domingo, 16 de fevereiro de 2014

Na Casa de Homem Velho Eckert

Ambrose Bierce
De "Present at a Hanging and Other Ghost Stories, Some Haunted Houses", http://www.gutenberg.org/dirs/etext03/prhg10h.htm .
Tradução de língua Inglesa para língua Portuguesa do Brasil de
Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2014.

Philip Eckert viveu por muitos anos em uma casa velha, manchada pelo tempo cerca de três milhas da pequena cidade de Marion, em Vermont. Precisa haver um bom número de pessoas viventes que se lembram dele, não duramente, eu confio, e sabem alguma coisa da estória que eu estou prestes a contar.

"Homem Velho Eckert," como ele era sempre chamado, não era de uma disposição social e vivia só. Como ele nunca foi sabido de falar de seus próprios assuntos ninguém por lá sabia coisa alguma de seu passado, nem de seus parentes se ele tinha quaisquer. Sem ser particularmente desagradável ou repelente em maneira ou fala, ele conseguia de alguma forma ser imune a curiosidade impertinente, ainda isento da reputação má com a qual ela comummente se vinga quando frustrada; tão longe como eu sei, o renome de Sr. Eckert como um assassino reformado ou um pirata aposentado do Mar Caribe não tinha ainda atingido nenhum ouvido em Marion. Ele obtinha seu sustento cultivando uma fazenda pequena e não muito fértil.

Um dia ele desapareceu e uma procura prolongada de seus vizinhos falhou em o fazer aparecer ou jogar qualquer luz sobre seu paradeiro ou porquês. Nada indicava preparação para partir: tudo estava como ele poderia o ter deixado para ir à fonte para um balde d'água. Por umas poucas semanas pouco se falou de outra coisa naquela região; então "homem velho Eckert" se tornou uma lenda da vila para o ouvido do estrangeiro. Eu não sei o que foi feito com referência a sua propriedade -- a coisa legal correta, sem dúvida. A casa estava de pé, ainda vazia e conspicuamente inadequada, quando eu por último ouvi dela, alguns vinte anos depois.

De curso ela veio a ser considerada "assombrada," e as lendas costumeiras eram contadas de luzes moventes, sons dolorosos e aparições assustadoras. Uma vez, cerca de cinco anos depois do desaparecimento, estas estórias do sobrenatural se tornaram tão comuns, ou através de algumas circunstâncias atestadoras pareciam tão importantes, que alguns dos cidadãos mais sérios de Marion o julgaram bem de investigar, e para esse fim arranjaram uma sessão noturna sobre as premissas. Os partidos para esse empreendimento eram John Holcomb, um boticário; Wilson Merle, um advogado, e Andrus C. Palmer, o professor da escola pública, todos homens de consequência e reputação. Eles eram para se encontrar na casa de Holcomb às oito horas da noite do dia apontado e ir junto à cena de sua vigília, onde arranjamentos certos para seu conforto, uma provisão de combustível e afins, pois a estação era inverno, já tinham sido feitos.

Palmer não manteve o engajamento, e depois de esperar uma meia-hora por ele os outros foram para a casa Eckert sem ele. Eles se estabeleceram no cômodo principal, diante de um fogo incandescente, e sem outra luz do que ele dava, esperaram eventos. Tinha sido acordado falar tão pouco quanto possível: eles nem mesmo renovaram a troca de vistas com referência à defecção de Palmer, que tinha ocupado suas mentes no caminho.

Provavelmente uma hora tinha se passado sem incidente quando eles ouviram (não sem emoção, sem dúvida) o som de uma porta abrindo na parte de trás da casa, seguido por passos no cômodo adjacente àquele em que eles se sentavam. Os vigilantes se levantaram para seus pés, mas ficaram firmes, preparados para o que quer que pudesse se seguir. Um silêncio longo seguiu - quão longo nenhum deles iria depois empreender dizer. Então a porta entre os dois cômodos se abriu e um homem entrou.

Era Palmer. Ele estava pálido, como de excitação - tão pálido como os outros se sentiam estar. Sua maneira, também, estava singularmente distraída: ele nem respondeu a seus cumprimentos nem tanto como os olhou, mas caminhou lentamente através do cômodo na luz do fogo falhante e abrindo a porta da frente passou para fora para dentro da escuridão.

Parece ter sido o primeiro pensamento de ambos homens que Palmer estivesse sofrendo de terror - que alguma coisa vista, ouvida ou imaginada no quarto dos fundos o tinha privado de seus sentidos. Atuando sobre o mesmo impulso amigável ambos correram atrás dele através da porta aberta. Mas nem eles nem ninguém jamais outra vez viu ou ouviu de Andrus Palmer!

Este tanto foi verificado na manhã seguinte. Durante a sessão de Srs. Holcomb e Merle na "casa assombrada" uma nova neve tinha caído para uma profundidade de várias polegadas sobre a velha. Nesta neve a trilha de Palmer desde seu alojamento na vila até a porta dos fundos da casa Eckert foi conspícua. Mas lá ela terminou: da porta da frente nada guiava embora senão as trilhas de dois homens que juravam que ele os precedera. O desaparecimento de Palmer foi tão completo quanto aquele de "homem velho Eckert" ele mesmo - que, de fato, o editor do jornal local algo graficamente acusou de ter "se esticado e o puxado para dentro."

Cf. Houaiss, Avery, Barsa.