quarta-feira, 14 de junho de 2017


Um Erro Grave
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De Love and Other Stories (Tales of Chekhov Vol XIII), ou https://archive.org/details/LoveAndOtherStoriestalesOfChekovVolXiii .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Ilya Sergeitch Peplov e sua esposa Kleopatra Petrovna estavam ficando de pé à porta, escutando de maneira gananciosa. No outro lado na sala de estar pequena uma cena de amor estava aparentemente tomando lugar entre duas pessoas: a filha deles Natashenka e um professor da escola de distrito, chamado Shchupkin.

"Ele está se animando!" sussurrou Peplov, tremendo com impaciência e esfregando suas mãos. "Agora, Kleopatra, pense; tão cedo como eles começarem a falar de seus sentimentos, tome abaixo o ícone[1] da parede e nós iremos ir para dentro e os abençoar...Nós iremos o pegar...Uma benção com um ícone é sagrada e vinculante...Ele não poderia sair fora disso, se ele o trouxesse para dentro de corte."

Do outro lado da porta essa era a conversa:

"Não continue desse jeito!" disse Shchupkin, riscando um palito de fósforo contra suas calças compridas enxadrezadas. "Eu nunca escrevi para você quaisquer cartas!"

"Eu gosto disso! Como se eu não conhecesse sua escrita!" deu risadinhas a garota com um guincho afetado, continuamente espreitando a si mesma no espelho. "Eu a reconheci imediatamente! E que homem estranho você é! Você é um mestre de escrita, e você escreve como uma aranha! Como você pode ensinar escrita se você escreve tão mal você mesmo?"

"H'm!...Isso não quer dizer nada. A coisa grande em lições de escrita não é a mão que um escreve, mas manter os garotos em ordem. Você golpeia um na cabeça com uma régua, faz outro se ajoelhar abaixo.... Além disso, não há nada em caligrafia! Nekrassov era um autor, mas a caligrafia dele é uma desgraça, há um espécime dela nos trabalhos coligidos dele."

"Você não é Nekrassov . . . ." (Um suspiro). "Eu deveria amar casar com um autor. Ele iria sempre estar escrevendo poemas para mim."

"Eu posso lhe escrever um poema, também, se você gostar."

"Sobre o que você pode escrever?"

"Amor - paixão - seus olhos. Você irá ficar maluca quando você o ler. Ele iria extrair uma lágrima de uma pedra! E se eu lhe escrever um poema real, irá você me deixar beijar sua mão?"

"Isso não é nada demais! Você pode a beijar agora se você gostar."

Shchupkin pulou acima, e fazendo olhos tímidos, se curvou sobre a mão pequena gorda que cheirava a sabão de ovo.

"Tome abaixo o ícone," Peplov sussurrou em uma perturbação, pálido com excitação, e abotoando seu sobretudo enquanto ele cutucava sua esposa com seu cotovelo. "Venha junto, agora!"

E sem um atraso de um segundo Peplov lançou aberta a porta.

"Crianças," ele murmurou, levantando acima seus braços e piscando em pranto, "o Senhor os abençoe, minhas crianças. Possam vocês viver - ser frutíferos - e se multiplicar."

"E - e eu os abençoo, também," a mamãe pôs para fora, chorando com felicidade. "Possam vocês ser felizes, meus queridos! Oh, você está levando de mim meu único tesouro!" ela disse a Shchupkin. "Ame minha garota, seja bom para ela...."

A boca de Shchupkin caiu aberta com perplexidade e alarme. O ataque dos pais era tão confiante e inesperado que ele não poderia proferir uma única palavra.

"Eu estou dentro para isso! Eu estou juntado!" ele pensava, se tornando sem energia com horror. "Está tudo acabado com você agora, meu garoto! Não há escapatória!"

E ele curvou sua cabeça submissamente, como se para dizer, "Me leve, eu estou vencido."

"Ben-bençãos sobre você," o papai continuou, e ele, também, derramou lágrimas. "Natashenka, minha filha, fique ao lado dele. Kleopatra, me dê o ícone."

Mas nesse ponto o pai subitamente deixou de chorar, e sua face era contorcida com raiva.

"Sua tola!" ele disse raivosamente para sua esposa. "Você é uma idiota! É esse o ícone?"

"Ach, santos vivos!"

O que tinha acontecido? O mestre de escrita se levantou e viu que ele estava salvo; em sua confusão a mamãe tinha pegado da parede o retrato de Lazhetchnikov, o autor, em engano pelo ícone. Velho Peplov e sua esposa estavam desconcertados no meio da sala, segurando o retrato no alto, não sabendo o que fazer ou o que dizer. O mestre de escrita tomou vantagem da confusão geral e saiu de modo despercebido.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

Notas de Tradução:

[1] ikon, ícone, imagem sacra.

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