Nyarlathotep
De H. P. Lovecraft.
De http://www.hplovecraft.com/writings/texts/fiction/n.aspx .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.
Nyarlathotep... o caos rastejante... eu sou o último... eu irei dizer ao vazio ouvinte...
Eu não me lembro distintamente quando começou, mas foi meses atrás. A tensão geral era horrível. A uma estação de revolta social e política foi adicionada uma estranha e remoedora apreensão de perigo físico horrível; um perigo muito difundido e tudo-envolvendo, um tal perigo como pode ser imaginado somente nos mais terríveis fantasmas da noite. Eu lembro que as pessoas iam para lá e para cá com faces pálidas e preocupadas, e sussurravam avisos e profecias que ninguém ousava repetir conscientemente ou reconhecer para si mesmo que ele tinha ouvido. Um senso de culpa monstruosa estava por sobre a terra, e fora dos abismos entre as estrelas corriam correntes frias que faziam homens tremerem em lugares solitários e escuros. Havia uma alteração demoníaca na sequência das estações--o calor de outono se mantinha medonhamente, e todos sentiam que o mundo e talvez o universo tinha passado do controle de deuses ou forças conhecidos para aquele de deuses ou forças que eram desconhecidos.
E foi então que Nyarlathotep veio fora do Egito. Quem ele era, ninguém podia dizer, mas ele era do sangue nativo velho e parecia com um Faraó. Os fellahin se ajoelhavam quando eles o viam, contudo não podiam dizer por quê. Ele dizia que ele tinha se levantado acima fora da pretidão de vinte-e-sete séculos, e que ele tinha ouvido mensagens de lugares não nesse planeta. Para dentro das terras de civilização veio Nyarlathotep, moreno, delgado, e sinistro, sempre comprando instrumentos estranhos de vidro e metal e os combinando em instrumentos ainda mais estranhos. Ele falava muito das ciências--de eletricidade e psicologia--e dava exibições de poder que enviavam seus espectadores embora atônitos, contudo que inchavam sua fama a magnitude excessiva. Homens aconselhavam uns aos outros a ver Nyarlathotep, e tremiam. E aonde Nyarlathotep ia, descanso desaparecia; pois as horas de madrugada eram alugadas com os gritos de pesadelo. Nunca dantes tinham os gritos de pesadelo sido um tal problema público; agora os homens sábios quase desejavam que eles pudessem proibir sono nas horas de madrugada, que os guinchos de cidades pudessem menos horrivelmente perturbar a pálida, compassiva lua enquanto ela brilhava sobre águas verdes deslizando sob pontes, e velhos campanários caindo em pedaços contra um céu doentio.
Eu me lembro quando Nyarlathotep veio para minha cidade--a grande, a velha, a terrível cidade de crimes inumeráveis. Meu amigo tinha me falado dele, e da fascinação impelente e encantamento[1] de suas revelações dele, e eu queimei com ansiedade para explorar seus mistérios máximos dele. Meu amigo disse que eles eram horríveis e impressionantes além de minhas mais febris imaginações; que o que era jogado em uma tela no quarto escurecido profetizava coisas que ninguém senão Nyarlathotep ousava profetizar, e que no estrépito[2] de suas faíscas havia tomado de homens aquilo que não tinha nunca sido tomado antes contudo que se mostrava somente nos olhos. E eu ouvi sugerido no exterior que aqueles que conheciam Nyarlathotep olhavam sobre vistas que outros não viam.
Foi no outono quente que eu fui através da noite com as multidões agitadas[3] para ver Nyarlathotep; através da noite abafadiça e acima as escadas intermináveis para dentro do quarto sufocante. E sombreadas sobre uma tela, eu vi formas encapuzadas dentre ruinas, e faces más amarelas espiando desde detrás de monumentos caídos. E eu vi o mundo batalhando contra pretidão; contra as ondas de destruição desde espaço último; redemoinhando, se agitando; lutando ao redor do sol esfriante, escurecente. Então as faíscas brincaram surpreendentemente ao redor das cabeças dos espectadores, e cabelo ficou de pé sobre fim enquanto sombras mais grotescas do que eu posso dizer vieram fora e se agacharam sobre as cabeças. E quando eu, que era mais frio e mais científico do que o resto, murmurei um protesto trêmulo sobre "impostura" e "eletricidade estática", Nyarlathotep nos dirigiu todos para fora, abaixo as escadas vertiginosas para dentro das ruas de meia-noite desertas, quentes, levemente úmidas. Eu gritei alto que eu 'não' tinha medo; que eu nunca podia ter medo; e outros gritaram comigo por consolo. Nós juramos um ao outro que a cidade 'era' exatamente a mesma, e ainda viva; e quando as luzes elétricas começaram a enfraquecer nós amaldiçoamos a companhia de novo e de novo, e rimos às faces esquisitas que nós fazíamos.
Eu acredito que nós sentimos alguma coisa vindo abaixo desde a lua esverdeada, pois quando nós começamos a depender de sua luz nós vagueamos para dentro de formações involuntárias curiosas e parecíamos saber nossas destinações embora nós não ousássemos pensar delas. Uma vez nós olhamos o pavimento e achamos os blocos soltos e deslocados por grama, com apenas uma linha de metal enferrujado para mostrar onde as linhas de bonde tinham corrido. E novamente nós vimos um carro-bonde, solitário, sem janelas, dilapidado, e quase sobre seu lado. Quando nós olhamos fixamente ao redor do horizonte, nós não podíamos achar a torre terceira pelo rio, e notamos que a silhueta da torre segunda estava esfarrapada no topo. Então nós nos dividimos em colunas estreitas, cada uma das quais parecia puxada em uma direção diferente. Uma desapareceu em uma aleia estreita para a esquerda, deixando somente o eco de um gemido chocante. Outra marchou em fila abaixo uma entrada de metrô sufocada por ervas daninhas, berrando[4] com um riso que era louco. Minha própria coluna foi sugada para o campo aberto, e presentemente sentiu um calafrio[5] que não era do outono quente; pois enquanto nós nos aproximávamos silenciosamente for sobre o pântano escuro, nós contemplamos em volta de nós o brilho-de-lua infernal de neves más. Neves inexplicáveis, sem trilha, varridas separadamente em uma direção somente, onde jazia um golfo tanto mais preto por suas paredes resplandecentes[6]. A coluna parecia muito fina de fato enquanto ela caminhava lenta- e penosamente sonhadoramente para dentro do golfo. Eu me demorei atrás, pois a fenda preta na neve iluminada-de-verde era medonha, e eu pensava que eu tinha ouvido as reverberações de uma lamentação desinquietadora enquanto meus companheiros desapareciam; mas meu poder de me demorar era pouco. Como se chamado com gesto por aqueles que tinham ido antes, eu meio flutuei entre os montes de neve acumulada titânicos, tremendo e com medo, para dentro do vórtice invisível[7] do inimaginável.
Agudamente sentiente, silenciosamente delirante, apenas os deuses que foram podem dizer. Uma sombra sensitiva, repugnada se retorcendo em mãos que não são mãos, e rodopiada cegamente por meias-noites horríveis de criação apodrecedora, cadáveres de mundos mortos com feridas[8] que eram cidades, ventos sepulcrais que escovam as estrelas pálidas e as fazem bruxulear baixo. Além dos mundos fantasmas vagos de coisas monstruosas; colunas meio-vistas de templos não-santificados[9] que descansam sobre rochas sem nome abaixo do espaço e se estendem acima[10] para vácuos vertiginosos sobre as esferas de luz e escuridão. E através desse cemitério revoltante do universo o abafado, enlouquecedor bater de tambores, e lamento monótono, fino de flautas blasfemas desde câmaras não-iluminadas, inconcebíveis além de Tempo; o bater[11] e tocar de flautas detestáveis para onde dançam lentamente, desajeitadamente, e absurdamente os deuses últimos tenebrosos, gigantescos--as gárgulas sem mente, sem voz, cegas cuja alma é Nyarlathotep.
Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Notas de Tradução:
[1] allurement.
[2] sputter.
[3] restless crowds.
[4] howling.
[5] chill, frio, calafrio.
[6] glittering walls.
[7] sightless.
[8] sore, chaga, ferida.
[9] unsanctified, não-santificados.
[10] reach up, se estendem acima.
[11] pounding, bater, etc.
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