava revisando um romance que descrevia como uma mestre-escola de vila recusava o homem a quem ela amava e que a amava, um homem ambos rico e intelectual, simplesmente porque casamento fazia seu trabalho como mestre-escola impossível. Vera Semyonovna jazia no sofa e meditava.

"Meu Deus, quão lento é!" ela disse, esticando os membros. "Quão insípida e vazia vida é! Eu não sei o que fazer comigo mesma, e você está gastando seus melhores anos em Deus sabe o quê. Como algum alquimista, você está rebuscando em lixo velho que ninguém quer. Meu Deus!"

Vladimir Semyonitch deixou cair sua caneta e lentamente olhou em volta para sua irmã.

"É deprimente olhar para você!" disse sua irmã. "Wagner em 'Fausto' desenterrou vermes, mas ele estava procurando um tesouro, de qualquer jeito, e você está procurando vermes por causa dos vermes."

"Isso é vago!"

"Sim, Volodya; todos estes dias eu tenho estado pensando, eu tenho estado pensando dolorosamente por um longo tempo, e eu cheguei à conclusão de que você é desesperadamente reacionário e convencional. Venha, pergunte a si mesmo qual é o objeto de seu trabalho consciencioso, zeloso? Me diga, qual é? Por que, tudo foi há longo tempo extraído que pode ser extraído desde esse lixo em que você está sempre rebuscando. Você pode socar água em um pilão e a analisar por tanto tempo como você goste, você não irá fazer nada mais dela do que os químicos fizeram já...."

"De fato!" falou com lentidão Vladimir Semyonitch, se levantando. "Sim, tudo isso é lixo velho porque estas ideias são eternas; mas o que você considera novo, então?"

"Você empreende trabalhar no domínio de pensamento; é para você pensar de alguma coisa nova. Não é para mim ensinar você."

"Eu -- um alquimista!" o crítico gritou em surpresa e indignação, torcendo acima seus olhos ironicamente. "Arte, progresso -- tudo isso é alquimia?"

"Você vê, Volodya, me parece que se todas vocês pessoas pensantes tivessem se colocado para resolver problemas grandes, todas essas questões pequenas sobre que vocês espalhafatam agora iriam se resolver a si mesmas pelo caminho. Se você vai acima em um balão para ver uma cidade, você irá incidentalmente, sem qualquer esforço, ver os campos e as vilas e os rios também. Quando estearina é fabricada, você obtem glicerina como um subproduto. Me parece que pensamento contemporâneo se assentou sobre um ponto e se fixou a ele. Ele é preconceituoso, apático, tímido, com medo de tomar um vôo titânico largo, justamente como você e eu temos medo de escalar em uma montanha alta; ele é conservador."

Tais conversas não podiam senão deixar traços. As relações do irmão e irmã se tornaram mais e mais hostis[5] todo dia. O irmão se tornou incapaz de trabalhar na presença de sua irmã, e se tornou irritável quando ele sabia que sua irmã estava jazendo no sofá, olhando para suas costas; enquando a irmã franzia as sobrancelhas nervosamente e as esticava quando, tentando trazer de volta o passado, ele tentava dividir seus entusiasmos com ela. Toda noite ela reclamava de estar entediada, e falava sobre independência de mente e aqueles que estão na rotina de tradição. Enlevada[6] por suas novas ideias, Vera Semyonovna provou que o trabalho em que seu irmão era tão ocupado era convencional, que era um esforço vão de mentes conservadoras para preservar o que já tinha servido seu turno e estava desaparecendo da cena de ação. Ela não fez fim de comparações. Ela comparou seu irmão a um tempo a um alquimista, então a um Crente velho mofado que iria antes morrer do que ouvir a razão. Por degraus havia uma mudança perceptível na maneira de vida dela, também. Ela era capaz de jazer no sofá o dia inteiro não fazendo nada senão pensar, enquanto sua face vestia uma expressão seca, fria tal como um vê em pessoas unilaterais de fé forte. Ela começou a recusar as atenções dos serventes, varria e arrumava seu próprio quarto, limpava suas próprias botas e escovava suas próprias roupas. Seu irmão não podia deixar de olhar com irritação e mesmo ódio para a face fria dela quando ela ia sobre[7] o trabalho servil dela. Nesse trabalho, que era sempre realizado com uma certa solenidade, ele via alguma coisa forçada e falsa, ele via alguma coisa ambos farisaica e afetada. E sabendo que ele não podia a tocar por persuasão, ele a censurava e importunava como um garoto de escola.

"Você não irá resistir a mal, mas você resiste meu ter serventes!" ele a insultava. "Se serventes são um mal, por que você se opõe a ele? Isso é inconsistente!"

Ele sofria, era indignado e mesmo envergonhado. Ele se sentiu envergonhado quando sua irmã começou a fazer coisas estranhas diante de estranhos.

"É terrível, meu caro companheiro," ele me disse em privado, balançando suas mãos em desespero. "Parece que nossa 'ingénue' tem permanecido para desempenhar um papel na farsa, também. Ela se tornou mórbida até o tutano de seus ossos! Eu lavei minhas mãos dela, a deixava pensar como ela goste; mas por que ela fala, por que ela me excita? Ela deveria pensar o que significa para mim a ouvir. O que eu sinto quando em minha presença ela tem o desaforo de suportar seus erros por blasfemamente citando o ensinamento de Cristo! Isso me sufoca! Me faz quente por todo lado ouvir minha irmã propondo suas doutrinas e tentando distorcer o Evangelho para lhe convir, quando ela propositalmente evita mencionar como os cambistas foram expulsos do Templo. Isso é, meu caro companheiro, o que vem de ser meio educada, não desenvolvida! Isso é o que vem de estudos médicos que não proveem nenhuma cultura geral!"

Um dia em vindo para casa do escritório, Vladimir Semyonitch encontrou sua irmã chorando. Ela estava sentando no sofá com sua cabeça curvada, apertando suas mãos, e lágrimas estavam fluindo livremente abaixo suas bochechas. O bom coração do crítico pulsou com dor. Lágrimas caíram de seus olhos, também, e ele almejou mimar sua irmã, a perdoar, pedir seu perdão, e viver como eles costumavam antes.... Ele se ajoelhou abaixo e beijou a cabeça dela, suas mãos, seus ombros.... Ela sorriu, sorriu amargamente, inexplicavelmente[8], enquanto ele com um grito de alegria pulou acima, pegou a revista da mesa e disse calorosamente:

"Hurrah! Nós iremos viver como nós costumávamos, Verotchka! Com a benção de Deus! E eu tenho uma tal surpresa para você aqui! Em vez de celebrar a ocasião com champanhe, nos deixe o ler juntamente! Uma coisa maravilhosa, esplêndida!"

"Oh, não, não!" gritou Vera Semyonovna, empurrando embora o livro em alarme. "Eu o li já! Eu não o quero, eu não o quero!"

"Quando você o leu?"

"Um ano ... dois anos atrás ... Eu o li há longo tempo atrás, e eu o conheço, eu o conheço!"

"H'm! . . . Você é uma fanática!" seu irmão disse friamente, atirando a revista sobre a mesa.

"Não, você é um fanático, não eu! Você!" E Vera Semyonovna se dissolveu em lágrimas novamente. Seu irmão estava de pé diante dela, olhava para os ombros dela tremendo, e pensava. Ele pensava, não das agonias de solidão suportada por qualquer um que comece a pensar em um jeito novo próprio, não dos sofrimentos inevitáveis de uma revolução espiritual genuína, mas do ultraje de seu programa, o ultraje a sua vaidade de autor.

A partir desse tempo ele tratava sua irmã friamente, com ironia descuidada, e ele suportava a presença dela no quarto como um suporta a presença de mulheres velhas que são dependentes de um. Por sua parte, ela deixava de lado disputar com ele e respondia todos seus argumentos, zombarias, e ataques com um silêncio condescendente que o irritava mais do que nunca.

Uma manhã de verão Vera Semyonovna, vestida para viajar com uma mochila escolar sobre seu ombro, foi para seu irmão e friamente o beijou na testa.

"Onde você está indo?" ele perguntou com surpresa.

"Para a província de N. para fazer trabalho de vacinação." Seu irmão saiu fora para dentro da rua com ela.

"Então isso é o que você decidiu, sua garota esquisita," ele murmurou. "Você não quer algum dinheiro?"

"Não, obrigada. Tchau."

A irmã cumprimentou a mão do irmão e saiu.

"Por que você não tem um táxi?" gritou Vladimir Semyonitch.

Ela não respondeu. Seu irmão a fitou, assistiu sua capa impermeável de aparência enferrujada, o balançar de sua figura enquanto ela andava com porte relaxado ao longo, se forçou a suspirar, mas não foi bem sucedido em suscitar um sentimento de arrependimento. Sua irmã tinha se tornado uma estranha para ele. E ele era um estranho para ela. De qualquer jeito, ela não olhou para trás nem uma única vez.

Indo de volta para seu quarto, Vladimir Semyonitch de uma vez sentou à mesa e começou a trabalhar em seu artigo.

Eu nunca vi Vera Semyonovna novamente. Onde ela está agora eu não sei. E Vladimir Semyonitch continuou escrevendo seus artigos, colocando coroas em caixões, cantando Gaudeamus, se ocupando com a Sociedade de Ajuda Mútua de Jornalistas de Moscou.

Ele caiu doente com uma inflamação dos pulmões; ele esteve doente de cama por três meses -- primeiramente em casa, e depois no Hospital Golitsyn. Um abscesso se desenvolveu em seu joelho. Pessoas diziam que ele deveria ser enviado para a Crimeia, e começaram a levantar uma coleta para ele[9]. Mas ele não foi para a Crimeia -- ele morreu. Nós o enterramos no Cemitério Vagankovsky, no lado esquerdo, onde artistas e homens literários são enterrados.

Um dia nós escritores estávamos sentando no restaurante dos Tatars. Eu mencionei que eu tinha ultimamente estado no Cemitério Vagankovsky e tinha visto o túmulo de Vladimir Semyonitch lá. Ele estava completamente negligenciado e quase indistinguível do resto do chão, a cruz tinha caído; era necessário coletar alguns poucos rublos para o por em ordem.

Mas eles ouviram o que eu disse despreocupadamente, não fizeram resposta, e eu não pude coletar uma insignificância. Ninguém se lembrava de Vladimir Semyonitch. Ele foi completamente esquecido.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

Notas de Tradução:

[1] angular, listless, slovenly, and sullen.
[2] strained, hostil, cansada, forçada.
[3] liked.
[4] plot.
[5] strained, hostis, cansadas.
[6] carried away, enlevada, carregada embora, etc.
[7] went about her menial work, ia sobre seu trabalho servil, etc.
[8] unaccountably, irresponsavelmente, inexplicavelmente.
[9] and began getting up a collection for him.