Pessoas Excelentes
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/duel/chapter2.html#chapter2 .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.
Uma vez vivia em Moscou um homem chamado Vladimir Semyonitch Liadovsky. Ele tomou sua graduação na universidade na faculdade de direito e tinha um posto na junta de gerenciamento de alguma estrada de ferro; mas se você tivesse lhe perguntado o que era seu trabalho, ele iria olhar candidamente e abertamente para você com seus grandes olhos brilhantes através de seu pincenez dourado, e iria responder em um barítono ceceoso, veludoso, suave:
"Meu trabalho é literatura."
Depois de completar seu curso na universidade, Vladimir Semyonitch tinha tido um parágrafo de criticismo teatral aceito por um jornal. Deste parágrafo ele passou adiante para revisão, e um ano depois ele tinha avançado para escrever um artigo semanal sobre matérias literárias para o mesmo jornal. Mas não se depreende destes fatos que ele era um amador, que seu trabalho literário era de um caráter ocasional, efêmero. Quando quer que eu via sua figura elegante disponível, sua testa alta e longa cabeleira comprida, quando eu ouvia os seus discursos, sempre me parecia que seu escrever, inteiramenteà parte do que e como ele escrevia, era alguma coisa organicamente parte dele, como a batida de seu coração, e que seu programa literário todo precisa ter sido uma parte integral de seu cérebro enquanto ele era um bebê no útero de sua mãe. Mesmo em seu andar, seus gestos, sua maneira de sacudir fora a cinza de seu cigarro, eu podia ler esse programa todo de A a Z, com sua bazófia, tédio e sentimentos honoráveis. Ele era um homem literário completamente quando com uma face inspirada ele deitava uma coroa de funeral sobre o caixão de alguma celebridade, ou com uma face solene e grave colecionava assinaturas para algum endereçamento; sua paixão por fazer o conhecimento de homens literários distinguidos, sua faculdade para achar talento mesmo onde ele estava ausente, seu entusiasmo perpétuo, seu pulso que ia a cento e vinte por minuto, sua ignorância de vida, a agitação genuinamente feminina com que ele se atirava em concertos e noites literárias pelo benefício de estudantes destituídos, o jeito em que ele gravitava para os jovens -- tudo isso teria criado para ele a reputação de um escritor mesmo se ele não tivesse escrito seus artigos.
Ele era um desses escritores para quem frases como, "Nós somos apenas poucos," ou "O que seria a vida sem disputa? Avante!" eram preeminentemente convenientes, embora ele nunca contendesse com qualquer um e nunca fosse avante. Nem soava enjoativo quando ele se dava a discursar de ideais. Todo aniversário da universidade, no Dia de Santa Tatiana, ele ficava bêbado, cantava 'Gaudeamus' fora do tom, e sua face perspirante e radiante parecia dizer: "Vejam, eu estou bêbado; eu estou o mantendo acima!" Mas mesmo isso lhe ficava adequado.
Vladimir Semyonitch tinha fé genuína em sua vocação literária e seu programa todo. Ele não tinha dúvidas, e era evidentemente muito bem satisfeito consigo mesmo. Apenas uma coisa o afligia -- o jornal para que ele trabalhava tinha uma circulação limitada e não era muito influente. Mas Vladimir Semyonitch acreditava que mais cedo ou mais tarde ele iria ser bem sucedido em chegar a uma revista sólida onde ele iria ter escopo e poderia se exibir -- e que pouca aflição ele sentisse nessa conta era pálida ao lado do brilho de suas esperanças.
Visitando esse homem encantador, eu fiz o conhecimento de sua irmã, Vera Semyonovna, uma doutora mulher. A primeira vista, o que me impressionou sobre essa mulher foi sua aparência de exaustão e extrema má-saúde. Ela era jovem, com uma boa figura e feições preferivelmente grandes, regulares, mas em comparação com seu irmão falante, elegante e ágil ela parecia angular, indiferente, desalinhada e taciturna[1]. Havia alguma coisa forçada[2] em seus movimentos, sorrisos, e palavras; ela não era gostada[3], e era pensada orgulhosa e não muito inteligente.
Na realidade, eu imagino, ela estava descansando.
"Meu caro amigo," o irmão dela iria frequentemente dizer a mim, suspirando e lançando para trás seu cabelo em seu jeito literário pitoresco, "um não deve nunca julgar por aparências! Olhe para este livro: ele foi há longo tempo lido. Ele está torto, esfarrapado, e fica na poeira não cuidado; mas o abra, e ele irá fazer você chorar e se tornar pálido. Minha irmã é como esse livro. Levante a capa e espreite dentro da alma dela, e você irá ser atacado de horror. Vera passou em alguns três meses através de experiências que iriam ter sido amplas por um período de vida inteiro!"
Vladimir Semyonitch olhou em volta dele, me tomou pela manga, e começou a sussurrar:
"Você sabe, depois de tomar sua graduação ela se casou, por amor, com um arquiteto. É uma tragédia completa! Eles tinham apenas sido casados um mês quando -- whew -- o marido dela morreu de tifo. Mas isso não foi tudo. Ela pegou tifo dele, e quando, em sua recuperação, ela soube que seu Ivan estava morto, ela tomou uma boa dose de morphia. Se não tivesse sido por medidas vigorosas tomadas pelos amigos dela, minha Vera iria estar por agora em Paraíso. Me diga, não é uma tragédia? E não é minha irmã como uma ingénue, que tem jogado já todos os cinco atos da vida dela? A audiência pode ficar pela farsa, mas a ingénue precisa ir para casa para descansar."
Depois de três meses de miséria Vera Samyonovna tinha vindo para viver com seu irmão. Ela não estava em condições para a prática de medicina, que a exaustava e não a satisfazia; ela não dava a um a impressão de saber seu tema, e eu nunca uma vez ouvi ela dizer qualquer coisa referindo a seus estudos médicos.
Ela desistiu de medicina, e, silenciosa e desocupada, como se ela fosse uma prisioneira, gastou o restante de sua juventude em apatia sem cor, com cabeça curvada e mãos penduradas. A única coisa a que ela não era completamente indiferente, e que trazia algum brilho para o crepúsculo de sua vida, era a presença de seu irmão, a quem ela amava. Ela o amava ele-mesmo e seu programa, ela era cheia de reverência pelos artigos dele; e quando ela era perguntada o que o irmão dela estava fazendo, ela iria responder em uma voz branda como se com medo de o acordar ou distrair: "Ele está escrevendo...." Usualmente quando ele estava em seu trabalho ela costumava sentar ao lado dele, seus olhos fixos em sua mão escrevente. Ela costumava em tais momentos parecer como um animal doente se aquecendo no sol....
Uma noite de inverno Vladmir Semyonitch estava sentando em sua mesa escrevendo um artigo crítico para seu jornal: Vera Semyonovna estava sentando ao lado dele, olhando fixamente como de costume para sua mão escrevente. O crítico escrevia rapidamente, sem apagamentos ou correções. A caneta escrevinhava e guinchava. Na mesa perto da mão escrevente estava deitado aberto um volume recentemente cortado de uma grossa revista, contendo uma história de vida camponesa, assinada com duas iniciais. Vladimir Semyonitch estava entusiástico; ele pensava que o autor era admirável em seu tratar do tema, sugeria Turgenev em suas descrições de natureza, era verdadeiro, e tinha um conhecimento excelente da vida dos camponeses. O crítico ele mesmo não sabia nada de vida camponesa exceto de livros e ouvir dizer, mas seus sentimentos e suas convicções internas o forçavam a acreditar na história. Ele predizia um futuro brilhante para o autor, o assegurava que ele deveria esperar a conclusão da história com grande impaciência, e assim por diante.
"História fina!" ele dizia, se arremesando a si mesmo para trás em sua cadeira e fechando seus olhos com prazer. "O tom é extremamente bom."
Vera Samyonovna olhava para ele, bocejou alto, e subitamente perguntou uma pergunta inesperada. Na noite ela tinha um hábito de bocejar nervosamente e perguntar perguntas abruptas, curtas, nem sempre relevantes.
"Volodya," ela perguntou, "qual é o significado de não-resistência a mal?"
"Não-resistência a mal!" repetiu seu irmão, abrindo seus olhos.
"Sim. O que você compreende por isso?"
"Você vê, minha querida, imagine que ladrões ou bandidos a ataquem, e você, em vez de..."
"Não, me dê uma definição lógica.
"Uma definição lógica? Um! Bem." Vladimir Semyonitch ponderou. "Não-resistência a mal significa uma atitude de não-interferência com respeito a tudo que na esfera de mortalidade é chamado mal."
Dizendo isto, Vladimir Semyonitch se dobrou sobre a mesa e tomou acima um romance. Esse romance, escrito por uma mulher, lidava com a dor da posição irregular de uma dama de sociedade que estava vivendo sob o mesmo teto com seu amante e sua criança ilegítima. Vladimir Semyonitch estava satisfeito com a tendência excelente da história, o enredo[4] e a apresentação dela. Fazendo um breve sumário do romance, ele selecionou as melhores passagens e adicionou a elas em sua conta: "Quão verdadeiro a realidade, quão vivo, quão pitoresco! O autor não é meramente um artista; ele é também um psicólogo sutil que pode ver dentro dos corações de seus personagens. Tome, por exemplo, essa descrição vívida das emoções da heroína em encontrando seu marido," e assim por diante.
"Volodya," Vera Semyonovna interrompeu suas efusões críticas, "eu tenho sido assombrada por uma ideia estranha desde ontem. Eu me mantenho imaginando onde nós deveríamos todos estar se vida humana fosse ordenada na base de não resistência a mal?"
"Em toda probabilidade, em lugar nenhum. Não resistência a mal iria dar a rédea toda à vontade criminal, e, para não dizer nada de civilização, isso iria deixar não uma pedra ficando sobre outra em qualquer lugar sobre terra."
"O que iria ficar de resto?"
"Bashi-Bazouke e bordéis. Em meu próximo artigo eu irei falar sobre isso talvez. Obrigado por me lembrar."
E uma semana depois meu amigo mantinha sua promessa. Isso foi justamente no período -- nos anos oitenta -- quando pessoas estavam começando a falar e escrever de não-resistência, do direito de julgar, de punir, de fazer guerra; quando algumas pessoas em nosso conjunto estavam começando a ir sem serventes, a se retirar para dentro do campo, a trabalhar na terra, e a renunciar comida animal e amor carnal.
Depois de ler o artigo de seu irmão, Vera Semyonovna ponderou e dificilmente perceptivelmente deu de ombros.
"Muito bonito!" ela disse. "Mas ainda há muito que eu não entendo. Por exemplo, na história de Leskov 'Pertencente à Catedral' há um jardineiro esquisito que semeia para o benefício de todos -- para clientes, para mendigos, e qualquer um que se importe de roubar. Se comportou ele sensivelmente?"
Do tom e expressão de sua irmão Vladimir Semyonitch viu que ela não gostara de seu artigo, e, quase pela primeira vez na vida dele, sua vaidade como autor susteve um choque. Com uma sombra de irritação ele respondeu:
"Roubo é imoral. Semear para ladrões é reconhecer o direito de ladrões a existência. O que iria você pensar se eu fosse para estabelecer um jornal e, o dividindo em seções, prover para chantagem tão bem como para ideias liberais? Seguindo o exemplo desse jardineiro, eu deveria, logicamente, prover uma seção para chantagistas, os patifes intelectuais? Sim."
Vera Semyonovna não fez nenhuma resposta. Ela se levantou da mesa, se moveu languidamente para o sofa e se deitou.
"Eu não sei, eu não sei nada sobre isso," ela disse contemplativamente. "Você está certo provavelmente, mas parece para mim, eu sinto de alguma maneira, que há alguma coisa falsa em nossa resistência a mal, como se houvesse alguma coisa oculta ou não-dita. Deus sabe, talvez nossos métodos de resistir a mal pertençam à categoria de preconceitos que se tornaram tão profundamente arraigados em nós, que nós somos incapazes de nos separar deles, e portanto não podemos formar um julgamento correto deles."
"Como você quer dizer?"
"Eu não sei como explicar para você. Talvez homem esteja enganado em pensar que ele é obrigado a resistir a mal e tem um direito a o fazer, justamente como ele está enganado em pensar, por exemplo, que o coração parece como um ás de copas. É muito possível que em resistindo a mal nós não devessemos usar força, mas usar o que é o oposto mesmo de força -- se você, por exemplo, não quer esse quadro roubado de você, você deveria o dar preferivelmente que o trancar...."
"Isso é esperto, muito esperto! Se eu quiser casar com uma mulher vulgar, rica, ela devia me impedir de uma tal ação miserável por se apressando a me fazer uma oferta ela mesma!"
O irmão e irmã falaram até meia-noite sem se entenderem um ao outro. Se qualquer forasteiro tivesse os escutado ele iria dificilmente ter sido capaz de perceber para onde cada um deles estava se direcionando.
Eles usualmente passavam a noite em casa. Não havia nenhumas casas de amigos a que eles pudessem ir, e eles não sentiam necessidade nenhuma para amigos; eles apenas iam ao teatro quando havia uma nova peça -- tal era o costume em círculos literários --eles não iam a concertos, pois eles não se importavam com música.
"Você pode pensar o que você quiser," Vera Semyonovna começou de novo o dia seguinte, "mas para mim a questão está a uma grande extensão resolvida. Eu estou firmemente convencida de que eu não tenho nenhuns fundamentos para resistir a mal dirigido contra mim pessoalmente. Se eles querem me matar, os deixe. Meu me defender não irá tornar o assassino melhor. Tudo que eu tenho agora para decidir é a segunda metade da questão: como eu deveria me comportar com mal dirigido contra meus vizinhos?"
"Vera, cuide para que você não se torne rábida!" disse Vladimir Semyonitch, rindo. "Eu vejo que não-resistência está se tornando sua idée fixe!"
Ele queria desligar essas conversações tediosas com uma graça, mas de alguma forma foi além de uma graça; seu sorriso foi artificial e azedo. Sua irmã deixou de sentar ao lado de sua mesa e fitar reverentemente a sua mão escrevente, e ele sentia toda noite que atrás dele no sofá jazia uma pessoa que não concordava com ele. E suas costas se tornaram duras e dormentes, e havia um frio na alma dele. A vaidade de um autor é vingativa, implacável, incapaz de perdão, e a irmã dele foi a primeira e única pessoa que tinha deitado despida e perturbada essa sensação inquieta, que é como uma grande caixa de louça de barro, fácil de desempacotar mas impossível de empacotar novamente como ela era antes.
Semanas e meses se passaram, e a irmã dele se apegava a as ideias dela, e não sentava perto da mesa. Uma noite de primavera Vladimir Semyonitch estava sentado em sua mesa escrevendo um artigo. Ele estava revisando um romance que descrevia como uma mestre-escola de vila recusava o homem a quem ela amava e que a amava, um homem ambos rico e intelectual, simplesmente porque casamento fazia seu trabalho como mestre-escola impossível. Vera Semyonovna jazia no sofa e meditava.
"Meu Deus, quão lento é!" ela disse, esticando os membros. "Quão insípida e vazia vida é! Eu não sei o que fazer comigo mesma, e você está gastando seus melhores anos em Deus sabe o quê. Como algum alquimista, você está rebuscando em lixo velho que ninguém quer. Meu Deus!"
Vladimir Semyonitch deixou cair sua caneta e lentamente olhou em volta para sua irmã.
"É deprimente olhar para você!" disse sua irmã. "Wagner em 'Fausto' desenterrou vermes, mas ele estava procurando um tesouro, de qualquer jeito, e você está procurando vermes por causa dos vermes."
"Isso é vago!"
"Sim, Volodya; todos estes dias eu tenho estado pensando, eu tenho estado pensando dolorosamente por um longo tempo, e eu cheguei à conclusão de que você é desesperadamente reacionário e convencional. Venha, pergunte a si mesmo qual é o objeto de seu trabalho consciencioso, zeloso? Me diga, qual é? Por que, tudo foi há longo tempo extraído que pode ser extraído desde esse lixo em que você está sempre rebuscando. Você pode socar água em um pilão e a analisar por tanto tempo como você goste, você não irá fazer nada mais dela do que os químicos fizeram já...."
"De fato!" falou com lentidão Vladimir Semyonitch, se levantando. "Sim, tudo isso é lixo velho porque estas ideias são eternas; mas o que você considera novo, então?"
"Você empreende trabalhar no domínio de pensamento; é para você pensar de alguma coisa nova. Não é para mim ensinar você."
"Eu -- um alquimista!" o crítico gritou em surpresa e indignação, torcendo acima seus olhos ironicamente. "Arte, progresso -- tudo isso é alquimia?"
"Você vê, Volodya, me parece que se todas vocês pessoas pensantes tivessem se colocado para resolver problemas grandes, todas essas questões pequenas sobre que vocês espalhafatam agora iriam se resolver a si mesmas pelo caminho. Se você vai acima em um balão para ver uma cidade, você irá incidentalmente, sem qualquer esforço, ver os campos e as vilas e os rios também. Quando estearina é fabricada, você obtem glicerina como um subproduto. Me parece que pensamento contemporâneo se assentou sobre um ponto e se fixou a ele. Ele é preconceituoso, apático, tímido, com medo de tomar um vôo titânico largo, justamente como você e eu temos medo de escalar em uma montanha alta; ele é conservador."
Tais conversas não podiam senão deixar traços. As relações do irmão e irmã se tornaram mais e mais hostis[5] todo dia. O irmão se tornou incapaz de trabalhar na presença de sua irmã, e se tornou irritável quando ele sabia que sua irmã estava jazendo no sofá, olhando para suas costas; enquando a irmã franzia as sobrancelhas nervosamente e as esticava quando, tentando trazer de volta o passado, ele tentava dividir seus entusiasmos com ela. Toda noite ela reclamava de estar entediada, e falava sobre independência de mente e aqueles que estão na rotina de tradição. Enlevada[6] por suas novas ideias, Vera Semyonovna provou que o trabalho em que seu irmão era tão ocupado era convencional, que era um esforço vão de mentes conservadoras para preservar o que já tinha servido seu turno e estava desaparecendo da cena de ação. Ela não fez fim de comparações. Ela comparou seu irmão a um tempo a um alquimista, então a um Crente velho mofado que iria antes morrer do que ouvir a razão. Por degraus havia uma mudança perceptível na maneira de vida dela, também. Ela era capaz de jazer no sofá o dia inteiro não fazendo nada senão pensar, enquanto sua face vestia uma expressão seca, fria tal como um vê em pessoas unilaterais de fé forte. Ela começou a recusar as atenções dos serventes, varria e arrumava seu próprio quarto, limpava suas próprias botas e escovava suas próprias roupas. Seu irmão não podia deixar de olhar com irritação e mesmo ódio para a face fria dela quando ela ia sobre[7] o trabalho servil dela. Nesse trabalho, que era sempre realizado com uma certa solenidade, ele via alguma coisa forçada e falsa, ele via alguma coisa ambos farisaica e afetada. E sabendo que ele não podia a tocar por persuasão, ele a censurava e importunava como um garoto de escola.
"Você não irá resistir a mal, mas você resiste meu ter serventes!" ele a insultava. "Se serventes são um mal, por que você se opõe a ele? Isso é inconsistente!"
Ele sofria, era indignado e mesmo envergonhado. Ele se sentiu envergonhado quando sua irmã começou a fazer coisas estranhas diante de estranhos.
"É terrível, meu caro companheiro," ele me disse em privado, balançando suas mãos em desespero. "Parece que nossa 'ingénue' tem permanecido para desempenhar um papel na farsa, também. Ela se tornou mórbida até o tutano de seus ossos! Eu lavei minhas mãos dela, a deixava pensar como ela goste; mas por que ela fala, por que ela me excita? Ela deveria pensar o que significa para mim a ouvir. O que eu sinto quando em minha presença ela tem o desaforo de suportar seus erros por blasfemamente citando o ensinamento de Cristo! Isso me sufoca! Me faz quente por todo lado ouvir minha irmã propondo suas doutrinas e tentando distorcer o Evangelho para lhe convir, quando ela propositalmente evita mencionar como os cambistas foram expulsos do Templo. Isso é, meu caro companheiro, o que vem de ser meio educada, não desenvolvida! Isso é o que vem de estudos médicos que não proveem nenhuma cultura geral!"
Um dia em vindo para casa do escritório, Vladimir Semyonitch encontrou sua irmã chorando. Ela estava sentando no sofá com sua cabeça curvada, apertando suas mãos, e lágrimas estavam fluindo livremente abaixo suas bochechas. O bom coração do crítico pulsou com dor. Lágrimas caíram de seus olhos, também, e ele almejou mimar sua irmã, a perdoar, pedir seu perdão, e viver como eles costumavam antes.... Ele se ajoelhou abaixo e beijou a cabeça dela, suas mãos, seus ombros.... Ela sorriu, sorriu amargamente, inexplicavelmente[8], enquanto ele com um grito de alegria pulou acima, pegou a revista da mesa e disse calorosamente:
"Hurrah! Nós iremos viver como nós costumávamos, Verotchka! Com a benção de Deus! E eu tenho uma tal surpresa para você aqui! Em vez de celebrar a ocasião com champanhe, nos deixe o ler juntamente! Uma coisa maravilhosa, esplêndida!"
"Oh, não, não!" gritou Vera Semyonovna, empurrando embora o livro em alarme. "Eu o li já! Eu não o quero, eu não o quero!"
"Quando você o leu?"
"Um ano ... dois anos atrás ... Eu o li há longo tempo atrás, e eu o conheço, eu o conheço!"
"H'm! . . . Você é uma fanática!" seu irmão disse friamente, atirando a revista sobre a mesa.
"Não, você é um fanático, não eu! Você!" E Vera Semyonovna se dissolveu em lágrimas novamente. Seu irmão estava de pé diante dela, olhava para os ombros dela tremendo, e pensava. Ele pensava, não das agonias de solidão suportada por qualquer um que comece a pensar em um jeito novo próprio, não dos sofrimentos inevitáveis de uma revolução espiritual genuína, mas do ultraje de seu programa, o ultraje a sua vaidade de autor.
A partir desse tempo ele tratava sua irmã friamente, com ironia descuidada, e ele suportava a presença dela no quarto como um suporta a presença de mulheres velhas que são dependentes de um. Por sua parte, ela deixava de lado disputar com ele e respondia todos seus argumentos, zombarias, e ataques com um silêncio condescendente que o irritava mais do que nunca.
Uma manhã de verão Vera Semyonovna, vestida para viajar com uma mochila escolar sobre seu ombro, foi para seu irmão e friamente o beijou na testa.
"Onde você está indo?" ele perguntou com surpresa.
"Para a província de N. para fazer trabalho de vacinação." Seu irmão saiu fora para dentro da rua com ela.
"Então isso é o que você decidiu, sua garota esquisita," ele murmurou. "Você não quer algum dinheiro?"
"Não, obrigada. Tchau."
A irmã cumprimentou a mão do irmão e saiu.
"Por que você não tem um táxi?" gritou Vladimir Semyonitch.
Ela não respondeu. Seu irmão a fitou, assistiu sua capa impermeável de aparência enferrujada, o balançar de sua figura enquanto ela andava com porte relaxado ao longo, se forçou a suspirar, mas não foi bem sucedido em suscitar um sentimento de arrependimento. Sua irmã tinha se tornado uma estranha para ele. E ele era um estranho para ela. De qualquer jeito, ela não olhou para trás nem uma única vez.
Indo de volta para seu quarto, Vladimir Semyonitch de uma vez sentou à mesa e começou a trabalhar em seu artigo.
Eu nunca vi Vera Semyonovna novamente. Onde ela está agora eu não sei. E Vladimir Semyonitch continuou escrevendo seus artigos, colocando coroas em caixões, cantando Gaudeamus, se ocupando com a Sociedade de Ajuda Mútua de Jornalistas de Moscou.
Ele caiu doente com uma inflamação dos pulmões; ele esteve doente de cama por três meses -- primeiramente em casa, e depois no Hospital Golitsyn. Um abscesso se desenvolveu em seu joelho. Pessoas diziam que ele deveria ser enviado para a Crimeia, e começaram a levantar uma coleta para ele[9]. Mas ele não foi para a Crimeia -- ele morreu. Nós o enterramos no Cemitério Vagankovsky, no lado esquerdo, onde artistas e homens literários são enterrados.
Um dia nós escritores estávamos sentando no restaurante dos Tatars. Eu mencionei que eu tinha ultimamente estado no Cemitério Vagankovsky e tinha visto o túmulo de Vladimir Semyonitch lá. Ele estava completamente negligenciado e quase indistinguível do resto do chão, a cruz tinha caído; era necessário coletar alguns poucos rublos para o por em ordem.
Mas eles ouviram o que eu disse despreocupadamente, não fizeram resposta, e eu não pude coletar uma insignificância. Ninguém se lembrava de Vladimir Semyonitch. Ele foi completamente esquecido.
Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Notas de Tradução:
[1] angular, listless, slovenly, and sullen.
[2] strained, hostil, cansada, forçada.
[3] liked.
[4] plot.
[5] strained, hostis, cansadas.
[6] carried away, enlevada, carregada embora, etc.
[7] went about her menial work, ia sobre seu trabalho servil, etc.
[8] unaccountably, irresponsavelmente, inexplicavelmente.
[9] and began getting up a collection for him.
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