sábado, 17 de junho de 2017


Um Homem Peculiar
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De The Schoolmaster and Other Stories (Tales of Chekhov), ou https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/schoolmaster/chapter17.html .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2017.

Entre doze e uma a noite um gentil-homem alto, usando uma cartola e um sobretudo com um capuz, para diante da porta de Marya Petrovna Koshkin, uma parteira e uma criada velha. Nem face nem mão podem ser distinguidas na escuridão de outono, mas na maneira mesma de seu tossir e o tocar do sino uma certa solidez, positividade, e mesmo ser impressivo podem ser discernidos. Depois do terceiro ringue a porta se abre e Marya Petrovna ela mesma aparece. Ela tem o sobretudo de um homem lançado sobre sua combinação branca. A lâmpada pequena com a sombra verde que ela segura em sua mão joga uma luz esverdeada sobre sua face pintalgada, sonolenta, seu pescoço alto e magro e o cabelo avermelhado, liso que erra desde sob o chapéu dela.

"Posso eu ver a parteira?" pergunta o gentil-homem.

"Eu sou a parteira. O que você quer?"

O gentil-homem anda para dentro da entrada e Marya Petrovna vê de frente para ela um homem bem-feito, alto, não mais jovem, mas com uma face severa, vistosa e pelos de bigode e barba cerrados.

"Eu sou um assessor colegiado, meu nome é Kiryakov," ele diz. "Eu vim a buscar para minha esposa. Apenas por favor se apresse."

"Muito bem ..." a parteira assente. "Eu irei me vestir imediatamente, e eu preciso o incomodar para que me espere na sala de estar."

Kiryakov tira seu sobretudo e vai para dentro da sala de estar. A luz esverdeada da lâmpada jaz escassamente sobre a mobília barata em capas brancas remendadas, sobre as flores deploráveis e os pilares em que hera está colocada.... Há um cheiro de gerânio e carbólico. O relógio pequeno na parede tica timidamente, como se embaraçado à presença de um homem estranho.

"Eu estou pronta," diz Marya Petrovna, vindo para dentro da sala cinco minutos depois, vestida, lavada, e pronta para ação. "Vamos."

"Sim, você precisa se apressar," diz Kiryakov. "E, a propósito, não é fora de lugar inquirir - o que você cobra por seus serviços?"

"Eu realmente não sei..." diz Marya Petrovna com um sorriso embaraçado. "Tanto quanto você quiser dar."

"Não, eu não gosto disso," diz Kiryakov, olhando friamente e constantemente para a parteira. "Um arranjamento previamente é melhor. Eu não quero tomar vantagem de você e você não quer tomar vantagem de mim. Para evitar desentendimentos é mais sensível para nós fazer um arranjamento previamente."

"Eu realmente não sei - não há preço fixo."

"Eu trabalho eu-mesmo e estou acostumado a respeitar o trabalho de outros. Eu não gosto de injustiça. Será igualmente desagradável para mim se eu lhe pagar pouco demais, ou se você demandar de mim muito demais, e então eu insisto em que você nomeie sua cobrança."

"Bem, há tais cobranças diferentes."

"H'm. Em vista de sua hesitação, que eu falho em entender, eu sou constrangido a fixar a soma eu-mesmo. Eu posso lhe dar dois rublos."

"Bom gracioso! ... Sobre minha palavra! ..." diz Marya Petrovna, se tornando carmesim e passando para trás. "Eu estou realmente envergonhada. Ao invés de tomar dois rublos eu irei ir por nada....Cinco rublos, se você gostar."

"Dois rublos, nem um copeque a mais. Eu não quero tomar vantagem de você, mas eu não intenciono ser cobrado a mais."

"Como lhe aprouver, mas eu não estou indo por dois rublos...."

"Mas por lei você não tem o direito de recusar."

"Muito bem, eu irei ir por nada."

"Eu não irei a ter por nada. Todo trabalho deveria receber remuneração. Eu trabalho eu-mesmo e eu entendo que ...."

"Eu não irei ir por dois rublos," Marya Petrovna responde brandamente. "Eu irei ir por nada se você gostar."

"Nesse caso eu me arrependo de que eu lhe incomodei por nada.... Eu tenho a honra de lhe desejar adeus."

"Bem, você é um homem!" diz Marya Petrovna, o vendo dentro da entrada. "Eu irei ir por três rublos se isso for o satisfazer."

Kiryakov franze as sobrancelhas e pondera por dois minutos inteiros, olhando com concentração sobre o chão, então ele diz resolutamente, "Não," e vai para fora para dentro da rua. A parteira desconcertada e surpresa tranca a porta depois dele e vai para trás para dentro de seu quarto.

"Ele é vistoso, respeitável, mas quão estranho, Deus abençoe o homem!..." ela pensa enquanto ela vai para cama.

Mas em menos de meia hora ela ouve outro ringue; ela levanta e vê o mesmo Kiryakov novamente.

"Extraordinário o jeito de que coisas são mal administradas. Nem o químico, nem a polícia, nem os porteiros-de-casa podem me dar o endereço de uma parteira, e então eu estou sob a necessidade de assentir a seus termos. Eu irei lhe dar três rublos, mas... Eu a aviso previamente que quando eu contrato serventes ou recebo qualquer tipo de serviços, eu faço um arranjamento previamente para que quando eu pagar não possa haver conversa de extras, gorjetas, ou qualquer coisa do tipo. Todo mundo deveria receber o que lhe é devido."

Marya Petrovna não tem ouvido Kiryakov por muito tempo, mas já ela sente que ela é entediada e repelida por ele, que o falar medido, regular dele jaz como um peso sobre a alma dela. Ela se veste e vai para fora para dentro da rua com ele. O ar está quieto mas frio, e o céu está tão nublado que a luz das lâmpadas de rua é dificilmente visível. A neve molhada faz ruído sob os pés deles. A parteira olha atentamente mas não vê uma carruagem.

"Eu suponho que não é longe?" ela pergunta.

"Não, não longe," Kiryakov responde severamente.

Eles andam abaixo de uma esquina, uma segunda, uma terceira.... Kiryakov anda com passos largos ao longo, e mesmo em seu passo sua respeitabilidade e positividade é aparente.

"Que clima horrível!" a parteira observa a ele.

Mas ele preserva um silêncio digno, e é perceptível que ele tenta pisar nas pedras planas para evitar estragar suas galochas. Finalmente depois de uma caminhada longa a parteira passa para dentro da entrada; da qual ela pode ver uma sala de estar decentemente mobiliada grande. Não há uma alma nos cômodos, mesmo no quarto onde a mulher está jazendo em trabalho de parto....As mulheres velhas e parentes que concorrem em multidão a todo confinamento não estão para ser vistos. A cozinheira passa com pressa para lá e para cá, com uma face vaga e amedrontada. Há um som de gemidos altos.

Três horas passam. Marya Petrovna fica sentada ao lado da cama da mãe e sussurra para ela. As duas mulheres já têm tido tempo de fazer amizade, elas vieram a conhecer uma a outra, elas mexericam, elas suspiram juntas....

"Você não deve falar," diz a parteira ansiosamente, e ao mesmo tempo ela despeja perguntas sobre ela.

Então a porta se abre e Kiryakov ele-mesmo vem quietamente e estolidamente para dentro do quarto. Ele senta na cadeira e afaga seus pelos de bigode e barba. Silêncio reina. Marya Petrovna olha timidamente a sua face de madeira, desapaixonada, vistosa e espera por ele para começar a conversar, mas ele permanece absolutamente silencioso e absorvido em pensamento. Depois de esperar em vão, a parteira se decide a começar ela-mesma, e profere uma frase comummente usada em confinamentos.

"Bem agora, graças a Deus, há um ser humano mais no mundo!"

"Sim, isso é agradável," disse Kiryakov, preservando a expressão de madeira de sua face, "embora de fato, pelo outro lado, para ter mais crianças você precisa ter mais dinheiro. O bebê não nasce alimentado e vestido."

Uma expressão culpada vem dentro da face da mãe, como se ela tivesse trazido uma criatura para dentro do mundo sem permissão ou através de capricho inativo. Kiryakov se levanta com um suspiro e anda com dignidade sólida para fora do quarto.

"Que homem, Deus o abençoe!" diz a parteira para a mãe. "Ele é tão severo e não sorri."

A mãe lhe diz que 'ele' é sempre desse jeito...Ele é honesto, justo, prudente, sensivelmente econômico, mas tudo isso a um tal grau excepcional que simples mortais se sentem sufocados por isso. Seus parentes se apartaram dele, os serventes não irão ficar mais do que um mês; eles não têm amigos; a esposa e os filhos dele estão sempre em ganchos[1] de terror sobre todo passo que eles tomam. Ele não grita com eles nem bate neles, as virtudes dele são bem mais numerosas do que seus defeitos, mas quando ele vai fora da casa eles todos se sentem melhor, e mais à vontade. Por que é assim a mulher ela-mesma não pode dizer.

"As bacias precisam ser propriamente lavadas e guardadas no armário do armazém," diz Kiryakov, vindo para dentro do quarto. "Essas garrafas precisam ser guardadas também: elas podem vir a ser úteis."

O que ele diz é muito simples e ordinário, mas a parteira por alguma razão se sente confundida. Ela começa a ter medo do homem e treme toda vez que ela ouve seus passos. Na manhã enquanto ela está se preparando para partir ela vê o filho pequeno de Kiryakov, um garoto de escola de cabelo aparado, pálido, na sala de jantar bebendo seu chá.... Kiryakov está ficando de pé oposto a ele, dizendo em sua voz regular, plana:

"Você sabe como comer, você precisa saber como trabalhar também. Você acabou de engolir um bocado mas não refletiu provavelmente que esse bocado custa dinheiro e dinheiro é obtido por trabalho. Você precisa comer e refletir...."

A parteira olha para a face inerte do garoto, e parece a ela como se o ar mesmo está pesado, que um pouco mais e as paredes mesmas irão cair, incapazes de suportar a presença esmagadora do homem peculiar. Ao lado dela mesma com terror, e por agora sentindo um ódio violento pelo homem, Marya Petrovna junta acima seus pacotes e apressadamente parte.

A meio caminho para casa ela se lembra que ela esqueceu de pedir por seus três rublos, mas depois de parar e pensar por um minuto, com um agito de sua mão, ela continua.

Cf. Houaiss, Avery, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://michaelis.uol.com.br/moderno-ingles/ .
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).
Cf. dict, GNU/Linux.

Notas de Tradução:

[1] tenterhooks, ganchos, etc.

Nenhum comentário:

Postar um comentário