Em Uma Terra Estranha
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De The Schoolmaster and Other Stories, https://archive.org/details/schoolmasterand00garngoog .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2018.
Domingo, meio-dia. Um proprietário de terras, chamado Kamyshev, está sentado em sua sala de jantar, deliberadamente comendo seu almoço em uma mesa luxuosamente equipada. Monsieur Champoun, um francês velho, suavemente barbeado, asseado, limpo, está dividindo a refeição com ele. Este Champoun tinha uma vez sido um tutor na casa de Kamyshev, tinha ensinado a seus filhos boas maneiras, a pronúncia correta de língua francesa, e dançar: depois quando os filhos de Kamyshev tinham crescido e se tornado tenentes, Champoun tinha se tornado alguma coisa como uma empregada doméstica do sexo masculino. Os deveres do tutor passado não eram complicados. Ele tinha de estar propriamente vestido, de cheirar a perfume, de ouvir a fala ininteligível inativa de Kamyshev, de comer e beber e dormir --e aparentemente isso era tudo. Por isso ele recebia um quarto, sua comida, e um salário indefinido.
Kamyshev come e como usual fala ininteligivelmente a esmo. "Danação!" ele diz, limpando as lágrimas que vieram dentro de seus olhos depois de uma bocada de presunto grossamente coberto com mostarda. "Ough! Ela entrou em minha cabeça e em todas minhas juntas. Sua mostarda francesa não iria fazer isso, você sabe, se você comesse o pote inteiro."
"Alguns gostam da francesa, alguns preferem a russa..." Champoun coloca brandamente.
"Ninguém gosta de mostarda francesa a não ser franceses. E um francês irá comer qualquer coisa, o que quer que você dê a ele -- sapos e ratos e percevejos negros... brrr! Você não gosta desse presunto, por exemplo, porque ele é russo, mas se um fosse para lhe dar um pouco de vidro assado e dizer a você que ele era francês, você iria o comer e estalar seus lábios... Para seu pensamento toda coisa russa é horrível."
"Eu não digo isso."
"Toda coisa russa é horrível, mas se é francesa --- o say tray zholee[1]! Para seu pensamento não há nenhum país melhor do que França, mas para minha mente... Ora, o que é França, para dizer a verdade sobre ela? Um pequeno pedaço de terra. Nosso capitão de polícia foi enviado para lá, mas em um mês ele pediu para ser transferido: não havia lugar nenhum para fazer uma volta! Um pode dirigir ao redor do todo de sua França em um dia, enquanto aqui quando você dirige para fora de seu portão -- você não pode ver nenhum fim para a terra, você pode percorrer continuamente..."
"Sim, monsieur, Russia é um país imenso."
"Para estar certo ela é! Para o seu pensamento não há nenhumas pessoas melhores do que os franceses. Pessoas inteligentes, bem-educadas! Civilização! Eu concordo, os franceses são bem-educados com maneiras elegantes... isso é verdade... um francês nunca permite a si mesmo ser rude: ele entrega a uma dama uma cadeira no minuto certo, ele não come lagostim com seu garfo, ele não cospe no chão, mas... não há o mesmo espírito nele! não o espírito nele! Eu não sei como o explicar a você mas, como quer que um seja para o expressar, não há nada em um francês de ... alguma coisa ... (o falante floreia seus dedos) ... de alguma coisa ... fanática. Eu me lembro que eu li em algum lugar que vocês todos têm inteligência adquirida de livros, enquanto nós russos temos inteligência inata. Se um russo estudar as ciências propriamente, nenhum de seus professores franceses é páreo para ele."
"Talvez," diz Champoun, como se fosse relutantemente.
"Não, não talvez, mas certamente! É inútil seu franzir as sobrancelhas, é a verdade que eu estou falando. A inteligência russa é uma inteligência inventiva. Somente de curso ele não é dado uma passagem livre para isso, e ele não é nenhuma mão em jactância. Ele irá inventar alguma coisa -- e a quebrar ou a dar para os filhos brincarem com, enquanto seu francês irá inventar alguma coisa sem sentido e fazer um grande barulho para o mundo todo o ouvir. O outro dia Iona o cocheiro esculpiu um homem pequeno de madeira, se você puxar o homem pequeno por um fio ele joga palhaçadas impróprias: Mas Iona não se gaba disso... eu não gosto de franceses como uma regra. Eu não estou me referindo a você, mas falando geralmente... Eles são um povo imoral! Por fora eles parecem homens, mas eles vivem como cachorros... Tome casamento por exemplo. Conosco, uma vez que você está casado, você se fixa a sua mulher, e não há conversa sobre isso, mas Deus sabe como é com vocês. O marido está sentado o dia todo em um café, enquanto sua esposa enche a casa com franceses, e se põe a dançar o can-can com eles."
"Isso não é verdade!" Champoun protesta, irrompendo e incapaz de se conter. "O princípio da família é altamente estimado em França."
"Nós sabemos tudo sobre esse princípio! Você deveria estar envergonhado por o defender: um deveria ser imparcial: um porco é sempre um porco... Nós precisamos agradecer aos alemães por terem os batido... Sim de fato, Deus os abençoe por isso."
"Nesse caso, monsieur, eu não entendo..." diz o francês pulando acima com olhos flamejantes, "se você odeia os franceses por que você me mantém?"
"O que sou eu para fazer com você?"
"Me deixe ir, e eu irei ir de volta para França."
"O que-e? Mas você supõe que eles o deixariam entrar em França agora? Ora, você é um traidor para seu país! A um tempo Napoleão é seu homem grande, a outro Gambetta... Quem diabos pode os entender?"
"Monsieur," diz Champoun em francês, gaguejando e esmagando seu guardanapo de mesa em suas mãos, "meu inimigo pior não poderia ter pensado de um insulto maior do que o ultraje que você acaba de fazer a meus sentimentos! Tudo está acabado!"
E com um balanço trágico de seus braços o francês joga o guardanapo de jantar sobre a mesa majestosamente, e anda para fora da sala com dignidade.
Três horas depois a mesa está posta de novo, e os serventes trazem para dentro o jantar. Kamyshev senta só à mesa. Depois do copo preliminar ele sente um desejo de falar ininteligivelmente. Ele quer conversar, mas ele não tem nenhum ouvinte.
"O que está Alphonse Ludovikovitch fazendo?" ele pergunta ao lacaio.
"Ele está preparando sua mala, senhor."
"Que tolo! Deus nos perdoe!" diz Kamyshev, e vai para dentro para o francês.
Champoun está sentado sobre o chão de seu quarto, e com mãos trêmulas está preparando em sua mala seu linho, garrafas de perfume, livros de oração, suspensórios, gravatas... Toda sua figura correta, seu tronco, sua armação de cama e a mesa -- todos têm um ar de elegância e efeminância. Grandes lágrimas estão caindo desde seus olhos azuis grandes dentro da mala.
"Para onde você está indo?" pergunta Kamyshev, depois de ficar parado por um pouco.
O francês não diz nada.
"Você quer ir embora?" Kamyshev continua. "Bem, você sabe, mas ... eu não vou me aventurar a o deter. Mas o que é estranho é, como você vai viajar sem um passaporte? Eu me pergunto! Você sabe que eu perdi seu passaporte. Eu o enfiei em algum lugar entre alguns papéis, e ele está perdido... E eles são estritos sobre passaportes entre nós. Antes de você ter ido três ou quatro milhas eles saltam sobre você."
Champoun levanta sua cabeça e olha desconfiadamente para Kamyshev.
"Sim... você irá ver! Eles irão ver por sua face que você não tem um passaporte, e perguntar imediatamente: Quem é esse? Alphonse Champoun. Nós conhecemos esse Alphonse Champoun. Você não iria gostar de ir sob escolta policial para algum lugar mais perto de casa!"
"Você está de piada?"
"Que motivo tenho eu para dizer piadas? Por que deveria eu? Somente note agora; é um compacto, não comece a se lamentar então e escrever cartas. Eu não vou mover um dedo quando eles o levarem em algemas!"
Champoun pula para cima e, pálido e de olhos arregalados, começa a passear para cima e para baixo do quarto.
"O que você está fazendo comigo?" ele diz em desespero, segurando sua cabeça. "Meu Deus! Amaldiçoada seja aquela hora quando o pensamento fatal de deixar meu país entrou em minha cabeça!..."
"Venha, venha, venha... Eu estava brincando!" diz Kamyshev em um tom mais baixo. "Pessoa estranha ele é; ele não entende uma piada. Um não pode dizer uma palavra!"
"Meu caro amigo!" grita Champoun, tranquilizado pelo tom de Kamyshev. "Eu juro que eu sou devotado a Rússia, a você e a seus filhos... Os deixar é tão amargo para mim quanto morte ela mesma! Mas toda palavra que você pronuncia me esfaqueia ao coração!"
"Ah, sua pessoa estranha! Se eu abuso dos franceses, que razão tem você para tomar ofensa? Você é realmente uma pessoa estranha! Você deveria seguir o exemplo de Lazar Isaakitch, meu tenente. Eu o chamo de uma coisa e de outra, um judeu, e um cafajeste miserável, e eu faço uma orelha de porco do rabo de meu casaco, e o pego por seus cachos judaicos. Ele não toma ofensa."
"Mas ele é um escravo! Por um copeque ele está pronto a suportar qualquer insulto!"
"Venha, venha, venha... isso é suficiente! Paz e concórdia!"
Champoun passa pó em sua face manchada de lágrimas e vai com Kamyshev para a sala de jantar. O primeiro curso é comido em silêncio, depois do segundo a mesma execução começa de novo, e então os sofrimentos de Champoun não têm fim.
Cf. Avery, Houaiss, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/ .
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Notas de Tradução:
[1] do francês c'est très joli.