segunda-feira, 5 de dezembro de 2016


Ciência contra Sorte
De Mark Twain ou Samuel L. Clemens. (1835, Florida, Missouri, EUA -- 1910)
De http://uwch-4.humanities.washington.edu/Tautegory/EBOOKS/twain/SCIENCE%20VS.%20LUCK.htm ou The Complete Short Stories of Mark Twain, Bantam.
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2016.

Naquele tempo, em Kentucky (disse o Honorável Sr. K----), a lei era muito estrita contra o que ela chamava "jogos de azar". Cerca de uma dúzia dos garotos foram detetados jogando "seven-up" ou "old sledge" por dinheiro, e o grande júri achou uma denúncia verdadeira contra eles. Jim Sturgis foi retido para os defender quando o caso veio à tona, de curso. Quanto mais ele estudava sobre a matéria e olhava dentro da evidência, mais plano era que ele precisava perder um caso por fim -- não havia nenhum contorno a esse fato doloroso. Aqueles garotos tinham certamente estado apostando dinheiro em um jogo de azar. Mesmo a simpatia pública foi levantada em favor de Sturgis. Pessoas diziam que era uma pena o ver estragar sua carreira bem-sucedida com um caso grande proeminente como esse, que precisava ir contra ele.

Mas depois de várias noites mal-dormidas uma ideia inspirada luziu sobre Sturgis, e ele saltou fora da cama deleitado. Ele pensava que ele via seu caminho adiante. O dia seguinte ele sussurrou ao redor um pouco entre seus clientes e uns poucos amigos, e então quando o caso apareceu em côrte ele reconheceu o seven-up e o apostamento, e, como sua única defesa, teve a afrontação pasmosa de pôr dentro a declaração de que old sledge não era um jogo de azar! Houve o tipo mais largo de um sorriso todo sobre as faces daquela audiência sofisticada. O juiz sorriu com o resto. Mas Sturgis manteve um semblante cuja seriedade era mesmo severa. O conselho oposto tentou o ridicularizar fora de sua posição, e não foi bem-sucedido. O juiz caçoou em um jeito judicial ponderoso sobre a coisa, mas não o moveu. A matéria estava se tornando grave. O juiz perdeu um pouco de sua paciência, e disse que a piada tinha ido longe o suficiente. Jim Sturgis disse que ele não sabia de nenhuma piada na matéria -- seus clientes não poderiam ser punidos por ter indulgência com o que algumas pessoas escolhiam considerar um jogo de azar, até que estivesse provado que ele era um jogo de azar. Juiz e conselho disseram que isso seria uma matéria fácil, e em seguida chamaram Diáconos Job, Peters, Burke, e Johnson, e Pastores Wirt e Miggles, para testemunhar; e eles unanimamente e com sentimento forte puseram abaixo a tergiversação legal de Sturgis, por pronunciando que old sledge era um jogo de azar.

"O que você o nomeia agora!" disse o juiz.

"Eu o nomeio um jogo de ciência!" retorquiu Sturgis; "e eu irei o provar, também!"

Eles viram seu pequeno jogo.

Ele trouxe adentro uma nuvem de testemunhas, e produziu uma massa esmagadora de testemunho, para mostrar que old sledge não era um jogo de azar, mas um jogo de ciência.

Em vez de ser o caso mais simples no mundo, ele tinha de algum modo se tornado um excessivamente nodoso. O juiz coçava sua cabeça sobre ele um tempo, e disse que não havia nenhum jeito de chegar a uma determinação, porque justamente tantos homens poderiam ser trazidos para côrte que iriam testemunhar para um lado, como poderiam ser encontrados para testemunhar para o outro. Mas ele disse que ele estava disposto a fazer a coisa justa por todas as partes, e iria atuar sobre qualquer sugestão que Sr. Sturgis iria fazer para a solução da dificuldade.

Sr. Sturgis estava sobre seus pés em um segundo:

"Aliste jurados em um júri de seis de cada, Sorte contra Ciência -- lhes dê velas e um par de baralhos, os mande para dentro da sala de júri, e justamente se sujeite ao resultado!"

Não houve disputa da justiça da proposição. Os quatro diáconos e os dois pastores foram jurados dentro como os jurados de "azar", e seis velhos professores de seven-up inveterados foram escolhidos para representar o lado "ciência" da questão. Eles se retiraram para a sala do júri.

Em cerca de duas horas, Diácono Peters enviou alguém para pegar emprestado três dólares de um amigo. [Sensação.] Em cerca de duas horas mais, Pastor Miggles enviou alguém para côrte para pegar emprestado uma "participação" de um amigo. [Sensação.] Durante as próximas três ou quatro horas, o outro pastor e os outros diáconos enviaram pessoas para côrte para pequenos empréstimos. E ainda a audiência lotada esperava, pois isso era uma ocasião prodigiosa em Bull's Corners, e uma em que todo pai de uma família estava necessariamente interessado.

O resto da história pode ser contado brevemente. Por volta de luz-do-dia o júri veio adentro, e Diácono Job, o homem-de-frente, leu o seguinte.

VEREDITO.

Nós, o júri no caso do Estado de Kentucky vs. John Wheeler et al., temos considerado cuidadosamente os pontos do caso, e testado os méritos das várias teorias avançadas, e por meio deste decidimos unanimamente que o jogo comummente conhecido como old sledge ou seven-up é eminentemente um jogo de ciência e não de azar. Em demonstração do quê, é por meio deste e aqui declarado, iterado, reiterado, posto adiante, e feito manifesto, que, durante a noite inteira, os homens de "azar" nunca ganharam um jogo ou viraram um valete, embora ambos feitos foram comuns e frequentes para a oposição; e demais, em suporte desse nosso veredito, nós chamamos atenção para o fato significante de que os homens de "azar" estão todos falidos, e os homens de "ciência" têm conseguido todo o dinheiro. É a opinião deliberada deste júri que a teoria de "azar" concernindo seven-up é uma doutrina perniciosa, e calculada para infligir sofrimento inaudito e perda pecuniária sobre qualquer comunidade que tome estoque nela.

"Esse é o jeito que seven-up veio a ser posto de lado e particularizado nos livros de estatuto de Kentucky como sendo um jogo não de azar mas de ciência, e portanto não punível sob a lei," disse Sr. K----. "Esse veredito é de registro, e se mantém bom até este dia."

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira da língua portuguesa.
Cf. https://priberam.pt/dlpo/Default.aspx , norma brasileira.

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