terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


O Doutor
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), Ecco Press, ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Estava quieto na sala de estar, tão quieto que uma mosca-caseira que tinha voado para dentro desde fora podia ser distintamente ouvida escovando contra o teto. Olga Ivanovna, a dama da vila, estava de pé pela janela, olhando para fora para os canteiros-de-flores e pensando. Dr. Tsvyetkov, que era seu doutor tão bem como um velho amigo, e tinham mandado o buscar para tratar o filho dela Misha, estava sentando em uma poltrona e balançando seu chapéu, que ele segurava em ambas mãos, e ele também estava pensando. Exceto eles, não havia uma alma na sala de estar ou nos quartos adjacentes. O sol tinha se posto, e as sombras da noite começavam a se assentar nos cantos sob a mobília e nas cornijas.

O silêncio foi quebrado por Olga Ivanovna.

"Nenhum infortúnio mais terrível pode ser imaginado," ela disse, sem se virar da janela. "Você sabe que vida não tem valor para mim absolutamente separada do garoto."

"Sim, eu sei isso," disse o doutor.

"Nenhum valor absolutamente," disse Olga Ivanovna, e sua voz tremeu. "Ele é tudo para mim. Ele é minha alegria, minha felicidade, minha riqueza. E se, como você diz, eu cessar de ser uma mãe, se ele ... morrer, não irá haver nada restante de mim senão uma sombra. Eu não posso sobrevivê-lo."

Apertando[1] suas mãos, Olga Ivanovna andou de uma janela para a outra e continuou:

"Quando ele nasceu, eu queria mandá-lo embora para o Hospital de Crianças Enjeitadas, você lembra disso, mas, meu Deus, como pode aquele tempo ser comparado com agora? Então eu era vulgar, estúpida, cabeça-leve[2], mas agora eu sou uma mãe, você entende? Eu sou uma mãe, e isso é tudo que eu me importo de saber. Entre o presente e o passado há um golfo impassável.

Silêncio se seguiu novamente. O doutor mudou seu assento da cadeira para o sofá e brincando impacientemente com seu chapéu, manteve seus olhos fixos sobre Olga Ivanovna. De sua face podia ser visto que ele queria falar, e estava esperando por um momento adequado.

"Você está silencioso, mas ainda eu não desisto de esperança," disse a dama, se virando. "Por que está você silencioso?"

Eu deveria ser tão grato de qualquer esperança como você, Olga, mas não há nenhuma," Tsvyetkov respondeu, "nós precisamos olhar a verdade horrível na face. O garoto tem um tumor no cérebro, e nós precisamos tentar nos preparar para sua morte, pois casos tais nunca se recuperam."

"Nikolay, você está certo de que você não está enganado?"

"Tais questões não levam a nada. Eu estou preparado para responder tantas quanto você quiser, mas isso não irá o fazer nada melhor para nós."

Olga Ivanovna pressionou sua face para dentro das cortinas da janela, e começou a chorar amargamente. O doutor se levantou e andou várias vezes para cima e para baixo da sala de estar, então foi para a mulher que chorava, e levemente tocou seu braço. Julgando de seus movimentos incertos, da expressão de sua face melancólica, que parecia escura no crepúsculo do anoitecer, ele queria dizer alguma coisa.

"Ouça, Olga," ele começou. "Me dispense a atenção de um minuto; há alguma coisa que eu preciso lhe perguntar. Você não pode me atender agora, contudo. Eu irei vir depois, mais tarde ...." Ele se sentou de novo, e afundou em pensamento. O chôro implorante, amargo, como o chôro de uma pequena garota, continuava. Sem esperar que ele acabasse, Tsvyetkov arquejou um suspiro e saiu andando da sala de estar. Ele foi para dentro do quarto de crianças para Misha. O garoto estava deitando sobre suas costas como antes, olhando fixamente um ponto como se ele estivesse escutando. O doutor se sentou na cama e sentiu seu pulso.

"Misha, sua cabeça dói?" ele perguntou.

Misha respondeu, não de uma vez: "Sim. Eu me mantenho sonhando."

"O que você sonha?"

"Todos tipos de coisas...."

O doutor, que não sabia como falar com mulheres chorosas ou com crianças, passou a mão por sua cabeça queimando, e murmurou:

"Deixe para lá, pobre garoto, deixe para lá.... Um não pode ir através de vida sem doença...Misha, quem sou eu--você me conhece?

Misha não respondeu.

"Dói sua cabeça muito mal?"

"Mu-uito. Eu me mantenho sonhando."

Depois de o examinar e pôr algumas questões para a empregada doméstica que estava cuidando da criança doente, o doutor foi lentamente de volta para a sala de estar. Lá estava por agora escuro, e Olga Ivanovna, de pé pela janela, parecia como uma silhueta.

"Devo eu acender a luz?" perguntou Tsvyetkov.

Nenhuma resposta se seguiu. A mosca-doméstica ainda estava escovando contra o teto. Nenhum som flutuava para dentro desde o lado de fora como se o mundo todo, como o doutor, estivesse pensando, e não pudesse trazer si mesmo a falar. Olga Ivanovna não estava chorando agora, mas como antes, olhando fixamente para o canteiro-de-flores em silêncio profundo. Quando Tsvyetkov foi até ela, e através do crepúsculo olhou de relance à sua face pálida, exausta com pesar, sua expressão foi tal como ele tinha visto antes durante os ataques de dor de cabeça doente, estupeficante, aguda dela.

"Nikolay Trofimitch!" ela se endereçou a ele, "e o que você acha de uma consulta?"

"Muito bem; eu irei a arranjar amanhã."

Do tom do doutor podia ser facilmente visto que ele punha pouca fé no benefício de uma consulta. Olga Ivanovna teria lhe perguntado alguma outra coisa, mas seus soluços a impediram. Novamente ela pressionou sua face para dentro da cortina da janela. Naquele momento, as partes musicais de uma banda tocando no clube flutuaram adentro distintamente. Eles podiam ouvir não apenas os instrumentos de sopro, mas até mesmo os violinos e as flautas.

"Se ele está com dor, por que ele está silencioso?" perguntou Olga Ivanovna. "O dia todo, nenhum som, ele nunca reclama, e nunca chora. Eu sei que Deus irá tomar o pobre garoto de nós porque nós não soubemos como o prezar. Um tal tesouro!"

A banda terminou a marcha, e um minuto depois começou a tocar uma valsa vívida para a abertura do baile.

"Bom Deus, não pode nada realmente ser feito?" gemeu Olga Ivanovna. "Nikolay você é um doutor e deveria saber o que fazer! Você precisa entender que eu não posso suportar a perda dele! Eu não posso sobreviver a isso."

O doutor, que não sabia como falar a mulheres chorosas, arquejou um suspiro, e andou a passos largos lentamente pela sala de estar. Seguiu uma sucessão de pausas opressivas interpostas com chôro e as questões que não levam a nada. A banda já tinha tocado uma quadrilha, uma polca, e outra quadrilha. Ficou bastante escuro. No quarto adjacente, a empregada doméstica acendeu a lâmpada; e todo o tempo o doutor mantinha seu chapéu em suas mãos, e parecia tentando dizer alguma coisa. Várias vezes Olga Ivanovna saiu para ir a seu filho, sentou ao lado dele por meia-hora, e voltou de novo para a sala-de-estar; ela estava continuamente se quebrando em lágrimas e lamentações. O tempo se arrastava agonizantemente, e parecia como se a noite não tivesse fim.

À meia-noite, quando a banda tinha tocado o cotilhão e parado de todo, o doutor ficou pronto para ir.

"Eu irei vir novamente amanhã," ele disse, pressionando a mão fria da mãe. "Você vá para cama."

Depois de pôr seu sobretudo pesado na passagem e pegar sua bengala, ele parou, pensou um minuto, e foi de volta para a sala de estar.

"Eu irei vir amanhã, Olga," ele repetiu em uma voz trêmula. "Você está ouvindo?"

Ela não respondeu, e parecia como se pesar tivesse a roubado de todo poder de falar. Em seu sobretudo pesado e com sua bengala em sua mão, o doutor sentou ao lado dela, e começou em um meio-sussurro tenro, suave, que era completamente fora de manutenção com sua figura dignificada, pesada:

"Olga! Por causa de seu sofrimento que eu partilho.... Agora, quando falsidade é criminosa, eu lhe rogo para me dizer a verdade. Você tem sempre declarado que o garoto é meu filho. É isso a verdade? "

Olga Ivanovna ficou silenciosa.

"Você tem sido a uma conexão em minha vida," o doutor continuou, "e você não pode imaginar quão profundamente meu sentimento é ferido por falsidade. ... Venha, eu lhe peço, Olga, por uma vez em sua vida, me diga a verdade.... Nestes momentos um não pode mentir. Me diga que Misha não é meu filho. Eu estou esperando."

"Ele é."

A face de Olga Ivanovna não podia ser vista, mas em sua voz o doutor podia ouvir hesitação. Ele suspirou.

"Mesmo em momentos tais você pode se trazer a dizer uma mentira," ele disse em sua voz ordinária. "Não há nada sagrado para você! Escute, me entenda....Você tem sido a uma única conexão em minha vida. Sim, você era depravada, vulgar, mas eu não tenho amado ninguém mais além de você em minha vida. Esse amor trivial, agora que eu estou envelhecendo, é o um ponto luminoso solitário em minhas memórias. Por que você o escurece com enganação? Para quê é isso?"

"Eu não lhe entendo."

"Oh meu Deus!" gritou Tsvyetkov. "Você está mentindo, você entende muito bem!" ele gritou mais alto, e ele começou a andar a passos largos pela sala de estar, agitando raivosamente sua bengala. "Ou você se esqueceu? Então eu irei lhe relembrar! Os direitos de um pai ao garoto são igualmente partilhados comigo por Petrov e Kurovsky o advogado, que ainda fazem a você uma ajuda de custo pela educação do filho deles, justamente como eu faço! Sim, de fato! Eu sei de tudo isso inteiramente bem! Eu perdôo seu mentir no passado, o que ele importa? Mas agora quando você envelheceu, neste momento quando o garoto está morrendo, seu mentir me reprime! Quanto eu sinto de que eu não posso falar, quão muito eu sinto!"

O doutor desabotoou seu sobretudo, e ainda andando a passos largos por lá, disse:

"Mulher desgraçada[3]! Mesmo tais momentos não têm nenhum efeito sobre ela! Mesmo agora ela mente tão livremente como nove anos atrás no Restaurante Eremitério! Ela está com medo de que se ela me disser a verdade eu deixe de lado de dar dinheiro a ela, ela acha que se ela não mentisse eu não deveria amar o garoto! Você está mentindo! É contemptível!"

O doutor bateu o chão com sua bengala, e gritou:

"É repugnante! Criatura corrupta, torta! Eu preciso desprezar você, e eu deveria estar envergonhado de meu sentimento! Sim! Seu mentir pregou em minha garganta esses nove anos, eu tenho o suportado, mas agora é demais -- demais."

Do canto escuro onde Olga Ivanovna estava sentando veio o som de chôro. O doutor cessou de falar e limpou sua garganta. Um silêncio seguiu. O doutor lentamente abotoou acima seu sobretudo, e começou a procurar por seu chapéu que ele tinha deixado cair enquanto ele andava por lá.

"Eu perdi a cabeça[4]," ele murmurou, se dobrando abaixo para o chão. "Eu inteiramente perdi de vista o fato de que você não pode me atender agora....Deus sabe o que eu tenho dito....Não tome qualquer notícia disso, Olga."

Ele achou seu chapéu e foi para o canto escuro.

"Eu magoei você," ele disse em um meio-sussurro tenro, suave, "mas uma vez mais eu lhe peço, me diga a verdade; não deveria haver mentira entre nós....Eu deixei escapar para fora, e agora você sabe que Petrov e Kurovsky não são nenhum segredo para mim. Então agora é fácil para você me dizer a verdade."

Olga Ivanovna pensou um momento, e com hesitação perceptível, disse:

"Nikolay, eu não estou mentindo -- Misha é seu filho."

"Meu Deus," gemeu o doutor, "então eu vou lhe dizer alguma coisa mais: Eu tenho mantido sua carta a Petrov em que você o chama pai de Misha! Olga, eu sei a verdade, mas eu quero a ouvir de você! Você está ouvindo?"

Olga Ivanovna não fez nenhuma réplica, mas continuou chorando. Depois de esperar por uma resposta o doutor deu de ombros e saiu fora.

"Eu irei vir amanhã," ele falou da passagem.

Todo o caminho para casa, enquanto ele estava sentado em sua carruagem, ele estava dando de ombros e murmurando:

"Que pena que eu não sei como falar! Eu não tenho o dom de persuadir e convencer. É evidente que ela não me entende já que ela mente! É evidente! Como posso eu a fazer ver? Como?"

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .

Notas de tradução:

[1] wringing, torcendo, apertando.
[2] feather-headed, cabeça leve, cabeça-de-vento, etc.
[3] wretched, desgraçada, miserável.
[4] I lost my temper, eu perdi a cabeça, eu perdi meu temperamento.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A História do Garoto Pequeno Mau que Carregou uma Vida Encantada.
De Mark Twain ou Samuel L. Clemens. (1835, Florida, Missouri, EUA -- 1910)
De http://www.gutenberg.org/files/3189/3189-h/3189-h.htm ou Tales, Speeches, Essays, and Sketches, Penguin.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2015.

Uma vez havia um garoto pequeno mau cujo nome era Jim -- embora, se você irá notar, você irá ver que garotos pequenos maus são proximamente sempre chamados James em seus livros de escola-dominical de você. Era estranho, mas ainda era verdade, que esse um era chamado Jim. Ele não tinha qualquer mãe enferma, também -- uma mãe enferma que era pia e tinha a consumpção, e iria ser satisfeita de deitar na sepultura e ficar em descanso senão pelo amor forte que ela carregava por seu filho, e a ansiedade que ela sentia que o mundo poderia ser áspero e frio para com ele quando ela tivesse ido. A maioria dos garotos maus nos livros de domingo são nomeados James, e têm mães enfermas, que os ensinam a dizer, "Agora, eu me deito", etc., e os cantam para dormir com vozes doces, plangentes, e então os beijam a boa noite, e se ajoelham pelo lado de cama e choram. Mas era diferente com esse companheiro. Ele era nomeado Jim, e não havia qualquer coisa a matéria com sua mãe -- nenhuma consumpção, nem qualquer coisa desse tipo. Ela era preferivelmente forte do que de outro modo, e ela não era pia; demais, ela não era ansiosa por conta de Jim. Ela dizia que se ele fosse para quebrar seu pescoço isso não iria ser muita perda. Ela sempre espancava Jim para dormir, e ela nunca o beijava boa noite; pelo contrário, ela esmurrava suas orelhas dele quando ela estava pronta para o deixar.

Uma vez esse garoto pequeno mau roubou a chave da despensa, e deslizou lá dentro e se serviu de alguma geléia, e encheu acima o vaso com alcatrão, de modo que sua mãe não iria nunca saber a diferença; mas tudo de uma vez um sentimento terrível não veio sobre ele, e alguma coisa não pareceu murmurar para ele, "É certo desobedecer minha mãe? Não é pecaminoso fazer isso? Aonde vão garotos pequenos maus que devoram acima a geléia de sua mãe gentil boa?" e então ele não se ajoelhou abaixo totalmente só e prometeu nunca ser malvado novamente, e se levantou com um coração leve, feliz, e foi e disse a sua mãe tudo sobre isso, e pediu seu perdão, e foi abençoado por ela com lágrimas de orgulho e gratidão em seus olhos dela. Não; esse é o jeito com todos outros garotos maus nos livros; mas aconteceu de outro modo com esse Jim, estranhamente o suficiente. Ele comeu essa geléia, e disse que ela era boa, em seu jeito pecaminoso, vulgar; e ele pôs dentro o alcatrão, e disse que isso era bom também, e riu, e observou "que a mulher velha iria levantar e soprar" quando ela o percebesse; e quando ela o percebeu, ele negou saber qualquer coisa sobre isso, e ela o açoitou severamente, e ele fez o chorar ele-mesmo. Toda coisa sobre esse garoto era curiosa -- toda coisa se revelava diferentemente com ele do jeito que se revela para os Jameses maus nos livros.

Uma vez ele trepou acima na árvore macieira de Fazendeiro Acorn para roubar maçãs, e o ramo não quebrou, e ele não caiu e quebrou seu braço, e foi rasgado pelo cachorro grande do fazendeiro, e então languesceu em um leito de doente por semanas, e se arrependeu e se tornou bom. Oh, não; ele roubava tantas maçãs quanto ele queria e descia bem; e ele era todo pronto para o cachorro, também, e o batia de pé com um tijolo quando ele vinha para o rasgar. Era muito estranho -- nada como isso alguma vez acontecia naqueles livros pequenos suaves com lombadas marmoreadas, e com figuras neles de homens com casacos fraques e chapéus de copa de sino, e calças compridas que são curtas nas pernas, e mulheres com os corpos de seus vestidos sob seus braços, e sem arcos. Nada como isso em qualquer dos livros de escola-dominical.

Uma vez ele roubou o canivete do professor, e, quando ele ficou temeroso que isso iria ser descoberto e ele iria ser açoitado, ele o esgueirou para dentro do boné de George Wilson -- filho de pobre Viúva Wilson, o garoto moral, o garoto pequeno bom da vila, que sempre obedecia sua mãe, e nunca dizia uma inverdade, e gostava de suas lições, e era enamorado com escola-dominical. E quando a faca caiu do boné, e pobre George pendurou sua cabeça e se avermelhou, como se em culpa consciente, e o professor agravado carregou o roubo sobre ele, e estava justamente no ato mesmo de trazer a chibata abaixo sobre seus ombros trêmulos, uma justiça da paz de cabelos brancos, improvável não apareceu subitamente em seu meio, e golpeou uma atitude e disse, "Poupe esse garoto nobre -- lá está o culpado acovardado! Eu estava passando pela porta da escola ao recesso, e, não visto eu-mesmo, eu vi o roubo cometido!" E então Jim não foi batido, e a justiça venerável não leu aa escola lastimosa uma homilia, e tomou George pela mão e disse que um tal garoto merecia ser exaltado, e então lhe disse para vir e fazer sua casa com ele, e varrer o escritório, e fazer fogueiras, e fazer missões, e cortar madeira, e estudar direito, e ajudar sua esposa a fazer labores domésticos, e ter toda a balança do tempo para jogar, e obter quarenta centavos por mês, e ser feliz. Não; iria ter acontecido desse jeito nos livros, mas não aconteceu desse jeito para Jim. Nenhum tôrno velho interferente de uma justiça se deixou cair dentro para fazer problema, e então o garoto modelo George foi batido, e Jim foi satisfeito disso porque, você sabe, Jim odiava garotos morais. Jim disse que ele era "abaixo sobre eles efeminados". Tal era a linguagem grosseira desse garoto mau, negligenciado.

Mas a coisa mais estranha que alguma vez aconteceu a Jim foi a vez que ele foi andar de barco em domingo, e não se afogou, e aquela outra vez que ele foi apanhado fora na tempestade quando ele estava pescando em domingo, e não foi golpeado por um relâmpago. Por que, você poderia olhar, e olhar, todo através dos livros de escola-dominical desde agora até próximo Natal, e você não iria nunca se deparar com qualquer coisa como isso. Oh, não; você iria ver que todos os garotos maus que vão andar de barco em domingo invariavelmente se afogam; e todos os garotos maus que são apanhados fora em tempestades quando eles estão pescando em domingo infalivelmente são golpeados por relâmpagos. Barcos com garotos maus neles sempre viram em domingo, e sempre há tempestades quando garotos maus vão pescar no sabá. Como esse Jim alguma vez escapava é um mistério para mim.

Esse Jim carregou uma vida encantada -- esse precisa ter sido o jeito dela. Nada poderia o ferir. Ele até deu ao elefante na casa dos bichos um naco de fumo para mascar de tabaco, e o elefante não bateu o topo de sua cabeça fora com sua tromba. Ele curiosou por volta do armário atrás de essência de hortelã-pimenta, e não fez um erro e bebeu aqua fortis. Ele roubou a espingarda de seu pai e foi caçando no sabá, e não atirou três ou quatro de seus dedos fora. Ele golpeou sua irmão pequena na têmpora com seu punho quando ele estava raivoso, e ela não permaneceu em dor através de dias de verão longos, e morreu com palavras doces de perdão sobre seus lábios dela que redobraram a angústia de seu coração quebrado dele. Não; ela o superou. Ele correu fora e foi para mar por fim, e não voltou e se viu triste e só no mundo, seus uns amados dormindo no pátio-de-igreja quieto, e a casa coberta-de-vinha de sua meninice tombada abaixo e ida para decadência. Ah, não; ele veio para casa tão bêbado como um tocador de instrumento de sôpro, e entrou na estação a primeira coisa.

E ele cresceu e casou, e criou uma família grande, e rebentou os miolos de eles todos com um machado uma noite, e ficou rico por toda maneira de trapaceando e patifaria; e ora ele é o patife mais infernal mais malvado em sua vila nativa, e é univeralmente respeitado, e pertence aa legislatura.

Então você vê que não houve nunca um James mau nos livros de escola-dominical que tivesse um filão de sorte como esse Jim pecaminoso com a vida encantada.

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. https://priberam.pt/dlpo/Default.aspx , norma brasileira.
Postado por hlen, hleneto às 17:32


Os Outros Deuses
De H. P. Lovecraft.
De http://www.hplovecraft.com/writings/texts/fiction/og.aspx ou Lovecraft, H. P., Collected Stories, V. 3, The Haunter of the Dark, Wordsworth.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

No topo dos mais altos dos picos da terra moram os deuses da terra, e não permitem homem de dizer que ele tem olhado sobre eles. Picos menores eles uma vez habitaram; mas sempre os homens dos planos iriam escalar as inclinações de rocha e neve, levando os deuses a montanhas mais altas e mais altas até que agora apenas a última permanece. Quando eles deixaram seus velhos picos eles levaram com eles todos sinais de eles mesmos, salvo uma vez, é dito, quando eles deixaram uma imagem talhada na face da montanha que eles chamavam Ngranek.

Mas agora eles se dirigiram para desconhecida Kadath no êrmo frio onde nenhum homem caminha, e se tornaram severos, não tendo nenhum pico mais alto para onde fugir à vinda de homens. Eles se tornaram severos, e onde uma vez eles permitiram homens de os deslocarem, eles agora proíbem homens de vir; ou vindo, de partir. É bem para homens que eles não sabem de Kadath no êrmo frio; caso contrário eles iriam procurar injudiciosamente a escalar.

Algumas vezes quando os deuses de terra estão com saudades de casa eles visitam na quietude da noite os picos onde uma vez eles moraram, e choram suavemente enquanto eles tentam jogar no jeito antigo em inclinações lembradas. Homens têm sentido as lágrimas dos deuses em Thurai de chapéu branco, embora eles tenham o pensado chuva; e têm ouvido os suspiros dos deuses nos ventos de alvorada plangentes de Lerion. Em naves-nuvens os deuses costumam viajar, e moradores de cabanas sábios têm lendas que os mantém longe de certos picos altos a noite quando está nublado, pois os deuses não são lenientes como antigamente.

Em Ulthar, que fica depois do rio Skai, uma vez morou um homem velho ávido por contemplar os deuses de terra; um homem profundamente erudito nos sete livros crípticos de Hsan, e familiar com os Manuscritos Pnakóticos de distante e congelada Lomar. Seu nome era Barzai o Sábio, e os aldeões falam de como ele foi uma montanha acima na noite do estranho eclipse.

Barzai sabia tanto dos deuses que ele podia falar de suas vindas e idas, e adivinhava tantos de seus segredos que ele era considerado metade um deus ele mesmo. Foi ele que sabiamente aconselhou os burgueses de Ulthar quando eles passaram sua notável lei contra o assassinato de gatos, e que primeiramente falou ao jovem clérigo Atal onde é que os gatos negros vão à meia-noite na véspera de São João. Barzai era erudito no conhecimento dos deuses de terra, e tinha ganhado um desejo de olhar sobre suas faces. Ele acreditava que seu grande conhecimento secreto de deuses poderia o defender da fúria deles, então resolveu ir acima até o cume de alta e rochosa Hatheg-Kla em uma noite quando ele sabia que os deuses iriam estar lá.

Hatheg-Kla é longe no deserto pedregoso além de Hatheg, por que ela é nomeada, e se levanta como uma estátua de rocha em um templo silencioso. Ao redor de seu pico as névoas brincam sempre pesarosamente, pois névoas são as memórias dos deuses, e os deuses amavam Hatheg-Kla quando eles moravam sobre ela nos velhos dias. Frequentemente os deuses de terra visitam Hatheg-Kla em suas naves de nuvens, lançando vapores pálidos sobre as inclinações enquanto eles dançam recordativamente sobre o cume sob uma lua clara. Os aldeões de Hatheg dizem que é doente escalar Hatheg-Kla a qualquer tempo, e mortal a escalar pela noite quando vapores pálidos escondem o cume e a lua; mas Barzai não os considerou quando ele veio da vizinha Ulthar com o clérigo jovem Atal, que era seu discípulo. Atal era somente o filho de um estalajadeiro, e ficava às vezes com medo; mas o pai de Barzai tinha sido um landgrave que morava em um castelo antigo, então ele não tinha superstição comum nenhuma em seu sangue, e apenas ria aos moradores de cabanas medrosos.

Barzai e Atal foram fora de Hatheg para dentro do deserto pedregoso apesar das preces de camponeses, e falaram dos deuses da terra pelas suas fogueiras de acampamento a noite. Muitos dias eles viajaram, e de longe viram altiva Hatheg-Kla com sua auréola de névoa pesarosa. No décimo-terceiro dia eles alcançaram o sopé solitário da montanha, e Atal falou de seus medos. Mas Barzai era velho e erudito e não tinha medos, então liderava o caminho corajosamente para cima da inclinação que nenhum homem tinha escalado desde o tempo de Sansu, de que se escreve com pavor nos mofentos Manuscritos Pnakóticos.

O caminho era rochoso, e feito perigoso por abismos, penhascos escarpados e rochas que caíam. Depois ele se tornou frio e nevoso; e Barzai e Atal frequentemente escorregaram e caíram enquanto eles abriam caminho e se moviam pesadamente acima com bastões e machados. Finalmente o ar se tornou fino, e o céu mudou de cor, e os escaladores acharam difícil respirar; mas ainda eles avançavam com dificuldades acima e acima, se maravilhando à estranheza da cena e vibrando ao pensamento de o que iria acontecer no cume quando a lua estivesse fora e os vapores pálidos se espalhassem ao redor. Por três dias eles escalaram mais alto e mais alto para o teto do mundo; então eles acamparam para esperar pelo nublar da lua.

Por quatro noites nenhumas nuvens vieram, e a lua brilhou abaixo fria através da névoa pesarosa fina ao redor do pináculo silencioso. Então na quinta noite, que era a noite da lua cheia, Barzai viu algumas nuvens densas longe para o norte, e ficou de pé[1] com Atal para as assistir chegarem perto. Grossas e majestosas elas velejaram, lentamente e deliberadamente em frente; se alinhando ao redor do pico alto acima dos observadores, e escondendo a lua e o cume de vista. Por uma longa hora os observadores fitaram, enquanto os vapores redemoinhavam e a tela de nuvens se tornava mais grossa e mais inquieta. Barzai era sábio no conhecimento de deuses de terra, e ouviu com atenção por certos sons, mas Atal sentia o frio dos vapores e o pasmo da noite, e temia muito. E quando Barzai começou a escalar mais alto e chamar com gesto ansiosamente, era longo tempo antes que Atal fosse seguir.

Tão grossos eram os vapores que o caminho era difícil, e embora Atal seguisse finalmente, ele podia apenas ver a forma cinza de Barzai na inclinação indistinta acima no luar nublado. Barzai avançava aos poucos e com dificuldade muito longe na frente, e parecia apesar de sua idade escalar mais facilmente do que Atal; não temendo a ingremidade que começava a se tornar muito grande para qualquer um salvo um homem intrépido e forte, nem pausando a largos abismos pretos que Atal podia apenas saltar. E assim eles iam acima de modo selvagem sobre rochas e golfos, escorregando e tropeçando, e algumas vezes pasmados à vastidão e silêncio horrível de pináculos de gelo triste e ladeiras íngremes de granito mudas.

Muito subitamente Barzai foi para fora da vista de Atal, escalando um penhasco escarpado hediondo que parecia se bojar para fora e bloquear o caminho para qualquer escalador não inspirado de deuses de terra. Atal estava longe embaixo, e planejando o que ele deveria fazer quando ele alcançasse o lugar, quando curiosamente ele notou que a luz tinha se tornado mais forte, como se o pico sem nuvens e lugar de encontro iluminado pela lua dos deuses estivesse muito perto. E enquanto ele trepava se agarrando com mãos e pés em diante para o penhasco escarpado bojante e céu iluminado ele sentiu medos mais chocantes do que quaisquer que ele tinha conhecido antes. Então através das névoas altas ele ouviu a voz de Barzai não-visto gritando de modo selvagem em deleite:

"Eu tenho ouvido os deuses! Eu tenho ouvido os deuses de terra cantando em festança em Hatheg-Kla! As vozes dos deuses de terra são conhecidas a Barzai o Profeta! As névoas são finas e a lua está brilhante, e eu irei ver os deuses dançando de modo selvagem em Hatheg-Kla que eles amaram em juventude. A sabedoria de Barzai tem feito dele maior do que os deuses de terra, e contra sua vontade seus feitiços e barreiras são como nada; Barzai irá contemplar os deuses, os deuses orgulhosos, os deuses secretos, os deuses de terra que rejeitam desdenhosamente a vista de homem!"

Atal não podia ouvir as vozes que Barzai ouvia, mas ele estava agora perto do penhasco escarpado bojante e o perscrutando para apoios de pé. Então ele ouviu a voz de Barzai se tornar mais estridente e alta:

"A névoa é muito fina, e a lua lança sombras na inclinação; as vozes dos deuses de terra são altas e selvagens, e eles temem a vinda de Barzai o Sábio, que é maior do que eles... A luz da lua tremeluz, enquanto os deuses de terra dançam contra ela; eu irei ver as formas dançantes dos deuses que saltam e uivam no luar... A luz está mais indistinta e os deuses estão com medo..."

Enquanto Barzai estava gritando essas coisas Atal sentiu uma mudança espectral no ar todo, como se as leis de terra estivessem se curvando a leis maiores; pois embora o caminho era mais íngreme do que nunca, o caminho acima tinha agora se tornado temivelmente fácil, e o penhasco escarpado bojante se provou apenas um obstáculo quando ele o alcançou e deslizou perigosamente acima de sua face convexa. A luz da lua tinha estranhamente falhado, e enquanto Atal arremetia para cima através da névoa ele ouviu Barzai o Sábio gritando estridentemente nas sombras:

"A lua está escura, e os deuses dançam na noite; há terror no céu, pois sobre a lua caiu gradativamente um eclipse previsto em nenhuns livros de homens ou de deuses de terra... Há mágica desconhecida em Hatheg-Kla, pois os gritos dos deuses aterrorizados se tornaram risadas, e as inclinações de gelo disparam para cima infinitamente para dentro do firmamento[2] preto para onde eu estou arremetendo...Hei! Hei! Finalmente! Na luz indistinta eu contemplo os deuses de terra!"

E agora Atal, deslizando vertiginosamente acima sobre ladeiras íngremes inconcebíveis, ouviu na escuridão uma risada repugnante, misturada com um grito tal como nenhum outro homem jamais ouviu salvo no Phlegethon de pesadelos não-relatáveis; um grito onde reverberava o horror e angústia de uma vida inteira assombrada empacotado para dentro de um momento atroz:

"Os outros deuses! Os outros deuses! Os deuses dos infernos exteriores que guardam os deuses fracos de terra!...Olhe em direção oposta...Volte...Não veja! Não veja! A vingança dos abismos infinitos...Aquele buraco amaldiçoado, aquele condenável...Deuses misericordiosos de terra, eu estou caindo para dentro do céu!"

E enquanto Atal fechava seus olhos e tampava seus ouvidos e tentava corcovar para baixo contra o puxar horroroso de alturas desconhecidas, ressoou em Hatheg-Kla aquele estrondo terrível de trovão que acordou os bons moradores de cabanas dos planos e os burgueses honestos de Hatheg, Nir e Ulthar, e os causou de contemplar através das nuvens aquele eclipse estranho da lua que nenhum livro jamais predisse. E quando a lua saiu fora finalmente Atal estava a salvo nas neves mais baixas da montanha sem vista dos deuses de terra, ou dos outros deuses.

Agora é contado nos mofentos Manuscritos Pnakóticos que Sansu não achou nada a não ser gelo e rocha sem palavra quando ele escalou Hatheg-Kla na juventude do mundo. Ainda assim quando os homens de Ulthar e Nir e Hatheg esmagaram seus medos e escalaram aquela ladeira íngreme assombrada de dia em procura de Barzai o Sábio, eles acharam gravado na pedra nua do cume um símbolo ciclópico e curioso de cinquenta côvados de largura, como se a rocha tivesse sido rasgada por algum cinzel titânico. E o símbolo era semelhante a um que homens eruditos têm discernido naquelas partes horrorosas dos Manuscritos Pnakóticos que eram antigas demais para ser lidas. Isto eles acharam.

Barzai o Sábio eles nunca acharam, nem pôde o clérigo sagrado Atal jamais ser persuadido a rezar pelo repouso de sua alma. Ademais, até este dia o povo de Ulthar e Nir e Hatheg temem eclipses, e rezam de noite quando vapores pálidos escondem o topo-de-montanha e a lua. E sobre as névoas de Hatheg-Kla, os deuses de terra algumas vezes dançam recordativamente; pois eles sabem que eles estão seguros, e amam vir desde desconhecida Kadath em naves de nuvens e jogar no jeito velho, como eles faziam quando terra era nova e homens não dados à escalada de lugares inacessíveis.


Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

Notas de Tradução:

[1] up, acordado, de pé.
[2] heavens, paraísos, firmamento.