Em uma Casa de Campo de Veraneio
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.
"Eu amo você. Você é minha vida, minha felicidade - tudo para mim! Perdoe a confissão, mas eu não tenho a força para sofrer e ser silenciosa. Eu não peço por amor em retorno, mas por simpatia. Esteja na velha latada a oito horas esta noite .... Assinar meu nome é desnecessário eu penso, mas não fique desconfortável a meu ser anônima. Eu sou jovem, bonita ... o que mais você quer?"
Quando Pavel Ivanitch Vyhodtsev, um homem casado prático que estava passando suas férias em uma casa de campo de veraneio, leu esta carta, ele encolheu os ombros e coçou sua testa em perplexidade.
"Que diabrura é esta?" ele pensava. "Eu sou um homem casado, e me enviar uma tal carta tola ... estranha! Quem a escreveu?"
Pavel Ivanitch virou a carta de novo e de novo diante de seus olhos, a leu novamente, e cuspiu com desgosto.
"'Eu amo você'" ... ele disse ironicamente. "Um bonito garoto ela escolheu! Então eu sou para correr fora para encontrar você na latada!... Eu superei todos tais romances e 'fleurs d'amour' anos atrás, minha garota.... Hm! Ela deve ser alguma criatura imoral, descuidada.... Bem, essas mulheres são um conjunto! Que ventoinha - Deus nos perdoe - ela deve ser para escrever uma carta como essa para um estranho, e um homem casado, também! É desmoralização real!"
No curso de seus oito anos de vida marital Pavel Ivanitch tinha completamente superado toda sensação sentimental, e ele não tinha recebido nenhumas cartas de damas exceto cartas de congratulação, e assim, embora ele tentasse se sair bem com desdém, a carta citada acima grandemente o intrigou e agitou.
Uma hora depois de a receber, ele estava deitado em seu sofá, pensando:
"De curso eu não sou um garoto tolo, e eu não vou correr fora para esse rendezvous idiótico; mas ainda assim iria ser interessante saber quem a escreveu! Hm.... É certamente a escrita de uma mulher.... A carta está escrita com sentimento genuíno, e então ela pode dificilmente ser uma piada.... Mais provavelmente é alguma garota neurótica, ou talvez uma viúva ... viúvas são frívolas e excêntricas como uma regra. Hm.... Quem poderia ser?"
O que o fazia mais difícil decidir a questão era que Pavel Ivanitch não tinha uma conhecida feminina dentre os visitantes de veraneio, exceto sua esposa.
"É estranho..." ele meditava. "'Eu amo você!'... Quando ela conseguiu ficar apaixonada? Mulher surpreendente! Se apaixonar assim, a propósito de nada, sem fazer qualquer conhecimento e descobrir que tipo de homem eu sou....Ela deve ser extremamente jovem e romântica se ela é capaz de se apaixonar depois de dois ou três olhares para mim....Mas...quem é ela?"
Pavel Ivanitch subitamente rememorou que quando ele tinha estado andando entre as casas de campo de veraneio o dia anterior, e o dia antes desse, ele tinha várias vezes sido encontrado por uma dama jovem bela com um chapéu azul claro e um nariz arrebitado. A encantadora bela tinha se mantido olhando para ele, e quando ele se sentou em um assento ela tinha sentado ao lado dele....
"Pode ser ela?" Vyhodtsev se admirava. "Não pode ser! Poderia uma criatura efêmera delicada como essa se apaixonar por uma enguia velha gasta como eu? Não, é impossível!"
No jantar Pavel Ivanitch olhava inexpressivamente para sua esposa enquanto ele meditava:
"Ela escreve que ela é jovem e bonita.... Então ela não é velha....Hm....Para falar a verdade, honestamente eu não sou tão velho e plano que ninguém pudesse se apaixonar por mim. Minha esposa me ama! Além disso, amor é cego, nós todos sabemos...."
"Sobre o que você está pensando?" sua mulher lhe perguntou.
"Oh ... minha cabeça dói um pouco..." Pavel Ivanitch disse, inteiramente falsamente.
Ele se decidiu que era estúpido dar atenção a uma tal coisa absurda como uma carta-de-amor, e riu dela e de sua autora, mas - ai de mim! - poderoso é o inimigo de humanidade! Depois do jantar, Pavel Ivanitch jazia deitado em sua cama, e em vez de ir dormir, refletia:
"Mas lá, eu suponho que ela está esperando que eu vá! Que tola!
Eu posso justamente imaginar em que inquietação nervosa ela irá estar e como sua 'tournure' irá tremer quando ela não me encontrar na latada! Eu não irei, contudo.... A incomodar!"
Mas, eu repito, poderoso é o inimigo de humanidade.
"Embora eu pudesse, talvez, somente por curiosidade..." ele estava meditando, meia hora depois. "Eu poderia ir e olhar desde uma distância que tipo de criatura ela é.... Iria ser interessante dar um olhar nela! Iria ser divertido, e isso é tudo! Depois de tudo, por que não deveria eu ter um pouco de diversão já que uma tal chance apareceu?"
Pavel Ivanitch se levantou de sua cama e começou a se vestir. "Para que você está se levantando tão habilmente?" sua esposa perguntou, notando que ele estava colocando uma camisa limpa e uma gravata de bom gosto.
"Oh, nada.... Eu preciso dar uma caminhada.... Minha cabeça dói.... Hm."
Pavel Ivanitch se vestiu em seu melhor, e esperando até oito horas, foi fora da casa. Quando as figuras de visitantes de verão alegremente vestidos de ambos sexos começaram a passar diante de seus olhos contra o fundo verde luminoso, seu coração palpitou.
"Qual delas é? ... " ele se perguntava, avançando irresolutamente. "Venha, do que eu estou com medo? Por que, eu não estou indo para o rendezvous! Que ... tolo! Ir adiante corajosamente! E o que se eu for para dentro da latada? Bem, bem ... não há nenhuma razão por que eu devesse."
O coração de Pavel Ivanitch batia ainda mais violentamente.... Involuntariamente, com nenhum desejo de o fazer, ele subitamente imaginou para si mesmo a meia-escuridão da latada.... Uma garota bela graciosa com um chapéu azul pequeno e um nariz arrebitado surgiu diante de sua imaginação. Ele a via, embaraçada pelo amor dela e tremendo toda, timidamente se aproximando dele, respirando excitadamente, e ... subitamente o apertando nos braços dela.
"Se eu não fosse casado iria ser tudo certo ..." ele meditava, dirigindo ideias pecaminosas fora de sua cabeça. "Embora ... por uma vez em minha vida, não iria fazer nenhum mal ter a experiência, ou então um irá morrer sem saber o que.... E minha esposa, o que irá isso importar a ela? Graças a Deus, por oito anos eu não tenho nunca me movido um passo para longe dela.... Oito anos de dever irreprochável! Bastante dela.... É positivamente vexatório.... Eu estou pronto para ir para a ofender!"
Tremendo todo e segurando sua respiração, Pavel Ivanitch foi acima para a latada, envolvida com hera e videira selvagem, e espreitou para dentro dela.... Um cheiro de umidade e míldio o atingiu....
"Eu creio que não há ninguém ... " ele pensava, indo para dentro da latada, e de uma vez viu uma silhueta humana no canto.
A silhueta era aquela de um homem.... Olhando mais aproximadamente, Pavel Ivanitch reconheceu o irmão de sua esposa, Mitya, um estudante, que estava ficando com eles na casa de campo.
"Oh, é você ..." ele resmungou com descontentamento, enquanto ele tirava seu chapéu e se sentava.
"Sim, sou eu" ... respondeu Mitya.
Dois minutos passaram em silêncio.
"Me desculpe, Pavel Ivanitch," começou Mitya: "mas poderia eu lhe pedir para me deixar só?? ... Eu estou pensando sobre a dissertação para meu diploma e ... e a presença de qualquer um impede meu pensar."
"Você faria melhor em ir a algum lugar em uma avenida escura..." Pavel Ivanitch observou suavemente. "É mais fácil pensar no ar aberto, e, além disso, ...er ... Eu deveria gostar de ter um pouco de sono aqui neste assento.... Não está tão quente aqui...."
"Você quer dormir, mas é uma questão de minha dissertação ..." Mitya rosnou. "A dissertação é mais importante."
Novamente houve um silêncio. Pavel Ivanitch, que tinha dado a rédea a sua imaginação e estava continuamente ouvindo passos, subitamente saltou acima e disse em uma voz lamentosa:
"Venha, eu lhe peço, Mitya! Você é mais jovem e deveria me considerar.... Eu estou indisposto e ... Eu preciso de sono ... Vá embora!"
"Isso é egoísmo.... Por que deve você estar aqui e eu não? Eu não irei ir como uma matéria de princípio."
"Venha, eu lhe peço! Suponha que eu seja um egoísta, um déspota e um tolo ... mas eu lhe peço para ir! Por uma vez em minha vida eu lhe peço um favor! Mostre alguma consideração!"
Mitya agitou sua cabeça.
"Que besta!..." pensava Pavel Ivanitch. - "Isso não pode ser um rendezvous com ele aqui! É impossível com ele aqui!"
"Eu digo, Mitya," ele disse, "Eu lhe peço pela última vez.... Mostre que você é um homem cultivado, humano, e sensível!"
"Eu não sei por que você continua assim!" ... dizia Mitya, encolhendo seus ombros. "Eu disse que eu não irei ir, e eu não irei. Eu vou ficar aqui como uma matéria de princípio...."
Nesse momento uma face de mulher com um nariz arrebitado espreitou para dentro da latada....
Vendo Mitya e Pavel Ivanitch, ela franziu as sobrancelhas e desapareceu.
"Ela é ida!" pensava Pavel Ivanitch, olhando raivosamente para Mitya. "Ela viu esse salafrário e fugiu! Está tudo estragado!"
Depois de esperar um pouco mais, ele se levantou, colocou seu chapéu e disse:
"Você é uma besta, um bruto baixo e um salafrário! Sim! Uma besta! É baixo ... e tolo! Tudo está acabado entre nós!"
"Deleitado em o ouvir!" murmurou Mitya, também se levantando e colocando seu chapéu. "Me deixe lhe dizer que por estando aqui justamente agora você me jogou um tal truque sujo que eu nunca irei o perdoar enquanto eu viver."
Pavel Ivanitch foi fora da latada, e fora de si com fúria, andou a passos largos rapidamente para sua casa de campo. Mesmo a vista da mesa posta para jantar não o confortou.
"Uma vez em um tempo de vida uma tal chance apareceu," ele pensava em agitação; "e então ela foi impedida! Agora ela está ofendida ... esmagada!"
No jantar Pavel Ivanitch e Mitya mantinham seus olhos em seus pratos e mantinham um silêncio mal-humorado.... Eles estavam odiando um ao outro desde o fundo de seus corações.
"Do que você está rindo?" perguntou Pavel Ivanitch, se lançando sobre sua mulher. "São apenas bobos tolos que riem por nada!"
Sua esposa olhava a face raivosa de seu marido, e saiu em uma gargalhada estrepitosa.
"O que era aquela carta que você recebeu esta manhã?"
"Eu? ... Eu não recebi uma...." Pavel Ivanitch foi superado com confusão. "Você está inventando ... imaginação."
"Oh, venha, nos conte! Confesse, você recebeu! Por que, fui eu que lhe enviei aquela carta! Com o brilho de minha honra, eu o fiz! Ha ha!"
Pavel Ivanitch se tornou carmesim e se curvou sobre seu prato. "Piadas tolas," ele resmungou.
"Mas o que poderia eu fazer? Me diga isso.... Nós tinhamos que limpar esfregando os quartos esta noite, e agora poderiamos nós tirar você de casa? Não havia nenhum outro jeito de tirar você para fora.... Mas não fique com raiva, estúpido.... Eu não queria que você ficasse triste na latada, então eu enviei a mesma carta para Mitya também! Mitya, esteve você na latada?"
Mitya sorriu largamente e saiu fora olhando fixamente com ódio para seu rival.
Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
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