quarta-feira, 17 de janeiro de 2018


O Álbum
De Anton Chekhov.
Tradução de língua russa para língua inglesa.
De Constance Garnett.
De The Schoolmaster And Other Stories, https://ebooks.adelaide.edu.au/c/chekhov/anton/schoolmaster/chapter20.html ou https://archive.org/details/schoolmasterand00garngoog .
Tradução de língua inglesa para língua portuguesa do Brasil.
De Herculano de Lima Einloft Neto.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2018.

Kraterov, o conselheiro titular, tão fino e delgado quanto o pináculo do almirantado, passou a frente e, se endereçando a Zhmyhov, disse:

"Sua Excelência! Movidos e tocados ao fundo de nossos corações pelo jeito com que você nos governou durante anos longos, e por seu cuidado paternal...."

"Durante o curso de mais de dez anos ..." Zakusin fez lembrar.

"Durante o curso de mais de dez anos, nós, seus subordinados, nesse tão memorável para nós...er...dia, pedimos a sua Excelência para aceitar em sinal de nosso respeito e gratidão profunda este álbum com nossos retratos nele, e expressamos nossa esperança de que pela duração de sua vida distinguida, que por anos longos, longos por vir, até o dia de sua morte você possa não nos abandonar..."

"Com seu aconselhamento paternal no caminho de justiça e progresso..." adicionou Zakusin, limpando com um pano de sua testa a perspiração que tinha subitamente aparecido nela; ele estava evidentemente desejando falar, e em toda probabilidade tinha um discurso pronto. "E," ele encerrou, "possa seu padrão voar por anos longos, longos na carreira de gênio, indústria, e consciência social."

Uma lágrima gotejou abaixo da bochecha esquerda enrugada de Zhmyhov.

"Gentis-homens!" ele disse em uma voz trêmula, "Eu não esperava, eu não tinha ideia que vocês iriam celebrar meu jubileu modesto... Eu estou tocado de fato... muito... Eu não irei esquecer este momento até o dia de minha morte, e me creiam... me creiam, amigos, que ninguém é tão desejoso de seu bem-estar como eu sou... e se houve alguma coisa... foi para seu benefício."

Zhmyhov, o conselheiro civil verdadeiro, beijou o conselheiro titular Kraterov, que não tinha esperado uma tal honra, e se tornou pálido com deleite. Então o chefe fez um gesto que significava que ele não poderia falar por emoção, e derramou lágrimas como se um álbum caro não tivesse sido presenteado a ele, mas ao contrário, tomado dele... Então quando ele tinha se recuperado um pouco e dito algumas palavras a mais cheias de sentimento e dado a todos sua mão para apertar, ele foi para o andar de baixo dentre altos e alegres gritos de aplauso, entrou na carruagem dele e se dirigiu embora, seguido pelas bençãos deles. Enquanto ele estava sentado em sua carruagem ele estava consciente de uma enxurrada de sentimentos felizes tais como ele não tinha nunca conhecido antes, e uma vez mais ele derramou lágrimas.

Em casa deleites novos o esperavam. Lá sua família, seus amigos, e conhecidos tinham lhe preparado uma tal ovação que parecia a ele que ele realmente tinha sido de muito grande serviço a seu país, e que se ele não tivesse nunca existido seu país iria talvez ter estado em um muito mau jeito. O jantar de jubileu foi feito de brindes, discursos, e lágrimas. Em curto, Zhmyhov não tinha nunca esperado que seus méritos fossem tão calorosamente apreciados.

"Gentis-homens!" ele disse antes da sobremesa, "duas horas atrás eu fui recompensado por todos os sofrimentos que um homem tem que suportar que é o servente, para assim dizer, não de rotina, nem da letra, mas de dever! Através da duração toda de meu serviço eu tenho constantemente aderido ao princípio; - o público não existe para nós, mas nós para o público, e hoje eu recebi a mais alta recompensa! Meus subordinados me presentearam com um álbum... vejam! Eu fiquei tocado."

Faces festivas se curvaram sobre o álbum e começaram a o examinar.

"É um álbum bonito," disse a filha de Zhmyhov Olya, "ele deve ter custado cinquenta rublos, eu creio. Oh, é encantador! Você deve me dar o álbum, papai, você está ouvindo? Eu irei tomar conta dele, é tão bonito."

Depois do jantar Olya carregou fora o álbum para seu quarto e o fechou em sua gaveta de mesa. O dia seguinte ela tirou os funcionários fora dele, os atirou sobre o chão, e colocou seus amigos de escola no lugar deles. Os uniformes de governo deram lugar para capas femininas brancas. Kolya, o filho pequeno de sua Excelência, pegou os funcionários e pintou suas roupas de vermelho. Aqueles que não tinham bigode ele presenteou com bigodes verdes e adicionou barbas marrons aos sem barba. Quando não havia nada de sobra para pintar ele cortou os homens pequenos fora do papelão, furou seus olhos com um alfinete, e começou a brincar de soldados com eles. Depois de cortar fora o conselheiro titular Kraterov, ele o fixou sobre uma caixa de fósforos e o carregou nesse estado para o escritório de seu pai.

"Papai, um monumento, olhe!"

Zhmyhov irrompeu em riso, guinou para a frente, e, olhando ternamente para a criança, lhe deu um beijo morno na bochecha.

"Lá, seu trapaceiro, vá e mostre a mamãe; deixe mamãe ver também."

Cf. Avery, Houaiss, Dicionário Barsa.
Cf. Dicionário Houaiss da língua portuguesa.
Cf. http://www.wordreference.com/enpt/ , Dicionário Inglês-Português (Brasil).

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