domingo, 11 de janeiro de 2015
Um Diagnóstico de Morte
De Ambrose Bierce.
De "Can Such Things Be?", http://www.gutenberg.org/dirs/etext03/canbe10h.htm .
Tradução de língua Inglesa para língua Portuguesa do Brasil
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2015.
"Eu não sou tão supersticioso como alguns de seus médicos - homens de ciência, como vocês se aprazem em ser chamados," disse Hawver, replicando a uma acusação que não tinha sido feita. "Alguns de vocês - somente uns poucos, eu confesso - acreditam na imortalidade da alma, e em aparições que vocês não têm a honestidade de chamar fantasmas. Eu não vou mais longe do que uma convicção de que os viventes são algumas vezes vistos onde eles não estão, mas estiveram - onde eles viveram tão longamente, talvez tão intensamente, como a terem deixado sua impressão em tudo ao redor deles. Eu sei, de fato, que o ambiente de um pode ser tão afetado pela personalidade de um como a produzir, longamente depois, uma imagem do eu de um aos olhos de outro. Indubitavelmente a personalidade impressionante tem de ser o tipo certo de personalidade como os olhos que percebem[1] têm de ser o tipo certo de olhos - os meus, por exemplo."
"Sim, o tipo certo de olhos, transmitindo sensações ao tipo errado de cérebro," disse Dr. Frayley, sorrindo.
"Obrigado; um gosta de ter uma expectativa gratificada; essa é mais ou menos a resposta que eu supunha que você iria ter a civilidade de fazer."
"Perdoe-me. Mas você diz que você sabe. Isso é um bom bocado para dizer, você não acha? Talvez você não irá se importar com o problema de dizer como você aprendeu."
"Você irá o chamar uma alucinação," Hawver disse, "mas isso não importa." E ele contou a história.
"Último verão eu fui, como você sabe, passar o termo de tempo quente na cidade de Meridian. O parente em cuja casa eu tinha tencionado ficar estava doente, então eu procurei outros quartéis. Depois de alguma dificuldade eu fui bem sucedido em alugar uma residência vaga que tinha sido ocupada por um doutor excêntrico do nome de Mannering, que tinha ido embora anos antes, ninguém sabia para onde, nem mesmo seu agente. Ele tinha construído a casa ele-mesmo e tinha vivido nela com um servente velho por cerca de dez anos. Sua prática, nunca muito extensiva, tinha depois de uns poucos anos sido deixada de lado inteiramente. Não somente isso, mas ele tinha se retirado quase totalmente de vida social e se tornado um recluso. Foi me dito pelo doutor da vila, mais ou menos a única pessoa com quem ele tinha quaisquer relações, que durante sua aposentadoria ele tinha se devotado a uma linha única de estudo, o resultado de que ele tinha exposto em um livro que não se recomendava à aprovação de seus irmãos profissionais, que, de fato, o consideravam não inteiramente são. Eu não vi o livro e não posso agora recordar o título dele, mas é me dito que ele expunha uma teoria preferivelmente surpreendente. Ele mantinha que era possível no caso de muita uma pessoa em saúde boa predizer sua morte com precisão, vários meses em adiantamento do evento. O limite, eu penso, era dezoito meses. Havia lendas locais de ele ter exercido seus poderes de prognóstico, ou talvez você iria dizer diagnóstico; e era dito que em toda instância a pessoa cujos amigos ele tinha avisado tinha morrido subitamente no tempo apontado, e de nenhuma causa assinalável. Tudo isso, contudo, não tem nada a ver com o que eu tenho para dizer; eu pensei que isso poderia entreter um médico.
"A casa era mobiliada, justo como ele tinha vivido nela. Ela era uma residência preferivelmente melancólica para um que não era nem um recluso nem um estudante, e eu penso que ela deu alguma coisa de seu caráter a mim - talvez algo do caráter de seu ocupante anterior; pois sempre eu sentia nela uma certa melancolia que não era em minha disposição natural, nem, eu penso, devida a solidão. Eu não tinha nenhuns serventes que dormissem na casa, mas eu sempre fui, como você sabe, preferivelmente afetuoso de minha sociedade própria, sendo muito inclinado a leitura, embora pouco a estudo. Qualquer que fosse a causa, o efeito era depressão e um senso de mal impendente; isso era especialmente o caso no escritório de Dr. Mannering, embora aquele cômodo fosse o mais claro e mais aerado na casa. O retrato em tamanho natural do doutor em óleo se pendurava naquele cômodo, e parecia o dominar completamente. Não havia nada incomum na figura; o homem era evidentemente preferivelmente bem aparentado, com cerca de cinquenta anos de idade, com cabelo cinza-ferro, uma face suavemente-barbeada e olhos escuros, sérios. Alguma coisa na figura sempre atraía e segurava minha atenção. A aparência do homem se tornou familiar para mim, e preferivelmente me 'assombrava'.
"Uma noite eu estava passando através desse cômodo para meu quarto, com uma lâmpada - não há gás em Meridian. Eu parei como usual diante do retrato, que parecia à luz da lâmpada ter uma expressão nova, não facilmente nomeada, mas distintamente misteriosa. Ele me interessou mas não me perturbou. Eu movi a lâmpada de um lado para o outro e observei os efeitos da luz alterada. Enquanto assim engajado eu senti um impulso de me virar. Enquanto eu o fazia eu vi um homem se movendo através do cômodo diretamente em meu sentido! Tão logo ele veio próximo o suficiente para a luz da lâmpada iluminar a face eu vi que era Dr. Mannering ele-mesmo; era como se o retrato estivesse andando!
"'Eu peço seu perdão,' eu disse, algo friamente, 'mas se você bateu eu não ouvi.'
"Ele passou por mim, dentro do comprimento de um braço, levantou seu indicador direito, como em aviso, e sem uma palavra continuou para fora do cômodo, embora eu tenha observado sua saída não mais do que eu tinha observado sua entrada.
"De curso, eu não preciso dizer a você que isso era o que você irá chamar uma alucinação e eu chamo uma aparição. Aquele cômodo tinha somente duas portas, das quais uma estava trancada; a outra levava para dentro de um quarto, do qual não havia saída. Meu sentimento em perceber isso não é uma parte importante do incidente.
"Indubitavelmente isso parece a você uma 'história de fantasmas' muito lugar-comum - uma construída sobre as linhas regulares deitadas pelos mestres velhos da arte. Se isso fosse o caso eu não deveria ter a relatado, mesmo se ela fosse verdade. O homem não estava morto; eu o encontrei hoje na rua Union. Ele passou por mim em uma multidão."
Hawver tinha terminado sua história e ambos homens estavam silenciosos. Dr. Frayley distraidamente tamborilava sobre a mesa com seus dedos.
"Disse ele qualquer coisa hoje?" ele perguntou - "qualquer coisa de que você tenha inferido que ele não estava morto?"
Hawver olhou fixamente e não respondeu.
"Talvez," continuou Frayley, "ele fez um sinal, um gesto - levantou um dedo, como em aviso. É um truque que ele tinha - um hábito quando dizendo alguma coisa séria - anunciando o resultado de um diagnóstico, por exemplo."
"Sim, ele o fez - justo como sua aparição tinha feito. Mas, bom Deus! conheceu você alguma vez ele?"
Hawver estava aparentemente ficando nervoso.
"Eu o conhecia. Eu li seu livro, como irá todo médico algum dia. É uma das mais extraordinárias e importantes das contribuições do século para ciência médica. Sim, eu o conhecia; eu o atendi em uma doença três anos atrás. Ele morreu."
Hawver se levantou de um salto de sua cadeira, manifestamente perturbado. Ele caminhou adiante e para trás através do cômodo; então se aproximou de seu amigo, e em uma voz não totalmente firme, disse: "Doutor, tem você qualquer coisa para dizer para mim - como um médico?"
"Não, Hawver, você é o homem mais saudável que eu jamais conheci. Como um amigo eu o aconselho a ir para seu cômodo. Você toca o violino como um anjo. Toque-o; toque alguma coisa leve e viva. Tire esse negócio ruim amaldiçoado fora de sua mente."
O dia seguinte Hawver foi encontrado morto em seu cômodo, o violino ao seu pescoço, o arco sobre as cordas, sua música aberta diante dele na marcha fúnebre de Chopin.
Notas de Tradução:
[1] que percebem, ou percipientes, ou perceptivos.
Cf. Houaiss, Avery, Barsa.