quinta-feira, 30 de março de 2017


Um Estudante Clássico
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/cooks-wedding/chapter8.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.


Antes de partir para seu exame em Grego, Vanya beijou todas as imagens santas. Seu estômago ele sentia como se ele estivesse de cabeça para baixo; havia um calafrio em seu coração, enquanto o coração ele mesmo pulsava e ficava parado com terror diante do desconhecido. O que ele obteria aquele dia? Um três ou um dois? Seis vezes ele foi a sua mãe para sua benção, e, enquanto ele saia, pediu a sua tia para rezar por ele. No caminho para a escola ele deu a um mendigo dois copeques, na esperança de que aqueles dois copeques iriam compensar por sua ignorância, e que, agrade a Deus, ele não iria obter os numerais com aqueles horríveis quarentas e oitentas.

Ele voltou da escola de 2.o grau tarde, entre quatro e cinco. Ele entrou, e sem ruído deitou em sua cama. Sua face fina estava pálida. Havia aneis escuros ao redor de seus olhos vermelhos.

"Bem, como você se saiu? Como você foi marcado?" Perguntou sua mãe, indo para o lado de sua cama.

Vanya piscou, torceu sua boca, e irrompeu em lágrimas. Sua mãe se tornou pálida, deixou sua boca cair aberta, e segurou suas próprias mãos. Os culotes que ela estava emendando caíram fora de suas mãos.

"Por que você está chorando? Você falhou, então?" ela perguntou.

"Eu estou reprovado.... Eu obtive um dois."

"Eu sabia que seria assim! Eu tinha um pressentimento disso," disse sua mãe. "Deus piedoso! Como é que você não passou? Qual a razão para isso? Em que matéria você falhou?"

"Em Grego.... Mãe, eu... Eles me perguntaram o futuro de phero, e eu... em vez de dizer oisomai disse opsomai. Então... então não há um acento, se a última sílaba é longa, e eu... eu fiquei perturbado.... eu esqueci que o alpha era longo nisso.... eu fui e pus dentro o acento. então Artaxerxov me disse para dar a lista das partículas enclíticas... eu o fiz, e eu acidentalmente misturei dentro um pronome... e cometi um erro... e então ele me deu um dois... eu sou uma pessoa miserável.... eu estava trabalhando a noite toda.... eu tenho estado levantando às quatro horas toda esta semana...."

"Não, não é você mas eu que sou miserável, seu garoto desventurado! Sou eu que sou miserável! Você me gastou até um papel de linha[1], seu Herodes, seu tormento, seu perdição de minha vida! Eu pago por você, seu lixo bom-para-nada; eu dobrei minhas costas labutando para você, eu estou preocupada até a morte, e, eu posso dizer, eu sou infeliz, e o que você se importa? Como você trabalha?"

"Eu ... eu trabalho. A noite toda....você o viu você mesma."

"Eu rezei a Deus para me levar, mas Ele não vai me levar, uma mulher pecadora. ... Seu tormento! Outras pessoas têm filhos como todo mundo mais, e eu tenho um somente e nenhum senso, nenhum conforto saindo dele. Bater em você? Eu iria bater em você, mas onde sou eu para encontrar a força? Mãe de Deus, onde sou eu para encontrar a força?"

A mamãe escondeu sua face nas pregas de sua blusa e quebrou em soluços. Vanya se torceu com angústia e pressionou sua testa contra a parede. A tia entrou.

"Então é assim que é. . . . Justamente o que eu esperava," ela disse, de uma vez adivinhando o que estava errado, se tornando pálida e apertando suas mãos. "Eu tenho estado deprimida a manhã toda....Há problema vindo, eu pensei ...e aqui está ele vindo...."

"O vilão, o tormento!"

"Por que você está o xingando?" gritou a tia, nervosamente puxando seu lenço cor-de-café fora de sua cabeça e se virando sobre a mãe. "Não é culpa dele! É culpa sua! Você é para ser culpada! Por que você o enviou para aquela escola secundária? Você é uma dama fina! Você quer ser uma dama? A-a-ah! Eu ouso dizer, como se você vai virar gente de boa família[2]! Mas se você tivesse o enviado, como eu lhe disse, para negócios... para um escritório, como meu Kuzya... aqui está Kuzya ganhando quinhentos por ano... Quinhentos rublos é válido de ter, não é? E você está se gastando fora, e gastando o garoto fora com este estudar, a praga o leve! Ele é magro, ele tosse... justamente olhe para ele! Ele tem treze anos, e ele não parece ter mais do que dez."

"Não, Nastenka, não, minha querida! Eu não o bati o suficiente, o tormento! Ele deveria ter sido espancado, isso é o que é! Ugh... Jesuíta, Maomé, tormento!" ela agitou seu punho para seu filho. "Você quer uma fustigação, mas eu não tenho a força. Eles me disseram anos atrás quando ele era pequeno, "Açoite-o, açoite-o!" Eu não prestei atenção neles, mulher pecadora como eu sou. E agora eu estou sofrendo por isso. Você espere um pouco! Eu irei o esfolar! Espere um pouco...."

A mamãe agitou seu punho molhado, e foi chorando para dentro do quarto de seu locatário. O locatário, Yevtihy Kuzmitch Kuporossov, estava sentado em sua mesa, lendo "Dançar Auto-didático." Yevtihy Kuzmitch era um homem de inteligência e educação. Ele falava através de seu nariz, lavado com um sabonete o cheiro do qual fazia todo mundo na casa espirrar, comia carne em dias de jejum, e estava procurando[3] por uma noiva de educação refinada, e então era considerado o mais inteligente dos locatários. Ele cantava tenor.

"Meu bom amigo," começou a mamãe, se dissolvendo em lágrimas. "Se você iria ter a generosidade -- espanque meu garoto para mim.... Me faça o favor! Ele falhou em seu exame, o incômodo de um garoto! Você iria acreditar nisso, ele falhou! Eu não posso o punir, através da fraqueza de minha saúde-doentia.... O espanque para mim, se você iria ser tão serviçal[4] e atencioso[5], Yevtihy Kuzmitch! Tenha consideração por uma mulher doente!"

Kuporossov franziu as sobrancelhas e ofegou um suspiro profundo através de seu nariz. Ele pensou um pouco, tamborilou sobre a mesa com seus dedos, e suspirando uma vez mais, foi para Vanya.

"Você está sendo ensinado, para dizer assim," ele começou, "sendo educado, estão lhe dando uma chance, sua pessoa jovem revoltante! Por que você o fez?"

Ele falou por um tempo longo, fez um discurso regular. Ele aludiu a ciência, a luz, e a escuridão.

"Sim, pessoa jovem."

Quando ele tinha terminado seu discurso, ele tirou seu cinto e tomou Vanya pela mão.

"É o único jeito de lidar com você," ele disse. Vanya se ajoelhou submissamente e enfiou sua cabeça entre os joelhos do locatário. Suas orelhas rosas proeminentes se moviam acima e abaixo contra as calças de sarja[6] novas do locatário, com listras marrons nas costuras externas.

Vanya não proferiu um único som. No conselho de família na noite, foi decidido o enviar para negócios.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. dict, GNU/Linux.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .

Notas de Tradução:

[1] threadpaper, papel de linha, etc.
[2] gentry, pequena nobreza, gente de boa família, etc.
[3] on the look-out, na vigia, procurando por, etc.
[4] obliging, amável, serviçal, prestativo, etc.
[5] considerate, atencioso, considerativo, etc.
[6] serge, sarja: tecido durável.

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