quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Uma Fábula
De Mark Twain ou Samuel L. Clemens.
De http://www.unz.org/Pub/Harpers-1909dec-00070?View=PDF , ou The Complete Short Stories of Mark Twain, Bantam.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2016.

Uma vez um artista que tinha pintado uma pequena e muito bela pintura a colocou de forma que ele podia a ver no espelho. Ele disse, "Isso dobra a distância e a suaviza, e é duas vezes tão amável quanto era antes."

Os animais fora nas matas ouviram disso através do gato doméstico, que era grandemente admirado por eles porque ele era tão douto, e tão refinado e civilizado, e tão educado e altamente-criado, e podia lhes dizer tanto que eles não sabiam antes, e não tinham certeza sobre depois. Eles ficaram muito excitados sobre esse novo pedaço de fofoca, e eles fizeram perguntas, de forma a chegar a um entendimento completo disso. Eles perguntaram o que uma pintura era, e o gato explicou.

"É uma coisa plana," ele disse; "assombrosamente plana, maravilhosamente plana, encantadoramente plana e elegante. E, oh, tão bela!"

Aquilo os excitou quase a um frenesi, e eles disseram que eles iriam dar o mundo para a ver. Então o urso perguntou:

"O que é que a faz tão bela?"

"É a aparência dela," disse o gato.

Isso os encheu com admiração e incerteza, e eles ficaram mais excitados do que nunca. Então a vaca perguntou:

"O que é um espelho?"

"É um buraco na parede," disse o gato. "Você olha dentro dele, e lá você vê a pintura, e ela é tão refinada e encantadora e etérea e inspiradora em sua beleza inimaginável que sua cabeça vira em volta e em volta, e você quase desmaia com êxtase."

O asno não tinha dito nada ainda; ele agora começou a atirar dúvidas. Ele disse que não havia nunca existido coisa alguma tão bela como isso antes, e provavelmente não existia agora. Ele disse que quando se precisava de uma cesta cheia de adjetivos sesquipedais para alvoroçar uma coisa de beleza, era tempo para suspeição.

Era fácil ver que essas dúvidas estavam tendo um efeito sobre os animais, então o gato saiu fora ofendido. O assunto foi deixado por um par de dias, mas no meio tempo curiosidade estava tomando um início novo, e havia um reviver de interesse perceptível. Então os animais criticaram o asno por estragar o que poderia possivelmente ter sido um prazer para eles, sobre uma mera suspeição de que a pintura não era bela, sem qualquer evidência de que tal fosse o caso. O asno não se embaraçou; ele estava calmo, e disse que havia um jeito de descobrir quem estava no direito, ele mesmo ou o gato: ele iria ir e olhar dentro daquele buraco, e voltar e dizer o que ele achasse lá. Os animais se sentiram aliviados e gratos, e lhe pediram para ir imediatamente--o que ele fez.

Mas ele não sabia aonde ele deveria ficar; e então, através de erro, ele ficou entre a pintura e o espelho. O resultado foi que a pintura não teve chance, e não apareceu. Ele retornou para casa e disse:

"O gato mentiu. Não havia nada dentro daquele buraco a não ser um asno. Não havia um sinal de uma coisa plana visível. Era um asno vistoso, e amigável, mas somente um asno, e nada mais."

O elefante perguntou:

"Você o viu bem e claramente? Você estava perto dele?"

"Eu o vi bem e claramente, O Hathi, Rei das Bestas. Eu estava tão perto que eu toquei narizes com ele."

"Isso é muito estranho," disse o elefante; "o gato sempre foi verdadeiro antes--tão longe como nós podíamos entender. Deixe outra testemunha tentar. Vá, Baloo, olhe dentro do buraco, e venha e relate."

Então o urso foi. Quando ele voltou, ele disse:

"Ambos o gato e o asno têm mentido; não havia nada dentro daquele buraco a não ser um urso."

Grande foi a surpresa e embaraço dos animais. Cada um estava agora ansioso para fazer o teste ele mesmo e chegar à verdade reta. O elefante os enviou cada um de uma vez.

Primeiramente, a vaca. Ela não achou nada dentro do buraco a não ser uma vaca.

O tigre não achou nada dentro dele a não ser um tigre.

O leão não achou nada dentro dele a não ser um leão.

O leopardo não achou nada dentro dele a não ser um leopardo.

O camelo achou um camelo, e nada mais.

Então Hathi estava irado, e disse que ele iria ter a verdade, se ele tivesse que ir e a pegar ele mesmo. Quando ele retornou, ele abusou todos os seus súditos por mentirosos, e estava em uma fúria inaplacável com a cegueira mental e moral do gato. Ele disse que qualquer um a não ser um tolo míope podia ver que não havia nada dentro do buraco a não ser um elefante.

MORAL, PELO GATO

Você pode achar em um texto o que quer que você traga, se você for ficar entre ele e o espelho de sua imaginação. Você pode não ver suas orelhas, mas elas irão estar lá.

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira da língua portuguesa.
Cf. https://priberam.pt/dlpo/Default.aspx , norma brasileira.

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