quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017


Os Outros Deuses
De H. P. Lovecraft.
De http://www.hplovecraft.com/writings/texts/fiction/og.aspx ou Lovecraft, H. P., Collected Stories, V. 3, The Haunter of the Dark, Wordsworth.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

No topo dos mais altos dos picos da terra moram os deuses da terra, e não permitem homem de dizer que ele tem olhado sobre eles. Picos menores eles uma vez habitaram; mas sempre os homens dos planos iriam escalar as inclinações de rocha e neve, levando os deuses a montanhas mais altas e mais altas até que agora apenas a última permanece. Quando eles deixaram seus velhos picos eles levaram com eles todos sinais de eles mesmos, salvo uma vez, é dito, quando eles deixaram uma imagem talhada na face da montanha que eles chamavam Ngranek.

Mas agora eles se dirigiram para desconhecida Kadath no êrmo frio onde nenhum homem caminha, e se tornaram severos, não tendo nenhum pico mais alto para onde fugir à vinda de homens. Eles se tornaram severos, e onde uma vez eles permitiram homens de os deslocarem, eles agora proíbem homens de vir; ou vindo, de partir. É bem para homens que eles não sabem de Kadath no êrmo frio; caso contrário eles iriam procurar injudiciosamente a escalar.

Algumas vezes quando os deuses de terra estão com saudades de casa eles visitam na quietude da noite os picos onde uma vez eles moraram, e choram suavemente enquanto eles tentam jogar no jeito antigo em inclinações lembradas. Homens têm sentido as lágrimas dos deuses em Thurai de chapéu branco, embora eles tenham o pensado chuva; e têm ouvido os suspiros dos deuses nos ventos de alvorada plangentes de Lerion. Em naves-nuvens os deuses costumam viajar, e moradores de cabanas sábios têm lendas que os mantém longe de certos picos altos a noite quando está nublado, pois os deuses não são lenientes como antigamente.

Em Ulthar, que fica depois do rio Skai, uma vez morou um homem velho ávido por contemplar os deuses de terra; um homem profundamente erudito nos sete livros crípticos de Hsan, e familiar com os Manuscritos Pnakóticos de distante e congelada Lomar. Seu nome era Barzai o Sábio, e os aldeões falam de como ele foi uma montanha acima na noite do estranho eclipse.

Barzai sabia tanto dos deuses que ele podia falar de suas vindas e idas, e adivinhava tantos de seus segredos que ele era considerado metade um deus ele mesmo. Foi ele que sabiamente aconselhou os burgueses de Ulthar quando eles passaram sua notável lei contra o assassinato de gatos, e que primeiramente falou ao jovem clérigo Atal onde é que os gatos negros vão à meia-noite na véspera de São João. Barzai era erudito no conhecimento dos deuses de terra, e tinha ganhado um desejo de olhar sobre suas faces. Ele acreditava que seu grande conhecimento secreto de deuses poderia o defender da fúria deles, então resolveu ir acima até o cume de alta e rochosa Hatheg-Kla em uma noite quando ele sabia que os deuses iriam estar lá.

Hatheg-Kla é longe no deserto pedregoso além de Hatheg, por que ela é nomeada, e se levanta como uma estátua de rocha em um templo silencioso. Ao redor de seu pico as névoas brincam sempre pesarosamente, pois névoas são as memórias dos deuses, e os deuses amavam Hatheg-Kla quando eles moravam sobre ela nos velhos dias. Frequentemente os deuses de terra visitam Hatheg-Kla em suas naves de nuvens, lançando vapores pálidos sobre as inclinações enquanto eles dançam recordativamente sobre o cume sob uma lua clara. Os aldeões de Hatheg dizem que é doente escalar Hatheg-Kla a qualquer tempo, e mortal a escalar pela noite quando vapores pálidos escondem o cume e a lua; mas Barzai não os considerou quando ele veio da vizinha Ulthar com o clérigo jovem Atal, que era seu discípulo. Atal era somente o filho de um estalajadeiro, e ficava às vezes com medo; mas o pai de Barzai tinha sido um landgrave que morava em um castelo antigo, então ele não tinha superstição comum nenhuma em seu sangue, e apenas ria aos moradores de cabanas medrosos.

Barzai e Atal foram fora de Hatheg para dentro do deserto pedregoso apesar das preces de camponeses, e falaram dos deuses da terra pelas suas fogueiras de acampamento a noite. Muitos dias eles viajaram, e de longe viram altiva Hatheg-Kla com sua auréola de névoa pesarosa. No décimo-terceiro dia eles alcançaram o sopé solitário da montanha, e Atal falou de seus medos. Mas Barzai era velho e erudito e não tinha medos, então liderava o caminho corajosamente para cima da inclinação que nenhum homem tinha escalado desde o tempo de Sansu, de que se escreve com pavor nos mofentos Manuscritos Pnakóticos.

O caminho era rochoso, e feito perigoso por abismos, penhascos escarpados e rochas que caíam. Depois ele se tornou frio e nevoso; e Barzai e Atal frequentemente escorregaram e caíram enquanto eles abriam caminho e se moviam pesadamente acima com bastões e machados. Finalmente o ar se tornou fino, e o céu mudou de cor, e os escaladores acharam difícil respirar; mas ainda eles avançavam com dificuldades acima e acima, se maravilhando à estranheza da cena e vibrando ao pensamento de o que iria acontecer no cume quando a lua estivesse fora e os vapores pálidos se espalhassem ao redor. Por três dias eles escalaram mais alto e mais alto para o teto do mundo; então eles acamparam para esperar pelo nublar da lua.

Por quatro noites nenhumas nuvens vieram, e a lua brilhou abaixo fria através da névoa pesarosa fina ao redor do pináculo silencioso. Então na quinta noite, que era a noite da lua cheia, Barzai viu algumas nuvens densas longe para o norte, e ficou de pé[1] com Atal para as assistir chegarem perto. Grossas e majestosas elas velejaram, lentamente e deliberadamente em frente; se alinhando ao redor do pico alto acima dos observadores, e escondendo a lua e o cume de vista. Por uma longa hora os observadores fitaram, enquanto os vapores redemoinhavam e a tela de nuvens se tornava mais grossa e mais inquieta. Barzai era sábio no conhecimento de deuses de terra, e ouviu com atenção por certos sons, mas Atal sentia o frio dos vapores e o pasmo da noite, e temia muito. E quando Barzai começou a escalar mais alto e chamar com gesto ansiosamente, era longo tempo antes que Atal fosse seguir.

Tão grossos eram os vapores que o caminho era difícil, e embora Atal seguisse finalmente, ele podia apenas ver a forma cinza de Barzai na inclinação indistinta acima no luar nublado. Barzai avançava aos poucos e com dificuldade muito longe na frente, e parecia apesar de sua idade escalar mais facilmente do que Atal; não temendo a ingremidade que começava a se tornar muito grande para qualquer um salvo um homem intrépido e forte, nem pausando a largos abismos pretos que Atal podia apenas saltar. E assim eles iam acima de modo selvagem sobre rochas e golfos, escorregando e tropeçando, e algumas vezes pasmados à vastidão e silêncio horrível de pináculos de gelo triste e ladeiras íngremes de granito mudas.

Muito subitamente Barzai foi para fora da vista de Atal, escalando um penhasco escarpado hediondo que parecia se bojar para fora e bloquear o caminho para qualquer escalador não inspirado de deuses de terra. Atal estava longe embaixo, e planejando o que ele deveria fazer quando ele alcançasse o lugar, quando curiosamente ele notou que a luz tinha se tornado mais forte, como se o pico sem nuvens e lugar de encontro iluminado pela lua dos deuses estivesse muito perto. E enquanto ele trepava se agarrando com mãos e pés em diante para o penhasco escarpado bojante e céu iluminado ele sentiu medos mais chocantes do que quaisquer que ele tinha conhecido antes. Então através das névoas altas ele ouviu a voz de Barzai não-visto gritando de modo selvagem em deleite:

"Eu tenho ouvido os deuses! Eu tenho ouvido os deuses de terra cantando em festança em Hatheg-Kla! As vozes dos deuses de terra são conhecidas a Barzai o Profeta! As névoas são finas e a lua está brilhante, e eu irei ver os deuses dançando de modo selvagem em Hatheg-Kla que eles amaram em juventude. A sabedoria de Barzai tem feito dele maior do que os deuses de terra, e contra sua vontade seus feitiços e barreiras são como nada; Barzai irá contemplar os deuses, os deuses orgulhosos, os deuses secretos, os deuses de terra que rejeitam desdenhosamente a vista de homem!"

Atal não podia ouvir as vozes que Barzai ouvia, mas ele estava agora perto do penhasco escarpado bojante e o perscrutando para apoios de pé. Então ele ouviu a voz de Barzai se tornar mais estridente e alta:

"A névoa é muito fina, e a lua lança sombras na inclinação; as vozes dos deuses de terra são altas e selvagens, e eles temem a vinda de Barzai o Sábio, que é maior do que eles... A luz da lua tremeluz, enquanto os deuses de terra dançam contra ela; eu irei ver as formas dançantes dos deuses que saltam e uivam no luar... A luz está mais indistinta e os deuses estão com medo..."

Enquanto Barzai estava gritando essas coisas Atal sentiu uma mudança espectral no ar todo, como se as leis de terra estivessem se curvando a leis maiores; pois embora o caminho era mais íngreme do que nunca, o caminho acima tinha agora se tornado temivelmente fácil, e o penhasco escarpado bojante se provou apenas um obstáculo quando ele o alcançou e deslizou perigosamente acima de sua face convexa. A luz da lua tinha estranhamente falhado, e enquanto Atal arremetia para cima através da névoa ele ouviu Barzai o Sábio gritando estridentemente nas sombras:

"A lua está escura, e os deuses dançam na noite; há terror no céu, pois sobre a lua caiu gradativamente um eclipse previsto em nenhuns livros de homens ou de deuses de terra... Há mágica desconhecida em Hatheg-Kla, pois os gritos dos deuses aterrorizados se tornaram risadas, e as inclinações de gelo disparam para cima infinitamente para dentro do firmamento[2] preto para onde eu estou arremetendo...Hei! Hei! Finalmente! Na luz indistinta eu contemplo os deuses de terra!"

E agora Atal, deslizando vertiginosamente acima sobre ladeiras íngremes inconcebíveis, ouviu na escuridão uma risada repugnante, misturada com um grito tal como nenhum outro homem jamais ouviu salvo no Phlegethon de pesadelos não-relatáveis; um grito onde reverberava o horror e angústia de uma vida inteira assombrada empacotado para dentro de um momento atroz:

"Os outros deuses! Os outros deuses! Os deuses dos infernos exteriores que guardam os deuses fracos de terra!...Olhe em direção oposta...Volte...Não veja! Não veja! A vingança dos abismos infinitos...Aquele buraco amaldiçoado, aquele condenável...Deuses misericordiosos de terra, eu estou caindo para dentro do céu!"

E enquanto Atal fechava seus olhos e tampava seus ouvidos e tentava corcovar para baixo contra o puxar horroroso de alturas desconhecidas, ressoou em Hatheg-Kla aquele estrondo terrível de trovão que acordou os bons moradores de cabanas dos planos e os burgueses honestos de Hatheg, Nir e Ulthar, e os causou de contemplar através das nuvens aquele eclipse estranho da lua que nenhum livro jamais predisse. E quando a lua saiu fora finalmente Atal estava a salvo nas neves mais baixas da montanha sem vista dos deuses de terra, ou dos outros deuses.

Agora é contado nos mofentos Manuscritos Pnakóticos que Sansu não achou nada a não ser gelo e rocha sem palavra quando ele escalou Hatheg-Kla na juventude do mundo. Ainda assim quando os homens de Ulthar e Nir e Hatheg esmagaram seus medos e escalaram aquela ladeira íngreme assombrada de dia em procura de Barzai o Sábio, eles acharam gravado na pedra nua do cume um símbolo ciclópico e curioso de cinquenta côvados de largura, como se a rocha tivesse sido rasgada por algum cinzel titânico. E o símbolo era semelhante a um que homens eruditos têm discernido naquelas partes horrorosas dos Manuscritos Pnakóticos que eram antigas demais para ser lidas. Isto eles acharam.

Barzai o Sábio eles nunca acharam, nem pôde o clérigo sagrado Atal jamais ser persuadido a rezar pelo repouso de sua alma. Ademais, até este dia o povo de Ulthar e Nir e Hatheg temem eclipses, e rezam de noite quando vapores pálidos escondem o topo-de-montanha e a lua. E sobre as névoas de Hatheg-Kla, os deuses de terra algumas vezes dançam recordativamente; pois eles sabem que eles estão seguros, e amam vir desde desconhecida Kadath em naves de nuvens e jogar no jeito velho, como eles faziam quando terra era nova e homens não dados à escalada de lugares inacessíveis.


Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.

Notas de Tradução:

[1] up, acordado, de pé.
[2] heavens, paraísos, firmamento.

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