terça-feira, 8 de maio de 2018

Antonio Freire de Andrade
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2018.

Antonio Freire de Andrade, notário em Porto, Portugal, passou ao Brasil em 1637, com trinta e seis anos de idade, chegando à cidade do Rio de Janeiro. O núcleo da aristocracia luso-brasileira se encontrava em São Vicente, e lá Andrade contraiu matrimônio com Luiza Alvarenga, vindo residir o casal no território fluminense. Nasceram deste casamento quatro filhos, criados em Rio de Janeiro, onde Andrade prestava serviço como notário. Passados vinte e dois anos, Antonio Freire de Andrade, então com cinquenta e oito anos de idade, deixou os negócios aos cuidados de seus filhos e um cunhado e partiu em empresa pelo interior do país. Tinha conhecimento da obra de Ambrosio Fernandes Brandão, Diálogos das Grandezas do Brasil, e de outros relatos de inscrições encontradas em rochas nos sertões do Mato Grosso. Foi acompanhado por quatro nativos tupiniquins, quatro luso-fluminenses e um capitão-do-mato de nome Francisco Alves, fluminense de terceira geração e carioca, além de seu terceiro filho, João Alvarenga de Andrade, com dezesseis anos de idade. Andrade havia se tornado razoavelmente fluente na língua tupi em seus anos de serviço no Novo Mundo, e tinha a percepção de que parte do que os nativo-americanos sabiam a respeito da terra, não era compartilhado nem mesmo com os padres jesuítas que registravam a língua e os costumes nativo-brasileiros.

A empresa era arriscada, mas Antonio de Andrade tinha experiência em excursões pelo mato, e sua comitiva não era pequena demais nem despreparada. Confiava na movimentação discreta para chegar aos objetivos, as ruínas de uma civilização pré-incaica, localizadas no atual estado do Mato Grosso. Levava papel e pena para registrar o que fosse que encontrasse de interessante. Era tambem bom desenhista. Entretanto, Andrade desconhecia a extensão daquilo que ainda existisse de tal povoação. Os índios residentes ao Mato Grosso guardavam aquela região, onde o poderio bélico português não fizera esforços demasiados para o domínio por questão mesmo de preservação arqueológica. O próprio saudoso el-Rei D. João IV, seu filho D. Afonso VI e a regente Luisa de Gusmão sabiam bem da importância deste território. Alguns bandeiristas haviam sido mortos por chegar muito próximos a entradas subterrâneas, que levavam a ruínas soterradas desde há muito e mantidas pelas tribos que descendiam dos atlantes brasileiros. Andrade em seu tempo em Porto tinha tido acesso a alguns documentos extraviados, que deixavam claro que Portugal não expunha completamente algumas informações mais profundas sobre o que guarda o território do Brasil.

Passados oito dias de cavalgada, chegaram a avistar a Serra da Mantiqueira, onde os tupiniquins conheciam algo do que as nações nativas não revelavam em geral. Existiam certas reentrâncias na pedra, que davam a impressão de ser portais de pedra, mas que eram impossíveis de abrir. Na verdade se tratavam de marcas para orientar os viajantes. Percorrendo o perímetro da serra se depararam por duas vezes com semelhantes portais, sendo que no primeiro havia inscrições em um alfabeto semelhante ao grego. Andrade as anotou devidamente. O mais velho dos tupiniquins, Abaitambe, reconhecia aquela escrita. Era a escrita antiga brasileira, de alguns de seus antepassados. Embora não utilizassem a escrita em geral nos dias correntes, os tupiniquins tinham sabedoria por tradição de que ela existia e sua relevância em seu território. Algumas das galerias subterrâneas de cidades antigas ainda persistiam com certo esplendor, guardadas por ramos tupi-guaranis ligados a feitiçaria e ao oculto.

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